O inferno capitalista.

No começo do ano minha mãe veio com a velha pergunta de todo começo de ano: “Você quer estudar no Bom Jesus?”, acho que ela esperava que depois de tudo que aconteceu no ano passado eu dissesse que não, mas eu disse que sim.

Porque por mais que no decorrer do ano eu odeie aquela escola, eu sempre vou dizer que sim.

Neste ano o meu sim tinha um motivo específico. É o ano em que temos que fazer um roteiro e filmar um filme, que depois pode ir para um festival onde há uma premiação. Meu sonho é ganhar alguma coisa nessa premiação. Para isso, precisava continuar na escola.

Então passei o ano tentando ter uma ideia decente para o roteiro e quem disse que eu tinha ideias? Deus sabe como me esforcei e sabe como minha criatividade não é lá essas coisas.

No fim, escrevi um roteiro que ficou até decentezinho, eu gostei e quero muito filmá-lo. Agora que vivo o momento, percebo que por mais que minha vontade de entrar no festival seja imensa, o mais importante é fazer o filme ficar super legal, porque se isso acontecer eu já estarei extremamente feliz.

Para escrever o roteiro era necessário formar duplas, me juntei com a Leila, como era de se esperar, sobrou para mim escrever o roteiro inteiro. Tudo bem, eu aguento.

Para filmar o filme era necessário um grupo de cinco pessoas, nos juntamos à marcelly, camila e giovana. Um grupo com vários defeitos, mas bom. Só que então a Carol sobrou e enfiaram era no nosso grupo. Pra quê. Eu não gosto muito da Caroline, não que queira vê-la morta ou algo assim, só não gosto muito dela e arriscar o trabalho da minha vida com essas pessoas me fez sentir devereasmente desconfortável. Repensando no grupo escolhido percebi que ia sobrar tudo para mim e a Marcelly, para variar e isso me fez sentir muito mau. Porque eu realmente quero fazer esse trabalho decentemente. É o primeiro desafio da minha vida artística.

Após um tempo acabei me conformando com o grupo e já estou pensando certinho o que, quando e como fazer.

Enquanto isso estive tentando achar outros filmes para aparecer, não simplesmente para aparecer, em alguns casos para ajudar o filme a melhorar e em outros para participar de um filme bom. Sabe como é… Se o meu não fosse ao festival pelo menos algum dos que eu apareci poderia ir, certo?

Então hoje fui até a sala de uma das minhas amigas que deixou eu participar do filme perguntar se estava tudo certo e tal e então ela foi sorrateira e grossa comigo ao me dizer que eu não participaria, porque já tenho o meu filme para aparecer. Convidei-a então para responder as perguntas do meu filme e ela disse que se quisesse aparecer em algum filme, seria no dela. Foi o suficiente. Bastou.

A doce e linda menina de olhos brilhantes que tinha acordado 6:30 hoje, de repente ficou com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas. Não por não poder aparecer, mas sim por ter levado uma patada de uma das pessoas que ela considerava sua amiga.

Cheguei na sala abalada, transornada, meu dia então se tornou o caos. Nem as piadas das minhas amigas, as loucuras que elas falam, nem as músicas da Lully, nem o iTouch com joguinhos legais dela e nem uma aula de matemática livre me alegraram. É como se eu tivesse sido apunhalada pelas costas, difícil explicar.

O fato é que hoje aprendi uma lição: Antes de pensar nos outros, pense em sí mesma.

E eu total não concordo com essa lição. Se os outros são importantes para mim, pensar neles é como pensar em mim.

Mas ninguém mais é assim e se eu ficar pensando nos outros a cada decisão que vou tomar e a cada coisa que vou fazer, estarei perdendo chances de me engrandecer como pessoa. O que eu aprendi hoje foi que mesmo que você faça tudo que puder para ser legal e boazinha com os outros, não é o suficiente. Nunca é. Sempre vão te apunhalar pelas costas. Sempre vão pensar antes neles do que em você. Aliás, nunca pensarão em você. No fim das contas, quem é você mesmo?

É isso. É exatamente isso que estamos destinados a ser. Egoístas e Egocêntricos. Somos capitalistas. Loucos e porcos capitalistas, o que queremos se não ascenção e glória pessoal?

Se tem alguém aí que pensa primeiro nos outros do que em sí mesmo ou que conhece alguém assim, favor me apresentar. Cansei de me sentir a última bolacha do pacote. A última pessoa decente do mundo.

0 thoughts on “O inferno capitalista.

  1. Ei Mayra!
    Realmente foi uma patada que vc n merecia, mas n perca a fé nas pessoas. Eu levei mta patada de outras pessoas, antes de dar de cara com os melhores amigos que alguém pode ter na vida. E eu continuei ali, procurando, até dar de cara com eles. E então a minha vida é mais feliz, AHAHHA.
    E no mais, quem precisa deles qdo vc tem a gente? HAUUHAUA
    Beijossss

  2. “Mas ninguém mais é assim e se eu ficar pensando nos outros a cada decisão que vou tomar e a cada coisa que vou fazer, estarei perdendo chances de me engrandecer como pessoa.”

    Depende do que você considera como engrandecer como pessoa! Maybe we should talk..

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