Relatos de fim de semestre

Acho interessante observar os diferentes percursos que a vida toma. Vejamos bem, na segunda-feira passada estava ansiosa com o fato de ter três provas na mesma semana, além de ter que finalizar dois trabalhos para a próxima. A prova um foi desastrosa, a dois rendeu uma noite em claro por puro entretenimento com os textos da matéria. A três acabou sendo deixada para segunda-feira.

A fatídica segunda-feira, na qual devo entregar a tal prova feita em casa, fazer uma prova presencial e entregar um dos trabalhos, pois o outro fora entregue por e-mail no domingo. Tudo isso com zero de vontade.

Na sexta-feira, onde estava planejado iniciar os trabalhos concentrativos, tive que comparecer a um jantar que eu teoricamente ajudei a organizar. Faz parte da bolsa que a universidade teoricamente me paga. Tudo teoricamente, porque a prática é diferente em tantas maneiras, que nem merecem ser exploradas. No entanto, sexta-feira foi também o dia de descontos, o que incluiu um dia com eu e Willian peregrinando por livrarias e indo ao shopping pela primeira vez juntos. Diversão à parte falimos e saímos, ambos, com um exemplar do Lev, e-reader vendido pela Saraiva, que custava quase 200 reais a menos do que os outros que encontramos à disposição.

Com o Lev em mãos, a vontade de ir ao tal jantar desapareceu. Nem preciso comentar o que ocorreu com a vontade de existir, viver ou, simplesmente, ler as coisas necessárias para finalmente terminar os últimos afazeres necessários para encerrar, com a glória de Dionísio, o meu sexto período. Acabamos indo no jantar, fugindo sorrateiramente, dormindo cedo, acordando cedo e, não sei ele, mas eu passei a manhã inteira caçando livros online que me interessavam, para que eu pudesse de fato estrear o Tolstoi.

Tolstoi foi o nome que dei para o meu Lev, considerando que Lev parece com Liev e que não há Liev mais legal do que Tolstoi. Tentei cumprir minha promessa de que não iniciaria outro livro literário até terminar as trinta páginas que faltam para o Oblómov que comecei em Agosto, mas a possibilidade de ler deitada na minha cama, de noite, sem ter que levantar depois para apagar a luz porque o dispositivo de leitura tem uma luz embutida foi vencedora. E lá estava eu, em pleno sábado onde deveria estar fazendo as coisas para segunda-feira, desvendando a vida da Lena Dunham.

Gosto de ler biografias, gosto da Lena e ela fez tanta propaganda no instagram dela sobre o livro que decidi que precisava ler. No entanto, é o tipo de livro que, sob meus critérios muquiranas, não vale o dinheiro que a livraria pede. Nestes e em vários outros momentos, só nos resta agradecer aos céus pela existência da pirataria. E da procrastinação. E de pessoas que conseguem escrever de forma tão transparentes e sinceras que passam a impressão de estarem sentadas ao seu lado contando sobre a vida.

Foi assim que me senti lendo “Not that kind of girl” e a única pausa que dei foi para finalizar o trabalho que precisaria entregar hoje. Por volta das 19h e pouco mais de 24h após ter iniciado a leitura do livro, ele estava finalizado. Não consigo me lembrar da última vez em que consegui terminar um livro literário com tamanha avidez. Principalmente com prazos me sufocando, o estresse a mil por hora e a necessidade abrupta de provar para mim e para o universo o quanto sou boa nas matérias que escolho fazer. Mas consegui abdicar toda a ansiedade e maldição interna que corroía as minhas veias e me permiti rir um pouco com a história nem tão engraçada assim da vida de uma garota tão bacanuda, preguiçosa e ansiosa quanto eu. Ou talvez mais.

Após as 252 páginas que alternavam-se em capítulos curtos e anedóticos, listas à lá Mia Thermopolis e ilustrações divertidas, sinto-me leve e preparada para encarar uma noite regada a café e, quem sabe, algumas pílulas estimulantes. Se eu conseguir vencer a minha maratona que se encerra amanhã, restará apenas uma apresentação de trabalho na quarta-feira e estarei livre. Pelo menos até o dia 23 de Fevereiro de 2015. A ânsia por liberdade é grande o suficiente para me fazer levantar da cama e tentar.

E, bem, sinceramente, quando acordei hoje não achava que a ânsia seria mais forte do que minha capacidade de dormir em horas impróprias. O melhor de tudo é saber que me sinto leve. E, quem sabe, até ria no meio do percurso que será desenvolvido entre o agora e o amanhã. A parte mais legal do amanhã é que ele é absurdamente improvável, não importa o quanto a gente se esforce para controlá-lo. E, quer saber? Essa é uma das lições que eu preciso internalizar com mais eficácia.

2 thoughts on “Relatos de fim de semestre

  1. Pelo que ando vendo (lendo!) dos blogs que sigo, esse semestre, ou o fim dele, tá sendo complicado pra quase todo mundo.

    A ansiedade tá me corroendo também, mas não consegui apelar pro meu livrinho nesse final de semana porque passei ele todo estudando pra tentar me salvar em uma disciplina que tô pra lá de ferrada.

    Boa sorte!

    Vem férias!

  2. Esse meu final de semestre foi bem puxado também.
    Já li na Saraiva esse e-reader. Eu ainda fico com pé atrás em adentrar esse mundo dos ebooks. haha Sou louca para ter, mas fico receosa se vou deixar de comprar meus livros físicos. O livro da Lena estou querendo ler também.

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