O Romance

Talvez para você isso seja apenas uma revisão para alguma prova de literatura, mas realmente espero que alguém leve a sério algum de meus pensamentos. Tive uma grande revelação hoje: sou uma pessoa romântica. Sim, eu, a pessoa que abomina Edward Cullen por ele falar coisas fofas e impossíveis demais para a Bella.

O Romantismo surgiu no final do século XVIII como uma ideologia contrária ao Racionalismo, ele propunha uma vida centrada no indivíduo, algo um tanto humanista e antropocêntrico (sei que as duas palavras são sinônimas) e não em relações lógicas, propunha uma exposição de sentimentos e intensa subjetividade.

Romances nem sempre são românticos, mas todos tratam essencialmente de pessoas e de sentimentos, sonhos e todas essas coisas que se for parar para a pensar, eu não paro de falar sobre.

Segundo a wikipedia, as principais características do Romantismo são:

Individualismo, Subjetivismo, Idealização, Sentimentalismo Exacerbado, Egocentrismo, Natureza interagindo com o eu lírico, Grotesco e sublime, Medievalismo, Indianismo e Byronismo.

Eu, que sempre fui apaixonada por Shakeaspere e Lod Byron, que sempre amei índios e árvores e que vivi inspirando-me diariamente nas lindas histórias das princesas da Disney, que amo estudar Idade Média e que ajo intuitivamente e sem pensar, seguindo o que meu coração manda no momento, sou absurdamente uma romântica.

Detalhe que sempre abominei pessoas que acreditam verdadeiramente no amor e que acham que ele pode salvar o mundo, sempre critiquei toda e qualquer pessoa que gostasse de alguém por ler poesias ou saber falar coisas bonitas e sempre achei toscos os que continuam sonhando com um príncipe encantado mesmo no mundo de hoje.

Não consigo explicar como transformei-me intensamente ao ponto de me derreter ao ver lindas palavras serem declamadas e ao ver que existem meninos que conhecem Shakeaspere.

O fato é que o Romance me atrai. Não existe nada mais bonito e sublime do que uma boa estória romântica. Daquelas com amor idealizado e personagens completamente irreais. Gente perfeita que se conhece aleatoriamente e se apaixona assim que se vê e passa a respirar esse amor e transforma isso em seu mundo, como se nada mais importasse. Gente que é capaz de tirar a própria vida em prol de um amor que não pode ser vivido. Gente que ama o suficiente para não desejar a pessoa ao seu lado eternamente, mas desejar que ela esteja feliz, não importando com quem.  Toda essa estória completamente previsível, com apenas dois fins possíveis: o feliz ou o trágico, me encanta profundamente.

De repente passei a entender Beatles e sua famosa música que diz “All You Need is Love, Love is All You Need”. Passei a compreender que não há nada de mais majestoso e idealizado do que o amor, que se ele existisse e fosse praticado o mundo não teria problema algum. Percebi que se todos os que se dizem cristãos cumprissem aquele mandamento que Jesus disse substituir todos os outros (“Ame o próximo como a ti mesmo”), a maioria das guerras teria sido evitada, vários conflitos e tragédias não teriam jamais ocorrido. Se as pessoas soubessem amar como os românticos sabiam, como eu acredito saber, se as pessoas respirassem isso e passassem a se importar tanto com os outros que o seu “eu” torna-se completamente diminuído, o mundo poderia ser muito muito melhor.

Que fim teve o Romance? Ah, meus caros… O romance jamais acabará. Enquanto obras shakeasperianas e machadianas continuarem existindo, enquanto a voz de Lord Byron ainda falar através de alguém e enquanto uma alma viva conseguir pensar mais nos outros do que nela mesma, o romance estará em pé.

Por que vale a pena continuar sonhando com um príncipe? Porque mesmo que ele não exista, seu ideal pode existir, não inteiramente, mas parcialmente. Com um príncipe em mente e a convicção de que ele jamais existirá, basta que alguém tenha um pequeno traço semelhante àquele de seus sonhos para que você passe a se apaixonar plenamente.

Por que lutar tanto para amar, mesmo sabendo que pode acarretar sofrimento e dor? Porque também pode proporcionar os melhores momentos da tua vida, pode te dar razões para continuar respirando, mesmo quando tudo parece querer te dizer para fazer o contrário. Porque a sensação de amor vale a pena perante a qualquer sofrimento que possa vir depois.

Se eu já amei? Não sei. Não acho que a gente saiba quando a gente ama, talvez saibamos depois que passa, ou talvez nunca saibamos, mas o amor é um ideal de vida muito melhor do que a felicidade, porque se ele for atingido a felicidade é apenas uma consequência.

Concordo com Christopher Drew quando ele diz que “Love is Our Weapon for this lukewarm congregation and love is the only thing that’s kept me believing that the world will change, we all want change” e a ideia que estou tentando implantar na tua mente é justamente essa. Quer mudar alguma coisa? Comece amando ao invés de brigando por algo.

0 thoughts on “O Romance

  1. você apreciaria bastante a leitura de jovem Werther, a leitura de Goethe num geral, analisando por este post…
    E no fundo não posso escapar de ver algumas nuances de um cristianismo de essência em algumas brechas, haha…

    Bem interessante ler o teu blog, vou acompanhar sempre que der.

    1. Tenho a pretensão de ler Werther assim que tiver um tempo disponível. É impossível desvincilhar-me inteiramente das raízes cristãs vivendo em uma casa e num país essencialmente cristão.
      Também acompanho seu blog sempre que tenho tempo!

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