Não Exagera, Vai…

Não sou do tipo de gente que cai de amores por qualquer banda que cai nas graças da mídia, salvo algumas exceções – rouge, sandy & junior e rbd – porém, sou o tipo de gente que procrastina absolutamente tudo que tem que fazer da vida, o tempo todo, sempre. Se “procrastinador” fizesse parte de um videogame, certamente seria o chefão, e certamente seria eu. O detalhe é que em meio às minhas idas e vindas procrastinadoras, um de meus passatempos preferidos é assistir a clipes, não porque eu goste de vê-los – pelo menos não todos – mas sim porque gosto de comprar as programações dos três canais do gênero que tenho acesso (multishow, mtv e mixtv) e, na maioria das vezes quando o clipe X acabou de passar em uma, começa a passar na outra. Fico com raiva, a oportunidade deveria ser dada a novas bandas ou outras músicas daquelas mesmas. Mas as vezes fico feliz, porque – acontece bem pouco, mas acontece – as vezes eu encontro bandas e músicas que me interessam, que interagem comigo e que eu passo a gostar. Foi nesses programas que conheci a maior parte dos artistas internacionais que vivo escutando por aí.

Era começo do ano, eu estava de férias, desiludida da vida e vendo meu diário programa de clipes. Aparecem cinco garotos perto de um ônibus vermelho dizendo que precisavam daquela coisa que a menina tinha e completamente agoniados pelo fato de ela não querer sair da mente deles nunca. Viciei-me na música e assim que o clipe acabou, mudei para outro canal para revê-lo e depois fiz isso de novo e vi três vezes. E a música não saia mais da minha cabeça. Eu não sabia quem eram aqueles garotos, não sabia que música era aquela, só sabia que passei a gritar ao mundo que precisava daquela coisa e ai de quem ousasse me perguntar que coisa era essa, porque, bem, eu nunca entrevistei os garotos pra saber!

Fui para Londres e procurei por um cd desses garotos, tendo em vista que, na minha cabeça, ninguém no Brasil sabia quem eles eram e que como o ônibus do clipe era vermelho tinha que ser de lá. Não encontrei o cd. Frustrei-me. Claro que a frustração passou segundos depois quando encontrei uma coletânea de entrevistas do Queen, com direito ao divo Freddy Mercury falando por incontáveis horas.

Voltei, a faculdade começou, eu não tinha mais tempo para os meus clipes, nunca mais ouvi falar dos garotos e nunca mais ouvi a música, mas nesse momento eu já sabia o nome da banda e da música e confirmei que, de fato, eles eram britânicos. Nesse momento também eu já sabia que estava encaminhando-me a ficar platonicamente apaixonada por Harry Styles. E, nesse momento, meu bom senso começou a se perder.

Minha amada e idolatrada greve estava em seu auge, a tv a cabo fora do ar, eu sem paciência para acompanhar a programação do sbt resolvo mudar de canal, a fim de ver Titi e Mari Moon falando bobagens sobre a vida de artistas que eu, em suma maioria, desconhecia. Eis que elas comentam que um dos cinco garotos postou em uma rede social (ou disse numa entrevista, não lembro) que se sentia como os Beatles, tendo em vista que o mundo inteiro os conhecia.

Nesse momento, meus caros, o coraçãozinho de quem vos fala parou no chão. Porque, ok, eles tinham uma música legal, ok, o clipe é legal, ok  a voz deles é ok e OK eles eram bonitinhos, mas… Sentirem-se aptos a se comparar com ninguém mais ninguém menos que ~~beatles~~?? Really bitch? Really? Lembro-me de ter desligado a televisão e passado um longo tempo refletindo a importância que os melhores britânicos do mundo tiveram para o mundo musical, e concluí que aqueles cinco garotos não mereciam a minha atenção. Porque eles jamais chegariam ao patamar beatlesiano.

Até que, tempos depois, eu assistindo a esses programas novamente, deparo-me com um clipe sensacional, da música mais grudenta da história do Reino Unido e com uma letra fofa que tentava provar que o que fazia da garota bonita era justamente o fato de ela não se achar bonita. E eu percebi que eram aqueles cinco garotos novamente. E eu percebi que não, eles nunca vão ser os Beatles. Não, ninguém nunca chegará aos pés deles, acho que nem vale apena tentar, mas, acima de tudo, eu descobri que esse não era o objetivo mor da vida daqueles cinco jovens. Eles só queriam fazer músicas fofas, clipes legais, viajar o mundo, conhecer garotas interessantes e ganharem dinheiro. Mas é absolutamente claro que eu não concordo de maneira nenhuma com os covers toscos das músicas do meu quarteto preferido.

E eu resolvi pesquisar sobre eles, de verdade dessa vez, e descobri que eles vieram de um reality show e que eles são super novinhos e que sua inspiração mor, para o meu completo e total alívio, não eram os Beatles, mas sim aquele outro grupo de rapazes, os da rua de trás, aqueles que cantavam que não importava de onde ou quem você era ou o que você queria desde que os amasse. E eu me tranquilizei. Acalmei-me. Resolvi nunca mais dar credibilidade pras VJs malucas da MTV (só me decepciono com essa rede de tv), larguei de mão minha vergonha, preconceito e bom senso e me joguei no grude da juventude atual.

Não me considero fã da banda, tendo em vista que conheço no máximo quatro músicas, mas reconheço que sei as duas aqui citadas de cor e que quando resolvo ouvi-las ou simplesmente as menciono elas grudam na minha cabeça por semanas e é absurdamente impossível me desvencilhar desse mal. Não sei o nome de todos os integrantes da banda, só do Harry porque o nome dele é Harry e porque o cabelo dele é zuado e divertido.

E, acima de toda e qualquer coisa, sou completamente grata a eles por terem proporcionado a mim – pessoa que descobriu boybands quando elas já se encontravam em off (assim como a grande maioria de todas as outras coisas que escuta) – a alegria bombástica de ouvir uma música fofa em ritmo de boyband, já imaginando as dancinhas e vivendo todas as emoções que não vivi quando tinha quinze anos. Porque, no fim das contas, acho que é disso que eles se tratam e acho que é disso que essa fase da minha vida se trata, em conciliar coisas que eu não vivi porque estava preocupada demais com outros afazeres com as coisas que eu devo fazer agora. Porque, sinceramente, é muito mais divertido ouvir uma música que diz que uma garota não precisa de maquiagem, que consegue iluminar o salão mesmo sem, porque já é bonita o suficiente, mesmo que ela não perceba, do que ouvir essas músicas que só servem para insinuar  relações íntimas de afeto. Eu prefiro o romance ao escrachismo. E é isso que eu admiro nos britânicos, mesmo tendo a pior comida que eu já comi na vida, é absolutamente impossível não se encantar por algum ruivinho de voz bonita e sotaque maravilhoso falando coisas românticas no pé do seu ouvido.

Abençoado seja o inventor do fone de ouvido!

0 thoughts on “Não Exagera, Vai…

  1. Uma vez eu descobri o McFly (to escrevendo certo?) assim, por acaso. gostei. não me tornei uma fã absurda, mas o som era bacana e depois surgiu uma pontinha de vergonha, porque eu sou muito hipster e chata – e faço tipo mesmo para coisas midiáticas demais e, ainda por cima, adolescentes.
    Eu também fui fã de RBD. Amava a Mia, aquela insuportável.
    Abraços.

  2. Olá moça! Vim retribuir sua visita e gostei de ler sobre os cinco meninos. Confesso que fiquei inconformada quando ouvi comentários sobre uma suposta inspiração ou comparação aos quatro meninos famosos que tantos amaram e amam , porque não dá dé?! Mai respeito!rs…Mas agora, com seu texto, fiquei aliviada e achei até divertido o fato de se inspirarem naqueles que fizeram minha adolescência mais feliz! Acho que tudo é questão de fase. Mas talento dita quem fica.
    Bjs e volte sempre!

  3. Então eu estava certa, sempre pensei q eles eram uma imitação de BSB!!!
    De qq forma nao gosto deles, rssss! Pelo menos eles não têm a pretensão do Justin Bieber de “fazer” uma música chamada “as long as you love me” que não tem conteúdo nenhum, em comparação com a original hehehe!
    Beijos, May!

  4. May, amo demais o nosso amor compartilhado por One Direction, sério mesmo! Se eu pudesse pegaria um avião agora pra Curitiba pra gente ficar dançando What Makes You Beautiful o dia todo pulando na cama.
    Eu conheci eles há pouquíssimo tempo. Ouvia falar de One Direction por aí, na internet e em revistas, mas não fazia ideia do que eles cantavam. Até que ouvi What Makes You Beautiful na Malhação e fiquei OBCECADA. Fui procurar na internet e quando vi que era deles pensei: merda, não vou poder gongar essa banda de menininhas HAHAHAHA
    Um dia fui na Saraiva e discretamente coloquei o cd deles pra tocar e fiquei lá pirando loucamente, me segurando pra não pular!
    Que bom que você me entende <3
    Te amo mais por isso!

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