O coletor que liberta

           Há alguns anos eu, inocente, elegi o absorvente interno como uma das melhores invenções da humanidade. Mal podia imaginar que em tão pouco tempo algo ainda mais libertador, confortável e seguro surgiria em minha vida.

           Menstruar sempre foi uma coisa positiva para mim, graças à minha mãe, que me fez enxergar a situação pelo lado da saúde. Ou seja, sangrar todo mês significa que estou saudável e não estou grávida. Com o passar do tempo, pode-se dizer que comecei a gostar da coisa, a ponto de achar muito estranho quando atrasa um dia sequer. Ok, sou um tanto sortuda neste aspecto: não sofro com cólicas, enxaquecas ou outros sintomas complicados. O máximo que ocorre é ter muita vontade de comer chocolate e ficar com o psicológico desregulado, mas isso pode acontecer em qualquer outra época da vida também, logo, não associo muito ao período menstrual em si.

           Não me lembro exatamente onde tive contato com essa nova invenção sensacional pela primeira vez, mas sei que assim que o fiz, fiquei curiosa, mas não tive coragem imediata. Entrei no grupo do facebook que discutia sobre os coletores menstruais e comecei a acompanhar os depoimentos de usuárias. A maior parte das meninas ressaltava os lados positivos: liberdade, conforto, segurança e poder ficar sem calcinha, mesmo menstruando. Mas havia os comentários negativos: dificuldade para colocar ou tirar, vazamentos, aumento de dores e afins. No entanto, o grupo é muito diverso e bem informado e as moderadoras tentam manter em evidência todas as explicações possíveis sobre o produto. Assim, em todos os tópicos com comentários negativos, logo vinha alguém com dicas de resolução do problema e tempos depois a menina estava satisfeita novamente.

           Com as leituras, aprendi que a lavagem era prática. Que no decorrer do dia, quando eu esvaziasse o copinho, precisava apenas enxaguar com água corrente e recolocá-lo. Aprendi diversas maneiras de dobrar o coletor para inserir e métodos para retirar. Aprendi também que com ele eu conseguiria trabalhar a musculatura vaginal e mantê-la forte, o que é bastante importante para evitar incontinência urinária e afins. E, no grupo, aprendi sobre resolução para diversos problemas íntimos, como a candidíase e outros incômodos. É sensacional a forma como diversas mulheres desconhecidas, unidas por um produtor revolucionário, conseguem conversar sobre coisas que muitas vezes não têm liberdade para falar com pessoas que são próximas. É incrível a quantidade de coisas que podemos aprender juntas quando nos dispomos a nos ajudar. Eu realmente adoro estes grupos!

           Enfim, para quem não sabe do que estou falando, o coletor menstrual é a forma higiênica, sustentável, segura, reciclável e libertadora de lidar com a menstruação. Ele é um copinho, em formato de funil e feito com silicone hipoalergênico, testado por dermatologistas. O material é dobrável, de forma que fica do tamanho de um absorvente interno comum quando inerido no canal vaginal. Ele deve ser inserido em direção ao ânus, para ficar próximo ao colo do útero. Após a inserção, é necessário conferir se ele abriu, pois é neste momento que ele forma um vácuo que garante que o sangue não entrará mais em contato com o seu corpo. A partir daí, todo sangue que sair do colo do útero vai direto para o coletor, que deve ser trocado em, no máximo, doze horas, mas depende muito do seu fluxo sanguíneo e sua rotina.

           Para retirar, basta segurar o coletor pelo cabinho e fazer um pouco de força com os músculos vaginais, que ele é empurrado para fora, então você retira, esvazia, enxágua e recoloca. No começo, este processo pode ser um pouco demorado, mas conforme se pega prática, dura apenas alguns segundos. Ao final e início do ciclo é recomendado que ele seja fervido, em um recipiente não metálico, por cerca de cinco minutos. É suficiente para esterelizá-lo. No período entre um ciclo e outro, é recomendado que se encontre um local seco e sem contato com o Sol para guardá-lo.

           Antes de comprar o seu coletor, que custa em torno de setenta reais, é necessário verificar algumas coisas em seu corpo. A primeira delas é a altura de seu colo do útero, pois isso influencia diretamente no tamanho de coletor a ser comprado. Para saber isso, basta inserir um dedo no seu canal vaginal e ver a distância do colo. É normal que no período menstrual o colo do útero desça um pouco. Se você mal coloca o dedo e já o sente, tem colo baixo. Se coloca quase o dedo inteiro e ainda não acha, tem colo alto. Leve isso em conta na hora de escolher o tamanho e modelo de seu coletor. Outro fator importante é a idade e a quantidade de partos que a mulher já teve. São vários os modelos e tamanhos e é praticamente impossível que a mulher não encontre algum com o qual se adapte. O valor parece um pouco alto, porém o mesmo coletor pode ser usado em média por dois anos, havendo relatos de mulheres que utilizam o mesmo há dez!

           A sensação maravilhosa de nunca mais precisar colocar um absorvente, que fica todo sujo de sangue e fazendo atrito com a sua pele até que você possa trocá-lo, é ótima. Não precisar ter contato com o tecido sintético do qual os absorventes descartáveis são confeccionados é muito bom! Até a pele da região sente a diferença. Esse, sem dúvida, é um produto que eu recomendo para todas as mulheres.

           Vou deixar o link dos sites das marcas que conheço e ouço falar melhor:

E também um vídeo que fiz já há algum tempo, sobre o tema:

Comentários: