De onde vieram e o que são as Olimpíadas?

      A gente ouve muito por aí que as Olimpíadas vieram da Grécia Antiga, mas não entende muito bem. O fato é que desde cerca de 700 anos antes de Cristo, os representantes das cidades-estado gregas se reuniam para realizar competições de esportes diversos. Era uma coisa pequena e restrita ao país, que perdurou até entre 300 e 400 anos depois de Cristo. Depois disso, houve uma tentativa francesa, da época da Revolução, em reinstaurar os jogos, mas fracassou. Somente em 1896 as Olimpíadas tornaram a ocorrer, dessa vez, em proporções bem maiores. em 1890 fora fundado o Comitê Olímpico Internacional, pelo Barão Pierre de Coubertin, que desde então é responsável por organizar os jogos.

    Atualmente, os Jogos Olímpicos possuem vários desdobramentos. O primeiro deles é a divisão entre jogos de inverno e jogos de verão. Os de inverno contam com a participação dos mais diversos esportes que dependem da neve e do tempo frio para sua realização. Já os jogos de verão, contam com esportes que podem ser praticados independente da condição climática, e alguns que dependem do calor – como o vôlei de praia, e esportes aquáticos a céu aberto. Os jogos ocorrem sempre nos anos pares, de forma revezada. Assim sendo, há Olimpíadas de 2 em 2 anos, porém apenas de 4 em 4 ocorrem as da mesma categoria. As Olimpíadas de verão são maiores e mais populares que as de inverno.

      Há também as Paraolimpíadas, realizadas logo após os Jogos tradicionais. Elas contam com diversas categorias esportivas, restritas a atletas que possuem deficiência visual e física – os atletas com deficiência mental ou auditiva não podem competir. Há ainda os Jogos Olímpicos da Juventude, realizados com atletas adolescentes.

      Todas essas categorias são organizadas pelo mesmo comitê, com o auxílio de Comitês Olímpicos Nacionais e comissões organizadoras de cada especificidade dos Jogos Olímpicos.

    Há mais de 13 000 atletas envolvidos com as Olimpíadas e eles disputam em cerca de 33 modalidades diferentes, proporcionando uma média de 400 eventos esportivos. Neste ano, há 207 países participando dos Jogos Olímpicos, que estão sendo realizados no Rio de Janeiro, entre os dias 05 e 21 de agosto. 

Minha relação com os Jogos no Brasil

      Em 2007 foi realizado o primeiro grande evento esportivo no Brasil, o Pan-Americano. Eu tinha 12/13 anos na época e assisti a várias modalidades, torcendo bastante para o Thiago Pereira, na natação. Desde as Olimpíadas de Atenas, em 2004, que eu tinha percebido gostar bastante desses eventos que envolvem vários esportes. Eu nunca fui uma boa esportista, principalmente por causa da artrite, mas gosto bastante de assistir. Não gosto do fato de que o futebol masculino é superestimado e acaba sendo o único esporte que os brasileiros acompanham visceralmente. Principalmente porque eu nunca consegui gostar de futebol – apesar de saber o que é a regra do impedimento. Eu considero o campo muito grande para poucos jogadores e a partida longa demais. Raramente consigo assistir a um jogo inteiro. Então, sempre me deu uma angústia a existência da Copa do mundo e o patriotismo que ela despertava, porque futebol é chato e a Seleção brasileira desvia muita grana dos nossos impostos, pra financiar atletas que já recebem salários exorbitantes de seus próprios clubes. Enfim, não gosto e boicoto futebol há um bom tempo.

      Aí ter acesso a eventos esportivos que ultrapassam as barreiras do futebol é uma coisa bastante emocionante para mim. A partir desse Pan-Americano e da percepção de que eu realmente gostava desse tipo de evento, passei a assistir com mais ênfase às Olimpíadas. A abertura de Pequim, em 2008, foi a coisa mais bonita que eu havia visto até então. Eu não fazia ideia de que existiam tantas etnias na China, tantas tribos e línguas diferentes e ver toda a harmonia daquela apresentação me deixou bastante empolgada. Acompanhei o Brasil nos jogos, aprendi regras de esportes até então desconhecidos e percebi que eu não me importava mais se era o Brasil ou não, porque o esforço dos atletas havia passado a me encantar, independente de onde eles tenham vindo. Em 2012 eu acompanhei com menor ênfase aos jogos, mas achei a cerimônia de abertura bem mais fraca do que a Inglaterra poderia ter feito. Quando vi que teria Olimpíadas no Brasil, quis ser voluntária. Pensei no quão legal seria estar no Rio passando rodo na quadra de Vôlei, ou mantendo a arena de ginástica sempre organizada. Acabei não me atendo aos prazos e perdendo a oportunidade.

      Fiquei bem chateada quando vi que a crise política do país ia afetar as Olimpíadas. Eu entendo perfeitamente que não é o melhor momento para sediarmos os jogos, mas isso foi decidido há anos e não fazia sentido boicotar o evento agora. Não realizar as Olimpíadas seria jogar o esforço de 11 000 atletas no lixo, só porque nós não sabemos administrar o nosso dinheiro e somos péssimos eleitores. Eu fiquei descrente ao ver que a Vila Olímpica foi entregue sem ter sido terminada. Porque não faltou tempo ou dinheiro para que ela fosse. O que faltou foi responsabilidade e honestidade de construtoras irresponsáveis. Quando eu vi o nome da Odebrecht no meio, só fiquei mais chateada. Parece que o Brasil realmente prefere não aprender com os próprios erros.

      Eu torci para que a abertura dos jogos fosse bonita e inspiradora. E me decepcionei um pouco, graças aos inúmeros erros arqueológicos na parte de contar a história do povoamento do país. Fico bastante triste quando reduzem a povoação indígena – que comprovadamente tem mais de 8 000 anos – ao povo tupi guarani que ocupava as terras pré-cabralinas. Também não fico contente quando ouço falar que houve “escravização africana“, sem que fique claro de quais países e para atender quais interesses esses negros vieram. E acho que se a intenção era mostrar que o país é miscigenado, construído por imigrantes e através da supressão da natureza, faltaram vários outros imigrantes. E vários outros fatores. É muito bonito passarem a mensagem de sustentabilidade, mas é absurdamente incoerente com as práticas nacionais. Os últimos governos permitiram o desmatamento, criaram hidrelétricas em locais que destruíram não só etnias indígenas, como rios e vegetações inteiras. As grandes propriedades improdutivas seguem à rodo, a poluição das fábricas, o desastre de Mariana até hoje não foi solucionado. Para a realização das Olimpíadas uma onça foi morta, uma floresta foi desmatada e a Baía de Guanabara sequer foi totalmente limpa, sendo ainda considerada tóxica pela ANVISA. 

     Apesar dessas questões, gostei bastante da abertura. Utilizamos muito bem os recursos que tínhamos e fazer o 14 Bis voar foi incrível. Os jogos de luzes foram muito bem explorados, as atrações bem escolhidas e meu coração se encheu de orgulho ao ver Mc Sophia ao lado de Carol Conká sendo vistas por 5 bilhões de pessoas. Fiquei com bastante orgulho das artes brasileiras e da criatividade. Achei a “gambiarra” um ótimo ponto de partida e bastante bem explorada. Gostei de ver passistas do carnaval participando da festa. Senti falta de Chico Buarque e espero que ele não tenha participado por boicote ao Temer e, inclusive, achei incrível o fato de o presidente não ter sid mencionado em nenhum momento, fazer uma rápida aparição e receber vaias. Porém, eu esperava manifestações maiores em relação a isso. Mas entendo que as Olimpíadas tenham a premissa de serem politicamente neutras.

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      O aspecto de união que as Olimpíadas agregam ficou bastante evidente. Todos os países desfilaram, alguns com roupas tradicionais, outros portando a bandeira brasileira além da própria e todos visivelmente felizes. Há delegações com um ou dois atletas. Há delegações inteiramente femininas e outras inteiramente masculinas. Há pessoas de todas as etnias, religiões, línguas e construções sociais, históricas e políticas. E uma vez a cada quatro anos elas se unem, se abstendo de todas as diferenças, para praticar esportes. Eu acho isso sensacional! Toda vez que tem desfile de abertura, acompanho para ver quantos países eu sei o nome e quantos eu nunca tinha ouvido falar. Fico encantada com as vestimentas, principalmente as africanas, e a vontade de conhecer todos os países do mundo apenas aumenta. Quando a Olimpíada me proporciona histórias como a da equipe de Refugiados, a coisa fica ainda mais bonita. Eu nem sei mais colocar em palavras todo o sentimento que Rio 2016 está me causando. É claro que o desfile também ressalta desigualdades sociais, visto que dificilmente países pobres têm delegações de porte equivalente à dos Estados Unidos ou da China. Mas continua sendo incrível ver que, apesar das baixas condições, os atletas conseguiram a classificação e vieram.

      Certamente as Olimpíadas trazem e ressaltam uma série de problemas sociais, econômicos e políticos – não só do Brasil. Mas, ainda assim, é grandioso e sensacional que elas existam e sigam agregando tantas pessoas diversas em prol de um anseio comum. Esse evento acaba sendo a maior oportunidade de ver o mundo unido e em paz e isso deve, em absoluto, ser mantido, propagado e perpetrado.

     Tenho estado bastante ocupada, mas entre as ocupações arranjo tempo para ver algumas modalidades. Acompanho as notícias todos os dias e torço muito para que um dia a gente deixe de ser apenas o país do futebol e passe a ser o país dos esportes. Porque temos atletas incríveis nas mais diversas modalidades e todos eles precisam do mesmo valor que os jogadores de futebol têm. 

        Eu espero que as Olimpíadas continuem bonitas e emanando coisas boas e mensagens positivas para esse mundo que está cada vez mais nocivo. E espero que em breve eu consiga pensar em outras coisas, para voltar à programação normal por aqui.

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