Paradoxos

Sem face.

Eu queria que todos os seres humanos fossem rostos inebriados que passam por nossas vidas. Queria que todos eles fossem uma tábula rasa, prontos para que nós déssemos o significado que temos vontade.

Com face.

Queria que todos os seres humanos tivessem apenas rostos, fossem rostos andantes que se cruzam por aí e despertam anseios distintos em cada um que encontram. Queria que todos fossem apenas rostos.

Nada.

Talvez pudéssemos apenas ser um nada. Um amontoado de células vivas que respiram e agem de acordo com o que foram programadas a fazer, ingenuamente achando terem escolhas próprias.

Tudo.

Eu e você sendo tudo o que quisemos ser, com face ou sem, tudo ou nada, nessa simples metamorfose ambulante e no eterno equilíbrio entre o real e o imaginário, pendendo sempre para o segundo.

Seres perambulantes que em nada influem, mesmo achando que influem em tudo.

Apenas rostos. Sem nome. Sem história. Cada um cumprindo seu papel para o funcionamento do mundo e deixando todo o resto seguir da maneira que deve. Naturalmente. Mesmo que o natural há muito não exista.

0 thoughts on “Paradoxos

Comentários: