Sparkeando

Não sou muito fã de filmes românticos, porque sempre acabo chorando com eles e ficando completamente deprimida. Por isso, mantenho-os a certa distãncia de mim. Porém, há muito tempo atrás, assisti “Um Amor para Recordar” pela primeira vez. Não me lembro quando, onde, como ou porquê fiz tal escolha, mas lembro de ter assistido. Tal filme me fez chorar como um neném e eu fiquei apaixonada. Nicholas Sparks tinha me conquistado ali.

Não sou muito de reparar em que os filmes foram baseados, mas com este foi impossível não reparar em tal detalhe. Havia um livro daquele filme. Nunca o li, infelizmente. Gostaria muito, mas não sou de gastar muito dinheiro com livros, leio os que têm por aqui e os que eu não tenho e gostaria de ler, empresto. Seja de pessoas ou de bibliotecas. Comprar livros é algo que só faço se for obrigada, porque considero inútil comprá-los para ler apenas uma vez na vida. Tenho vontade de ter alguns, os meus preferidos, quem sabe algum dia. O fato é que eu nunca li “Um Amor para Recordar”. Nunca li nenhum livro do senhor Sparks, mas estava na locadora há muito tempo atrás e encontrei um outro filme com o nome dele na capa. Aluguei-o sem pensar duas vezes, o assisti e deliciei-me novamente.

Não sou muito de analisar novos lançamentos cinematográficos, mas as pessoas falavam. Falavam sobre o novo filme baseado em uma obra de Nicholas Sparks que seria lançado. Dessa vez o nome era “Querido John”, eu passei um bom tempo tentando resistir à tentação de vê-lo, porém não aguentei por muito tempo. O resultado foi que em 24 horas eu havia assistido o tal filme por três vezes.

Como se não bastasse, pouco tempo depois surgiu mais um filme baseado na obra do tio Nick, mas dessa vez tinha a Miley Cyrus no elenco. Eu que não ia assistir um filme com a Miley Cyrus. Não resisti, de novo. Lá estava eu soluçando enquanto assistia a mais uma obra do maldito autor que sempre me faz chorar.

Então eu desisti de Nicholas Sparks. Percebi que todas as histórias dele eram sempre a mesma coisa! Duas pessoas se apaixonavam, tinham uma história linda e maravilhosa, daí alguém ficava doente, morria e estragava o romance, criava um clima tenso e eu disparava a chorar. Por favor né, senhor Nicholas, seja mais criativo! Que tal um casal que sobreviva a tudo e fique junto até o final? Sei que isso é irreal, mas filmes servem para serem irreais, por favor, né.

Esqueci-me do infortúnio chamado Nicholas Sparks por um longo e tenebroso tempo. Então, estava eu no Tumblr e começam a surgir posts sobre “The Notebook”, eu olhava e pensava “já vi esse filme, é triste.” e passava a página correndo. Queria distância, de triste já bastava a minha vida.

Por acaso estava na casa de uma amiga outro dia e ela resolveu assistir “A Walk to Remember”, apesar de tudo, esse filme continua na minha lista de 10 favoritos, porque ele é absurdamente lindo. Revimos e saí de lá arfando e pensando “Por que não existem caras como o Landon? POR QUÊ?”, daí imaginei como seria a minha lista de coisas a fazer antes de morrer e a escrevi, pena que nunca vai aparecer alguém disposto a realizá-la 🙁 Mas tudo bem, eu sobrevivo.

Fui à locadora nesta semana, em busca de qualquer coisa assistível para curar um pouco do meu tédio, e então me deparo com o DVD de “Diário de uma Paixão”, fazia muito tempo que eu havia assistido, não me lembrava direito da história. Minha mãe, a eterna companheira para todas as programações de férias, nunca tinha sequer ouvido falar, então resolvi alugá-lo. Para quê.

Sim o filme é lindo, maravilhoso e extremamente perfeito, mas me fez odiar ainda mais o tal Nicholas Sparks. Sim, porque o desgraçado só sabe fazer personagens perfeitos e é terrível sair daquele filme com a certeza de que você nunca vai encontrar um Noah! Não, pior do que isso é querer encontrar um Noah. Quer dizer, eu sou a menina que escreveu isso. Eu não sonho com um amor eterno e eu não acredito nisso, não acho que seja possível. Daí eu vejo um filme desses e tenho um terrível lapso de crença em tal utopia. Odiei-me profundamente por tal ato. Quer dizer, já estava decidido que eu não ia acreditar em amor eterno e ia ficar feliz se encontrasse alguém que me aguentasse por mais de cinco anos. Não me fez bem ver o Noah ali, velhinho, lendo histórias para que a Allie se lembre do amor deles. Doeu ver aquilo e perceber que era uma completa mentira e que jamais aconteceria comigo. Foi horrível. Horrivelmente belo, eu diria. Porque ao mesmo tempo em que odiei assistir a todo aquele contingente de baboseiras e coisas impossíveis eu adorei sonhar com algo parecido com aquilo. Consegui me sentir bem ao imaginar-me ao lado do mesmo homem por uma quantidade interminável de anos. Recomecei a desejar o amor absurdamente, porque se algum dia eu sentir o que o Noah sentia pela Allie, submeterei-me a sobreviver com tal pessoa. Descobri que porra, o amor é aquilo. É lindo. Assustadoramente e amargamente lindo. Mas é tão distante e aparentemente impossível que gera um desânimo desgraçado.

Então cá estou eu, sozinha em meu quarto cor-de-rosa em plena noite calorosa de inverno curitibano, desejando um amor eterno e sonhando borboletas enquanto fantaseio um. O problema é que o filme foi visto há dois dias, tal sintoma já deveria ter passado. O que você fez comigo, caro senhor Nicholas Sparks? Causou-me leveza o suficiente para continuar aqui, sparkeando até agora. Odeio-te, porque ao invés de desejar algo impossível eu deveria aprender a amar o real.

Obrigada pela nostalgia.

0 thoughts on “Sparkeando

  1. Eu assisti “Um amor pra recordar” em 2008, acho. Pra te falar a verdade, eu esperava mais. E eu nem chorei, mas raramente eu choro em filme. Assista “Uma prova de amor”, que se não me engano, é do mesmo diretor de “Diário de uma paixão”. Você sabe que eu nem sou cinéfila, mas esse eu tive que comprar. Já assisti um trilhão de vezes, e sempre acabo chorando. É maravilhoso, vai por mim. E bem diferente de história de amor de casal. Esses outros do Nicholas eu nunca vi, mas estou louca pra ver Diário de uma paixão, e minha amiga vai me emprestar o livro do “Um amor pra recordar”. O livro do “Querido John” está lá em casa, minha mãe pegou emprestado, depois que ela ler eu vou ler também. “A última música” minha irmã já me chamou 1 milhão de vezes pra assistir, e eu me recusei porque não tenho o menor saco pra Miley Cyrus, que eu insisto em chamar de Hannah Montanna, hahahaha.
    Mas esse teu post me deu vontade de Sparkear, hahah! Mas hoje eu vou Rowlingnear, isso sim! Rony, me aguarde! *_*
    Beijos!

    P.S.: Obrigada por ter colocado juízo na cabeça da Rafaela. Eu vou pra Paranaguá ver esse filme com ela, e se fosse dublado eu ia me recusar a entrar na sala, =P.

  2. Ah, eu adoro o Nicholas. Digo, eu gosto de ler os livros às vezes, porque sabe, eles são daquele tipo em que você não precisa pensar muito e tal… são leves. Mas, dá uma vontade doentia de chorar EM TODOS ELES.
    Ainda assim, sou apaixonada por ele. Talvez isso tenha a ver com o fato de que ele já me respondeu duas vezes no Twitter, sei lá. De qualquer forma, ele é um fofo! E escreve muito bem. Vai bem nos pontos em que fazem a gente chorar, eu tenho certeza de que é proposital. 🙁

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