O dia em que tentaram me fazer entender matemática.

Estávamos numa mágica aula de trigonometria, a prova é amanhã e eu perguntei pro professor até onde devíamos estudar para a prova.

O que eu não sabia é que ele tem espírito revolucionário e isso significa que não recebi uma resposta agradável.

Foi mais ou menos assim: “Vai fazer diferença? Você não vai ter que estudar o que eu passar hoje mesmo que não caia na prova?”

E então ele nos explicou novamente seu gráfico de Conhecimento x Tempo, que é mais ou menos assim:

Que significa que estudamos para as provas e assim que as fazemos, esquecemos todo o conteúdo. Na próxima prova decoramos tudo de novo e esquecemos tudo de novo e isso acontece sempre.

Por isso a sugestão dele é estudar sempre, para manter um crescimento linear de conhecimento.

Parei para pensar na minha vida neste momento, lembrei do remoto 2009 quando tive uma reunião com meu professor regente por causa das minhas notas, ele perguntou se eu estudava para as provas e eu disse sinceramente que não. Disse a ele que é completamente inútil estudar para as provas, que decorar 20000 matérias e depois esquecer não serve para nada, que fazia as provas com o que havia aprendido no decorrer do bimestre e se eu não tivesse aprendido nota, as notas seriam ruins. Afinal, provas são testes de conhecimento, certo? Se eu decorar a matéria não estarei testando nada, apenas enganando a mim mesma.

Lembro de falar isso praticamente chorando enquanto olhava para o professor e ele replicava “Em um mundo ideal isto estaria correto, mas na atual conjuntura, você TEM que estudar para as provas”. Resultado? Bom… Vocês sabem que fiquei de final ano passado, acho que isso já prova que continuei seguindo meus ideais.

O tal professor de matemática, no entanto, nos disse hoje que essa coisa de decorar o conhecimento está caindo por terra, que o ENEM está aí para acabar com isso, através da intertextualidade que ele promove e que se a gente não se adaptasse ao sistema, sofreríamos com as consequências.

Fiquei impressionada por um professor ter esse pensamento, sorri e pensei “Sabia que estava certa.”

Então eu cheguei em casa e fui estudar a matéria do dia e me deparei com uma outra matemática, que estuda P.A, sequências e afins, fui rever os exercícios das outras aulas e tentar fazer os da última e notei que a cada 20 exercícios eu só havia conseguido fazer 5. Fiquei impressionada, a matéria nem é difícil! Tentei refazer e não consegui.

Resultado? Manterei o foco na amada trigonometria e até no odiado estudo de funções, mas não vou decorar hoje como se faz P.A, porque se não sou capaz de aprender, simplesmente é porque meu inconsciente está me informando involuntariamente que será inútil para o meu futuro próximo.

E se P.A não cair no vestibular/ENEM esse ano, lembrem que eu profetizei isso em meados de março.

No fim, aprendi que com trigonometria funciona plenamente essa coisa de entender matemática, mas só porque o professor pensa que isso é o essencial e nos ensina dessa maneira, enquanto os outros ensinam ainda a base de decoreba, consequentemente nos fazendo engolir conteúdo ao invés de entendê-lo e as coisas acabam na mesma merda inconsequente que sempre foi.

Sinto saudades da época em que eu nem encostava nos meus cadernos, livros e afins, fazia as provas na cara e na coragem e minhas notas eram todas acima de 8.

0 thoughts on “O dia em que tentaram me fazer entender matemática.

  1. Nossa, professores realmente têm opiniões diferentes entre si. E você é realmente corajosa de ter sustentado por tanto tempo esse ideal de não estudar de véspera e tal… A verdade é que nosso sistema educacional é extremamente não funcional e estúpido. Espero que com o ENEM – se os erros dele forem corrigidos logo – isso comece a mudar. Um beijo =*

  2. A matemática é linda, vc só precisa descobrir 🙂
    quando vc comeca a aplicar conceitos teóricos no mundo real a coisa fica muito mais interessante e divertida.

    1. Então, acho que a razão para muita gente odiar matemática é porque não aprendemos a utilizá-la na vida real, apenas em coisas completamente imaginárias.

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