Quero alguém para ser o meu twitter. Alguém disposto a ouvir tudo que eu tenha para dizer e eu sempre tenho muitas coisas a dizer.

Quero poder chegar em casa, sentar e conversar horas a fio, com alguém que demonstre algum tipo de interesse.

A cada dia que passo presa nessa vida sub-humana com relacionamentos baseados em caracteres digitados em uma máquina qualquer, fico um pouco mais distante daquilo que consideraria felicidade.

É meio chata essa sensação de não ter o que falar, mesmo tendo várias coisas entaladas na garganta. O problema não é o que falar, mas sim com quem falar. Afinal… com quem devo falar? Há alguém realmente disposto a conversar comigo horas a fio sem se incomodar com isso? Há alguém nesse mundo que se importe pelo menos um pouquinho com a vida que levo longe da escola? Há alguém minimamente interessado em algo que eu pense, diga ou faça? Caso haja, gostaria de poder ver essas pessoas.

Acho triste o modo como muitas coisas estão sempre ao nosso redor e dificilmente as percebemos.

Como cheiros. O ar deixou de ser inodoro há muito tempo. Há odores diversos pairando pelos ares, o tempo todo, mas não os sentimos. Nossos narizes são capazes de adaptar-se a certos cheiros, com o tempo deixamos de percebê-los. Portanto, pode ser que seu ar nesse momento tenha um cheiro específico e você não o perceba por ter se acostumado a ele. Exatamente como acontece com as pessoas. Pessoas que nos rodeiam por muito tempo, tornam-se importantes para nós e depois viram apenas hábito. Seres que coexistem, sem importância significativa. As vezes nosso nariz desperta para novos cheiros, começamos a sentir odores em lugares anteriormente considerados inodoros. O mesmo com as pessoas. Dentre todas aquelas que nos rodeiam, de repente uma lhe desperta interesse.

Nesse meio termo entre pessoas e cheiros, as vezes estamos rodeados pelo universo, mas ainda estamos sozinhos. As vezes há todos os cheiros pairando ao nosso redor e ainda não sentimos nada.

Quero despertar interesse em alguém. Quero ser o twitter de alguém. O alvo de todas as suas confidências. Quero amar quem precise disso, quero ser especial e me sentir especial. Ser a droga de alguém que seja a minha droga. Numa conexão mútua e sincronizada, em que ninguém se sinta prejudicado.

Quero um novo twitter. Com dois braços para me abraçar, duas pernas para caminhar ao meu lado, dois olhos para me analisar perfeitamente, dois ouvidos para escutar-me atentamente, um nariz para saborear todos os cheiros possíveis e uma linda boca para balbuciar as palavras certas nos momentos certos. Quero um novo twitter para abandonar o velho. Trocar a máquina por uma pessoa. Transformar as pessoas em meu novo “deus”.  Deixar de ser uma trouxa alienada e ridícula. Quero ser livre para amar.

No fim, continuo a pensar… Será que somos iguais às roupas? Aquelas que são pensadas e moldadas para ficarem perfeitas em alguém, aquelas com tecidos e linhas estrategicamente planejados, amados. Roupas amadas que depois de serem usadas por muito tempo são jogadas fora ou vendidas em um brechó qualquer por aí, por um preço muito abaixo do normal. Seremos nós assim, tão baratos? Será que eu só valho 10 reais? Dez reais?

Shit. Acho que estou realmente ficando louca agora. Cuidado.

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