Revoltas internas.

“Você está no terceirão! Esse ano vai decidir a sua vida!” todos repetem isso, todos os dias.

Tudo que consigo pensar ao ouvir essa frase é “E o ano do meu casamento? E o ano da minha formatura de faculdade? E o ano que meus filhos nascerem? Será que nenhum ano vai ser mais importante do que esse?” Sempre chego à conclusão de que é tudo uma puta mentira, afinal a vida é um ciclo e em ciclos as coisas se repetem.

Durante todos os meus anos de existência, com certeza haverão outros tão importantes quanto este, então eu não deveria ficar toda doida e neurótica com essa coisa de terceirão, afinal se eu fizer a escolha errada sempre posso recomeçar!

O difícil é ter que abandonar o teatro e trocá-lo por horas diárias de matemática, física, química, biologia, essas coisas que o meu íntimo não gosta muito, mas… E se valer a pena? Decidi não pensar em hipóteses, apenas com fatos, então não é “se valer a pena” é “mas vai valer a pena” e no fundo, eu sei que vai.

Nunca fui a pessoa mais persistente do mundo, mas pretendo persistir esse ano, não tanto por mim, mais para provar para todas as pessoas ridículas que acham que sou mais uma trouxa no mundo que sou importante, boa, esperta e consigo sim fazer as coisas que me proponho.

Estou escrevendo isso aqui, porque apesar de estar me divertindo um bocado desbravando o mundo dos estudos e tentando ser um pouco nerd, ando sentindo uma carência extrema, sinto falta de pessoas que encostem em mim, sabem? Na escola vivo rodeada por sei lá, 40 pessoas mas tem dias que não encosto em nenhuma e quando eu chego em casa e vou abraçar minha mãe ela diz “Meu Deus, como vocês são carentes” e já me solta e só me abraça de verdade quando ela está com vontade. Sinto saudade de ter gente que venha me dar bom dia sorrindo e me abraçando, ultimamente todas as pessoas se resumem apenas ao Guilherme e, não sei porque, mas eu sinto que não é certo sair abraçando ele por aí, como se minha vida dependesse disso. É o terceiro ano que as pessoas me perguntam se ele é meu namorado e coisas do tipo e as vezes eu me canso de ficar repetindo “não, isso jamais aconteceria” e as pessoas ficarem insistindo e eu não poder dizer porque diabos jamais aconteceria e ficar super sem graça e brava por todo mundo achar que só porque abraço um menino devo me casar com ele. Sinto falta da leveza da vida, de não importar com o que os outros falam, de não tentar impressionar ninguém e, principalmente, de ter certeza sobre todos os meus sentimentos e saber lidar com eles.

Talvez eu fique louca esse ano, não pelo excesso de estudos, pela falta de pessoas. Acho que nunca vão entender que não fui feita para viver sozinha.

0 thoughts on “Revoltas internas.

  1. Acho que tu não deveria fazer as coisas pra provar algo a alguém. Faça por você, sempre! Parece super clichê, e realmente é, mas faz sentido. Acontece que tu nunca vai ser feliz fazendo algo pra agradar os outros. Acredite em mim, já fiz isso. Fiz tres anos de vestibular e não passei, só porque estava querendo um curso que minha familia queria e não eu.
    E quanto a “carencia”, às vezes falar pode aliviar um pouco. Digo falar para as pessoas mesmo, pessoalmente.
    Beijo! (:

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