Nosso próprio tempo

Tempo que não para

Estava lendo os textos mais recentes da Rafa e da Analu e lembrei que junto com o Legião Urbana que embalou minhas férias até agora e as mudanças eminentes que vieram com ela surgiu um texto muito bem elaborado sobre o Tempo e seu jeito de passar em minha cabeça. Era para tê-lo escrito há uns vinte dias, mas protelo como nunca quando se trata de escrever textos mirabolantes. Tenho protelado ultimamente, porque ano passado escrevia sem escrúpulos e as consequências não foram muito agradáveis, no entanto não tenho mais como prorrogar essa escrita, só vou mudar um pouco seu foco.

Existe uma coisa chamada “TPM” que na verdade é uma síndrome que atinge apenas 5% das mulheres, as outras só acham que têm. Porém, antes da menstruação os hormônios ficam meio loucos mesmo e é comum que todas nós alteremos nosso humor numa frequência incrível, dentre essas alterações surgem as tais crises existenciais, pelo menos é o nome que eu dou a elas. O fato é que dias antes de menstruarmos a gente começa a refletir e filosofar sobre todas as coisas do universo, em todos os graus possíveis. Ficamos carentes, achamos que ninguém se importa conosco e por diversas vezes choramos sem motivo algum. Dentre essas filosofias, existe a filosofia do tempo. É que a gente pensa demais e fica tentando encontrar explicações para tudo, na verdade parece uma busca para motivos de ficarmos frustradas, porque enquanto não encontrarmos um problema para refletir em vão à respeito não desistimos. TPM é a principal razão para todos os homens terem um orgulho desgraçado de não terem essas coisas chamadas “ovários”. O problema é que eu sou inocente e achava que essa coisa de ficar refletindo sobre tudo era normal entre todas as pessoas, daí fui conversar com meninos sobre as minhas crises existenciais, sobre eu ficar chorando desesperadamente me sentindo um lixo antes de dormir e acordar exuberantemente bem e os via me olhando com uma tremenda cara de desentendido, dizendo que essas coisas não acontecem no universo masculino e que eu era insana. Tudo bem, sou um alien, o próprio nome desse blog é a prova disso, mas poxa… Por que raios os meninos não refletem sobre suas vidas? Eles são mesmo de outro planeta.

Então eu lembro da Mayra com sete anos, aquela que era dona de uma televisão imaginária e passava o dia inteiro se imaginando apresentando programas, que era casada com o Juan Pablo e tinha duas filhas, a Kelly e a Cassandra. Aquela Mayra que com sete anos sabia exatamente como era uma vida de adulto e por mais que fingisse vivê-la 24h por dia todas as noites antes de dormir agradecia a Deus, ao destino ou qualquer outra coisa que comande as nossas vidas, se é que existe algo, por ela ter exatemente sete anos, um monte de barbies e um quarto enorme somente para brincar com elas, sozinha óbviamente, porque companhias só atrapalham. Daí eu pulo pra Mayra da quinta série, que tinha acabado de se mudar pra capital e achava que o ápice da vida ocorria na sétima série e não via a hora de chegar lá. Então ela chegou e a partir dali passa a maior parte de seus dias tentando descobrir o que fazer para que o Peter Pan venha buscá-la em casa. Ela até dorme com a janela aberta pra ver se ele entra e perde a sombra dele e ela ajuda a costurá-la e ele a leva para a Terra do Nunca. Já até pensou em comprar a ex-casa do Michael Jackson só porque o nome é Neverland. Ela não quer envelhecer. Cresceu numa família enorme e velha e acha o máximo cuidar de gente idosa mas abomina a ideia de que algum dia chegará àquele ponto. Então ela completa 16 anos, tira seu título de eleitor e vota pela primeira vez na vida, surtando de alegria por finalmente ser uma cidadã útil e de pavor por estar ficando velha. Então chegam essas férias. O final de 2011 e o início de 2012 que trouxe com ele a aprovação no vestibular. A Mayra agora vai para a faculdade. Então de repente toda a sua família começa a tratá-la como adulta e dizer  “agora você vai pra faculdade, não pode mais ser tão fresca” e seu irmão lhe dizendo “é hora de você crescer” e de repente todas as pessoas do universo querem que ela cresça e não mudam de opinião quando ela diz que vai ter 1,55 pra sempre. Não. O “crescer” deles não é em altura, é em espírito, em maturidade, em experiência, em todas as coisas que ela abomina de todas as maneiras possíveis. Mas… E se ela não quiser crescer? Por que raios essa opção não existe?  Ela se olha no espelho e planeja seu primeiro dia de aula, abre seu guarda-roupa e vê seu ex-uniforme separado e cai no choro ao perceber que aquela não é mais a sua vida, aquele não é mais o seu uniforme e que agora os pais dela não vão poder ajudá-la de maneira alguma. Ela está surtando interiormente. Com um medo incrível do novo. Ela sempre temeu o novo, é por isso que nunca experimentou refrigerante e coisas do tipo. Então ela ri da cara do seu pai quando ele diz que ela vai tirar carteira de motorista no fim do ano, ri ao se imaginar dirigindo um carro, ri ao se imaginar sendo adulta. Não. Ela só tem dezessete anos. Ela é apenas uma garota que surta adoidadamente enquanto mirambola pensando sobre o tempo que insiste em passar muito mais rápido do que ela gostaria. Até nas férias. Até no tédio. O tempo todo. Agoneia-se e frustra-se ao perceber que mudar de escola, estar a um passo de ser maior de idade e todas as outras coisas que esses três meses estão significando para ela não são nada. Ela vai se acostumar e em Maio os problemas já serão completamente diferentes.

Tudo que ela quer é um vira-tempo, igual ao da Hermione, para voltar à sétima série e congelar o tempo lá mesmo, onde tudo ainda era bom e as barbies que guarda em sua estante ainda tinham uma utilidade. Porque crescer não é pra mim.

Fazendo um desejo mais realista, alguém que “me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo temos nosso próprio tempo“, porque ter o meu próprio tempo é a única coisa que talvez ainda me salve do desencantamento total do mundo.

0 thoughts on “Nosso próprio tempo

  1. Gente! Mas que começo de ano “temporalmente” turbulado para todas nós! Eu, você, Rafinha, Rhaíssa, todo mundo com as mesmas esquisitices na cabeça!

  2. Mayra lindinha, você vai crescer quando for o tempo para isso. Não porque sua família quer ou porque o mundo diz que só pq vc entrou na faculdade você tem de ser adulta. As coisas vão acontecer em seu tempo certo!

    E se você achar que é bom pra vc continuar do jeito que está, adulta ou não, continue! Só quem sabe dos seus sentimentos é você!

    Aproveite cada dia, sem se apressar!

    Beijosssss!

  3. Eu também sempre tive medo de crescer, e mudanças me gelam a espinha. Eu anseio por elas, até que elas chegam e eu desejo mais que tudo poder voltar atrás, para o que era bom ou ruim, não importa, mas era conhecido e seguro. Mas vai dar tudo certo, né? Sempre dá.
    Beijos

  4. Crescer é algo realmente estressante. Falei sobre isso no post que fiz mais cedo, aliás. Crescer nos tira certas liberdades e uma inocência necessária para levar nossos dias mais leves, mas é um processo necessário e do qual não podemos e nem devemos fugir. E jeito é seguir em frente, que as coisas acabam se ajeitando, de uma maneira ou de outra.

    Beijo

  5. Te falar que vocês me deixaram encucada com o tempo também, eu que tento ao máximo não pensar nisso… Meh. E como se não bastasse HOJE eu trombei com essa frase no twitter: “Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem.” – Machado de Assis

    HUnf, alguém pra me abraçar forte e dizer que estamos distantes de tudo era o que eu mais queria agora, meu consolo é que temos mesmo, cada um de nós, o nosso próprio tempo… O que estraga é que tem gente que não sabe respeitar essa realidade, e é o que acaba deixando o crescer tão estressante assim. E aí, quem curte?

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