Sai de mim Rory Gilmore.

Minha meta desse semestre é terminar de assistir Gilmore Girls. Tenho mais trinta dias para duas temporadas, acho que consigo. Eu vi essa série pela primeira vez quando era criança e passava no SBT sob o nome “Tal mãe, tal filha”, mas nunca me imaginei acompanhando a dita cuja. Até que minha internet pifou e eu não consigo mais baixar nenhum episódio de nenhum seriado e, coecidentemente, a namorada do meu irmão aparece com todos os episódios de Gilmore Girls disponíveis. Isso aconteceu quando eu estava de férias e assim sendo, sem nada melhora pra fazer. Assisti e parei quando as aulas começaram, afinal eu estava morrendo com toda aquela quantidade de leitura e mudança radical no meu estilo de vida, porque depois de 17 anos eu realmente precisei estudar para algo e como não o fiz fui super mal em todas as primeiras provas e ou tomo jeito, ou terei que refazer todas as matérias, o que não é muito bom, convenhamos.

Enfim, estamos em greve e meus pais não estão em casa, estou sozinha aqui o dia inteiro e de noite meu irmão junta-se à mim, para dormir. Cada um em seu respectivo quarto, obviamente. Nos primeiros dias eu fiquei que nem louca tentando manter a casa nos eixos, tentando substituir a minha mãe com todos os afazeres domésticos e tal, mas eu não nasci pra isso. Eu preciso de descanso depois de uma hora de trabalho pesado e quando eu vi que se continuasse trabalhando que nem louca não teria fim, desisti. Larguei de mão. Só tenho lavado a roupa e estendido, o resto que se dane. Enfim, acumulando-se greve com solidão e preguiça, o resultado não poderia ser diferente: voltei a assistir gilmore girls.

O detalhe é que a série é água com açúcar, sem as cenas tensas que eu sou acostumada por causa de Skins, ela é leve e ultimamente tem me irritado muito. Porque eu passei até a quinta temporada querendo ser igual à Rory. Eu até quase desisti da minha faculdade, pra ser jornalista, embora eu ache que deve ser um saco ser jornalista, só porque ela fazia parecer que era legal ser jornalista. Mas desde que a Rory entrou na faculdade, ela virou um pé no saco. E aí entra o meu problema: se nem a Rory conseguiu ser boa depois da faculdade, como é que eu posso achar que vou conseguir?

Só sei que estou passando por uma terrível crise existencial, resultado dos muitos momentos sozinha. Tenho repensado minha vida inteira, desde minha cor favorita, ao que eu realmente penso sobre física. Tenho reconsiderado absolutamente tudo. Tranquei todos os meus cursos e agora eu só tenho o teatro e, veja só, estou a um fio de desistir dele também. A sorte é que eu não posso desistir até o fim do mês, porque preciso terminar o semestre, mas do jeito que as coisas estão, duvido que eu continue depois do fim do semestre. Fora isso, eu sinto falta de sentar com alguém e jogar conversa fora, sem nenhum objetivo, sabe? Como a gente fazia no ensino médio, que parecíamos idiotas e ficavamos cantando e falando bobeiras o dia inteiro. A vida era boa e eu odiava. Eu sempre acabo por odiar.

Outro dia meu irmão mais velho estava aqui em casa e me disse algo que realmente me fez pensar, é o seguinte:  a gente SEMPRE acha que o passado foi melhor e que não o aproveitamos da maneira que deveríamos e assim que pensamos isso, automaticamente nos vem a ideia de que no futuro nós podemos consertar nosso modo de ser e passar a aproveitar as coisas, mas a gente nunca pensa no presente. Absolutamente nunca! Minha professora de teatro tem tentado fazer com que eu vivesse o presente desde fevereiro e por mais que eu tenha lutado muito para conseguir, vejo agora que ela não obteve nenhum resultado. Essa deve ser a maior falha humana, sabe. A gente não devia ser completamente insatisfeito, a gente não devia se convencer de que nào temos o bastante. Não deveríamos ficar falando e falando e falando sem termos absolutamente nada para dizer.

Eu tenho sentido tantas coisas, visto tantas coisas, pensado em tantas coisas e a falta de coragem para realmente fazer algo, somado à extrema frustração por nào ter ninguém interessado no meu “algo” e ao fato de eu raramente poder usar a minha voz de verdade para falar de verdade o que eu penso, ainda acabarão por me deixar completamente LOUCA. E eu não quero ser louca. Eu não posso. Eu não posso ser como a Rory. Eu não posso decepcionar a minha mãe como ela fez. Não posso ser tão idiota. Eu não posso continuar me espelhando em todos esses personagens que são perfeitos, mas ao mesmo tempo, sempre frustram alguém de algum modo. Eu não quero ser a Mia Thermopolis, nem a Gracie Blood e muito menos a Rory Gilmore. Eu quero ser a Herminone Granger, sabe? Aquela que não só tem cara de esperta, mas de fato é. Aquela que não fala que faz coisas, a que realmente faz. Aquela que lê, estuda e torna-se importante na vida dos outros. Eu quero ser importante na vida de alguém.

Mas eu não consigo, porque tenho na minha mente exatamente o que todos nós, pessoas comuns, normais e sem nada especial temos: chiliques que nos fazem querer acordar para a vida e em trinta segundos apenas voltamos a ser idiotas que assistem uma propaganda e querem comprar algo. Eu não quero acabar como o meu irmão. Eu não quero ser uma dessas pessoas que sai por aí comprando um monte de coisa que não precisa. Não quero ser uma das pessoas que eu sempre odiei. Estou cansada dessa coisa de me achar especial e importante, por que raios todos nós temos isso na cabeça? Essa coisa de que somos todos iguais mas temos algo que nos faz especial? Somos simplesmente todos iguais. Todos. Por isso que o mundo está perdido, com toda essa porcaria ambulante correndo à solta. Só por isso.

Eu não queria que o mês mais importante do ano começasse assim.

Por favor, me digam que o Renato Russo está chegando aqui em casa, vai me abraçar, dizer as palavras mais bonitas do mundo, que só ele conhece e no fim das contas tudo ficará bem e eu não precisarei recorrer ao meu chocolate.

Ok, vou comer chocolate, mas esse foi um bom sonho.

(Daqui)

0 thoughts on “Sai de mim Rory Gilmore.

  1. Mayrinha, me sinto na obrigação de discordar inteiramente de você, acho que pela primeira vez na vida.
    Primeiro de tudo, quem foi que disse que você não é especial e (ora bolas!) importante? Você é fantástica, e eu não digo isso da boca pra fora. Fico feliz por ter te conhecido e ter a chance de, através de você, das suas palavras, textos e vídeos, poder ver que ainda existe gente legal, que tem sonhos, que pensa fora da caixinha e que quer fazer a diferença no mundo. Aliás, todo mundo é especial e único em potencial. Pena que muitos deixam isso passar e acabam se tornando mais um dentre tantos, mas acredito DE VERDADE que todo mundo pode ser especial e único, basta querer, basta ser quem eles são.
    Segundo, não se cobra desse jeito. Você é tão nova e tem tanto pra viver! Eu digo isso me sentindo até meio estúpida, porque também me cobro HORRORES e já sofri pra caramba com isso, mas desde o ano passado tenho trabalhado isso em mim e sinto melhoras. É preciso ver que a gente não tem obrigação de ser perfeito. Somos humanos, falhos, vulneráveis, e temos que aceitar isso, porque senão não dá pra levar pra frente. A vida não pode ser um fardo, entende? E não adianta se espelhar em personagens, simplesmente porque eles são PERSONAGENS, não existem no mundo real. A Hermione é sensacional? É. Mas ela existe? Não. E mesmo no livro ela tem sim suas fraquezas, assim como todos temos, e para viver bem e ser uma pessoa melhor é necessário, antes de qualquer coisa, conhecer nossos pontos fracos, aceitá-los, e aí então trabalhar para tentar melhorar, pra tentar ultrapassar isso. E se algum dia ficar difícil demais, naquele dia, se permita cair, dizer que não consegue, entregar os pontos. Não dá pra ser forte o tempo todo e você já é forte demais. Não é qualquer um que aguenta o tranco pelo qual você está passando e é absolutamente normal e natural que você sinta os reflexos dessa crise.
    Vai passar.
    Não deixe jamais de acreditar em quem você é, no seu potencial e naquilo que você tem de bom. Se você não acreditar, quem vai acreditar depois?
    Já disse e repito: se precisar de alguém pra conversar, jogar conversa fora, desabafar e falar besteira, eu tô aqui. Você tem meu celular, meu e-mail, meu endereço (!), meu Facebook, enfim. Grite.
    Outra coisa: você já assistiu Tudo Acontece Em Elizabethtown? É o filme da minha vida, ao qual sempre recorro quando estou em crise, e o resultado é sempre ótimo. Ele fala comigo de forma tremenda e sempre sempre sempre sinto as coisas clarearem depois de vê-lo. Dicona.
    Fica bem, amo você.
    Abraço beeeeeeeeeeeeeeeeem apertado <3

  2. Menina, eu fui fã de Gilmore Girls na minha infância também. E assistia no SBT mesmo.
    E gostei da tua sugestão, de certa forma. Acho que vou querer assistir a série toda, desde o início.
    Retorno a infância total. Beijos!

  3. Deus do céu, que saudades de Gilmore Girls. Acho que você termina fácil o que te falta antes de acabar o semestre.
    E, olha só, quem foi que disse que você é igual a todo mundo? Eu acho sim que tem muita gente igual nesse mundo, mas acredito de verdade que tem gente muito especial. Porque se não fosse assim, não teria nadinha de legal no mundo. E só pelos seus posts dá pra ver que você é uma dessas pessoas. Você não vai acabar como quem você odeia. Você já é especial na vida das pessoas.
    Beijo!

  4. Gilmore Girls, a série da minha vida <3 Acompanhei todinha quando passava, mas pela Warner mesmo. Acho a voz da dublagem do SBT estranhíssima. A Rory chegou a me dar raiva também, mas nunca deixei de gostar dela. E sabe por que? Acho que ela sempre foi como uma amiga pra mim (sou louca, bjos) e em amigo se perdoa tudo, todos os defeitos. Sim, todo mundo tem defeitos, mas discordo de você quando falou que não somos todos especiais. Somos, sim. Não duvida disso, não, May. Você também é muito especial. E pode não ser um "especial" revolucionário ou algo do tipo, mas especial é especial. E quem sabe qual o nosso potencial, não é verdade? Não duvide de nada.
    Beijos <3

  5. Você é especial, importante, e totalmente essencial na minha vida! Ou eu não abriria um sorriso ao te ver naquele sofázinho branco e ir correndo te apertar. Não entre nessa neura, menininha. Você é luz na vida de muita gente! <3
    Quanto às dúvidas acerca de tudo o mais, eu, neurótica que sou, sei bem como são duras essas crises onde nada em nossa vida parece se encaixar com nós mesmos, e nos sentimos um peixe fora d'água em qualquer lugar que estejamos. Não foram poucas as vezes em que tive certeza que era a pior da classe na faculdade. A mais incompetente do estágio. A pior atriz da minha sala, quiçá da escola toda. Mas o bom dessas fases é que graças a Deus elas passam. E ficam esperando uma brechinha pra voltar, claro, porque ninguém disse que seria fácil..
    Te amo, meu amendoinzinho!

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