Sentido

Muita gente vê como grande incógnita da vida o que acontece quando ela acaba. Muita gente vive em busca do seu “Grande Talvez” e tentando saber “Como sairei deste labirinto?” e toma resoluções como esta para toda uma vida. Eu já fui assim, por um longo e tenebroso tempo. Tudo que eu me dignava a pensar sobre era o que aconteceria comigo quando eu finalmente parasse de respirar. Viraria microorganismos? Iria a um paraíso? Viraria estrela? Luz? Alienígena? Voltaria em outro corpo? Pensei em todas essas possibilidades até que eu decidi não pensar mais, afinal, de que adiantaria perder grande parte da vida que tenho aqui e agora pensando num depois completamente incerto enquanto eu poderia – e deveria – aproveitar o meu tempo para realizar e pensar coisas sobre a vida que eu vivo agora? Desisti.

Tenho uma nova futura resolução de vida e jamais saberei se ela é mais simples ou complexa que a anterior. Venho gastado grande parte do meu tempo tentando decifrar os cinco sentidos. Vejam que nem estou supondo um sexto, cinco já são o suficiente para me fazer não entender mais nada da vida. É uma questão simples, mas que me artodoa há um bom tempo: e se eu enxergar as cores diferente dos outros? E se a voz das pessoas for diferente para cada um dos ouvidos? E se a sensação dos toques também for diferente? E se os cheiros puderem ser diferentes para cada um? E se cada um for assim, tão individual?

Uma vez eu tinha um blog cinza, mas quando ia no outro computador ele era preto. Foi daí que surgiu a indagação, será que algum olho tem mais contraste e outro menos? Será que a gente exerga diferente? E se enxergar, como sabemos do que estamos falando? Existe um consenso chamado “vermelho” e outro chamado “azul” e tudo que se pareça com aquilo passou a ser aquilo?

Chuck Palakniuk diria que não, que não somos flocos de neve únicos e especiais, que todos pensamos ou pensaremos as mesmas coisas em algum momento. Mas talvez nem ele saiba dessas pequenas diferenças. Talvez nem ele saiba que além das digitais as pessoas também podem ser diferidas pela maneira que seus sentidos se expressam.

Da onde surgiu a ideia de que se uma pessoa vê o verde como sendo laranja ela tem uma doença? E se todos nós tivermos um certo grau de daltonismo, vocês estão captando a minha ideia?

Meu cabelo é colorido e eu juro que eu o enxergo vermelho, de verdade! As vezes o vejo um pouco laranja, mas na maioria das vezes é vermelho, só que a maioria das pessoas insiste em dizer que ele é laranja! Será que algum de nós está errado? Será apenas uma diferença na quantidade de bastonetes no sangue?

E a banana? Alguém consegue me explicar a banana? Eu sinto um cheiro absurdamente abominável vindo daquilo. Eu não consigo ficar perto. É terrível. Ruim mesmo. Eu passo mal. E tem gente que nem sente! Tem gente que gosta! Como vocês podem garantir que essas pessoas sentem exatamente o mesmo cheiro que eu? Sinceramente, se sentirem são loucas por gostarem.

Eu não pretendo ser cientista, só cientista social, nada com exatas, então jamais terei cacife para comprovar isso para alguém, mas se você estuda algo do tipo, aí está a dica para o seu nobel: cada um sente diferentemente e nem estou falando dos sentimentos e sim dos sentidos mesmo. Podem pesquisar. Não posso ser assim tão louca!

0 thoughts on “Sentido

  1. Surpreendendo como sempre. Sempre leio os seus posts mas quase nunca os comento. Passarei a comentar mais.
    Quanto tiver um tempinho, experimente ler sobre Krishnamurti. Não irá se arrepender.
    Abraços, feliz 2013 e continue postando regularmente.

  2. Você não é louca, você é um gênio!
    “Se eu enxergar as cores diferente dos outros?” Também me faço essa pergunta e comecei a pensar muito nisso depois de uma aula de biologia em que o professor começou a falar de fótons e declarou ser daltônico. Em fim, no meio dessa confusão toda, creio que realmente vemos diferente, escutamos diferente, e principalmente sentimos diferente… É por isso que todos amam de uma forma distinta, mas é tudo amor no final das contas. Olha só eu já puxando assunto pro lado sentimental hahahaha.
    Amei esse texto e essa sua forma de ver o mundo, May.
    Beijoss <3

  3. Nossa, já passei altas horas divagando sem fim sobre esse assunto. Quando eu era criança, eu tinha certeza de que eu era a criança mais feliz do mundo, porque a minha mãe era a melhor possível, a mais linda e mais incrível. Aí comecei a ter certeza de que as outras crianças só podiam amar tanto a mãe delas porque, obviamente, todos enxergavam suas mães exatamente como eu enxergava a minha. Tipo, com aquela carinha e aquela voz. E decidi que aquilo era MÃE, e que todos enxergavam a sua sendo a minha. Aí eu ficava achando divertido pensar que a minha amiguinha enxergava a MINHA mãe com a cara que eu via na mãe dela. PENSE NA PIRA.
    Eu também filosofava sobre cada um sentir o gosto das coisas diferente, porque eu amo as cocadas da minha avó, e eu tenho uma prima que não gosta. Como eu não conseguia admitir o fato de alguém não gostar do gosto daquela coisa maravilhosa, certeza que cada pessoa sentia um gosto diferente quando mordia aquilo, e eu tinha dado sorte. Ai, gente, uma coisa é certa: A imaginação do ser humano é um campo inatingível no estudo.
    Mas eu to com você na parte onde diz que cada pessoa sente diferente, o que é óbvio. Cada um tem sua visão de mundo, sua construção psicológica e seu repertório. E que bom, né? Já sempre diz a minha tia: “O que seria do azul se todos gostassem do amarelo?”

    Beijos, May!

  4. Tá aí um post filosófico. E eu vou ter que achar que a resposta do cientista vai ser que realmente enxergamos tudo diferente e que é absurdo esse tempo que perdemos fingindo que existia um padrão. Somos sim flocos de neve únicos, e é essa banalidade da diferença que nos torna iguais. Mas continuamos sendo diferente. Daí que surge a importância relativa que eu percebo nos livros do John Green e que amo. É impossível que todos sejamos únicos pro mundo inteiro, vamos ser banais para a grande maioria, mas a nossa diferença vai ser importante pra alguém. E as diferenças de algumas pessoas vão saltar aos nossos olhos. E aí tá a beleza do mundo.
    Flocos de neve únicos que não vêem a mesma coisa em absoluto.
    Beijo! <3

  5. Sua indignação é muito válida! Penso questionamentos assim o tempo todo e isso as vezes até me enlouquece! Meus olhos são verdes e quando eu era criança meus coleguinhas viviam me perguntando se eu enxergava tudo verde. E se eu enxergo e não sei? Pode parecer que não, mas não tenho como comparar com nada, não é mesmo?Os seres humanos tem a mania de se sentirem tão únicos e singulares, por que então não serem nessa categoria também? Um dia ainda vamos ter a resposta para essas perguntas, nem que a ciência demore uns mil anos…

    Beijinhos :*

  6. May, eu super vivia em função de imaginar como seria o fim. Mas isso acabava me deixando um tanto depressiva, então tou sempre buscando deixar esse assunto um pouco de lado. Ainda assim, vez ou outra eu penso e se tem uma coisa que eu tenho medo de verdade na vida, é do seu fim. Mas quanto à sua nova teoria, você pode me usar de experimento. Várias vezes eu briguei com meu namorado, brigas bestas, só a cor de um ônibus aqui de São Luís, que eu juro que é laranja e ele jura que é vermelho. Ok que homem não tem muita noção dessas coisas, mas vai que ele acha que o tal ônibus é vermelho mesmo e eu que o estou vendo como laranja? E isso acontece em várias situações. Outra coisa que nunca vou entender é pq ouvimos nossa voz de um jeito totalmente diferente do que ela é; ou pq algumas pessoas mudam a voz quando falam ao telefone e outras não. Enfim! Não é só você que pensa nessas coisas, sabe? Se um dia encontrar algumas respostas, me conta.
    Beijo <3

  7. Cara, uma vez eu e uma amiga minha passamos uma tarde inteira pensando nisso. Minha mãe tem os olhos verdes e seus irmãos não. Um dia ela me contou que quando era criança, ela pensava que via o mundo diferente por causa disso. Sei que existem umas teorias malucas que dizem que cada pessoa enxerga um universo diferente, que o mundo tal qual o vemos – da forma mais objetiva mesmo – é uma expressão do nosso cérebro, meio que uma forma dele interpretar as informações de luz que encontra por aí (?)m de modo que todo mundo vê diferente.
    Não é louquíssimo?
    Eu amo pensar essas coisas! HAHAHA
    beijos

    ps.: cheiro de banana = LIFE

  8. Cheiro de banana = não é ruim, mas é dooooooooooce doce doce doce.
    Eu não acho que isso seja tão absurdo. Somos tão diferentes de tantas maneiras, por que não seríamos biologicamente diferentes também? Cada um com seus genes, seu próprio DNA, suas próprias glândulas, papilas e retinas… Acho mais que possível que cada um de nós desenvolva os sentidos de uma maneira própria.

    Como você consegue pensar nesses temas? UHAHUAHUA
    Beijo.

  9. É fato: todos percebemos as coisas de modos diferentes. Somos seres diferentes – apesar de iguais. É isso que dá um festival de brilhinhos na vida: a percepção variável de cada um. Sou apaixonada por esse tipo de coisa, é tão lindo pensar que talvez poucas pessoas percebam as coisas da mesma forma que eu. ♥
    E banana tem um cheiro esquisito mesmo, hahaha. Apesar de eu gostar da batida com leite da tal.
    Beijo!

  10. sempre imaginei essa questão das cores. e se, o que for verde pra mim, for vermelho pra outra pessoa? mas como nós aprendemos que a denominação das cores são aquelas, mesmo enxergando totalmente diferente, achamos que enxergamos todos iguais?

  11. Filhinha postiça, eu enxergo seu cabelo laranja nas fotos do perfil do Facebook em outras ele me parece vermelhão. Soy loca? hauahuah sobre as indagações de “como sairei deste labirinto?” só posso dizer que me forcei a não pensar nisso, por que pensar nisso dói muito. Beijos!!

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