Enquanto muitos espalham o desamor por aí, aguardam desesperadamente por sua maioridade e independência financeira para fugir deles, eu busco meio de estar cada vez mais conectada e próxima a eles. A verdade é que a gente realmente não sabe o que nos espera amanhã e por isso devemos amá-los enquanto há tempo. Hoje. Quantas vezes ficamos com insônia, vimos monstros ou tivemos pesadelos macabros e então perguntamos se poderíamos nos aprochegar a eles em suas camas e eles abriram um espaço, nos abraçaram e disseram que estava tudo bem porque eles estavam ali? Depois a gente cresce e vai a festas e reclama quando eles nos perguntam com quem ou que horas voltaremos, dizemos para que eles durmam pois voltaremos só depois das três, sendo que na verdade sabemos que eles não dormirão tranquilos sem que a certeza de nossa segurança. Quantos nomes eles pensaram em nos dar, recusando ou aceitando as propostas alheias que invariavelmente eram nomes de santos e muitos deles acreditavam que se tívessmos um nome santo seríamos santos! E por diversas vezes a gente se revolta e diz que eles não nos entendem, mas na verdade não nos esforçamos nem um pouco para entendê-los. Esquecemo-nos de amá-los como se não houvesse amanhã. Esquecemo-nos de que não há amanhã. Quantas perguntas sem sentido, seguidas por diversos “por quês?” os quais eles não tinham condições de responder. Nossa busca pela saciedade da curiosidade básica, a qual eles literalmente não conseguiam saciar. Então a gente cresce e os papéis se invertem, eles precisam mais de nós do que nós deles. E muitos de nós os renegam, enquanto deveríamos apenas cuidá-los. Quantos relacionamentos rompidos que nos machucaram profundamente, mas que eles tentaram contornar a situação para que nos sentíssemos agradáveis? Quantas visitas deles à nossa casa, mesmo quando nos sentimos sozinhos e despertencentes a lugar algum? Quantas mudanças passadas, pelos mais diversos lugares, mas sempre com as mesmas pessoas, sempre juntos? Quantas casas, lugares e situações? Tudo para que a gente perceba. Tudo para que paremos de nos sentir meras gotas d’água e grãos de areia. Tudo para que a gente deixe de culpá-los por tudo e passe a agradecê-los e reconhecer sua eficiência. Tudo para que a gente cresça, para que saibamos o que fazer quando crescermos. Tudo para que sejamos felizes, não nos joguemos da janela do quinto andar. Para que sejamos compreensíveis. Para que amemos, como se não houvesse amanhã. Porque nada seria dos pais se não houvessem os filhos e vice-e-versa.

0 thoughts on “Na verdade não há.

  1. O seu post é muito bonito e muito digno. Eu me vi com a minha mãe. Ela cuidou muito bem de mim e hoje eu me esforço para cuidar dela. E de jeito nenhum quero esquecer de amá-la como se não houvesse amanhã.

  2. Pais e filhos. Sempre iguais, só mudam de endereço. Eu vivo criticando a minha mãe por ela se preocupar demais comigo, mas eu não consigo nem imaginar o meu stress esperando os meus filhos voltarem pra casa de madrugada. Deus o livre. Que bom que isso está longe ainda, hahaha.
    Beijos, May!

  3. EU tenho a sorte de ter dois anjos que posso chamar de pais, tenho meus momentos de irritabilidade e rebeldia, é claro, mas acho que se tme uma coisa sobre mim da qual posso me orgulhar é dessa consciência que eu tenho que sem eles eu nada seria, sem o amor deles eu não teria chegado onde cheguei agora e não seria capaz de ir e atingir todo o meu potencial como eu sei que posso com eles ao meu lado.

    Por isso eu tenho uma dificuldade enorme em me relacionar com amigos que não respeitam/amam/desprezam seus pais, eu sei que nem todos são tão bons como os meus, mas são pais, nevertheless. Sei lá… Mas eu amei seu texto May (: Muito bom mesmo, tu é talentosíssima!

    Beijão

  4. nada se compara aos nossos pais.. Você conseguiu transformar a música que já é demais em um texto maravilhoso, parabéns, sua linda <3

  5. Ai, May, eu super concordo! Não consigo imaginar minha vida sem meus pais e não faço nada pra apressar nosso distanciamento (isso de querer morar sozinha e tudo o mais não cola pra mim). Essa música é MARAVILHOSA! Sem palavras.
    Amei o texto!
    Beijos, flor!

  6. Eu amo tanto meus pais e nós somos tão próximos que me dá muito tristeza só de pensar que tem gente no mundo que não tem isso. Eu nunca vou esquecer tudo o que os meus pais fizeram por mim, e vou fazer o meu melhor pra recompensar tudo isso.

    Essa música é realmente linda, May!
    Beijos

  7. Meus pais são maravilhosos e eu amo demais eles! Mesmo nós brigando de vez em quando, mesmo quando ficamos de c* virado, o amor é tão grande, mas tão grande, que em menos de 5 segundos, estamos nos abraçando e nos beijando. Tudo que eu fizer por eles, ainda é pouco! Sonho com o dia da minha formatura, que os dois vão estar lá, com muito orgulho de mim, no dia do meu casamento, que eles estarão ali, ao meu lado, SE DEUS QUISER E ELE VAI QUERER, para ver a filhinha deles crescendo!
    Essa música é linda e lágrimas caíram do meu rosto ao ler e ao escrever esse comentário. Meus pais são demais!

    Beijos

  8. Que coisa linda seu texto. Mesmo.
    Nem todos têm essa capacidade de perceber o quão profunda é essa música e o quão profunda é a relação entre pais e filhos. A maioria só vai se dar conta disso quando já está em uma idade (bem) mais madura. Mas curtir os pais é bom. Ficar em casa também é bom. Ser filha é bom demais. Assim como um dia seremos mães e pais, e nossa base (a base para nossa futura família) foi dada por eles: mamãe e papai.
    Seu texto está encantadoramente lindo. Perfeitamente de acordo com a música. (e eu, como menina criada com irmãos “legionários” – fãs de Legião Urbana – fiquei feliz da vida de perceber todo um entrosamento entre o texto e a música)
    Bjo!

  9. Acho que no fundo todos os pais e filhos são iguais, rs. Gostei muito do seu post, achei muito bonito! Deu pra eu refletir… E sim, devemos amar enquanto é tempo =)

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