No Regrets.

Outro dia estava sentada na mesa de jantar com a minha família e de repente meus pais começaram uma conversa super interessante para tentar achar um grupo ao qual eu pertencesse. Primeiro eles supuseram que eu era nerd, depois lembraram-se de fatos passados e pensaram que talvez eu fosse emo e depois de muitas suposições, chegaram à conclusão de que aquela era um conversa inútil, pois eu estou fora de todo e qualquer rótulo.

Passei a pensar no assunto. Nada melhor para rotular alguém do que analisar seus amigos, certo? Então parei para pensar nos meus amigos.

Costumo dizer que eles são perfeitos e maravilhosos, mas são extremamente diferentes. Acho que isso se reflete em minhas festas de aniversário, quando ao invés de ter uma grande mesa de amigos, têm várias separadas, com gente super feliz entre sí, mas que não conversa com os das outras mesas.

O motivo de tal fato é bem simples: eu sou instável.

Daquele tipo louco que não se contenta em ser apenas uma coisa, uma personalidade, uma pessoa, um tipo de amigos, gosto de diversificar e é por isso que tenho amigos de várias religiões, nacionalidades, estilos, gostos, cortes de cabelo, cada um de um jeito, cada um mais perfeito, cada um completando-me de um jeito diferente e único.

E o que isso tem a ver? Por que falar disso agora?

Estava pensando em como seria a minha vida caso eu nunca tivesse conhecido certas pessoas ou vivido com elas tudo que vivi. Estava aqui lembrando da boa época onde eu não tinha medo das consequências e simplesmente fazia as coisas quando as sentia.

Estava me lembrando de 2009, aquele ano que foi o pior da minha vida até agora. Estava me lembrando das pessoas que conheci lá e de como elas transformaram a minha vida profundamente.

Estava me lembrando dos recreios gigantes da quarta-feira, das quintas-feiras letivas e das minhas aulas de teatro na UTFPR. Do Autista disperdiçando grande parte do tempo dele para estar ao meu lado, da Reeh e seus abraços deliciosos, suas conversas estranhas e todas as nossas loucuras, da Sophia e da Dani e até mesmo da Foster, Gih e Usagi. Nós éramos um grupo interessante, diversificado, assustador para alguns, muito diferente do que somos hoje. Paro para pensar e percebo que a gente meio que se “construiu” juntos, sei que não sou a melhor amiga de nenhum de vocês, mas estávamos juntos naqueles momentos chaves, onde todas as coisas mudam. Não consigo imaginar o que seria de mim hoje se eu não tivesse ido falar com vocês naquele ano.

Não estou falando exclusivamente deles, não consigo imaginar o que seria de mim hoje se eu não tivesse conhecido cada um dos meus amigos, diferentes do jeito que são.

Sei que alguns são aqueles típicos “estranhos”, que ninguém considerado “normal” conversaria com, mas são exatamente esses os que me fazem melhor. Os “estranhos”. São eles que me entendem, me completam.

Pensando em tudo que aconteceu nos últimos três anos, nesse Ensino Médio louco, todas as coisas que começaram e acabaram, todas as mudanças que ocorreram, externa e internamente eu concluo que foram os melhores e os piores anos da minha vida. Aqueles que não quero nunca esquecer, que lamentarei por não poder reviver.

Todas as coisas só foram possíveis por causa das pessoas. A vida é feita das pessoas que nós conhecemos e da importância que damos a elas. Nunca me arrependerei de ter sido amiga de todas as pessoas que fui. Elas foram exatamente o que eu precisava naqueles momentos. Essenciais, não há outra maneira de definí-las. É por isso que eu devo agradecê-las, agradecer a todos vocês, que foram meus amigos mesmo quando eu gritava que não queria amigos, todos vocês, que sempre estiveram ao meu lado. Vocês ocupam um espaço enorme do meu coração, mas ainda cabe mais gente por aqui.

Queria ser capaz de largar meu recém descoberto racionalismo e retornar às minhas bases impulsivas que fizeram de mim quem eu sou hoje, porque, mesmo que isso seja inaceitável para alguns, eu gosto de ser quem sou.

Voltando porém ao assunto inicial, devo dizer que concordo com meus velhos pais. Estou acima de qualquer rótulo. Sou confusa a ponto de não fazer a menor ideia de como definir-me. Portanto, se você não tem nem um pouco dessa loucura intrínseca a ti, garanto que não vai levar a nada manter-se presente em minha inconstante  vida. Por outro lado, se você tiver alguma ideia sobre como me definir, avise-me. Estou a fim de saber qual rótulo vocês acham que cabe a mim.

Esse texto está sem sentido algum e até mesmo sem um assunto específico, mas é domingo, está quase de noite, não fiz nada hoje, estou precisando aproveitar mais meus dias, tentando descobrir como fazer isso, precisando escrever ou falar com alguém, sem ninguém para isso e sendo tomada por lembranças de coisas e pessoas que foram especiais e me tornaram especial. Se for olhar na essência, minha vida não é nada interessante, mas a de quem é?

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