Preguiça.

Só quem tem preguiça sabe como é ter preguiça. Os outros só acham que sabem e a partir do achismo começam a nos julgar pérfidamente. Ter preguiça não é uma coisa que a gente se orgulhe, na real, é péssimo.

Eu tinha que fazer um fichamento de um texto. A professora pediu há uma semana. Comecei durante a aula, mas a preguiça era tanta que cheguei no quarto item e fui embora da aula, bem no meio. Vim pra casa dormir, logo depois de olhar o spotted no facebook. Nunca mais peguei no texto ou pensei em fazer o fichamento. Ontem era a véspera e todo mundo sabe que todo mundo faz essas coisas é na véspera e lá fui eu passar a manhã inteira pensando que ficaria a tarde inteira fazendo isso. E lá fui eu passar a tarde inteira fazendo qualquer coisa que não isso para que, no fim, eu fosse dormir 23h30 com o despertador pras 5h da manhã ligado com a intenção de fazer antes de ir pra aula. Daí o despertador tocou 5h e eu pensei que, bem, não tenho um computador pra levar nem como imprimir, que é mesmo que vou fazer na aula? E daí bateu a culpa e aquela coisa desesperadora de “eu não sou assim” e de “vou perder nota, vou reprovar, vou me desperiodizar e vou ter que fazer essa matéria chatérrima tudo de novo!” e eu decidi levantar, ligar o computador, fazer um café e começar o serviço, só que, bem, eu tenho preguiça. E daí vim escrever sobre como eu tenho preguiça ao invés de fazer o que de fato deveria estar fazendo.

Deu pra notar o quão grave é a minha situação? Pois é.

Sou dessas que faz uma to do list todos os dias e que antes de ler o último item já ficou com tanta preguiça de tudo que desistiu, pegou um chocolate e foi ver filme. Eu sobrevivi a minha vida inteira inventando desculpas e mais desculpas que garantissem o fato de que eu de fato não precisasse fazer nada. Porque fazer as coisas é tão chato.

E daí eu estou no facebook aproveitando a lezeira da minha vida e alguém me envia um vídeo engraçado e eu me dou o trabalho de levantar da cadeira, caracterizar-me de algo parecido e gravar um vídeo resposta. Mas não tenho coragem de abrir o texto que deveria ler e fazer um maldito fichamento. Porque a primeira opção é uma coisa divertida, leve, engraçadíssima e a segunda é tão tão tão chata que dá preguiça só de pensar em ter que me submeter a fazer algo do tipo.

Daí me dizem que eu vou ter que passar trinta e sei lá quantos anos ~~trabalhando~~ e eu sequer consigo colocar a imagem de eu fazendo algo útil para o mundo na minha cabeça porque, convenhamos, eu sou capaz de fazer milhares de coisas úteis. Desde que não haja uma cama por perto. Ou aquecedor. Ou uma cadeira boa. Ou chocolate. Ou filmes, músicas, vídeos, pessoas, cores, Sol… Ai, por que é que a gente tem que perder tempo da nossa vida fazendo tanta coisa absolutamente desinteressante e inútil? Seria tão legal se a gente pudesse fazer só aquilo que der vontade! Daí eu ia passar o dia inteiro fazendo nada de útil e no final reclamaria por não ter uma rotina, mas ah, pelo menos a reclamação seria diferente!

Vovô dizia que eu sofro de “preguicite aguda” e eu demorei, mas devo confessar que concordo. Não é possível que exista alguém pior do que eu. E eu tenho muita vergonha disso as vezes. Quando eu vejo as pessoas que são da minha idade fazendo coisas úteis, quando eu vejo meus colegas de sala tirando notas boas e garantindo seus futuros ou simplesmente jogando ogrobol no pátio. A verdade é que eu me acostumei tanto com a minha zona de conforto e com a parte blasè da vida que essa coisa de pensar em fazer algo já me cansa de um tanto que eu nem consigo mensurar. Deve ser por isso que eu vivo cansada. E reclamando. E sedenta por minha cama e por, bem, batatas fritas com chocolate derretido por cima.

Ai, essa vida.

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  1. May, amor da minha vida. Somos irmãs separadas na maternidade (tirando que eu sou mais velha), porque eu sou muito assim também. Eu tinha um texto para a aula que eu estou nesse exato momento que estava planejando ler quando chegasse em casa ontem. Então eu cheguei em casa e fui cuidar do blog, e só li o texto hoje, enquanto assistia a outra aula.
    Eu sempre tento me forçar a fazer as coisas e muitas fezes eu simplesmente não consigo. Acho que esse semestre eu finalmente estou começando a melhorar. Mas só de pensar em trabalhar nos próximos trinta e tantos anos da minha vida já dá preguiça. E foi com base nisso que escolhi o que eu vou fazer da vida.
    Beijos.

  2. Oh Céus, me vi nesse post, é tanta preguiça que chego a ficar com raiva de mim, e no entanto, continuo não fazendo nada a respeito por que no fim é mais fácil. Tem noite que eu falo não: amanhã vou acordar mais cedo e resolver minha vida. Que nada. Não faço nem 1/3 do que planejo. ~~ Chata a vida ~~

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