Mais um semestre termina…

Começou no primeiro ano, quando eu acabei mudando de sala no meio do bimestre e entrando num lugar completamente estranho e diferente, sem nenhuma pessoa conhecida.

A primeira a falar comigo veio perguntar como havia ido parar ali, o que tinha feito para ser transferida no meio do bimestre. Não sei ao certo como, mas logo estava lá no meio delas. Já era “parte do grupinho”. E então começaram os almoços nas quintas-feiras e com o passar do tempo as festas e conversas no msn. Mas bem, sou presa ao passado e por mais que passasse bons momentos ao lado delas, ainda sentia falta das minhas antigas amigas. Tentei me acostumar. No segundo ano nos aproximamos um pouco mais, conheci a casa de uma delas, tínhamos alguns assuntos em comum, íamos almoçar juntas mais frequentemente e começamos a compartilhar certas coisas que não compartilharíamos com qualquer um.

Leila, Giovana, Mayra, Camila Tatar e Giulia

Mas então veio o terceiro ano. Nós ali, em meio a uma sala que um dia foi extremamente unida e amiga e agora vai sendo corroída por pequenos tumores que aumentam a cada dia mais. Juntas, como sempre, dessa vez sabendo que é o nosso futuro em jogo. Elas ali querendo ser médicas, engenheiras, advogadas e arquitetas, eu aqui na minha, sendo a menos normal delas, completamente diferente e ao mesmo tempo igual. Fomos construindo uma relação de cumplicidade e em todas as vezes que aquela sala maldita me tirava do sério, olhava pra elas e as via tão estressadas quanto eu, então ríamos, porque era tudo que se podia fazer.

O terceiro ano chegou e com ele foi impossível deixar a amizade em segundo plano. Passamos mais tempo na escola do que em casa, e é impossível sobreviver lá sozinha. O terceiro ano, mesmo sendo chato e repetitivo, acabou nos unindo mais do que qualquer outra coisa poderia nos unir. De repente passamos a perceber detalhes sórdidos da personalidade de cada uma, passamos a nos conhecer um pouco melhor, a realmente nos conhecer, finalmente!

Eis que compartilhamos a solidão, o encalhamento e até a raiva por não conseguir estudar loucamente ou ser o primeiro lugar nos nossos cursos (exceto a Gih, né). Demo-nos apelidos e até imaginamos como será o namorado de cada uma.

Mas mais um semestre chega ao fim. O penúltimo. Agora nos resta apenas mais quatro meses de convívio diário. Quatro meses de brigas, xingamentos, risadas e piadas internas. Quatro meses de angústia e diversão. O que será de nós depois disso? Não sei. Mas cada momento que passamos juntas valeu a pena. Não trocaria por nada.

É aqui que peço desculpas por ser dramática, chata, grossa e completamente infantil inúmeras vezes ao longo desse percurso, mas bem… vocês me aturaram.

Mesmo sem eu saber ao certo o que temos em comum, o que nos une, nós, sendo tão essencialmente diferentes. Tudo está bem, porque eu sei que vou chegar na escola estressada, naquele lugar irritante e que eu tanto odeio, mas vou olhar para vocês lá. Camila Tatar com suas caras engraçadas, cantando para me alegrar e ficando puta com as mesmas pessoas que eu, Camila Loper para me ajudar com os recibos da formatura, com a matéria de química e as avaliações online que me mantém acima da média, Giulia, para me fazer rir e refletir sobre coisas que eu jamais pensaria sem ela por perto, pra ocupar todo meu espaço com aquelas pernas enormes e me fazer sentir extremamente pequenininha, Giovana para falar as coisas mais sem sentido possíveis e as com mais sentido também, para sorrir e comprar pão de queijo na cantina e, principalmente, para compartilhar comigo o cansaço deixado pelos simulados UFPR,  Leila para ouvir todas as coisas absurdas que quero falar e não contar para ninguém os meus segredos, para me dar os conselhos mais absurdos possíveis, que fazem grande sentido depois que penso neles, e até a Lari, que não está com a gente desde o começo, para conversar e sorrir. Sei que meu mundo pode estar completamente destruído e eu posso não querer ver ninguém ou conversar com ninguém, mas vou chegar lá e vocês vão estar lá e eu vou sair correndo para desejar-lhes um bom dia, abraçá-las e contar o que fiz na tarde anterior, enquanto escuto o que vocês fizeram. Vamos comentar sobre os professores e as matérias e fazer os nossos dias parecerem um pouco mais leves, menos massantes.

Lari, Camila Tatar e Camila Loper

Olha, eu não reclamo de vocês. Eu amo vocês. Cada uma e cada uma é muito especial para mim, daquelas que eu nunca vou esquecer.

Mas as vezes eu fico triste e desiludida com a vida, isso não tem nada a ver com vocês. Acho sim que devíamos sair mais vezes, confraternizar mais, compartilhar mais coisas além da escola, fazer realmente parte da vida uma da outra, sermos amigas de verdade e não  “colegas de aula”, não quero que o último semestre de convívio diário seja o nosso último semestre. Não tenho liberdade para contar todas as coisas para vocês, mas é porque sou tímida e há coisas que não devem ser ditas na escola, então fica meio difícil… Acho que um pouco de tudo isso é resultado do estresse do terceiro ano também, e da prisão que a escola têm sido. Sei que somos amigas, mas isso não significa que vocês me acham normal, sei que me acham completamente louca e desmiolada e super dramática. Não digo que essas coisas sejam mentira, mas quando reclamo de solidão e afins é porque nós somos completamente diferentes, em praticamente tudo e as vezes eu queria ter alguém para compartilhar minhas maluquices, entendem? Nada pessoal. Nunca seria pessoal.

Bem, espero que esses últimos quatro meses sejam tão maravilhosos quanto os outros dezenove que já passei ao lado de vocês, convivendo diariamente. Desejo a cada uma de vocês todas as realizações que vocês desejam, porque os seus desejos são meus também, quero tudo que as faça felizes! Mas saibam que quando a felicidade vos abandonar, continuarei aqui, pronta para oferecer meus abraços pequenos e apertados e meus conselhos malucos, para ligar o Skype e ouvir seus berros e xingamentos sobre qualquer coisa. Estarei aqui. Não esqueçam.

Fora isso, aproveitem bem as suas férias, divirtam-se, esqueçam-se daquela escola maldita e façam tudo aquilo que tiverem vontade!

Pode ser que demore uns 10 anos, mas sei que vocês vão se formar nas coisas que querem, tá? Acreditem em vocês tanto quanto eu acredito.

E obrigada por terem sido meu motivo para sorrir mesmo em meio a tanta desordem!

Precisamos de uma foto com todas juntas! haha E perdoem-me por ter “estragado” a festa do pijama, mas realmente não tinha condições de comparecer. Tentarei recompensá-las no almoço! Divirtam-se! Beijinhosss

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