Ah, eu casava. Quem me conhece sabe que eu sempre digo que não pretendo casar, porque deve ser um tédio passar a eternidade ao lado de uma só pessoa enquanto há 7 bilhões zanzando ao nosso redor. Eu sei que já fiz muitos textos com listas de possíveis maridos, mas, bem, se de fato eles se apresentassem como meus possíveis maridos eu certamente recusaria a maioria, mas duvido muito que recusaria algum destes. Todos eles são absurdamente geniais, a ponto de me encantar TANTO com sua obra que eu nem sei o que dizer. Se qualquer um deles de fato quisesse uma pontinha do meu coração, eu me debruçava e dizia “te dou inteirinho”, porque pra eles e por eles, ah… Vale qualquer coisa.

1 – Salvador Dali

Gato, me chama de relógio e vem ni mim que já estou derretidinha te esperando.

O que é esse homem? Com esse bigode sensacional e as melhores frases do universo? Com todas aquelas cores e formas exuberantes? Com as colaborações mais fantásticas já existentes na história da arte? Com aquela voz e sotaque catalão DIVINOS? Dalizinho nem precisava pedir pela minha presença, porque se ele e eu vívessemos ao mesmo tempo, certamente eu saberia onde era sua casa e me esforçaria pra conseguir um intercâmbio lá perto. Já imaginou um retrato surrealista da minha face? Provavelmente ficaria mais bonita do que a face real!

Salvador Dali fez muito mais do que salvar a arte do tradicionalismo, ele salvou a minha vida. Desde que o conheci artes plásticas começaram a fazer sentido, exposições pararam de ser chatas, bigodes viraram bonitos e gatos viraram meus amantes número um. Desde que o conheci encaro pra vida a frase “I don’t do Drugs, I am Drugs” e me esforço diariamente pra ser genial o suficiente para não precisar de drogas para enxergar o mundo colorido, torto e frenético do jeito que ele é. Do jeito que Dali viu. Só ele ia ser capaz de não se importar com meus cabelos, maquiagens, unhas e roupas malucas, só com ele eu poderia ser surreal ao invés de simplesmente admirar essa escola artística. Ai… Salvador, sai dali e vem pra cá.

2 – Clifford Geertz

Me dá uma piscadela e vem fazer uma descrição densa da minha cama, seu lindo.

Geertz é o meu antropólogo favorito da vida. Pelo menos dos lidos até agora. É aquela pessoa GENIAL que consegue explicar como é que a mente e a cultura se desenvolveram, explicando que o evolucionismo biológico ocorreu ao mesmo tempo que o cultural. Geertz é o cara das ideias mais geniais possíveis, dos textos mais bem escritos, daquela elucidação clara, com coisas tão absurdamente fantásticas e maravilhosas que a única coisa que você consegue professar após terminar o texto é “POR QUE EU NÃO CASEI COM ESSE CARA?”. Mas eu casei. Nos meus sonhos eu casei. Nos meus sonhos eu e Geertz fomos pra Bali juntos e ficamos observando as pessoas de acordo com seu método, depois discutimos o que vimos e escrevemos um livro juntos. Geertz é aquele companheiro pra vida inteira, aquele cara que jamais ia achar esquisito algum de seus pensamentos, pelo contrário, ia se interessar por eles, por mais esquisitos que fossem.

Geertz tem um nome muito legal de ser pronunciado e conseguiu me conquistar tão fortemente que eu até esqueci o fato de ele ser da Filadélfia (tinha que ser da Califórnia, ou do Kansas, bem mais massa), porque mesmo que ele tivesse nascido no interior do interior do interior, se fosse gênio desse jeito, me conquistaria na hora. Ai Geertz, me acode que acli tá ford.

3 – Renato Russo

Você gosta de meninos e meninas, né? Então, eu me encaixo na segunda opção. Vamos nos abraçar forte e ficar longe de tudo?

Eu não sei cantar o Renato Russo, gente. Não sei. Não consigo. Perto dele eu seria um nada, porque ele seria a estrela do relacionamento. Ele deteria todas as palavras e eu ia sofrer um bocado com essa coisa de ter que ficar quieta, mas valeria a pena porque eu ia chegar em casa e ter a barba mais linda do mundo e a voz mais doce chamando o meu nome e me dizendo versos bonitos no pé da orelha.

Renato podia ser o cara mais chato do universo que ainda assim eu ia me derreter toda. Acho plenamente impossível que não nos déssemos bem porque, convenhamos, se a pessoa escreveu todas as músicas da sua vida é porque vocês têm uma série de coisas em comum, não? Eu voto que sim. Voto que ao meu lado as músicas dele teriam sido ainda melhores, afinal, sou uma ótima musa inspiradora. Por ele eu moraria em Brasília a vida inteira e ainda o deixaria livre para ficar com os garotos dele quando ele quisesse, desde que em algum momento ele voltasse pra me fazer companhia na cama e me fazer carinho. Porque carinho já é bom, agora imaginem um carinho do Renato Russo.

Renato seria aquele marido companheiro pra todas as horas, pra todas as crises existenciais, neuras, loucuras da vida, porres, porradas, loucuras e abraços. Muitos abraços. Eu acho que se tem uma pessoa no universo que já foi capaz de entender minha mania por abraços, essa pessoa foi Renato Russo. Porque pra ele os abraços eram tão mágicos que o faziam perder a noção do tempo, criando a ilusão da existência de um tempo próprio dele e da pessoa abraçada e, ai, nunca vai existir nada mais poético e real do que isso e eu nunca vou entender porque é que tanta gente acha ele, meu marido perfeito, um “cara chato que fazia músicas legais”. Quem me dera ter essa chatice em casa, hein?

4 – Vinícius de Moraes

Não sou a Garota de Ipanema, mas tenho um doce balanço e sou cheia de graça.

Vinícius é aquele gênio que morreu de tanto amar. Ele se casou nove vezes e nunca trancava a porta de casa, porque a casa dele era a de todos e sempre era um bom momento para beber com os amigos e fazer um pouco de bossa nova. Vinícius é a representação perfeita da vida mansa que qualquer um já pensou em ter. Ele era na dele, com aquela voz doce e meiga e aquela música ritmada, poética e calminha. E além disso ele escrevia. Vinícius escrevia os melhores sonetos do universo, aqueles poemas que dóem na alma por saber que alguém por ventura sentiu algo do tipo em algum momento e ele sabia como ninguém transcrever doces sentimentos em belíssimas palavras.

Vinícius me encheria de carinhos e beijinhos pra acabar com essa coisa de ele sem eu. Ele cantaria do jeitinho dele pros nossos mil filhos as músicas infantis mais legais do universo, todos os dias o dia inteiro e as crianças seriam tão felizes que daria até orgulho de viver. Ele me apresentaria aos melhores cantores do Brasil e do mundo e minha vida seria tão boa, tão mansa, tão beleza pura que me dói só de pensar que ele morreu antes de conhecer todo o amor que eu podia ter lhe dado. Volta pra minha casa, ela fica na rua dos bobos número zero.

5 – John Lennon

Se tudo que você precisa é amor, porque é que você não tá na minha casa ainda?

Ai ai… Sr. John. Eu sou completamente apaixonada por você. Mesmo com esse seu óculos ridículo e toda essa história de ter acabado com a melhor banda do mundo, a verdade é que ela não seria a melhor banda do mundo sem você ou as suas letras. Paul, Ringo e George que me perdoem, mas você sempre foi meu preferido. Você sempre foi o que me transmitiu as melhores coisas, a maior riqueza de vida. Se você fosse meu marido eu até poderia vir a ser romântica que nada seria mais meloso que algumas de suas músicas.

Com a gente casado eu jamais deixaria que os Beatles terminassem, porque seriam suas músicas as baladas da minha vida. Haveria uma música chamada “Mayra” e seria sobre as belezas brasileiras, se você tivesse vivo eu até te ajudaria a escrever a letra. Sabe, eu já fui na casa em que você morreu, já fui no seu memorial e em vários outros lugares que você esteve, sabe qual é o problema disso? Você não estava lá. Ai Johnzinho, volta pra mim. Meu mundo ia ser tão mais feliz com você do meu ladinho fazendo juras de amor com esse sotaque perfeito que só você tinha. Eu tenho os mesmos sonhos que você! Vamos fazer do mundo um só, vem!

Esse foi o top 5 de mortos com os quais eu gostaria de ter podido jogar algo mais do que uma partida de pôker, aqueles com quem eu subiria num altar com véu, grinalda e mil daminhas nas costas. Aqueles que me conquistaram sem nem mesmo existirem ao mesmo tempo que eu. Aqueles a quem eu dedido minha vida e nunca serei capaz de esquecer. E não me julguem, porque aposto que você também tem seus mortos preferidos.

E depois dizem que essa coisa de “spotted” não causa efeitos colaterais nas pessoas…

0 thoughts on “Se eles estivessem vivos…

  1. Salvador Dalí? Sério? Depois de ter assistido ao Cão Andaluz eu acho difícil, sei lá. Mas gostei muuuuito do post, quero que você case com o Renato e tenha filhos chamados Eduardo e Mônica, haha.

  2. Se eu fosse fazer uma lista de casamento póstumo, a gente ia sair na unha pelo Poetinha! Não sei se casar com ele seria lá uma boa ideia porque Vinícius era beeeem mulherengo e eu gosto da ideia de amor pra vida inteira, mas queria muito que ele se apaixonasse por mim e me escrevesse poemas e crônicas. A gente passaria tardes infinitas em Itapuã, iríamos ao cinema juntos e nos beijaríamos encostados no poste como os melhores namorados públicos do mundo <3

    E as cantadas pro Salvador Dali são as mais geniais do mundo inteiro! Tenho certeza que ele ia achar um barato HAHAH

    Li um texto do Geertz, tenho certeza, mas não consigo lembrar qual foi :(((((

    Adorei o post, Mayroca!

    beijos

  3. Ai, o Poetinha é uma excelente pedida… Acho que eu piro mais com os atores, na verdade. Daria tudo por um Marlon Brando, mas o rei da minha lista é o Paul Newman. Os olhos azuis mais bonitos do cinema!!! Também amo demais o Gene Kelly. Casaria sem nem pensar duas vezes.

    ótimo post, May!

  4. Pequena Gênia, estamos em sintonia!! Spotted faz isso com as pessoas, deixa a pedreiragem à flor da pele e corações partidos pelo caminho!! hauahuahuahuahuaua

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