Sei lá… A vida é uma grande ilusão.

Eu quero escrever, só não sei sobre o quê. Não digo que estou com falta de ideias, porque ideias nunca faltam nessa minha cabeça pensante. O problema tem sido passá-las para o “papel”. Se antes eu pensava em uma coisa e vinha direto escrever a respeito, agora fico pensando muito antes de realmente concretizar o ato da escrita. Tudo devido ao fato de que não faço ideia de quem são as pessoas que leem isso aqui e há coisas que eu realmente não gostaria que fossem lidas por pessoas que me conhecem apenas superficialmente, tendo em vista que elas logo me julgarão baseando-se no que leem, sendo que várias vezes eu escrevo coisas que penso, mas que não ajo de acordo e isso não faz de mim hipócrita, apenas sem vontade de ser algo decente mesmo. Tenho preguiça de tentar ser alguém decente nesse mundo de gente indecente, porque uma pessoa boa não vai fazer grandes mudanças. Como li recentemente “Uma pessoa boa em um lugar mau tende a tornar-se mau também”, sei que essa frase não é de todo verdadeira, mas faz bastante sentido.

No fim, resolvi vir escrever, mesmo sem fazer a menor ideia sobre o quê. Cansei de ficar inventando teorias, histórias, contando coisas pelas quais ninguém se interessa, apenas pela necessidade constante de contá-las. Resolvi retornar ao bom e velho papel com caneta. Meus diários estavam bastante abandonados e recentemente fui obrigada a preencher um deles com alguns fatos notáveis que não devem ser espalhados pelos quatro cantos da terra, então resolvi ler coisas que escrevi há algum tempo e deparei-me com textos extremamente divertidos, fofos, havia também os deprimentes, os chatos e eu concluí que diários são partes importantes da minha vida e não posso abandoná-los. Percebi que escrevi pouquíssimo no decorrer do Ensino Médio e isso foi muito triste, porque agora pego meu “eu” do presente e não faço ideia de como vim parar aqui. Lógico, eu fiz uns 5 blogs no decorrer desse tempo, escrevia horrores lá e depois os deletava e mandava todos os textos para o ar e agora não faço ideia do que se passava pela minha cabeça em determinados momentos e isso é realmente triste. Aliás, o principal motivo para eu nunca ter deletado esse blog é que criei essa consciência e acho completamente desonroso da minha parte abandonar pensamentos que pareceram tão certos nos momentos em que foram delatados.

O que ocorre no momento portanto, meus caros leitores, é que decidi compartilhar convosco somente pensamentos de fato relevantes, coisas que de fato sirvam para algo. O resto estará em meus diários, para leituras futuras de minha parte. Dignarei esse espaço portanto somente a textos e teorias que não se relacionem exatamente a mim. Não mais o utilizarei para divagar a respeito de pessoas que me irritam e afins, não acredito que alguém se interesse por ler coisas do tipo e não acho justo ficar aqui escrevendo e divagando sobre pessoas que muitas vezes nem lerão. Guardarei minha ignorância, tagarelice e afins para mim e meus descendentes que serão os únicos a ter acesso aos meus diários.

Pretendo escrever mais do que sempre escrevo, ter um relato detalhado ao meu respeito, porque acho isso bastante importante e interessante. Não que eu queira ser uma Mia Termopholis da vida, mesmo porque eu jamais conseguiria ser como ela, mas acho importante escrever a respeito do que penso e do que sinto, para refletir melhor sobre as coisas e assim tornar-me uma pessoa mais sensata. Espero que funcione.

Acho que depois de 17 anos cansei de apanhar dos meus próprios sentimentos e resolvi tentar entendê-los um pouco melhor, para assim entender-me melhor e entender o mundo ao meu redor melhor. Cansei também de confiar em pessoas que não se importam e delatam meus “segredos” por aí e de pessoas que olham para mim e logo começam uma série de julgamentos. Cansei também de ser xingada, mau tratada e pisada por tanta gente, resolvi dar-me ao respeito, dar-me valor, o meu devido valor. Sim, porque debaixo de toda essa carinha fofa, existe uma pessoa que é completamente confusa e acaba agindo equivocadamente o tempo todo em busca de um pouco de sentido, mas bem… Talvez as coisas não existam para serem compreendidas mesmo, talvez elas sirvam apenas para serem vividas. Só descobrirei isso tentando ser diferente, lógico e é exatamente isso que tentarei fazer.

Meu blog continuará aqui, sempre. Ele, que foi um dos poucos que me ouviu quando eu precisei gritar. Ele e todos os seus bélissimos comentários que tanto me ajudaram, animaram e fizeram rir. Continuará aqui porque tenho a absoluta certeza que dentre o emaranhado de coisas que podem ser descobertas a meu respeito, os pensamentos a respeito do mundo em que vivemos continuarão existindo, as tentativas frustradas de poemas também e as desventuras que me ocorrem também, eu acabarei querendo falar sobre elas para alguém e não será meu diário, quererei sentir novamente a bela sensação de “estou escrevendo e há gente lendo!” e voltarei para cá e escreverei tudo o que eu quiser.

Meu blog continuará aqui, eu continuarei aqui. Talvez a mesma pessoa, talvez não, não há como saber. O que importa é que eu finalmente percebi que era inútil demais continuar vivendo parcialmente, como eu estava. Decidi ser quem eu sempre quis, mesmo que isso me canse ainda mais e tome algumas das minhas amadas horas de sono. É necessário fazer sacrifícios para atingir objetivos. Não posso ser tola o suficiente para crer que acordarei um dia e estarei tendo a vida exata que sempre quis. Preciso buscá-la e acho que está passando da hora de começar essa busca.

Perdoe-me se lhe decepcionei, mas já não sinto que escrever para um público “desconhecido” seja o que eu preciso no momento. Estou é necessitada de alguém que eu possa conversar de verdade, olho no olho e sem medo de ser rechaçada ou qualquer coisa assim. Não que eu esteja me sentindo sozinha, só estou precisando de uma boa discussão, cheia de argumentos e reflexões. Isso e uma boa dose de amor próprio, talvez. Ok, eu realmente preciso falar tudo que quero para alguém que queira ouvir e como essa não é uma opção, prefiro a ideia de falar tudo que quero para mim mesma, só assim posso prever as reações exatas, ler com as intenções corretas e relacionar os textos com os momentos e pessoas que merecem. Está na hora de ser um pouco mais reservada. Essa coisa de ser um “livro aberto” não trouxe boas consequências. Fato.

Enfim, até o próximo momento divagante da minha pessoa saltitante, sonolenta e sedenta por doces.

0 thoughts on “Sei lá… A vida é uma grande ilusão.

  1. Ô meu bem.. Eu entendo sua decisão, mas vou sentir muita falta. Você, infelizmente, nunca fala abertamente comigo sobre esses seus sentimentos.. Não sei se você tem noção do quanto pode confiar em mim, ou se você não quer, ou se nunca tivemos situação pra isso.. Mas o dia que você precisar falar algo e queira algo mais que o seu diário para ouvir, estarei sempre aqui! E-mail, msn, mensagem, telefone, skype e pessoalmente. Grita que eu apareço!
    Vou sentir MUITA falta dos seus textos de devaneios, porque eu lia cada vírgula de cada um, mas se você sente que é necessário parar, faça o que seu coração manda!
    Beijos, minha neném.

    1. ównn <33 você é uma linda mesmo! Eu nunca falei sobre meus sentimentos pra você porque não gosto de falar sobre eles diretamente para pessoas, não sem eu entendê-los primeiro e escrevê-los aqui era legal porque eu falava indiretamente para as pessoas ao mesmo tempo que os entendia, mas essa coisa de ter muita gente lendo e eu não saber quem são me assusta um pouco… não vou ficar delatando minhas "intimidades" por aí, se é que você entende. Mas continuarei a escrever, só não sobre mim, hm.
      De qualquer forma, obrigada pela disponibilidade! Sou completamente ciente de que posso contar contigo pequena pessoa com lindos olhos azuis 🙂
      Obrigada mesmo!
      Beijos

  2. Super te entendo!
    Já passei por esse momento de auto-reflexão blogueira, porque também me sinto profundamente incomodada de pensar que pessoas muito aleatórias da minha vida podem estar lendo (e acreditem, elas estão) lendo coisas nossas, sobre a gente, e podem sair por aí interpretando totalmente errado e te definindo por aquilo que você escreveu. E sempre interpretam pro pior lado, sempre!
    Queria conseguir escrever em diários, mas me sinto sempre meio ridícula. Acho que preciso de um destinatário, ainda que ele seja virtual. Não consigo ter liberdade para escrever pra mim mesma ou pra um caderno velho, tudo fica muito forçado. Claro que tem o revés de, como você disse, sentir que “perdi” certos momentos da minha vida que gostaria muito que estivessem registrados, porque foram importantes e significativos na formação da pessoa que sou hoje, mas isso são consequências que temos que lidar.
    Boa sorte nessa sua nova empreitada contigo mesma.
    Um beijo!

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