O que eu fiz com o que fizeram de mim?

A gente acha que se constroi. Acha que somos livres e capazes de decidir algo em nossas vidas. Que somos os responsáveis por nossas escolhas e que com maturidade tudo se resolve.

Ilusão.

É só disso que a vida é feita. Achismos e incertezas. Muitas ideias e pouca realidade. Probabilidades que nunca se concretizam. Como diz um dos maiores poetas nacionais “sei lá, a vida é uma grande ilusão”.

Ilusão.

É isso que a gente é. É isso que somos todas as vezes que fazemos coisas por vontade própria. Não há vontade própria. Em algum momento alguém fez uma “inception” na sua vida e introduziu conceitos, ideias e ideais que te transformaram no que você é hoje. Somos meros produtos do meio.

Ilusão.

É disso que a gente sobrevive. Utopias que nos impulsionam. Mas temos consciência da vida que vivemos. Nós é que decidimos o que fazer, mesmo que dentro de uma série de conceitos e paradigmas a nós impostos. Nós podemos nos rebelar e agir contra a cultura de massa e, embora até essa rebelião tenha sido motivada por algo exterior a nós, é capaz de nos fazer sentir bem, donos da nossa vida, construtores da história que acreditamos ser apenas nossa.

Ilusão.

Em meio ao externo e interno, ao meio e a quem vive nele, há eu, você, nós. Perdidos no meio de uma realidade insana que nos faz fazer, ser e agir de maneiras que não faríamos espontaneamente. Se a espontaneidade existisse. Em meio a todas as contradições e paradoxos há indivíduos que lutam diariamente para manter sua individualidade e “liberdade” intactas. Há gente que batalha para ser cada vez um pouco mais dono de si. Protagonista de seu destino.

ILUSÃO

O mundo está cheio de gente que, assim como eu, é repleto de indagações, críticas e questionamentos, mas acaba por ter que adaptar-se a um todo distoante em busca de uma legitimidade naquilo que entendemos por “vida”. E, cercados por um mar de valores e sentimentos que aprendemos dever expressar, perdemo-nos. Dentro de nós mesmos e do mundo. Somos o que jamais seríamos. Seremos o que jamais fomos. Vivemos num compulsivo processo diário de reconstrução interna, enquanto o externo nunca fica intacto.

I-L-U-S-Ã-O

É isso que resume a nossa vida. O que fizeram com o que eu fiz de mim? O que eu fiz de mim? Eu fiz a mim? Serei algo algum dia, mesmo sem querer ser nada?

(esse meu existencialismo compulsório não cansa de me cansar) 

0 thoughts on “O que eu fiz com o que fizeram de mim?

  1. Você enche meu blog e meus textos com seus comentários maravilhosos, mas você é tão boa no que você faz, você escreve coisas tão incríveis que alguém deveria gritar isso na sua cara. Porque você não escreve um texto a cada século, como eu. Você escreve obras de arte com frequência, você é ótima. Maravilhosa. E quando eu ando desanimada por alguma crise existencial de falta de inspiração, aqui eu me sinto bem. Obrigada. Amo você <3

  2. Eu queria ter mais gente existencialista assim por perto se o resultado for esse tipo de coisa.
    Concordo que é tudo utopia e ilusão, as verdade são tão relativas. As ilusões nos mantém de pé e se você acredita acaba sendo real. Se eu acho que fiz de mim alguém legal, por que não acreditar? Melhor achar que o que fazem de mim não é tão forte quanto o que eu quero ser.

    “O mundo está cheio de gente que, assim como eu, é repleto de indagações, críticas e questionamentos, mas acaba por ter que adaptar-se a um todo distoante em busca de uma legitimidade naquilo que entendemos por “vida”. E, cercados por um mar de valores e sentimentos que aprendemos dever expressar, perdemo-nos. Dentro de nós mesmos e do mundo.” … entrou na minha vida e resolveu escrever sobre?

    Você é incrível. Beijo! <3

  3. Eu amo as ilusões. Porque, sinceramente, acho que elas me mantêm viva. Achei o texto incrível, mas meio triste demais, MayMay. Vem cá pra eu te dar colo, vem <3

    Beijos!

  4. Uma coisa eu sei, não é ilusão alguma que você é ótima em escrever textos que me fazem refletir. E acho que muita gente. O primeiro passo pra sair da ilusão é indagar-se, e sei que você faz isso sempre e bem.

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