Sob as luzes do Outono

O pôr do Sol inicia seu trabalho e nós pisamos na calçada, finalmente.

Eu, com um vestido fofo e um sapato de boneca, você com a calça de sempre e a primeira camiseta encontrada.

Passearemos pelas ruas da cidade, sem rumo, com o intuito de ter a melhor visualização possível do tão belo crepúsculo.

Lado a lado, os olhos se cruzam de vez em quando, os sorrisos tornam-se mais frequentes e as batidas cardíacas um pouco mais intensas.

Minutos depois encontramo-nos com as mãos entrelaçadas. Sentimos o calor proveniente do corpo do outro, compartilhamos um pouco de suor e nosso coração dispara ainda mais. Envergonhados, soltamos as mãos e continuamos a conversar e a sorrir.

Sentamo-nos num parque qualquer, só para ver o sol terminar de se pôr e a Lua aparecer de vez. Fazemos nosso pedido à primeira estrela que aparece no céu e então trocamos mais olhares e sorrisos.

Levanto-me, nervosa e envergonhada e saio a correr. Você vem logo atrás, receoso de que eu te abandone. Consegues me alcançar e me abraça. Eu sorrio.

Agora estamos indo ao cinema, o filme de hoje não é muito popular e somos as únicas pessoas, dentre as que conhecemos, que se interessaram pelo tema. A sala está praticamente vazia, pegamos uma fila inteira só para nós. Não nos importamos com o vazio. O filme começa e rimos das mesmas piadas, temos pena das mesmas coisas e ficamos boquiabertos nos mesmos momentos. As partes românticas chegam e não tarda para que nossas mãos estejam entrelaçadas novamente, com o tempo elas deixam de ser suficientes, os braços passam a entrelaçar-se e então ficamos amontoados em duas cadeiras de cinema, indistinguíveis para alguém que olha de fora. O filme toma nossa atenção. Por mais que queiramos aproveitar o momento juntos, o filme não deixa. Não somos capazes de abandonar a experiência maravilhosa que a obra cinematográfica em questão nos provocará. Gostamos de filmes. Continuamos ali, entrelaçados, até que os créditos terminem, então nos soltamos. Olhamo-nos e esboçamos um sorriso sem graça. Minha covinha se realça, você pega nos meus cabelos e diz que sou fofa. Eu fico envergonhada, levanto-me e ponho-me a caminhar. Você logo atrás.

Estamos indo jantar agora. É uma sorveteria o lugar escolhido. Sabemos que está frio, sempre faz frio por aqui quando a noite aparece, mas não nos importamos. Ambos gostamos de sorvetes, principalmente bem confeitados, com redundâncias de chocolates.

Comemos, sorrimos e conversamos. O sorvete acaba. O tempo acaba. Preciso voltar para casa. Você diz que me acompanha até a porta. Caminhamos sob a Lua e as estrelas de uma linda noite outonal. Chegamos à minha casa. Abraçamo-nos na porta. Abraçamo-nos novamente. Rimos. Abraçamo-nos mais uma vez. Pego a chave e coloco-a na fechadura. Você me abraça pelas costas, me puxa e beija-me. Intensa e gentilmente, como se fosse a última coisa que faríamos em nossas vidas. Eu sorrio, abro a porta e entro em minha casa.

Entro em meu quarto, deito em minha cama e ponho-me a dormir. Durmo então com um sorriso estampado no rosto. Será uma noite sublime.

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