Mais de seis centos

Eu nunca termino coisas que eu começo. E isso deixa a minha mãe fula da vida desde que eu me entendo por gente. Todas as vezes que chego com a ideia genial de iniciar um novo projeto ou começar um novo curso ou qualquer coisa do tipo, ela olha para mim com olhar de reprovação e fala “mas aí você começa e depois desiste e eu gasto dinheiro à toa”. Não posso dizer que ela está errada, mas também não posso dizer que não tenho me esforçado para mudar. Uma prova? Este blog.

Este espaço completou cinco anos há alguns dias, mas eu esqueci completamente de vir falar sobre isso. Assim como esqueci de comemorar arduamente quando completei os 600 textos – que era minha meta do ano passado. Mas, talvez eu tenha deixado de comemorar essas coisas nos dias em que ocorreram justamente por um aprendizado importante que me veio tanto com a maturidade quanto com a própria escrita deste blog: existem coisas que são importantes apenas para mim.

É interessante observar como o objetivo deste espaço se transformou ao longo dos anos. De um desabafo inicial, para um desabafo constante, para um desabafo mais introspectivo e retraído, até que deixou de ser um desabafo e virou um enorme espaço de futilidades e digressões. Eu gosto de digredir, verdade, mas também gosto de refletir sobre a minha existência e sobre a existência do universo em geral e, percebi que tenho tido uma tremenda preguiça de fazer isso por aqui.

Acho que depois de cinco anos e mais de 600 textos é difícil querer que o espaço seja o mesmo, com os mesmos padrões textuais. Eu não sou a mesma, não tem como os meus textos serem. A cada ano que passa, sinto que minha vontade de ser uma escritora fica um pouco mais distante – embora todas as coisas aqui escritas preencham livros enormes. Ainda me recuso a acreditar que sou realmente lida e quando me lembro das mais diversas provas que já tive a respeito disso e das amizades incríveis que construí por causa disso, fico até chateada por tamanha descrença em relação à minha própria capacidade.

O fato é que este é o espaço que eu posso me orgulhar. Nunca gastei dinheiro para fazê-lo e nem por isso o abandonei. Posso ter ficado um bom tempo sem aparecer, mas a longo prazo, ele continua vivo. E eu também. E isso é tudo que eu poderia desejar para um senhor de mais de seis centos de textos.

E como começar o ano sem um projeto novo é um pé no saco, gostaria de apresentar pra vocês a MW Consultoria Acadêmica (curtam a nossa página!). Ela é uma solução para os problemas acadêmicos que assolam a maioria dos estudantes – e profissionais – da academia. Fazemos revisões e correções ortográficas, formatação de textos, digitação, tradução (inglês e espanhol, por enquanto), comentamos os textos (vulgo, lemos o que você escreveu e damos pitacos) e, se você mora em Curitiba e precisa de assistência presencial, damos aulas particulares de filosofia, antropologia, sociologia, literatura e produção de textos. Orçamentos e prazos são feitos individualmente e temos um compromisso muito grande com o nosso trabalho, o cliente e o produto final. Espero que possamos ajudá-los!

3 thoughts on “Mais de seis centos

  1. Essa ideia de que devemos terminar aquilo que começamos supõe que há um fim para tudo que está sendo feito. Mas, e se o fim não existir e o que merece ser aproveitado é o próprio processo? Ao meu ver, quando colocamos o processo como mais interessante, abandonamos essa ideologia aristotélica onde tudo que ocorre está orientado para um fim. E esse fim está, de modo muito curioso, associado com a ideia de “bem” – resultando em um maniqueísmo disfarçado. Terminar algo, chegar ao seu fim, é bom. E não terminar, aproveitar o processo, não é. Seu blog é justamente interessante porque é um processo, e não um fim.

  2. Confesso que fiquei emocionada lendo, porque lembrei do dia, logo que nos conhecemos, que eu falei: “você podia criar um blog”! E você disse: JÁ TENHO! <3
    Vida longa a ele! E achei a iniciativa da empresa super legal e diferenciada, sucesso pra vocês.
    Beijo! <3

  3. Eu também sou dessas de começar as coisas e deixar pelo meio, May. Só não acho mais que isso seja realmente um defeito. Acho que nós temos perfeita capacidade de leva algo até o fim, a gente só não perde nosso tempo em coisas que não nos interessam mais. E no meio tempo a gente ganha experiência.

    Estou torcendo para o seu novo projeto dar certo, seja do jeito que for.

    Beijinhos.

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