Qual o meu adjetivo?

Família é uma coisa engraçada. Quando a gente vê e convive todo dia e o tempo todo fica cansado e querendo um tempo. Quando a gente fica sozinho, porém, tem aquela vontade de compartilhar as coisas com eles, como se eles ainda estivessem por perto. Ainda bem que com a internet isso é possível. Por mais que eu ame cartas, não sei se daria conta de sobreviver naquela época.

Quando alguém da família daqui viaja e encontra com outros familiares, que eu não vejo há tempos, adoro ficar por perto ouvindo as histórias. Saber como as pessoas cresceram, mudaram seus pensamentos, o que elas andam comendo e como se divertem. Tudo isso faz com que eu me sinta um pouquinho mais perto delas, coisas que não são facilitadas pela internet, porque nunca fui próxima a essas pessoas. Mas sempre gostei muito de ouvir as histórias.

Se tem uma coisa que é legal em ter família grande onde todo mundo se conhece e alguém se comunica regularmente com outros alguéns e a informação se espalha é poder saber alguns detalhes, histórias e fofocas de pessoas que se você visse pessoalmente jamais lembraria quem é. É legal ver como os outros lidaram com os problemas das vidas deles e também como muitas vezes esses problemas se tornam o esteriótipo da pessoa. No sentido de que, ao invés de falar do “João” a família fala do “coitado que se divorciou, mas ainda ama a mulher” e toda a sua probabilidade de imaginar um “João” comum vai por água abaixo, porque você começa a imaginar uma pessoa amargurada, frustrada, saudosa etc. Talvez, se você conhecer o João, vai perceber que ele superou a esposa há tempos, mas não aconteceu outra coisa relevante o suficiente para mudar os esteriótipos.

E foi curioso quando minha tia disse que estava conversando com alguns sobrinhos netos e depois ouviu da mãe deles que ela seria lembrada como “a tia que fuma muito, mas faz um quibe delicioso” e com isso percebi que não faço ideia de qual é o esteriótipo que têm de mim. Porque é tão comum essa coisa da gente ter um esteriótipo pra falar do outro quando estamos nas histórias de família, que acredito que todas as pessoas o tenham. Lembro de ouvir de primos meus que eram emo, pagodeiros, rockeiros, rebeldes, apaixonados, frustrados amorosamente, realizados profissionalmente e fiquei pensando… qual será o meu adjetivo, o meu esteriótipo? O que é usado para lembrarem quem eu sou?

Sei que para as minhas sobrinhas por muito tempo foi “ela tem cabelo colorido”, agora já não faço ideia do que elas usam pra me descrever. Quanto às minhas tias, primos, amigos, não faço a menor ideia. E como quando a gente cresce descobre que família não é só sangue, certamente estou em algumas das histórias contadas por pessoas não-consanguíneas. Como será que falam de mim? Não faço a menor ideia. Mas eu espero realmente que não seja como “ah, a Mayra, filha de x e y, irmã de w e z” ou afins. Não quero ser alguém que é definido pelos relacionamentos, mas sim por alguma característica marcante. Porque mesmo quando o esteriótipo é péssimo, como “a que é gorda” (algo muito muito muito comum nas histórias de família), pelo menos estão te definindo por você. De maneira preconceituosa e por vezes cruel, mas ainda assim, por você. Enfim, não sei. E essa é uma das grandes questões do momento.

P.S.: Agora temos uma página no facebook! Não deixe de curtir para acessar mais novidades e informações!

Comentários: