Praquele que fez eu ser do jeito que sou :)

Não me lembro da minha vida sem ele por perto. Acho que é porque eu realmente não tive uma vida sem ele por perto, mas prefiro acreditar que mesmo se eu tivesse tido, não me lembraria dela.

Ao pensar na nossa infância poucas são as memórias. Lembro-me de acordar cedo todos os dias para ficar com a minha mãe na sacada vendo aquele pequeno indiozinho fofo com seu uniforme verde e sua mochila gigante indo com seus amiguinhos para o tubo pegar o vermelhão para ir para a escola. Lembro-me de ter 3 anos e ter que fazer suas tarefas de artes, porque mesmo com 3 anos eu era melhor do que ele. Lembro-me de ficar torcendo para ele em todos os jogos de futsal do prédio, de ir ao judô e ficar gritando em suas lutas, de correr atrás de seus amigos para mordê-los quando eles eram implicantes, de comer somente o recheio da bolacha passatempo e fazê-lo comer todo o resto, de ficar escondida atrás da porta com ele comendo todas as latas de leite condensado da casa, de brincar com os power rangers dele e as minhas barbies, de tomarmos banho juntos e de todos os dias ir até o Bom Jesus com meu pai e ficar gritando na porta “Mário Neto, meu amor, nós viemos te buscar!”.

Eu nasci e ele já tinha cinco anos, foi ele quem escolheu meu nome para formarmos uma dupla sertaneja quando crescessêmos. A gente brigava bastante, saía no tapa e eu sempre chorava e falava “mamãe, o Mário tá me batendo” e ela saia correndo para brigar com ele, mesmo quando era eu quem tinha provocado.

Nós fomos crescendo juntos, ele me ensinando como seguir cada uma das novas etapas que aparecia. Juntos passamos por todas as nossas mudanças de cidade, novas escolas, novos amigos, despedidas e recomeços.

Uma família grande e feliz!

Aos 16 anos, aproximadamente, ele ficou estranho e grosso e eu morria de medo de chegar em casa e ter que encontrá-lo, mas mesmo assim não o abandonei. Íamos para a escola juntos, pela primeira e única vez nas nossas vidas. Ele ouvindo seu heavy metal e eu,  morrendo de preguiça, dançando ao lado dele para fazê-lo rir um pouco. Foram bons tempos.

Quando eu cheguei nos 15~16 anos, a cada dia que ficava um pouco estranha ele vinha conversar comigo, me dar conselhos e sempre dizia que não queria que eu cometesse os mesmos erros que ele e, olha, espero não ter cometido.

Foi ele que sempre me apoiou em tudo que eu queria fazer, que sempre foi lá convencer minha mãe a deixar eu fazer certas coisas e ir para certos lugares. Foi ele quem me castigou quando precisei, quem brigou e me repreendeu. Por muitas vezes ele deixou de ser apenas “meu irmão mais velho” e foi meu pai, mais pai do que o verdadeiro foi capaz de ser.

E eu? Bem… Sempre tive orgulho do irmão que tenho. Foda-se se ele está gordo, magro, careca, cabeludo ou careca com trancinhas, ou meio careca e meio cabeludo, até com o topete descolorido eu tinha orgulho dele. Porque por muitas vezes ele demonstrou a força que eu não demonstrei sob diversas situações.

Hoje eu sei que não importa quantos dos meus amigos me façam ter um dia ruim, quantas desilusões amorosas eu possivelmente tenha, quantas notas baixas e não importa nenhum dos meus motivos para ficar triste, porque eu vou chegar em casa e esperar ele chegar do trabalho, ele vai olhar pra mim e dizer “How chibica!” e eu vou responder sorrindo “Howshi!”, nós vamos fazer o nosso toque maneiro, nos abraçar e jantar juntos. Ele pode reclamar que estou no banheiro dele há três horas, mas quando eu resolver sair de lá, ele vai me puxar para a cama dele e nós vamos conversar, rir, chorar, nos abraçar, trocar carinhos e encher o saco um do outro. Sei que vou ter um bom ombro amigo para chorar quando precisar e que quando eu estiver assustada, posso fugir para a cama dele de noite que ele vai me receber. Porque nós somos irmãos, nós aprendemos a ser assim. E eu seria capaz de fazer qualquer coisa para deixá-lo um pouquinho mais feliz.

Sei que no decorrer da vida ele vai conhecer pessoas mais especiais e vai compartilhar momentos incríveis com elas, talvez até se esqueça da minha existências às vezes e digo que também provavelmente farei isso, é natural. Mas ninguém poderá roubar as minhas lembranças e os momentos que nós construímos juntos. Sei que daqui 10, 20 ou 50 anos, seremos os mesmos bons irmãos que somos hoje. Nunca nos tornaremos meros “conhecidos”, porque é impossível. Mesmo que a gente more numa distância incrível, não vou conseguir te abstrair da minha vida, porque, porra… Você é meu irmão! Uma das poucas coisas da minha vida que tenho orgulho absoluto.

Então é isso, querido Mário Ribeiro Resende Neto, Juanito para os íntimos, tenha um bom ano, você merece os melhores anos do mundo, toda a felicidade possível, muita comida, saúde, música, amigos, alegria, paciência e momentos relaxantes. Te desejo quantias infinitas de yogulang também e saiba que mesmo que todos os seus amigos, namoradas, familiares e resto do mundo te abandonarem, você ainda vai ter essa pessoinha minúscula e irritante aqui disposta a te ajudar, ok? Lembre-se de que você sempre terá a mim e minha mordida de pit bull para atacar quaisquer possíveis amigos implicantes, sem a menor piedade.

Obrigada por aturar minhas tpms, grosserias, irritações, má criações etc e tal e por favor, avise quando sair de casa, diga pra onde vai etc, porque minha mãe não se preocupa mais, mas eu me preocupo, tá bom?

Espero que daqui 4 anos possamos ter conversas longas e divertidas a respeito de Marx e alguns outros filósofos/sociólogos.

Eu te amo muito e realmente não sei que tipo de pessoa eu seria se não tivesse sua influência, obrigada por ter me influenciado e não deixe o Estado te corromper, volte para o caminho da luz!

Feliz 22 anos!

0 thoughts on “Praquele que fez eu ser do jeito que sou :)

  1. Ai gente, adoro posts de homenagens assim. Longos e cheios de detalhes, que talvez só ele entenda, mas que fazem todos sorrirem!
    E entendo tudo o que você falou. Só quem tem irmão(a) sabe o que significa!
    Feliz aniversário para o Mário! Que a vida dele seja cheia de coisas boas!
    Beijos pros 2.

  2. Tipo assim, eu comentei e o seu blog apagou meu comentário. Vamos de novo.
    Disse que amei o post, amo posts homenagem. Algumas coisas, certamente, só o homenageado entende, mas todos sorriem ao lerem tão linda declaração!
    E sério né, só quem tem irmão(a) sabe o que é!
    Feliz aniversário pro Mário! Que a vida dele seja recheada de coisas boas, sempre!
    Beijos para os 2!

  3. Que post bonito! Gostei muito do relato todo cheio de carinho sobre o seu irmão. Tão gostoso ser tão próxima assim de um irmão, né? 🙂

    Beijos.

  4. Ai que lindo prima, me emocionei .. pena não ter tido um convívio mais proximo de vcs .. sinto uma falta danada de ter minha familia proxima!!! amo vcs apesar da distancia!! e parabens pro Mario … beijo grande pra vcs!!!

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