Prezado Dois Mil e Onze,

Seu fim está próximo. Sinto-me mal ao dizer isso, afinal é como prever a morte de alguém, mas é a pura realidade. Está chegando seu fim. Devido a esse fato resolvi encaminhar-me até aqui para elencar os fatos ocorridos na minha vida nesse ano, ao mesmo tempo em que escrevo o último texto sobre ele por aqui.

Comecei o ano comendo sonho de valsa e falando mal do show da globo no meu sofá, ao lado da minha mãe que saiu gritando pela casa durante a contagem regressiva para me fazer ficar ao lado dela durante a virada. Esse definitivamente foi o ano do chocolate. Comi muito mais do que 50kg dessa coisa deliciosa e não me arrependo, mesmo tendo engordado 5kg, emagrecido 3kg depois e estando agora 2kg acima do meu normal, não me arrependo. Chocolate é bom. Esteve ao meu lado durante todas as minhas decepções, momentos bons e durante os picos de estrógeno, em que os níveis de endorfina em meu sangue quadriplicavam e a solidão me fazia devorar toneladas arduamente. Foi bom.

O ano letivo foi pra lá de decepcionante… Passei os últimos quatro anos aguardando ansiosamente minha vez de ser FERA, ano passado a ansiedade era tanta que não conseguia falar sobre outra coisa. Nas primeiras semanas letivas estudei feito uma condenada, passava 5h/dia na biblioteca fazendo exercícios e pirando com poemas e afins, afinal, normalidade nunca esteve em meus princípios. O tempo passou, tirei 10 na média de matemática e depois disso resolvi deixar pra lá essa coisa de estudos. Voltei ser a velha eu, aquela que admira quem perde a vida estudando mas não o suficiente para fazer o mesmo. A preguiça me domina, fazer o quê. Foi assim que tirei 0 (zero) numa prova de química e minhas médias de matemática despencaram, indo parar em 3,6, enquanto a de química atingiu o fatídico 2,8. Enquanto mamãe perdia tempo envergonhando-se de meu comportamento estudantil eu surtava tentando encontrar meios de me recuperar, afinal recuperação final no terceirão seria o ápice da vergonha e eu não estava disposta a passar por isso. Foi assim que colei a última prova de química quase que inteira e consegui passar de ano em todas as matérias sem fazer recuperação final. Senti-me A ninja depois dessa.

Ainda no âmbito escolar, esse foi o ano da minha formatura e como sempre sonhei com ela não hesitei na hora de concorrer para fazer parte da comissão de formatura. Ganhei com 21 votos e isso ferrou o meu ano completamente. Ser responsável e honesto é muito difícil, ainda mais quando você tem que compartilhar a responsabilidade com um monte de gente que foi eleita apenas por ser bonito(a) e popular, não tendo bulhufas na cabeça. Sofri e venci. Venci parcialmente, concordo, afinal a festa passou e teve tanta coisa decepcionante que só me deixou ainda mais brava por ter tido a brilhante ideia de fazer parte dessa joça algum dia. Ao mesmo tempo, a festa foi linda, mas tão linda que eu fiquei imensamente feliz por ter tido oportunidade de fazer parte disso. Vai entender.

Além da formatura e dos estudos, a escola demonstrou-se nesse ano um ambiente puramente pessoal. Quero dizer, eu odiava a escola a cada dia um pouco mais, algumas pessoas também, mas eu continuava indo para lá todas as manhãs porque algumas pessoas faziam os meus dias felizes o suficiente para que merecessem a minha presença. Essas pessoas eram muitas vezes meus professores, devo enaltecer aqui algum deles, tendo em vista que fizeram TODA a diferença na minha vida esse ano. São eles o Douglas, que me fez gostar ainda mais de sociologia, mesmo que me desmotivasse várias vezes, além de ser um amor de pessoa e de me fazer comparecer a todos os top feras e ficar super contente por isso, o Leonardo que além de me fazer ter certeza de que curso cursar ainda me deixou perdidamente apaixonada pela antropologia e me fez compreender que não estou sozinha no mundo e que os padrões devem sim ser deixados de lado em prol de uma personalidade verdadeira. Teve também o Marlus que lia meus textos enquanto seus olhos brilhavam e me dava notas ruins dizendo que eu não cumpria o que a proposta estava pedindo, mas que se fosse para ser uma correção pessoal eu ganharia nota máxima porque, na maioria das vezes, ele concordava comigo. Um lindo! Não posso deixar de lado o maravilhoso Vilmar que dá aula há 50 anos e me fez entender tudo sobre geopolítica além de me fazer ficar honrada por ser aluna dele e também o fofo Cleomar que sempre repetia as mesmas frases e ensinava a história do Brasil de maneira irônica, que por diversas vezes me deixava completamente irritada, mas ao mesmo tempo me fazia rir com seu sorriso de cheeshire cat e suas histórias sobre o José Bonifácio! Havia também o lindo do Trotsky que me fez ler quase todos os livros do vestibular, além de me inspirar para as primeiras aulas de segunda-feira e de conversar comigo, me apoiar e ser realmente maravilhoso e o Hayashi, o cara que me fez entender e amar geometria, principalmente trigonometria, o que me fez tirar 10 em matemática e instaurou de vez o espírito rockeiro em minha pessoa, enfim… Muitos professores lindos e maravilhosos que faziam as minhas manhãs mais felizes e as minhas aulas muito mais legais, além de me ensinarem coisas que eu jamais esquecerei e outras coisas que já nem lembro. Confesso que não gostava de todos, não mesmo, mas esses citados e alguns outros que estou com preguiça de citar detalhadamente (Chico, Cornélio, Marangon etc)  foram de muita importância para o meu desenvolvimento pessoal e intelectual ao longo desse ano, nada posso fazer além de agradecê-los. Só que os professores não eram as únicas pessoas importantes dali! Havia também os meus amigos! Aqueles da minha sala, os da sala do lado e os do top fera, cada um com sua devida importância e essencialidade em minha vida.  Acho meio chato isso, mas me cobraria eternamente se não falasse um pouco dos que mais me mudaram.

Camila Tatar, com sua cantoria iluminada, suas óperas maravilhosas, nossos funks educativos, nossas conversas no ônibus, os segredinhos, as fofocas, os abraços sempre na hora certa, a cumplicidade que nos unia, as idas ao cinema só pra desestressar, as brincadeiras que enganavam a todos mas nós sabíamos serem apenas ironias, as mudanças de pensamento ocorridas ao longo do tempo e enfim… Muitas coisas. Garanto que quando a conheci eu era completamente diferente do que sou hoje, ela também mudou e muito hahah O futuro não cabe a nós, mas garanto que as quatro quadras que separam as nossas casas não serão suficientes para nos fazer ficar distantes, não no que depender de mim pelo menos. Afinal, há pessoas que entram em nossas vidas e não mudam nada e há outras que mudam tantas coisas que se tornam imprencindíveis. É o caso dela.

Sophia Araújo (heh), confesso que acho suuper chato essa coisa de escolher uma pessoa de cada grupo e tal, mas não tenho paciência para falar de todos, só não se sintam não amados, ok? Enfim.

A Sophia foi uma pessoa que me surpreendeu muito esse ano! Conheço-a desde 2009 mas nunca tivemos muito contato, não sei o que aconteceu em 2011, mas o fato é que a importância dela em minha vida quintuplicou, ou mais. Talvez tenham sido as delícias gastronômicas que ela faz ou os abraços sufocantes e maravilhosos que ela me dava. Acredito também que tenha sido os beijinhos, as conversas, os momentos felizes ou até mesmo a zoação com os outros. Talvez tenha sido o Tumblr também, é. Deve ter sido o Tumblr. Sei lá. Só sei que é MUITO difícil para mim imaginar que ano que vem não a terei na sala do lado, disposta a me abraçar, mesmo que eu esteja morrendo de chorar por algum motivo bobo ou morrendo de rir por um motivo mais bobo ainda.

 

E por fim, mas não menos importante,

(não achei uma foto legal sua, sorry) Gabriella Dresh. Teoricamente sou amiga dela desde Março, mas sabe-se lá porque só fui falar com ela de verdade em meados de Agosto. Arrependo-me por não ter falado antes. Taí uma pessoa extraordinária que hoje, após muuuitas aventuras, tenho orgulho de dizer que não vou sentir falta alguma. Não que eu não goste dela, pelo contrário, mas é que seremos colegas de faculdade (tomara)  e assim sendo temos muitos anos juntas pela frente ainda (espero). O fato é que na faculdade seremos altamente cúmplices e ainda vamos fazer um calendário maneiro para outro planeta (ou para esse mesmo), criar teorias legais e inusitadas e defender futuros ideais que seguiremos em algum momento. É. Enfim, meu 2011 não foi lá muito bom, mas garanto que teria sido um zilhão de vezes pior sem vocês, por isso, obrigada.

Saindo do âmbito escolar vamos agora para o âmbito teatral. No início do ano tive que me despedir do teatro. Com o terceirão e os top FERAS no horário da minha suposta aula, acabei, infelizmente, tendo que trancar o curso. Foi triste não só pelo fato de ficar longe do meu magnífico universo teatral, mas também pelo fato de que se/quando eu voltasse teria que ser para uma turma diferente e eu nunca mais teria aula com aqueles meus amigos que foram tão essenciais para mim no semestre anterior. Foi terrível. Fiquei triste por causa disso por uns 4 meses e a única coisa que diminuía minha frustração ao longo desse tempo era ler os posts teatrais da Analu e a amizade dela, que não me abandonou mesmo eu achando que faria. Analu insistia em conversar comigo sobre os preparativos da futura – e brilhantepeça dela, além de comentar coisas pessoas, aleatórias, enfim. Por seis meses minha alegria tinha o nome Ana Luísa no meio e isso era fato. Então o segundo semestre chegou e eu consegui voltar para o teatro! Foi tão bom! Leitura Dramática é realmente maravilhoso e foi ainda melhor por causa da turma em que eu estava. Confesso que estava morrendo de medo de entrar numa turma estranha e tal mas eles eram tão simpáticos e maravilhosos que o medo sumiu em dois tempos! Dentre todos os nomes que jamais esquecerei, está a Diana que, não sei até hoje a razão, encasquetou de conversar comigo no chat do facebook. Ela leu meu blog e começou a me achar super inteligente e eu morria de vergonha… com o passar do tempo fomos compartilhando experiências e momentos que se tornaram únicos e jamais serão esquecidos! Nos rematriculamos no mesmo dia e se tem uma coisa que me inspira para enfrentar meu maior medo teatral – o teatro infantil – é o prazer de desfrutar da maravilhosa contracena da Diana. Não só dela, obviamente, mas principalmente dela. É. heheheh Enfim, o teatro mudou a minha vida completamente esse ano e eu acho que a diferença tão enorme entre os dois semestres é justamente essa, em um deles eu tinha o teatro e no outro não e se tem duas coisas que influenciam fortemente a minha vida são o teatro e o índice de cacau no meu sangue.

Além disso, 2011 foi o ano em que eu desperdicei mais tempo em redes sociais, em que eu postei mais coisas nesse blog (foram mais de 100 textos), em que eu passei mais tempo no Tumblr, em que eu conheci mais gente e tive coragem de me aproximar de muitas dessas “gente”. Foi o ano em que Harry Potter acabou e eu fui ver 3 vezes no cinema na mesma semana, chorando desesperadamente. Foi o ano em que li menos e em que vi mais filmes, além dos seriados e da novela que eu quase acompanhei por inteiro.

Frustrei-me por não ter ido ao Rock’nRio e por ter perdido o show do SOAD, apaixonei-me por heavy metal e fui capaz de ouvir todos os cd’s de Dream Theater, amando-os e até decorando algumas músicas, mesmo que tivessem mais de 15min. Além de me apaixonar por Dream Theater, apaixonei-me também por Legião Urbana, Cazuza, Chico Buarque, Elis Regina e muitos outros grandes nomes da música nacional. Fui a um show do Teatro Mágico e do Ultraje a Rigor, fui a várias peças de teatro e incontáveis vezes ao cinema. Desfrutei dos cinemas mais indies dessa cidade, assistindo a filmes maravilhosos, mesmo que sem companhia.

Viajei somente para casas de familiares e por no máximo 3 dias (até agora), sendo que nenhuma dessas viagens foi para motivos fúnebres. Fui uma boa amiga (boa até demais as vezes) e péssima amiga também. Chorei e sorri infinitamente. Desisti do universo esmaltístico e deixei minhas unhas naturais por uma quantidade de tempo jamais pensada. Pintei meu cabelo de colorido, só mechas por enquanto, mas pintei e gostei, enjoei as vezes, mas gostei. Irritei-me por ter que esperar até o começo do próximo ano para tirar meu aparelho dentário, por não poder trocar de óculos, por perder meu all star preferido e não poder comprar outro para compensar.

Abracei muitas vezes, muitas pessoas diferentes, por muitas razões diferentes e não me arrependo de nenhuma delas, mesmo que muitas delas façam parte das minhas piores lembranças. Fiz loucuras. Apaixonei-me e desapaixonei-me incontáveis vezes, por diversas coisas e pessoas, mas a melhor coisa do ano só veio em meados de Agosto.

Analu, sempre linda, saltitante e fogosa me convida para um grupo no Facebook. A Máfia. Ah… A Máfia. Trinta blogueiras espalhadas pelo mundo inteiro, a maioria delas pelo Brasil, por todos os cantos do Brasil, tagarelando 24h sobre todas as coisas possíveis e imagináveis. Temos um estatuto, um hino e segredos, TANTOS segredos que se algum dia o Facebook resolvesse mostrar nossos tópicos pro mundo inteiro todas estaríamos com a reputação no ralo e teríamos que trocar de nome e fazer plástica, já que com os vídeos de ultimamente até o nosso rosto (e nossos animais de estimação) estariam em perigo. Com elas eu aprendi que distância não existe, que diferença de idade também não e que todas somos lindas e absolutas quando queremos. Descobri que presentes demoram horrores para chegar via Correio e que é necessário pensar bastante na hora de enviá-los sem deixar nenhuma pista seja no remetente ou na cartinha anônima. Aprendi que Amigos Secretos podem ser maravilhosos e que não há nada que ocorra em sua vida que não valha apena ser compartilhado. Aprendi também que não importa o que aconteça, sempre vai ter a e a Ana Char pra nos trollarem, enquanto a Gabs bate palmas, e sempre vai ter a Deyse da Cova pra nos mostrar que ela consegue ser pior do que nós no quesito desastre e coisas engraçadas. Aprendi que além de serem fofas por escrito, as mafiosas são fofas por voz/vídeo e que abraços mafiosos são os melhores do mundo e com elas pude sonhar em uma viagem em que todas nos conheçamos, nos abracemos e vivamos felizes juntas, pelo menos por alguns dias. Enfim, a Máfia fez com que esse ano ímpar e meio bobo não fosse tão ruim quanto deveria ter sido. Com elas até ENEM e Vestibular ficam legais gente, sério. E não há nada no mundo que possa ser comparado com a alegria ao receber uma cartinha mafiosa em um dia ruim. É. Keep Calm and Be a Mafiosa forever, bebês.

E após esse enorme texto, devo dizer adeus para você, ano repleto de cartas da Samila, de histórias divertidas e de momentos pra lá de tensos. Vá embora logo e traga meu 2012 porque tenho ótimos e lindos planos para ele! Não se demore por aqui 🙂

Atenciosamente, eu.

0 thoughts on “Prezado Dois Mil e Onze,

  1. Obrigado por reservar um “espaçozinho” em sua vida para mim, que também encerro este ano feliz por ter podido conhecê-la e por saber que você irá revolucionar o mundo das idéias e, com elas, o mundo… Conte comigo, ok? Seja feliz!

  2. Que linda a parte da Máfia, May! Eu ainda estou trabalhando na minha homenagem de fim de ano pra vocês.
    Eu senti que esse ano foi bem longo, não? Se prepara, a falta da escola existe mesmo, mas ainda tem muita coisa boa te esperando aí fora.

    Beijo, sua fofa! <3

  3. Ai que texto lindo! Orgulho da minha filhotinha, apaixonante, e apaixonada! Fico muito feliz de ter feito parte da parte boa do seu ano, tanto em relação ao teatro, quanto em relação à máfia. Agora, achou que eu me afastaria de você com sua saída do teatro?? Me subestimou, hein, bebê? Vaso ruim não quebra fácil, e eu grudei na sua vida, não saio mais. Acho que você teria que me expulsar a pauladas! Você é uma coisinha linda, que eu amo de paixão, que pulsa a paixão pelo teatro nas veias, assim como eu. A gente se encontrou nos caminhos dessa vida, bebezinha. Eu te adotei pra sempre no meu coração, e é assim que as coisas funcionam! E viva a máfia!!!! E que 2012 só nos traga alegrias!!! Te amo! Beijos!

  4. Vou confessar que nao li tudo, nao. Eh que seu post foi mais uma declaracao a (bem detalhada, diga-se de passagem) as pessoas que trouxeram brilho ao seu 2011.
    E sao 5h da manha, huahua.
    Feliz 2012, e que voce se livre das pessoas chatas e conserver essas que foram especiais.

  5. é estranha a forma de dividir o tempo como se fosse um ciclo. ele é contínuo. o que acabou não foi um ciclo da vida, foi um pedaço. como todos os outros.

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