Mamilos

Eu nunca gostei de peitos femininos. Hoje em dia acho que tem muito a ver com ter nascido e crescido em uma sociedade patriarcalista, onde os peitos me foram apresentados como belos, sensuais e desejo de consumo das mulheres. Mas, antes de ter essa elucidação, eu simplesmente considerava que peitos eram nojentos.

Minha mãe conta que eu mamei apenas até um ano, enquanto meu irmão mamou até quando o leite era resultado do meu nascimento. Pelo jeito ele gostava do leite, dos peitos, bom, Freud tem várias explicações pra esse tipo de coisa. Eu, por outro lado, não curtia e cortei o barato assim que possível – passando para a sempre maravilhosa mamadeira.

Pensando com a cabeça de hoje faz todo sentido, eu já sabia sugar e segurar uma mamadeira, para que continuar explorando a coitada da minha mãe?

Na aula de biologia de sei lá que ano, o professor estava contando que há casos de crianças que arrancam os mamilos das mães durante a amamentação e levou fotos de alguns peitos e mamilos pós amamentação. Aquilo me assustou horrores. Tanto que, todas as vezes em que eu consegui cogitar a hipótese de deixar um bebê nascer dentro da minha barriga, já era certo que a parte da amamentação teria que ser pulada. Eu não me sinto humanamente capaz de amamentar alguém. Porque é uma ação que me dá nojinho. Sim. 21 anos na cara, feminista e nojinho de peitos.

Mas, vamos lá, isso não significa que eu seja contra a amamentação. Pelo contrário. Ela é super importante e deve ser preservada e apoiada. As mães devem poder amamentar em locais públicos, as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno até seis meses. Concordo em absoluto com tudo isso. Mas, hm… Vocês já viram Game of Thrones?

Pra quem não viu, deixa eu contar. A irmã da Katherine Stark tem um filho que tem mais de cinco anos e mama nos peitos dela até o momento. Eles se cumprimentam com beijinhos na boca, não se desgrudam e, se pudesse a criança passava o dia inteiro pendurada naquele peito. Desculpem-me mães que agem assim com os filhos, mas é um tanto doentio. Dar selinho nos filhos quando são nenéns já é estranho, mas aceitável. Agora, depois que o filho faz uns cinco anos, perpetuar esse tipo de atitude? Não, né.

Para além do meu nojinho para com essas situações, a indagação que me veio em mente é: é uma atitude machista de minha parte me incomodar tanto em ver fotos, vídeos ou pessoas na rua que se relacionam dessas formas com seus filhos? E, se for, por quê? O que tem de anti-empoderador nesse pensamento? Mas, pera, será que eu realmente só penso assim por causa da estrutura patriarcal ou será que o reflexo da estrutura patriarcal é justamente essas mães acharem que precisam continuar amamentando, dando selinhos e tratando como “parte delas” os filhos mesmo depois de um booom tempo que eles saíram do útero delas? Enfim, ando confusa.

Mesmo sem ter peitos grandes, eu já me sinto desconfortável com os meus. Não que eu não queira ser mulher ou algo assim, eu absurdamente idolatro o fato de ser mulher, mas me livraria dos peitos assim que possível. Principalmente porque sem eles não preciso usar sutiã. E não preciso ouvir comentários idiotas de garotos toscos ou passar por uma série de situações desagradáveis. Só que esse pensamento é super errado, né? Porque, nesse caso, os problemas efetivamente não são meus peitos, mas sim o papel que os peitos e os mamilos ocupam na sociedade. O problema não é eu sair sem sutiã, é me encherem o saco porque aparecem meus mamilos em auto relevo, por exemplo.

E, indo por essa linha de raciocínio, é interessante ver movimentos como os apoiados pela Keira Knightely e a Natalie Portman, em prol dos peitos pequenos e naturais. É legal ver que algumas mulheres realmente e empenham em tentar mudar essa visão hiper-sexualizada dos peitos e propor que eles sejam valorizados pelo que são, sem maiores expectativas para isso. Mas, por outro lado, a indústria de cirurgias plásticas para aumento de seios insiste em crescer…

Quando me falaram que mamilos eram polêmicos, eu juro que achava que era zoeira. Mas agora saquei do que estavam realmente falando. Eles (e seus peitos) realmente são polêmicos.

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