Nem tudo é o que parece ser.

Todos sabem que sou cinéfila e passaria todos os dias assistindo filmes se fosse possível, certo?

Hoje tive um acesso de luz e percebi uma característica muito ruim que foi herdada pela minha pessoa através dos filmes, seriados e desenhos animados.

No mundo dos cinemas, as relações entre as pessoas são muito mais intensas. Quando alguém está sozinho em casa e triste, liga para um amigo e três segundos depois esse amigo já está lá. Vivem um na casa do outro, é como se os amigos pertencessem à mesma família. O mesmo acontece com os namorados, que estão sempre juntos, não importa o que aconteça e há também os pais que não se importam com seus filhos e nunca perguntam onde eles estão indo ou a que horas chegarão em casa.

Nos desenhos animados é a mesma coisa! Em “Scooby-Doo” o grupo de amigos tem uma vã e passeiam por aí desvendando mistérios, em “Três Espiãs Demais”, elas moram juntas. Em “Pokemón”, eles nem têm família, porque estão sempre juntos e andando por aí. Em A “Turma do Bairro”, eles tem uma casa na árvore só para eles e ficam lá o dia inteiro! Enfim, não há um desenho sequer que haja alguma dificuldade de comunicação entre os membros do grupo de amigos.

Em “Gossip Girl”, por exemplo, eles moram em Nova York, que nós sabemos ser uma cidade consideravelmente grande, no entanto sempre estão um na casa do outro. Em vários casos os amigos passam a morar uns com os outros. Quando eles resolvem começar a namorar, ficam juntos o dia INTEIRO. Sempre assim.

Agora imaginem eu –  uma menina que mudou de cidade quatro vezes até os 10 anos, com uma quantidade imensa de relacionamentos interrompidos pela distância, com pais que só permitem que eu saia se eles conhecerem a companhia e o lugar para onde vou e se puderem me levar/buscar –  vendo uma coisa dessas. Fui intoxicada.

É por isso que nunca acho os relacionamentos que eu tenho suficientes. Quer dizer, eu moro em Curitiba, tenho vários amigos, mas cada um mora num canto diferente da cidade, então não dá para nos vermos com certa frequência. Há amigos que eu passo vários meses sem ver e é para isso que servem as redes sociais, para nos manter unidos mesmo com toda essa distância. Só que relacionamentos assim não são mais suficientes para mim. Quero poder ligar para alguém na hora em que eu acordar e dizer “Me encontra em 10 minutos no lugar tal”, ir ao lugar tal e a pessoa estar lá. Quero poder visitar as pessoas sem ser convidada, “invadir” casas alheias quando me sinto sozinha, quero poder sair da minha casa e visitar qualquer um dos meus amigos, onde quer que eles morem, na hora em que eu quiser ir. Quero poder pegar o celular e mandar uma sms dizendo “preciso de você aqui” e tã dã, 10 minutos depois a pessoa está na minha casa! Sério, quem não quer isso? Não parece o MÁXIMO? Mas nada disso é real. Para sair com alguém é necessário planejar muito antes. É necessário haver um local para ir e algo para fazer. Ninguém mais sai de casa apenas para andar na rua e conversar. Acho que só faço isso com uma das minhas amigas, que não mora aqui, mas sempre que vem para cá passa as tardes comigo andando por aí enquanto conversamos sobre todas as coisas possíveis. É tão maravilhosa essa sensação. Mas ninguém quer fazer isso. Redes Sociais são mais cômodas, mais fáceis de manipular e de mentir. Não dá para ver os olhos, ouvir a voz, não dá para se ter certeza de nada. Tudo que vivemos aqui pode ser uma grande falsidade.

Eis que  os filmes terminam e eu sou jogada nesse mundo real. Não é mais suficiente. Os relacionamentos não são como eu gostaria que fossem, nada é o que parece, nada é o que deveria. Ter amigos resume-se a conversar com muita gente na escola ou no msn, twitter etc e tal, só que eu não queria isso. Queria poder conversar com as pessoas de verdade, em todos os momentos que sinto tal necessidade. Queria tornar as coisas mais pessoais e intensas, só que, não tem como eu fazer isso.

E é assim que acabamos sozinhos, cada um em nosso apartamento, enquanto está um dia super ensolarado e agradável lá fora. Sozinhos, tentando fracassadamente encontrar um meio de não nos sentirmos assim.

Por isso sou frustrada. Culpa dos filmes. Malditos.

Depois de ler isso, que tal sairmos sem rumo para conversarmos um pouco? 

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