Peles

Eu não faço ideia do que me fez começar a ver essa série, o que quer que tenha sido muito obrigada. No fim, é tudo que tenho a dizer. Skins surgiu em minha vida com um receio tremendo por se tratar de jovens perdidos na vida que se minha mãe soubesse de sua existência provavelmente diria que me levariam ao mau caminho. Persisti e não me arrependo nem um pouco. Não posso dizer que não há sexo, drogas e rock’n roll, mas posso garantir que não é disso que se trata. Trata-se de essência, de vida. Algum canal de televisão traduziu o nome da série para “Juventude à flor da pele” e ao contrário da maioria das traduções de nome, essa condisse bastante com a realidade. É isso que eles fazem: vivem. Simplesmente. Da maneira que acham que devem ser, sem medo de errar, mas errando assim mesmo. Eles mergulham de cabeça na vida e não há coisa mais bela para ser visto do que isso. Skins quer dizer “peles” se for traduzido literalmente e no meu ponto de vista isso demonstra que as relações se aprofundam ainda mais quando possuem contato físico, que eles tornam tudo mais real e que quando os sentimentos conseguem ultrapassar a pele tomam dimensões faraônicas. Outra significação pode ser também a de que somos apenas um monte de pele e osso que se acha diferente e individual, mas na verdade sentimos essencialmente o mesmo. Porque qualquer um que ver Skins vai se identificar com alguém em algum momento, mesmo que aparentemente a pessoa não tenha nada a ver com você. Porque somos apenas um bando de gente que tem certos costumes iguais, não importa de onde sejamos, nossas cores, opções e todo o resto. É bem isso que Skins demonstra, uma vida sem preconceitos. Porque na adolescência a gente acaba aprendendo a relevar a maioria de nossos preconceitos, a gente deixa a pele pra lá e olha pra essência. Vivemos de essências. Eles também. Eles são essência. Essenciais. Pelo menos para mim.

(Daqui)

A série chama atenção logo de início pelo fato de não haverem protagonistas, afinal, é ridículo essa coisa de “protagonista”. Ninguém é mais importante do que ninguém e ninguém vive sozinho, sempre precisa dos outros. Todos somos protagonistas de nossas próprias histórias, enquanto coadjuvamos com as dos outros. Somos feitos de história. Todos nós. Outro ponto positivo é o fato de as temporadas serem efêmeras, mas essenciais e marcantes. Foram seis temporadas e cerca de sessenta episódios apenas. Skins é assim… Diz muito mesmo que em pouco tempo, mesmo quando não quer dizer nada. E as coisas ainda melhoram quando você não é obrigado a acompanhar os mesmos personagens por todos esses anos, quando você não vê como é sua vida na faculdade e o que exatamente ocorre com cada um, quando você pode bolar um final para a história e imaginar do seu jeito como cada coisa fica. Porque a série é formada por três gerações e cada uma delas dura apenas duas temporadas. É pouco, mas suficiente. Suficiente para você se apaixonar e apegar a cada um daqueles rostos. Fora isso tinha a abertura maravilhosa, com a música que me fez vibrar desde a primeira vez. Tinha a trilha sonora mais fantástica do universo de séries, assim como os atores, roteiro, cenário e as melhores festas de todo o universo real e irreal.

(Daqui)

Com Skins eu aprendi a amar. Amar de verdade, arduamente. Amar minha família, amigos e até o futuro namorado que talvez eu tenha algum dia. Aprendi que honestidade, sinceridade e simplicidade são as melhores coisas que a gente pode ter. Com a primeira geração eu aprendi que amigos de verdade não abandonam uns aos outros, mesmo quando merecem. Que fugir não resolve os problemas, que uma hora ou outra nossos amigos e família acabam nos aceitando exatamente como somos e que não devemos ter vergonha ou medo de nos mostrar de verdade. Aprendi que mentir só estraga com todas as coisas, que as pessoas morrem e a gente tem que aprender a lidar com isso. E principalmente, que o amor e a leveza prevalecem sempre. Com a Cassie aprendi a nunca me esconder, com o Sid a lutar pelo que quero, com a Michele a nunca desistir de amar, com o Anwar a nunca abandonar os amigos, com a Jal a lutar pelo que se quer, com o Maxxie a ser quem se é independente do que pensem disso, com o Cris a viver cada dia como se fosse o último e com o Tony que mesmo que as coisas pareçam sem solução, sempre há uma solução. Com a segunda geração aprendi que amigos continuam amigos mesmo que fiquem doentes e que o amor realmente ultrapassa as barreiras e é capaz de nos fazer fazer quase tudo. Com a Effy aprendi a sempre estar presente para quem me é importante e que o amor realmente nos faz malucos, mas na maioria das vezes vale apena. Com o Cook eu aprendi que às vezes é preciso dar um tempo de tudo para ver com mais clareza as coisas, com o JJ que não há nada mais importante do que manter os amigos unidos! Com o Freddie eu aprendi a estar sempre disponível para quem amo, aceitar seus defeitos e lutar para estar sempre ao seu lado. Com a Pandora eu aprendi a ter mais autoconfiança. Com a Emily eu aprendi que às vezes é preciso enfrentar a todos para que finalmente consigamos o que queremos e que quando a gente consegue todo o enfrentamento faz sentido. Com a Naomi aprendi que as vezes a gente não quer assumir que somos certa coisa, mas quando é pra ser, simplesmente é. Com a Katie aprendi que as vezes fingimos ser o que não somos só pra chamar atenção e isso não vale apena.

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Com a terceira geração eu aprendi a persistir e a acreditar no sobrenatural e no amor como entidade e que tudo acaba dando certo sempre, mesmo que não seja do jeito que achamos que deveria ser. Com a Frankie aprendi que mesmo que nos sintamos a última bolacha do pacote, na maioria das vezes nem somos. Mesmo que nos sintamos esquisitos e deslocados sempre há um lugar pra gente. Acabaremos por nos encontrar, seja na família, nos amores ou nos amigos. Com a Mini eu aprendi que quase sempre quem a gente rejeita após a primeira impressão é justamente a pessoa que se torna mais importante para nós e que devemos enfrentar nossos problemas e tentar transformar a todos em alegrias e que, no fim das contas, a gente sempre precisa de um abraço. Com a Liv aprendi que quem tem amigos tem tudo e que quando esses amigos são de verdade, não importam as pequenas coisas, tudo sempre acaba bem. Com o Alo aprendi que quando se quer muito uma coisa e tenta consegui-la, a gente acaba conseguindo e que devemos saber a idade de todas as pessoas com quem nos relacionamos, claro. Com o Nick aprendi que sempre que a família precisar da gente, por mais que estejamos plenamente magoados com eles, faremos de tudo para ajudá-los, não importa a quantidade de encrenca que precisemos enfrentar para tal. Com o Matty aprendi que intensidade nem sempre é bom e que olhares realmente significam e podem mudar muita coisa. Com o Alex aprendi que sempre que pudermos ajudar nossos amigos, devemos fazê-lo. Com o Rich eu aprendi que metal é o melhor tipo de música do mundo e que o amor realmente ultrapassa todas as barreiras, assim como o perdão. Que devemos deixar o passado no passado, mas que as pessoas importantes estarão conosco para sempre, independente do que ocorra a elas. E com a Grace eu aprendi que criar um personagem diferente para cada momento da nossa vida, ser exatamente quem cada um precisa talvez não seja a melhor maneira de agir sempre, mas é muito útil às vezes. Aprendi que o amor ultrapassa tudo, é mais importante do que tudo. E que histórias podem ser reais, podemos fazer da nossa vida uma grande história.

E, bem… Eu nunca chorei tanto assistindo alguma coisa quanto chorei vendo Skins. Nunca me identifiquei tanto com algo, mesmo sendo uma pessoa que nunca vai a festas doidas, que não tem amigos desse tipo e que nunca passou por nenhuma das situações mostradas. Identifiquei-me porque já senti grande parte de todas essas coisas. Já fui quase todos esses personagens. Chorei porque sabia que ia acabar. Porque minha personagem preferida morreu. Porque eu queria muito me casar com o Richard, ou alguém real que se parecesse bastante com ele. Chorei porque queria ser como a Cassie. Porque queria ser exatamente como cada um, ao mesmo tempo em que queria continuar sendo simplesmente eu. Amei cada segundo passado com cada um desses personagens, em meio a todo o choro e riso que derivaram de nossa convivência. Amei cada milésimo de segundo passado junto com eles e chorei mais forte ainda  quando Richard olhou para o céu e nos disse “goodbye”. Porque Skins acabou. Porque a minha série preferida, aquela que sempre se encaixou em tudo sem nem se esforçar, que nunca me decepcionou ou ficou chata, a melhor série de todo o universo simplesmente acabou. Nunca tinha passado por isso antes, o mais parecido foi com o fim de Harry Potter, mas isso está doendo ainda mais, porque a história deles era real numa cidade real. Não num lugar imaginário, com coisas fantasiosas e imaginárias. E eu não estou conseguindo lidar com essa dor, com essa perda, com essa emoção. Estou precisando do melhor abraço do mundo, de uma conversa franca e de um quilo de lenços de papel, porque minha cara está realmente inchada.

Prometo nunca me esquecer de vocês, principalmente dos seus ensinamentos. Prometo tentar parar de chorar e viver tão à flor da pele quanto cada um de vocês fez. Prometo tentar me apaixonar por coisas reais em algum momento, embora eu considere isso muito mais trabalhoso do que parece. Prometo amar mais. No fim das contas é disso que tudo se trata, não é? De amor? De ser útil para as pessoas, amá-las, perdoá-las e estar ao lado delas quando precisam, seja para rir ou para chorar. É disso que o mundo inteiro precisa, não é? De amor? É isso que nos falta, não é? Foi essa a mensagem de vocês, não foi? Espero que tenha sido. Realmente espero, porque é isso que tentarei fazer. Amar.

(Daqui)

Espero que a Grace e o Richard fiquem tão bem quanto o Sid e a Cassie e espero que inventem logo um jeito de eu abraçar meus personagens favoritos e nunca mais soltá-los.

Obrigada Bristol por ter me proporcionado momentos maravilhosos, jamais me esquecerei de vocês.

Obrigada.

(Daqui)

0 thoughts on “Peles

  1. Ai. Que dor. E medo. Porque eu AINDA não consegui ver todos os episódios e não sei como vou reagir ao fim da série.
    Me apeguei tanto que não quero dar tchau. Tem como ficar no repeat? 🙁
    Mayra, um abraço muito apertado pra ti.
    Quando eu terminar de ver vou te mandar um email com tudo que vou estar sentindo na hora.
    E provavelmente vai ser enorme. 🙁
    Beijo. <3

  2. Mayrinha, eu chorei lendo o seu texto. Chorei por poder compartilhar com alguém todo o amor que eu sinto por essa série. Chorei a temporada final inteira. Chorei quando soube que ia acabar. Mas no último episódio, meu Deus, doeu TANTO, mas tanto, que eu acho que ainda não parei de chorar, mesmo que as lágrimas tenham parado de cair. Nunca vou me recuperar do fim de Skins. Aqueles personagens estão fixados dentro de mim. São eternos.
    Cassie estampa todos os meus layouts desde que eu comecei o meu blog. Quase todos os meus posts iniciais tem uma referência a Skins. É a minha série favorita porque nem Felicity – que me fez gostar de séries – mexeu assim comigo. Por isso mesmo, até agora não tive forças pra escrever o meu post. Só de pensar em colocar tudo o que eu sinto em palavras, eu já me perco de mim mesma. As pessoas podem desacreditar da dor imensa que é se despedir da sua série favorita, mas só nós sabemos como é. Dói demais, demais, demais. É como se um buraco fosse aberto no peito, no estômago, sei lá.

    Mas mesmo que acompanhado disso, aquele final cheio de esperança foi perfeito. O adeus do Rich, desse personagem LINDO, o adeus dele pra Grace e pra nós. Ali, era como se ele estivesse dizendo: “Todos estão encontrando o seu caminho, como você queria Gracie”. Não é? Incrível, inesquecível. Minha série favorita. Nossa série favorita. Agora nem quero mais dividir com o mundo – o mundo não entende! – quero só pra mim. Só pra nós.

    Obrigada por entender e compartilhar disso tudo comigo, Mayrinha. Acho que eu não suportaria sozinha.

    Beijo!

  3. Ai, meninas, eu não gosto muito de Skins… acho que nunca tive paciência, na verdade, pra passar do primeiro episódio. Então, não posso dizer que entendi totalmente o texto. O que eu consigo imaginar com perfeição é a tristeza que vocês devem estar sentindo, porque sei que não suporto NEM A IDEIA de ficar sem True Blood. Fico triste por vocês, gente. 🙁

    Mas já já vira uma lembrança boa e vocês fazem maratonas e maratonas! <3

    Beijos, May!

  4. Então, eu vi alguns episódios de Skins, mas não me identifiquei muito. Mas entendo o que você tá sentindo. Foi isso que eu senti quando acabou O Diário da Princesa (livros). Todo mundo fica “ai, é só ficção” e “olha essa nome” e eu fico p* da vida, porque a pessoa não entende como ficção pode ensinar alguém e como pode fazerparte da vida de alguém.
    Mas você vai conseguir parar de chorar, May. E vai conseguir usar tudo que aprendeu com eles pra viver bem à flor da pele.
    Beijo!

  5. Eu só vi as duas gerações. Sinceramente não gostei muito da segunda e, por isso, nem comecei a terceira. A primeira foi a melhor de todas, e até hoje me apaixonei por cada um deles. Identifiquei-me demais, pois quando assisti estava numa época bem movimentada da minha vida. Foi como se eu fosse um daqueles personagens de verdade. Cassie e Sid <3.

    Mas discordo sobre apenas aprender sobre amizade e coisas bonitas. Acho que o seriado também mostra como o mundo é cão, sabe? Achei bem maduro da parte dos produtores.

    Enfim, um beijo!

  6. Ai, May. Seu depoimento me deu até vontade de assistir essa série, mas eu tenho medo de me apegar e ficar arrasada no final também. De repente, quando eu estiver desocupada e com muito tempo pra chorar, eu crie coragem. A ideia da série me parece o máximo, mas eu me apego muito fácil, beijos. Mas se eu resolver mesmo ir em frente, pode ter certeza que vou te procurar pra chorar minhas mágoas.

    Beijos

  7. é a primeira vez que ouço falar dessa série. fiquei com vontade de assisti-la por causa do seu texto apaixonado. acho que é assim que tem que ser quando a gente gosta de algo. nã gosto de textos sem alma.

    ah,só uma coisa. seu texto está imenso. mas, esse não é o problema, é a disposição dos parágrafos que fica estranha e cansativa. pula uma linha e dá um espaço quando for começar os parágrafos.isso ajuda visualmente.

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