Metal é Vida.

Não vim aqui ser poser e dizer que morri vendo o Rock in Rio de ontem porque não é 100% verdade. Considerando que eu nunca tinha ouvido Motorhead e Slipknot consistia em uma música que tenho no meu primeiro mp3 – a qual nunca soube o nome, nem a letra, mas adorava mexer a cabeça ouvindo quando tinha 12 anos – e Metallica era aquela banda que englobava o metal mas eu nunca tinha ouvido e não sabia nenhuma música.

Não sou fã de nenhuma dessas bandas. Sepultura eu conhecia porque meu irmão conhecia, mas o meu “conhecer” limitava-se a ter ouvido falar e Gloria eu havia escutado uma música há um bom tempo, mas nem lembrava qual estilo eles tocavam, então, bem… Realmente não sou fã de nenhuma daquelas bandas.

O Metal surgiu na minha vida junto com o rock, junto com o meu irmão louco que tinha 16 anos na época, cabelo comprido, incontáveis camisetas de bandas e se trancava no quarto para ouvir um monte de homem gritando, enquanto ele pulava endoidecidamente e ficava se debatendo no chão. Por muito tempo eu fui traumatizada com o metal, achava que ele estava realmente endoidecendo o meu irmão e a cada vez que ele começava com suas crises metálicas eu entrava em colapso. Verdade.

Mas aí eu cresci e dentre todas as coisas que eu pensei gostar algum dia, o metal era a última que eu considerava. Morria de medo de metaleiros. Considerava o tipo de gente que deveria manter distância de 5km, no mínimo. Então eu conheci um menino ano passado que adorava Metallica e afins e ele ficava falando disso todo dia e ele era super legal e eu adorava passar minhas tardes de terça e quinta feira junto com ele e ele mudou completamente o que eu pensava a respeito de tal tipo de música.

Descobri então que três das minhas bandas preferidas tocavam algo parecido com metal, ou pelo menos um de seus subadjacentes e eu me considero uma pessoa boa e eu gostava de algo semelhante a metal, então metal não era tão mal assim.

Tais pretensões se confirmaram esse ano, em que por diversos fatores diferentes eu mergulhei de vez nesse mundo rock’n roll. Não que eu tenha abandonado meus cantores pops, meus amados folks e todos os outros sub-tipos que eu aprecio, mas eu descobri que o rock é capaz de englobar todos os estilos possíveis e o metal também. Descobri bandas de heavy metal que possuem violinos em seus instrumentos e aquelas que arrasam na percursão, isso sem contar que eu entendi toda a pira de se bater durante o show e percebi que as músicas são densas e lindas, que elas dizem exatamente tudo o que você quer dizer, de uma maneira metafórica e bem elaborada. Metal é tão bom quanto música clássica, no quesito musicalidade mesmo. Não que eu entenda muito de música, mas facilmente percebe-se que há muito mais acordes e pensamento musical numa música de heavy metal do que num pop ou numa música eletrônica, por exemplo. É ali que está contido todo o conhecimento musical do mundo, são aquelas pessoas que sabem decifrar corretamente o que é música.

Então cá estou eu, alguém que não conhece com afinco nenhuma das três bandas que apavoraram no Rock in Rio ontem, que não se considera metaleira ou qualquer outro tipo de esteriótipo possível, mas que berrou, pulou, se emocionou e sentiu uma nostalgia inexplicável somente por ver aqueles concertos pela televisão. Cá estou eu, completamente embestiada com a magnetude da beleza que o Rock pode alcançar.

E depois de todo o emaranhado de sensações que aquelas músicas explêndidas me transmitiram, além de eu ter baixado metade da discografia do Slipknot e algumas músicas do Motorhead (que não me encantou muito) e do Metallica (que não pude ver inteiro), sou levada à grande pergunta que esse festival de música implantou em mim: O que diabos a Claudia Leitte, a Ivete Sangalo, a Katy Perry e a Rihanna foram fazer por ali? Elas podem até ser boas, mas para elas tem o Festival de Verão de Salvador, o Carnaval e as turnês mundiais, o Rock in Rio é um festival de ROCK e eu fico possessa com o fato de terem disperdiçado dinheiro com gente assim ao invés de contratarem mais bandas como as acima descritas. Fico mais possessa ainda com o fato de terem reclamado das vaias recebidas, pelo amor de Deus, você está num festival de ROCK não venha tentar cantar pop axezado.

Quanto a vocês… Ganharam o meu coração. Isso sem citar que demonstraram que metaleiros podem ser fodásticos, cantar super bem, serem assustadores e ao mesmo tempo magníficos e no final, mesmo depois de toda a nostalgia e o colapso nervoso, podem ser fofos, podem espalhar o amor por aí, podem abraçar-se e aplaudir o próprio trabalho. Vocês ganharam o meu coração muito fortemente, a ponto de fazerem com que eu desejasse ter um namorado metaleiro, para ouvir músicas pesadas e densas e logo em seguida manifestar o amor. Isso sem contar que me fizeram ter uma vontade gigantesca de estar presente nesse show e me fizeram jurar a mim mesma que comparecerei ao próximo que vocês resolverem fazer por aqui. Mesmo sem saber quem vocês são, como é o rosto de vocês ou detalhes sórdidos de sua carreira musical, acima de tudo, vocês me transmitiram amor e por isso eu os agradeço.

Metal é vida. É a minha vida.

0 thoughts on “Metal é Vida.

  1. Bom, eu VIBREI horrores daqui de casa com Katy Perry, e super fiquei acordada até 4h da manhã pra ver o da Rihanna. E super adorei, com certeza, pra mim, foi o melhor dia de Rock In Rio. Concordo que talvez esse não seja o lugar deles, ou que o nome deveria mudar para Music in Rio, mas não concordo de jeito nenhum com as vaias. Acho um absurdo, respeito é bom e todo mundo gosta.

  2. Ai Mayra, adorei demais seu post!
    Eu nunca fui metaleira também, mas aprendi a respeitar e a apreciar esse estilo musical desde cedo. Meu irmão é muito fã de metal e me ensinou isso tudo que você falou. A musicalidade deles é incrível, as letras são um tipo de poesia, tem muito protesto (e eu sou super chegada num protesto), é energizante. Eu fiquei louca acordada aqui morrendo de inveja do meu irmão, que tava lá. Fui no dia 24 e alucinei no show do Stone Sour (mesmo vocalista do Slipknot, que eu aprendi a ouvir junto com Sandy & Junior hauahauhua).
    Assim, também corcordo que muitas das atrações não deveriam estar lá, NÃO MESMO. Mas não acho legal vaiar. No show do Nx zero por exemplo, todo mundo tava vaiando e eu só fiquei de braço cruzado. Não concordava com a presença da banda, mas acho que não deve ser nada bom ouvir vaias quando você tá fazendo algo que gosta.
    :*

    1. Não sou a favor das vaias porque os artistas não merecem, mas a organização do evento merece ser vaiada sim. O problema é que quando se vaia não dá para especificar a quem se vaia, então os pobres artistas pagam o pato.

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