Lorelaiando…

(7/17)

(Daqui)

O megaupload foi fechado durante as maiores férias da minha vida. Eu planejava ver uns 10 seriados novos e ao invés disso passei um tremendo perrengue pra tentar me mantar atualizada com os que eu já acompanhava. Em meio a toda essa frustração, descubro que a namorada do meu irmão mantêm no HD externo deles todos os episódios de Gilmore Girls e eu nunca tinha visto essa série, a não ser em seus episódios dublados no sbt, nomeada por “Tal mãe, tal filha”, quando eu tinha cerca de sete anos. Comecei a assistir a série e terminei a primeira temporada em dois dias, de tão empolgante que era. O legal é que não tem nada demais acontecendo ali, de verdade. É apenas uma história sobre o cotidiano de uma mulher que foi mãe aos dezesseis anos e sofreu bastante para conseguir independência perante seus pais ricos e tradicionais para criar a filha a sua maneira, mas precisou do dinheiro dos pais para mandá-la para uma boa escola de Ensino Médio, porque o sonho das duas era que a menina estudasse em Harvard e para isso precisaria de uma boa educação. Eu juro pra vocês que não tem nada demais na série, mas são sete temporadas de pura fofura, amor e harmonia que dão vontade de morar em Stars Hollows e tomar café no Luke’s todos os dias. Gilmore Girls é fantástico. Confesso que estou apenas na metade da série, porque depois da primeira temporada acabei perdendo o ritmo e me dedicando a outras coisas, mas sempre que quero descansar lá estou eu vendo mais um episódio. O plano é terminar tudo até Maio. Espero conseguir.

Mas não é sobre a série em si que vim escrever, só falei sobre ela porque sei que não é todo mundo que conhece.

Vim falar sobre a síndrome das Lorelais Gilmore de nomearem todas as coisas que encontram por aí, sejam elas seres vivos ou não. Sejam coisas delas ou não. Qualquer coisa. Basta passarem um segundo perto de algo para darem o nome e não é um simples nome, vem com a história inteira junto. Quando é um bicho ou afim vem todo um apego junto com a coisa e é muito difícil tentar convencê-las a se desvincilharem do objeto. O curioso foi que em um dos episódios recentes notei que Sookie, a amiga da Lorelai mãe, também deu nome para um gato desconhecido e começou a tratá-lo como seu amigo íntimo e foi aí que eu percebi uma coisa: sou alvo da síndrome Lorelaiana.

Porque o meu computador se chama Jack Sparrow, o celular Will Turner e minha câmera Elisabeth Swan. Minhas barbies tinham nomes E certidões de nascimento e quando elas estavam em brincadeiras interpretavam papéis, como se fossem atrizes. Assim sendo, elas ganhavam outros nomes. E não eram simples nomes, tinham histórias inclusas. E não são só essas coisas. Teve uma época que eu fiquei tão neurótica com isso que nomeei os meus lápis de cor. É caros amigos, eu os apontava conversando com eles enquanto dava justificativa para que eles se submetessem a entrar no apontador e perderem pedaços de si mesmos. Isso sem contar as comidas que, quando eu não as queria, inventava uma tremenda história para não comê-las. Imaginava todo mundo como ser vivo, que tinha família etc e tal. Mas onde eu quero chegar mesmo, o ápice dessa história, é a Mandy.

Mandy, caros leitores, foi comprada pela minha mãe como meu presente de oitava série. Prometi usá-la até o terceiro ano e trocá-la somente pela universitária. Dava banho nela e tinha todo o cuidado do mundo para que não se molhasse ou sujasse. Eu conversava com ela. Quando estava me sentindo triste e sozinha colocava-a em minhas costas e imaginava que ela estava me abraçando e logo eu deixava de me sentir sozinha. Mandy, caros leitores, é o nome da minha mochila vermelha. Ela me acompanhou por todos os lugares que eu fui desde que a tive e isso não é exagero porque todas as vezes em que viajo arranjo um jeito de colocar coisas nela e mesmo que tentem me convencer a deixá-la em casa, eu brigo, faço birra, mas a Mandy vai junto. Ela sempre vai. Costumo dizer que ela é infinita porque por mais que eu lote ela de coisas, sempre tem um espaço vago. Sempre. Ela tem espaço para meu universo inteiro. Ela cabe tudo. Em seus milhares de compartimentos micro, todos bem conservados e limpinhos. Todos reservados, cada um para um objeto específico. Mandy sentia-se sozinha as vezes  e por isso eu secretamente nomeava as mochilas dos meus amigos e a deixava perto delas, para que conversassem em paz. Amarrava-a em minha cintura e de repente estava completa novamente. Eu e a Mandy. Inseparáveis.

Daí eu fui pra universidade e não tinha coisas o suficiente para colocar nela, então a deixei em casa pelas duas semanas em que aguardei pela nova mochila. A mochila chegou e quando a carreguei com meus pertences e a coloquei em minhas costas no dia seguinte, não senti nada. Além de um completo desconforto, porque ela ainda não se adaptou completamente às minhas costas, não entrou em sibiose. Ainda é um objeto estranho. E ela tem coisas escritas, é como se já tivesse sido comprada com um nome imposto. Não posso dar outro nome a ela. E desde que aquele ser esquisito adentrou no meu quarto, Mandy ficou enciumada. Deixada de canto, toda murcha me olhando com aquela cara de “Fui trocada” e meu coração doeu nos primeiros dias, senti-me realmente uma traidora, afinal, ela havia estado ao meu lado por todo esse tempo!

Parte de mim diz que está na hora de Mandy se aposentar, outra parte diz que enquanto eu continuar usando-a para as viagens e afins ela estará satisfeita. Mas a parte dominante diz que eu sou uma menina má e provavelmente é essa parte que está impedindo que eu dê um nome a minha nova mochila e que eu a faça parte da família, assim como Mandy o é. Afinal, qual poderia ser o nome de uma mochila que já vem escrito “Ciências Sociais – UFPR“? Não dá pra eu simplesmente negar esse fato. A não ser que eu o trate como uma tatuagem. Poderia chamá-la de Marx, Weber, Durkheim ou qualquer coisa que condizesse com a situação, mas “mochila” é um substantivo feminino então o nome dela tem que ser feminino e eu não estudei nenhuma mulher ainda. Acho que ela terá que ficar sem nome até que eu estude uma mulher interessante. Até lá meu coração pertencerá a apenas uma mochila, Mandy. A mochila vermelha capaz de carregar o mundo. E eu continuarei satisfeita com isso.

(Daqui)

Bom, pelo menos agora sei que não sou a única louca que conversa com objetos inanimados… E que o espírito de Lorelai continue baixando em mim muitas vezes, porque criatividade é sempre bem vinda 🙂

0 thoughts on “Lorelaiando…

  1. Caraca, eu devo ser uma das poucas que nunca viu Gilmore Girls… tipo, eu só via quando passado aos domingos no SBT e só quando eu não tinha mesmo o que ver. E seu post me deixou com mais vontade de tirar um tempinho pra essa série…
    Que fofa sua relação com a Mandy, HAHAHA! Não tenho nenhum objeto do tipo… Só alguns ursinhos, mas não contam!
    E não vou nem comentar o quanto eu amo ler coisas do tipo: “(…) Poderia chamá-la de Marx, Weber, Durkheim”, né? <3

    Beijos, May!

  2. Hahaha, isso me lembrou o Mike, no Monstros S.A., dizendo pro Sully não dar nome à Boo, porque os nomes fazem a gente se apegar.. Bingo! Eu sempre fui FASCINADA por nomes. Fascinada. Adoro dar nome pra bichinhos, quem deu o da Kimmy fui eu, e o do Luke, filhotinho dela que ficou com a vovó, também fui eu. Dei o nome do passarinho que minha amiga adotou, e dei um nome de um dos filhotes de gatinhos da Marie: Chanel!
    Meus bichos de pelúcia sempre tiveram nome, sendo o mais famoso deles, Wildon, o panda que ganhei aos 7! HAHAHA, minha tia e meu pai sempre morreram de rir com o Wildon.
    Pras Barbies eu nunca dei nome fixo, dependia mesmo da brincadeira. As bonecas gêmeas “meu bebê da estrela” que eu tenho variavam de acordo com os nomes que eu queria pras minhas filhas, mas depois de grande, cismei que o nome delas sempre tinham sido Bruna e Nicole, nomes que definitivamente não serão das minhas filhas, ou seja, sou louca.
    Eu tinha uma enorme coleção de bonecas de porcelana, e elas sim, tinham nomes fixos. Alguns nomes de professoras queridas, outros de primas, outros de protagonista de novela, HAHAHA. Acho que lembro de todos, mas vou falar só alguns, que fiquei com vontade: Larissa, Nara, Mirella, Aline, Giovanna, Mila, Dulce Maria, Jeniffer.. Hahaha, me divertia!
    O primeiro objeto que não parece ser vivo e que eu dei um nome foi a Elizabeth (Bennet!), minha câmera, que acabo de descobrir ser semi-xará da tua! Mas a minha veio do Orgulho e Preconceito, e eu resolvi que nomearia a minha câmera só porque a da Tary tinha um nome. Bem antes de ganhar a Elizabeth eu já sabia que ela se chamaria Elizabeth. Assim como sei que minha filha vai se chamar Clara. Ou Alice. Ou Clarice. Ou Manuela. Ou Nina. Acho melhor deixarmos esse assunto pra lá.
    E eu nunca assisti Gilmore Girls! Sempre enrolei pra começar, e agora o MegaUpload fechou e…
    Beijos!

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