London: My big disappointing.

Talvez seja por causa do inverno, mas mesmo assim…

Você sonha com Londres. Vê todas aquelas fotos fantásticas e cria um lugar perfeito em sua cabeça. Onde o céu é bonito, assim como as construções, as pessoas e o sotaque. Você imagina a cidade perfeita. O país com a família real mais famosa do mundo. Os estádios de futebol mais bonitos. O lugar onde viveu Shakeaspere, Beatles e até Harry Potter. Imagina chegar lá e ter grandes aventuras, se apaixonar, sentir-se em casa e quem sabe até continuar por lá e acabar sendo como um dos grandes sucessos que tiveram a cidade como berço.

Eu fui assim. Sonhei com Londres. Ansiei por ela. Programei detalhadamente cada um dos meus passos para que pudesse apreciar o máximo possível daquela que tinha tudo para ser a cidade perfeita. Porque New York é ótima, mas não tem a história de Londres. Londres tem história. Eu amo história.

Chego lá e encontro ruas não retangulares/quadradas, becos feios, ruas que desembocam em becos feios. Encontro faixas de pedestres e semáforos que funcionam diferente daqui. Pessoas que em suma maioria são indianas ou estrangeiras de qualquer outro lugar. Casas iguais, tanto as velhas como as novas. Todas construídas com tijolos expostos que necessariamente seguem o mesmo padrão de cores. Comidas terríveis. TERRÍVEIS, em letras garrafais mesmo. Um céu mais feio que o de Curitiba. Porque o céu cinza de Curitiba é lindo. O céu sem sol daqui, aquele que paira durante o inverno quase que todo, ainda resplandece um pouco de sol em alguns momentos, em alguns dias o sol mostra a cara, a gente sabe que o sol existe. Em Londres não. Passei oito dias lá e só vi o Sol uma vez e foi quando estava se pondo, fiquei tão impressionada que até fotografei. Ao contrário do que possam pensar, eu não deixei de ver o Sol porque sou desatenta, ele que não apareceu mesmo.

Você entra no famoso ônibus turístico e, mesmo passeando por todas as linhas, só escuta falar sobre os reis e rainhas, principalmente a Rainha Vitória e o Rei Henrique VIII. É interessante, porém, o fato de que mesmo os becos mais enfadonhos por onde o ônibus passa possuem uma história interessante. Passei pela Rua Fleet, aquela do Sweeney Todd e também pela do Jack Stripador, além de outras com histórias muitas vezes alarmantes, mas das quais não me recordo totalmente. A história é bela sim. Rica sim. Interessante sim. Fazer o River Cruise é uma experiência e tanto. Ver a cidade pelo rio, imaginar-se séculos atrás, quando ainda não haviam todas aquelas pontes e o lado do Parlamento e afins era Londres e o outro era a região metropolitana pobre. É legal ir lá e se imaginar vivendo em 1800 no máximo, mas imaginar-se vivendo hoje, no mundo de hoje, é um tanto quanto complicado. Não estou dizendo que a cidade é terrível, não. Há quem goste. E como há. Mas não fez meu estilo. Estava contando os dias para ir embora. Já não aguentava mais as ruas com sentido errado, a direção contrária dos carros, o café terrívelmente forte, a carne de carneiro que insistia em aparecer em todos os pratos ordenados e aquelas pessoas que não sabem falar inglês direito. É certo que o Parlamento e o Big Ben são lindos, que andar no segundo andar do ônibus é divertido, que os metrôs são muito bem estruturados e que há um hall muito diverso de atrações, mas eu não gosto dessa coisa de não conseguir conhecer a cidade toda a pé. De ter uma atração muito longe da outra e em locais escondidos que nos causam certo receio em andar por perto.

Andar na London Eye foi a maior decepção da minha vida. Você vê aquela roda gigante em todos os lugares e imagina que deve ser fantástica a vista da cidade por ali, que deve ser até divertido e você chega lá e tem que pagar quase 20 libras pra entrar numa roda gigante que demora meia hora pra rodar e que não é alta o suficiente para te fazer enxergar a cidade inteira. Poderia ter gasto o dinheiro com muitas coisas mais úteis, sem dúvida. Outra grande decepção são os palácios. Tem um monte por lá mas você não pode visitar nenhum! Minto, o Kensignton você pode, mas estava em reforma, então eu não pude. E o ônibus de turismo ainda fala que a rainha não mora em nenhum e só os usa para comemorações. Então por que eles não são abertos pra visita? Deve ser tão rico em conhecimento histórico um castelo real de verdade, em funcionamento! Em um patamar um pouco maior, já que só são usados para comemorações poderiam virar dormitórios dos sem teto ou com tetos não confortáveis. Nem que só os quartos de empregados fossem destinados a isso. Se um andar de um castelo real fosse destinado a isso grande parte dos moradores sem teto teriam um teto.

Senti-me MUITO mau naquele lugar. Em níveis extremos. Via toda aquela riqueza sendo esbanjada nas construções reais, Igrejas e afins e ao mesmo tempo bairros paupérrimos. Visitei um bairro onde grande parte dos habitantes é brasileiro, tenho primos lá, fiquei impressionada. Se no Brasil existem favelas feias e amontoadas em morros, lá as coisas são um pouco mais evoluídas, mas tão tristes quanto. Eles têm uma casa grande onde cada um mora num quarto e dividem a cozinha e o banheiro, isso os que conseguem trabalhar e têm renda suficiente para pagar o aluguel que não é tão barato quanto a gente pensa. Na favela pelo menos você tem a possibilidade de construir a sua própria casa, que não é uma maravilha, mas é sua casa. Lá não. E com a crise europeia o índice de desemprego da cidade está aumentando, como o governo privilegia os britânicos de nascença, a tendência é que os imigrantes fiquem cada vez em piores condições. Enquanto isso a rainha tem um monte de palácios. Fechados.

Visitar Londres me fez realmente ver que sou contra monarquias. Sempre achei que monarquia parlamentar era uma boa forma de governo, mas depois dessa visita eu concluí que isso só aumenta a desigualdade social e cria ídolos para o povo, que cegos de amor pela rainha e o governo não são capazes de enxergar seus problemas sociais. Aqui os políticos são ladrões, mas pelo menos a gente sabe disso. A gente que colocou eles no poder então a culpa é nossa. Lá não. Se a Família Real fizer uma lavagem monstra de dinheiro a população não vai ficar sabendo e se ficar vai achar bonito, porque nasceram e cresceram aprendendo a amar e respeitar a dita cuja. Enquanto isso o país fica um tanto Conservador e… Sei lá. Mesmo que a Democracia não funcione plenamente, a simples ideia de viver em um lugar onde a Democracia não existe já me dá náuseas. Como é que o povo consegue sobreviver lá, sem poder gritar, ou gritando sem a menor chance de ser ouvido? É por isso que quando há revoltas populares em Londres elas tomam proporções gigantes. Se fossem minúsculas ninguém ia ficar sabendo, ninguém se importaria. Mas se eles queimarem os ônibus, invadirem locais públicos e fizerem todas as coisas que os jornais repassam como sendo “vandalismo”, o governo será obrigado a atendê-los para que eles parem. Isso porque, ao contrário daqui, se a polícia for chamada e agredir os manifestantes, o resto da população não deixa barato.

No fim das contas, tento manter apenas as lembranças positivas dessa visita. Sendo elas King’s Cross Station, Shakeaspere Globe Theatre, Abbey Road e Baker Street. De resto, acho que o V (do V de Vingança) tinha que ter sido ainda mais radical pra dar jeito naquele lugar que só consigo definir como sendo bizarro.

Sou muito mais o Brasil.

E a partir de agora nada mais de fantasear cidades baseando-se em fotos vistas no weheartit.

0 thoughts on “London: My big disappointing.

  1. Pois é flor, pra voce ver como é tudo questão de opinião… Meu tempo em Londres se resumiu a três miseros dias e eu não queria nunca mais ir embora… Me fascinou aquele lugar, o tempo estava maravilhosa e eu chorei ao perceber que poderia morar ali fácil e a mão inglesa é questão de costume.

    Eu amei Londres e talvez não seja tão politizada para ver tudo o que voce viu, mas assim como existem coisas em qualquer lugar do mundo, eu te garanto que, ao menos para mim, elas não parecem tãoabsurdas a ponto de me fazer amar menos aquele lugar

  2. Puxa vida, May! Acho que é por isso que eu nem fico superestimando e sonhando tanto com essas cidades, haha. Eu sonhava mesmo era com a Disney, e essa não me decepcionou nem um pouco! Com Miami eu não sonhava, mas achei lindinha, super organizada, parece de bonecas! Londres, Paris, Amsterdã.. Eu tenho vontade de conhecer, de verdade, mas não acho nem de longe que é perfeito. Agora, a que eu mais quero conhecer é Nova York! HAHA
    Beijos!!

  3. Mil vezes Nova York, prefiro ir pra lá. História todo lugar tem, né. Mas ainda quero ir em Londres me decepcionar por mim mesma. Ainda me fascina pq amo literatura inglesa, mas realmente, visitar nos anos 1800 seria bem mais interessante. Você foi em Camden Town (algo assim)? Era onde Amy morava!

  4. Ai May, que pena! Já eu, quando fui pela primeira vez, não esperava nada e tinha preconceito por muita gente gostar de lá. E me surpreendi. Eu adorei Londres (ainda mais na segunda vez) e, por mim, aquele é meu lugar ideal. Mais do que Paris, ao menos pra morar. É bem verdade que não conheci as camadas mais simples, mas a organização de Londres me encanta MUITO.
    Enfim, que pena…

    Beijos!

  5. Também queria ter uma decepção dessas, hein? Brincadeirinha. Tenho muito medo de ir pra Londres porque é um dos meus sonhos. Me forço a ser realista, a saber que o clima é um nojo (apesar de eu adorar o tempo nublado e chuvoso, admito). Agora, eu acho que o legal de Londres é justamente essas coisas que te desapontaram. Não é uma cidade de globo de neve, onde tudo é perfeitinho. Acho que ela te dá licença pra entender que todo lugar vai ter um lado que não é lindo, e isso é normal. “Se existem favelas até em Londres, o Rio ainda consegue ser um lugar maravilhoso também”. Sem querer soar didática demais, acho que você voltou de lá com mais experiência. Da próxima vez (porque eu sei que vai ter uma próxima), você vai ver a cidade com outros olhos, mais realistas. Qualquer cidade, na verdade. E tomara que você se decepcione e se encante com inúmeras cidades por aí, porque o que vale a pena é conhecer coisas novas… =)

  6. Tive essa conversa ontem mesmo. Queria muito visitar Londres, especificamente pela Baker Street. Viciada em Sherlock Holmes que sou, leio os livros, assisto a série e os filmes e toda aquela atmosfera de Londres me invade. As ruas escuras, as pessoas com pouca disposição à socialização, os carros na mão errada e as paisagens reais.
    Meu namorado, fã de Beatles que é, disse que não tinha a menor vontade de conhecer Londres, que parecia superestimada e só mais uma cidade grande. Eu dei alguns argumentos a favor da viagem (a roda gigante, os palácios, ..) e agora, lendo seu texto, percebo que talvez os livros tenham me vendido mais do que a realidade possa entregar mesmo. Bom que nunca foi exatamente meu maior sonho visitar Londres, muitas outras cidades do mundo estão acima na lista (nenhuma delas na Europa ou América do Norte, por sorte), então posso lidar com essa decepçãozinha numa boa.
    Se fosse meu sonho mesmo, acho que faria o mesmo que vc. Iria de coração aberto para me apaixonar ou desapaixonar, mas somar experiências do mesmo jeito.

  7. nossa, que post revelador! é até um alívio ler isso, sabia? não querendo dizer que fico alegre por você ter se decepcionado, não é isso, mas é muito difícil alguém ir pra Europa e dizer que voltou decepcionado. Pode ser verdade, mas finge, dizendo que adorou tudo, porque, hã, foi para a Europa. Adorei tua sinceridade e tua visão realista das coisas. Isso faz a gente não superestimar tanto um lugar só porque o mundo faz essa imagem dele. parabéns pelo post. beijos!

  8. May, não me ache uma louca vindo comentar depois de séculos! É que eu tinha lido o post há tempos, mas não tinha tido tempo de comentar. E me sinto na obrigação de defender Londres. <3 hahahaha
    Bom, vamos lá. Muita coisa que você diz é verdade mesmo. O tempo é horrível MESMO! Fui na primavera e fiquei até o começo do verão e demorei pra conseguir ver um céu bonito. Você que foi no inverno, deve ter visto nuvem preta depois de nuvem preta. Pra mim isso não é um graaaande problema, porque adoro inverno, frio derivados. Mas entendo.
    E a comida também não me agradou naaaaaaaaaaada! Não aguentava mais ver batata e peixe no final do primeiro mês. Surgiam umas comidas tão esquisitas que só tendo muito estômago. Maaaaaas, daí surge o que eu acho que você pode ter deixado escapar em Londres. Depois de um tempo lá, comecei a achar uns restaurantes estrangeiros. Marroquino, árabe, italiano… A partir daí eu pude experimentar comidas tão diferentes e ao mesmo tempo deliciosas. Coisas que eu (fresca) acahava que nunca ia comer.
    Pra mim, esse é bom de Londres. Não é só a história, que está sim por todos os cantos, mas a quantidade de vidas diferentes que existem num mesmo lugar. Eu andava na rua e via indianos, muçulmanos, nórdicos, pessoas com cara de brasileiro… Londres é muito cosmopolita. Você encontra pessoas e coisas de todos os tipos. Os mercados de rua eram incríveis! Inclusive, tinha uma feira de comida estrangeira lá que era perdição.
    Quanto ao ônibus, só andei nesse ônibus turístico quando fui a Cambridge. Foi válido, mas nada que valha a pena viajar 12 horas num avião. Agora, os ônibus urbanos mesmo, aqueles de dois andares que as pessoas pegam pra circular na cidade, isso eu amei! Mais por uma questão de sonho. E o metrô é tão bem estruturado que não me importei com as distâncias. Achava tudo muito rápido e barato, já que o oyster card permitia circular o dia inteiro pelo mesmo preço.
    Além do mais, achei a cidade muito segura. Claro que tinham as zonas que eles chamavam de "dodgy", mas como não tinha muita coisa pra se fazer lá, eu não costumava frequentar. Andei incontáveis vezes sozinha na rua de madrugada, coisa impensável aqui no Brasil.
    Com relação aos palácios, acho que foi falta de sorte. A maioria deles fica aberta à visitação durante as estações mais brandas. No inverno tudo fica fechado mesmo. Eu fui em uns três ou quatro e UAU! Muita história, muito aprendizado e… muita esbanjação. Nessa parte concordo integralmente com você. Depois disso, sou integralmente contra a monarquia. É uma ostentação absurda, meus olhos ardiam de tanto ouro por todos os lados. E eu lembrava de onde vinha aquela riqueza. E pra onde ele poderia ter ido.
    É uma questão muito complicada. Tentei conversar com várias pessoas sobre isso. A maior parte dos britânicos de verdade disse ser contra a monarquia. Alguns ainda vêem benefícios na família real, coisas que nossa cabeça republicana não consegue nem conseguirá entender. Agora, a democracia funciona tanto ou mais que a nossa. Eles elegem o parlamento e sempre que discordam com alguma medida do primeiro ministro ocorrem protestos. Muito mais do que aqui.
    Não acredito muito na democracia brasileira. Não existe democracia sem um aparato que permita que a população faça escolhas pensadas. A manipulação aqui é muito grande.
    Não gosto nem concordo com a monarquia por ter um caráter exibicionista que pra mim não devia ter chegado ao século XXI, mas a verdade é que ela não opera nada. Toda a política de governo fica nas mãos do primeiro minsitro e do parlamento. Resta à família real os louros. Odeio também.
    Mas no fim das contas, amo Londres. Talvez porque todo meu sonho sobre a cidade tenha se construído sem muitos detalhes. Eu me imaginava andando numa noite fria em meio a uma cidade grande, iluminada e bonita. Aconteceu exatamente assim. E os detalhes só me fizeram me apaixonar mais por lá.
    Quem sabe um dia não vamos juntas pra lá e discutimos Londres no lugar certo e pessoalmente? hahahah
    Beijo! <3

    1. Não pude deixar de responder o comentário! Amei saber sua opinião, de verdade! E concordo que os restuarantes estrangeiros eram bons, mas eu fiquei decepcionada por a comida da cidade não ser boa. Sério.
      Mas agora que já passou bastante tempo eu até que consigo lembrar de Londres sem sentir arrepios, até penso em voltar lá pra ver se mudo de opinião… Só achei sem sal a cidade, sabe? E o céu era feio. Eu sou vidarada em céus e eu fui pra New York no inverno, tava nevando, frio bagarai, mas o céu era azul, lindo. Com aquelas nuvens deliciosas que me faziam querer ficar olhando pra ele o dia todo. Londres não era assim. Londres tem o pior céu do mundo. Até o de Curitiba fica bonito perto daquilo lá. E pra mim cidade com céu feio é cidade feia, entende? Eu gosto de céus, fazer o que.
      Quanto ao que você mencionou do cosmopolismo e tal, não vi grande coisa porque tem muito disso aqui também. Curitiba tem um bairro pra cada etnia, festas típicas de todas e eu sou acostumada a ver chineses, árabes, muçulmanos etc e tal. Só não tem muito indiano por aqui, ainda, mas acho que isso vai mudar em breve.
      Achei a cidade super segura também, isso é inegável. Andava por 14h seguidas, chegava no hotel depois da meia noite e nada tinha acontecido. Impossível fazer isso por aqui.
      E eu achei legal descobrir que lá também tem mendigos, pobrezas etc e tal, mas é que eu tinha aquele sonho Londrino, sabe? De que ia ser o paraíso. Que eu ia me sentir obrigada a morar naquela cidade por muito tempo e no fim das contas foi só uma cidade legal, mas não o suficiente pra eu morar lá. Achei as coisas normais, nada que me deixasse boquiaberta e tal. Sei que não fui em todos os lugares e talvez haja coisas muito melhores por ali, mas como eu não vi, não posso basear minha opinião nelas.
      Só sei que eu quero voltar pra Inglaterra, pra ir no interior, porque o interior deve ser bem legal. Ainda não desisti do país, passei anos construindo a imagem de país perfeito, não sou capaz de desconstruí-la com uma pequena visita, né?
      Mas a gente pode ir um dia juntas lá pra discutir pessoalmente, seria bem útil!
      <3

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