Os Sentidos da Saudade

Em seus olhos posso enxergar um brilho que me consome. Com meus olhos posso passar horas olhando para os seus e me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo, simplesmente por poder fazê-lo. Sua visão de mundo me encanta e enquanto a escuto e tento entender, misturo um pouco com a minha e acabo por ser uma pessoa melhor. O que seus olhos veem são passados para os meus através de textos ou fotos a respeito deles e faço questão de retribuir à altura. Não vemos as mesmas coisas, nem dos mesmos modos, mas vemos.

Com meu olfato sinto o cheiro delicioso de um perfume que se chama Vodka e enquanto a barriga formiga de felicidade simplesmente por estar perto, a cabeça se esforça para não fazer com que a bochecha fique muito corada. Com meu olfato saio pelas ruas do mundo procurando perfumes parecidos, só para me sentir um pouco mais perto e poder ficar feliz.

Meus ouvidos deliciam-se com a enxurrada de palavras super rápidas e inteligentes sobre qualquer assunto que esteja em jogo e também com as imitações de daleks e com as músicas inventadas. E tem as mensagens de voz, geralmente monossilábicas, mas sensacionais. Eles também ouvem todas as músicas que foram indicadas e os vídeos, geralmente hilários. As orelhas, que adoram ser acariciadas, gostam ainda mais quando vêm destas mãos. As suas, macias, geladas e mordíveis são motivo de agradecimento por existirem.

A boca, absurdamente linda, independente se fechada, ou se com um sorriso bobo ou uma gargalhada maçante, que me hipnotiza e produz uma das vozes mais lindas e gostosas de serem ouvidas. As duas, que quando se encontram e produzem beijos que arrisco dizer serem mais gostosos do que qualquer chocolate que eu já tenha provado. As risadas nonsense que surgem depois disso.

O toque quente e acolhedor, que arrepia, que consola, que irrita, que está ali. Os carinhos dados e recebidos em situações tão diferentes e desconexas. Os abraços apertados que fazem as costas reclamarem. Os abraços com direito a colo. Os abraços. As brincadeiras com as mãos. O sentir um ao outro. O estar lá.

A saudades, aquela que aperta, que dói, que machuca, que dilacera e que insiste em continuar aumentando, mesmo quando a gente acha que não tem mais para onde ir. A saudades gerada pela distância física e uma proximidade em todos os outros sentidos que simplesmente nos impede de não senti-la.

O amor. Eu. Você. Ah… Você.

Comentários: