Os Outros Mundos

Anna, Tary, Analu, Lari e diversas outras blogueiras lindas andam por aí fazendo uma lista dos melhores livros do ano, a questão é que eu li apenas 16 livros neste ano e não sei eleger melhores em um hall tão escasso, porque, bem, todos eles foram maravilhosos e essenciais. Como alguns de vocês devem saber eu resolvi fazer vídeos resenhas para todos os livros lidos neste ano e assim sendo, minha retrospectiva literária será um tantinho diferente!

O ano começou lindo com Rudy e Liesel em “A Menina que Roubava Livros”  e brochou um pouco com “O Pequeno Filósofo”.

Tudo melhorou novamente quando conheci o jovem Katchadourian que me apaixonou e foi um dos meus queridinhos até o fim do ano! Claro que Marx e Engels com sua proposta revolucionária também me encantaram e, felizmente, Dartagnan não fica atrás!

Depois tivemos Lolita, o livro mais sofrido do ano, que era tão genial que eu protelava a leitura para senitr mais profundamente a coisa inteira. Não superei esse livro até hoje e quero muito ler outros Nabokov pra ver se mantém ou não o nível.

O livro “bobinho” do ano, que me introduziu na literatura australiana e contou uma história intensa e capaz de me prender na leitura de uma forma que Lolita não foi capaz.

O livro mágico do ano por ter representado a Máfia e a Milena na minha estante. Amei cada página e chorei copiosamente nas últimas. Não foi meu livro preferido porque foi dolorido demais pra eu sequer pensar em reviver tudo.

Chuck é meu autor favorito porque em todo livro que leio descubro mais coisas maravilhosas, niilistas e desencantadoras com uma maneira linda de serem mostradas que me encantam mais do que qualquer coisa. Esse livro teve um gostinho especial por ser a origem do meu filme preferido e conseguiu me surpreender um bocado. Maravilhoso.

Lemony Snicket tinha que dar a honra de sua graça e abrilhantar o ano com a série mais decepcionante, genial e essencial que já li na vida! Amei entrar em contato com os Baudelaire novamente!

Helena é um livro casual, com uma história que poderia acontecer com qualquer um, mas que passa uma tranquilidade e filosofia invejáveis que só a srta Del Lang é capaz de passar para as pessoas! Eikki é um sonho e desde quando li morro de vontade de conhecer a Finlândia!

Um livro de auto-ajuda que foi abandonado, um livro da faculdade objeto de meu primeiro seminário universitário e um Kafka que com certeza marcou meu ano com o jovem Samsa. Amei esse livro e quero muito reler!

Meu queridinho do ano, se eu tivesse que eleger um preferido seria este. Eternamente grata à Bruna por ter me dado porque minha vida não seria a mesma sem este livro espetacular. Todos devem ler Alasca em algum momento e ser um pouco mais Alasca também. Doído na medida certa e capaz de ser eternamente amado.

A primeira história que eu gosto mais no filme do que no livro, embora o filme abstraia o poema que é uma das melhores coisas do livro. A história é linda, mas também doída e trágica demais, tensa demais, só de lembrar já fico angustiada!

O livro maravilhoso que me fez ler 200 páginas em um dia porque eu não conseguia largar tamanha era a vontade de saber o que estava por acontecer, mesmo que eu já tivesse visto o filme. Recomendadíssimo pra quem gosta de mistério. Fabuloso.

Viram? Eu li pouco! O detalhe é que mesmo assim seria impossível fazer um vídeo conciso falando sobre os meus preferidos porque eu sou tagarela e os livros despertam TANTA coisa em mim que nem tem como cogitar a possibilidade de falar pouco sobre eles! Sem contar que fora todos esses vídeos fiz trilhões de textos sobre eles ao longo do ano, então, se quiserem saber ainda mais basta procurarem por livros ali na caixa de busca!

Terminem o ano direitinho!

O Fim.

RegrasParte 1Parte 2Parte 3 Parte 4 

A pior coisa foram as doenças que assolaram a minha família, mas nada que tenha acontecido diretamente a mim. E a melhor coisa foi minhas férias que no total duraram sete meses e ainda assim não me pareceram suficiente porque eu gostaria de viver de férias.

Eu sempre quis pintar meu cabelo de colorido, ou pelo menos desde que eu tinha cerca de sete anos, mas minha mãe dizia que eu só poderia quando tivesse dezoito anos. Meus cabelos são coloridos neste ano e eu não conseguiria isso em outro ano!

Passei o ano inteiro sentindo saudades de Barcelona e acho que sempre sentirei. Já até pensei em aprender a falar espanhol – língua que não me desce – só para poder morar lá por algum tempo, porque a cidade é maravilhosa, tem um cheiro e um céu incríveis, tanto que nunca consegui escrever sobre ela por aqui. E a melhor parte é a comida deliciosa daquele lugar, que eu sempre sentirei falta!

Londres - Óculos do John Lennon + Gorro de Macaco + Batom Azul = Um dos melhores dias do ano!
Londres – Óculos do John Lennon + Gorro de Macaco + Batom Azul = Um dos melhores dias do ano!

Não me arrependo de nada. Tudo que fiz fez sentido no momento em que foi feito e acho que isso basta, não preciso ficar tentando achar razões ou coisas das quais me arrependo. Acho que se tem algo de que me arrependo é de ser preguiçosa e não ler todos os textos que deveria e acabar ficando em recuperação nas matérias mais legais.

No próximo ano eu pretendo ler mais, aumentar a meta de filmes para 150, dedicar-me mais às coisas que eu resolver participar, ser um pouquinho mais sociável e legal com quem resolve vir falar comigo e, principalmente, passar menos tempo na internet e mais tempo vivendo e essa, eu sei, será a tarefa mais difícil de ser realizada.

Eu sou grata pelo mundo não ter acabado no dia 21/12 porque, sinceramente, eu tenho muita coisa pra fazer aqui ainda. Muitos lugares e pessoas para conhecer e livros e filmes para entrar em contato com, além de milhões de teorias para ficar a par e uma ideologia a ser encontrada! Se o mundo tivesse acabado, mesmo eu sendo mau humorada, preguiçosa, folgada e amante de desastres naturais, com certeza morreria triste, então, sou eternamente grata por ainda estar aqui!

Sou grata também por ter passado no teste prático e agarinhado minha carteira de motorista na primeira tentativa, porque eu nunca quis aquilo e se tivesse que refazer o teste tenho quase certeza que acabaria desistindo, ainda bem que passei.

Por último, sou grata por ter conseguido comprar meu rock in rio card e por ter certeza de que participarei tendo em vista que o mundo não acabou! Agora é só esperar o lineup completo, escolher o dia, comprar a passagem e embarcar pra uma das cidades brasileiras que sempre quis conhecer e nunca tive oportunidade!

EXTRA: Sou grata por ter conseguido manter este blog por mais um ano e por poder contar com os comentários de leitores maravilhosos que não cansam de acompanhar as aventuras de uma alienígena perdida na Terra. Obrigada!

Descobertas

RegrasParte 1Parte 2Parte 3

DIA 4 – O pior e o melhor dia do ano para você; Coisas que você tenha feito pela primeira vez neste ano; Algo que você tenha tentado fazer, mas não tenha conseguido, algo que você conseguiu e algo que você quase fez; A grande descoberta do seu ano; Uma pessoa que te fez morrer de vergonha e outra que te encheu de orgulho; 

2012 foi daqueles anos mágicos, mas tão mágicos que o pior e o melhor dia foram o mesmo. Lembro como se fosse ontem, ou como se eu tivesse sonhado ontem, porque é muito difícil saber se foi ou não sonho, embora as passagens de avião digam que foi realidade. Dia dezenove de agosto de 2012 começou às 10h, acordei e tomei café com a querida tia Ila. Tomei banho, troquei de roupa, conversamos, arrumei a minha bolsa e entrei em contato com as meninas para saber aonde deveria ir. O almoço havia atrasado e eu deveria encontrá-las em uma estação de metrô. Esperei um pouco e fui até lá. Não havia ninguém. Elas moram mais longe e por isso demoraram um pouco mais para chegar, só estava Anna, mas no outro lado da estação e não nos encontramos. Aparece na escada cinco lindas meninas sorridentes que me abraçam e dizem “vamos buscar a Anna” e então atravessamos a estação inteira e finalmente a buscamos. Decidimos que iríamos ao Shopping da Paulista, porque eu e a Anna ainda não havíamos almoçado e Deyse, Tary e Milena queriam comprar um óculos de Sol. Pegamos o metrô e antes de chegar à praça de alimentação encontramos a “Quem disse, Berenice?“, depois conhecida como a nossa loja, porque tudo ali tinha a nossa cara. E nós compramos perfumes da mesma linha para todas, desde que o nome deles combinassem com a pessoa em questão. E fomos até a praça de alimentação e eu e Anna comemos massa, enquanto Deyse e Milena comeram camarão e pouco tempo depois Ale e Lari chegaram e nós rimos, fotografamos, conversamos e fomos comprar o dito óculos de Sol. A folia na Chillibeans foi grande e saímos fotografando a bela avenida Paulista e caminhando rumo à Livraria Cultura, chegamos lá e pouco depois Marie aparece cantando OI OI OI, como sempre fazia. E rimos e conversamos mais e fomos até o Starbucks mais legal da cidade, andando abraçadas na rua enquanto cantávamos Tempo Perdido, Quase Sem Querer, Eduardo e Mônica e, claro, Pais E Filhos, como em um grande flash mob, enquanto os paulistanos nos encaravam e certamente pensavam “o que raios essas garotas estão fazendo?” e nós estávamos apenas nos sentindo absurdamente infinitas. E tomamos café no Starbucks, e o pior dia começou a aparecer, porque a gente se despediu. E nada nesse ano pôde se comparar com aquela dor. Na Livraria Cultura Lari nos deixou e eu chorei no colo da Milena porque aquilo estava perfeito demais para simplesmente acabar. E de repente era eu quem tinha que ir embora. E eu abracei Anna Vitória ainda sem acreditar que a tinha conhecido e abracei minha querida irmã gêmea prendendo o choro porque ela é feliz demais pra merecer lágrimas e despedi-me da Renata com um grande e meloso abraço e a partir daí cada uma que eu abraçava eu chorava mais e quando chegou na Milena o abraço foi tão grande e o choro tão intenso que nem sei como consegui me sustentar em pé. E então Ana Luísa solta um “até segunda, minha flor” e eu sorrio porque, aquilo estava acabando, mas eu ainda tinha ela. E volto pra casa andando, mas estava chorando tanto que desabo pro lado errado da Brigadeiro, em plena noite de domingo na maior cidade do país. E depois de andar umas oito quadras eu percebo que estava errada e volto e chego em casa cansada e sem acreditar que tudo aquilo havia acontecido em apenas um dia. O melhor e o pior dia do meu ano, em situação plenamente equilibrada. Porque eu tenho plena certeza de que nada nunca será igual ou meramente semelhante a toda aquela efusão de sentimentos que vivemos naqueles dois belos dias. Ainda bem que eu conheci vocês!

402971_4499682417222_610476289_n

Ano dos 18 anos é o ano de primeiras vezes. Dirigi, fui a balada, fui pra faculdade, francês, academia, assisti a vários filmes e seriados pela primeira vez, vi minhas melhores amigas virtuais ao vivo, fui pra Europa, andei de teleférico, comi chocolate belga  e suíço e caracol e usei uma calça de retalhos!

A única coisa que lembro de ter tentado fazer e não conseguido foi o quarto semestre do teatro, que comecei e estava indo bem, mas tinha muita coisa pra fazer tanto nele quanto na faculdade, não pude conciliar e acabei trancando. Uma coisa que eu consegui e achei que não conseguiria, foi subir ao palco em uma peça infantil. Teatro infantil era meu maior monstro teatral e eu consegui vencê-lo, não com muito êxito, mas com êxito suficiente. Não me lembro de nada que eu tenha quase feito…

Dentre todas as coisas fantásticas que eu descobri neste ano, acho que a mais fantástica foi Gilmore Girls. Esse seriado é fantaravilhoso, do tipo que me fez assistir a sete temporadas em menos de seis meses e me deixou completamente viciada e me legou várias lições que carregarei por toda a minha vida! Benzadeus que eu descobri ele, viu?

Não costumo ter vergonha das pessoas, mas orgulho eu tenho de monte! A pessoa que mais me encheu de orgulho esse ano foi Ana Luísa linda e diva que apanhou em duas peças diferentes – e ganhou troféu por uma das surras – beijou dois rapazes diferentes na mesma peça, brilhou muito como Lucy e Sino dos Ventos e que fez-me apaixonar ainda mais por ela quando apareceu de cabelo curto, maquiagem maravilhosa, só de sutiã e saia sendo a Vaidade. Chorei em todas as peças, não porque eram tristes, mas sim porque eu senti orgulho, MUITO orgulho por ser filha amiga de uma preciosidade como estas! Só tenho a dizer obrigada!

A Sobrevivência

Regras Parte 1Parte 2

Com todos esses boatos de fim de mundo rolando eu acabei me afastando um pouco daqui porque precisava fazer minhas providências, ajeitar minha vida, etc e tal. Ok, mentira. Só estava atarefada com o fim de ano e a loucura dos trabalhos e provas mesmo e, por isso, acabei deixando passar um dia do meu proprio meme. Shame on me.

Como forma de redenção aos meus queridos e amados leitores curiosos resolvi fazer o meme da semana passada hoje e o de hoje será postado amanhã, ok? Vamos lá!

Uma pessoa que você conheceu (ou conheceu melhor) nesse ano e que tornou-se essencial na sua vida;   

Conheci essa pessoa em Março. Estava tranquila da vida na minha sala da faculdade repleta de gente desconhecida, um mar aberto em minha volta e eu retraída como sempre, então meu professor preferido – que até então era apenas um professor – pediu para que buscássemos um xerox. Fui depois da aula, tinha uma fila imensa e eu não fazia ideia de como pegar aquele xerox, então fui cutucada e a pessoa disse algo como “você é da minha sala, né? Veio pegar o xerox? Posso te ajudar a descobrir como funciona?” e eu deixei, porque realmente precisava do xerox e tal. No outro dia a menina me cumprimentou de longe e sentou lá longe e eu no meu lugar. Uma professora faltou e não lembro porque, mas ficamos eu, essa menina, três garotos e outra menina na sala conversando até a hora que seria do fim da aula. Desde então a gente senta do lado uma da outra todo dia. A greve chegou e eu achei que nunca mais nos falaríamos, mas a gente sempre tava conversando, mesmo que na maioria das vezes fosse sobre nossos cabelos. Pelo fato de ela ser bem mais fofa e sociável do que eu, tem muitos amigos mais e me apresentou pra vários dos fofos, até mudamos de sala juntas! Aliás, somos muito parecidas, ela é canhota que nem eu e fazemos várias coisas do mesmo jeito e gostamos de várias coisas parecidas. Ela faz desenhos ótimos durante a aula, coisas engraçadas e fofas. E eu faço cafuné nela todo dia. Ela faz penteados lindos no cabelo dela, e no meu também. A gente vive se abraçando e eu morro de saudades dela no final de semana, agora que estamos de férias então, tá difícil. A gente estuda juntas de vez em quando e ela assina por mim nas aulas quando eu falto e eu faço o mesmo quando ela falta. E a gente ri e joga palavras cruzadas e eu falo pra todo mundo da Carol, “qual Carol?” – porque esse é um apelido comum – e eu respondo “a minha amiga da faculdade!” porque, bem, não importa quanto tempo passe, o que nos aconteça, qual rumo tomemos para nossas vidas eu sempre vou lembrar da Carol, a amiga da faculdade mais fofa que eu já tive a oportunidade de ter. Só por ela existir 2012 foi ótimo!

Um lugar que você foi várias vezes e que nunca vai deixar de ter vontade de ir;

Meu lugar preferido desse ano foi a Livraria Cultura. Ela foi inaugurada em Janeiro e eu até escrevi sobre a primeira vez em que pus meus pés lá, porque, bem, aquele lugar é mágico. Mais mágico que o cinema. Passei muitas tardes desse ano lá, fuçando livros e conversando com pessoas queridas. Comprei muita coisa, me diverti e nunca vou deixar de ter vontade de pisar lá, porque não é apenas uma livraria, é a Cultura.

Uma banda que surgiu na sua vida esse ano e a música que você mais gosta dela;

Não sei se teve uma banda que surgiu na minha vida esse ano, mas teve uma que eu tripliquei meu amor por neste ano e ela é Legião Urbana, eles são uns lindos que transformam belas palavras em músicas fantásticas, eficazes para todos os momentos. Sou completamente apaixonada. Não sei se tenho uma música preferida, mas a que me trás lembranças mais marcantes, certamente é a belíssima “tempo perdido“, por motivos que vocês saberão no próximo texto.

Uma coisa que você sempre quis ter/fazer e conseguiu neste ano;

Eu sempre quis ter uma filmadora. Sempre. Sei que todo mundo ultimamente tem tido vontade de ter uma câmera semi-profissional de tirar fotos, mas eu não gosto de tirar fotos, eu gosto de filmar as coisas, de editar e de assistir depois, achando maravilhoso, me sentindo A cineasta. Não tem coisa melhor. Esse ano eu ia ganhar uma câmera de presente por ter passado no vestibular e mamãe foi protelando por causa do preço absurdo, até que surgiu a black friday e uma promoção maravilhosa da câmera dos meus sonhos e tã dã, eu tenho uma filmadora! Não acredito muito nisso ainda, a uso só em ocasiões especiais e toda vez que quero ficar feliz vou lá tirar ela da caixa e limpá-la e montá-la e namorá-la e ai… minha maior felicidade clandestina!

Também sempre quis ter uma estante de livros, daquelas estilo biblioteca, em que você colocasse seus livros em ordem e eles ficassem lindos e fáceis de serem encontrados. Ganhei uma no começo do ano, branca e linda. Meus livros vivem organizados e limpinhos e eu morro de orgulho! Junto com a estante também ganhei uma cadeira almofadada, meu sonho desde que tenho uma escrivaninha! Confesso que não a usei muito, mas a felicidade de tê-la é incomparável! Mas, acho que o mais especial mesmo, é que neste ano eu consegui o meu quarto branco e bonitinho do jeito que eu sempre quis!

Um lugar para o qual você quis ir quando sua vida pareceu destruída.

Minha vida não pareceu destruída muitas vezes neste ano e quando isso aconteceu eu quis que chegasse Janeiro para eu ir até a casa da minha tia e ficar cuidando dos meus priminhos que eu tanto amo, só que como eu não podia fazer isso corria para o meu quarto, fechava tudo, apagava a luz e ficava assistindo seriados, ou lendo com uma lanterna. E depois reclamo que meus olhos doem…

That´s all Folks! Vejo vocês amanhã!

 

 

A Colheita.

Eu não entendo nada sobre agricultura, mas acredito que a colheita seja feita antes do Inverno, porque ele deve ser ruim para as plantas. Mas, bem, isso não importa para mim no momento porque eu não sou agricultora e não preciso saber dessas coisas por enquanto.

A questão é que eu completei dezoito anos.  E até os dezesseis eu achava que escaparia dessa missão dos recém maiores de idade. Nunca me imaginei fazendo isso, afinal, papai é quem o fazia, desde antes de eu nascer. E estava muito bom do jeito que estava. Mas ele foi se cansando de todo aquele vai e vem e passou a missão para o meu irmão, que não gostava muito da coisa. Visto isso, papai passou meus dezessete anos em uma contagem regressiva que parecia nunca chegar ao fim “faltam 11 meses”, “10” e assim sucessivamente. Eu completei dezoito anos e nem papai nem mamãe estavam aqui para festejar comigo, mas eles chegaram dias depois e fizeram a comemoração que tanto queriam.

Ele foi logo fazer uma ferrenha pesquisa acerca do custo benefício das coisas e um dia chegou dizendo “Inês, sua vez de ir até lá passar o cartão para que ela comece!” e eu fui com mamãe e no mesmo dia marcamos os primeiros testes, um físico e dois psicotécnicos e minhas aulas começariam dali duas semanas. E eu não fazia a menor ideia de onde estava me metendo.

Peguei o ônibus amarelo em uma manhã fria de Julho, durante a greve. Fui obrigada a assistir ao programa da Fátima Bernardes pela primeira vez na vida enquanto esperava. Chamaram-me, registrei os meus dedos e fui para a foto. O rapaz riu e disse “Vai ser com esse cabelo roxo mesmo?” e eu pensei “Claro né, não é peruca”, mas respondi apenas “Sim”, forcei um sorriso e passei pela foto. Fase 1 completa.

Eis que hoje, 12/12/12, dia do meu teste, que, ainda bem, não foi marcado para as 12h, mas sim para as 14h. Chegamos às 13h15. Jonas já estava lá e encaminhou-me para a fila, que estava quilométrica. Entrei e comecei a ficar nervosa só de ouvir os relatos alheios. Pessoas na terceira tentativa. Pessoas que derrubaram protótipos e furaram o muro… Todos os tipos de pessoas. Mamãe ficou ao meu lado para me tranquilizar e me dar água, porque eu pedi tanto para que não chovesse que meu São Pedro me ouviu.

Pegamos o ônibus azul pela primeira vez, ele é maior e mais rápido, mas mesmo assim não chegava nunca no lugar esperado. E quando chegou, nós, como era de se esperar, nos perdemos. No meio de um bairro onde nunca tínhamos pisado. Nos achamos pouco antes de nos atrasarmos, passei o dedinho e esperei um pouco enquanto víamos  “Chocolate com Pimenta” na televisão. Fui chamada. Estava com pressão baixa, mas passei bem pelos testes de força, o único empecilho foi a obrigatoriedade do óculos, mas nada demais, nunca saí de casa sem mesmo. Fase 2 completa.

Assinei meu nome às 13h55min e fiquei esperando ser chamada. Sol quente, fila quilométrica, conversas enervantes e água esquentando. Mamãe e meu irmão me tranquilizaram, conversando sobre aleatoriedades e eis que às 15h30 meu nome finalmente é chamado.

Voltamos ao mesmo lugar em outro dia. Dessa vez não nos perdemos, o ônibus azul já era mesmice e a sala estava super lotada. Não consegui me sentar para ver as Olimpíadas que passavam na televisão. Acordei 8 da manhã em plena greve, o teste tinha que dar certo. Eu não fazia a menor ideia do que iria fazer ali. Passei o dedinho, fui chamada. Entrei numa sala repleta de gente, recebemos um lápis (ou caneta, não me lembro bem) e um papel. Fizemos várias espécies de “jogos da memória” e eles eram facílimos, ainda mais para alguém com a minha memória fotográfica e teatral. Então tivemos que desenhar palitinhos e dessa vez não podia pedir para que nenhuma amiga o fizesse para mim. Fiquei com medo de não conseguir, fiz o meu melhor. Marquei o próximo exame e voltei para casa. Fase 3 completa?

Passei meu dedinho, cumprimentei os colegas de prova e nos encaminhamos para o carro. Decidi ser a primeira porque tudo era melhor do que sair pelo portão tão temido por todos. Consegui fazer a baliza. A menina que foi depois não conseguiu, mas o terceiro conseguiu e fomos os dois para a rua. Ele andou duas quadras e estava tão bem que o avaliador já pediu para parar. Chegara a minha hora.

Sim, completíssima. Novamente o ônibus azul, o lugar esquisito, que estava vazio novamente, o “Chocolate com Pimenta” passando na tv, mamãe dizendo mais uma vez para eu manter a calma e eu sem fazer ideia do que estava fazendo ali de novo. Passei o dedinho, fui chamada. Havia completado a primeira fase com eficácia e então tive que responder uma série de perguntas acerca da minha vida pessoal, felizmente não houve nada que eu precisasse mentir sobre. Foi assim que a fase 4 foi completada.

Entrei no carro, fiz tudo certinho, mas não havia santo que me fizesse desengatar o freio de mão. O instrutor riu, disse que é porque eu era mulher, fiquei brava pelo fato, mas pelo menos ele não me tirou nota e desengatou para mim. Comecei a andar.

Quinze dias se passaram e eu compareci no horário marcado no prédio amarelo há duas quadras de casa. Fui ouvindo musica e levei um livro para ler. Li o livro até o início da aula, que foi terrível porque a professora era péssima. Sentei-me na frente e fui curitibana o suficiente para não falar com ninguém. A instrutora mudou, veio uma muito boa. Eu continuei lendo, ouvindo música, trocando mensagens e não falando com ninguém, exceto quando tinha questões a fazer para a professora. Prestava total atenção na aula, fazia anotações e ficava assustadíssima com a quantidade de coisas ruins que poderiam ocorrer caso eu fizesse algo errado. E morria de rir do fato de as pessoas tratarem o teste como se fosse um novo vestibular. Se eu não liguei nem pro verdadeiro, por que ligaria pra esse? Não me conformo em não ter aprendido a trocar o pneu, mas foi a quinzena literária mais bem aproveitada do ano e eu ainda aprendi a salvar alguém em uma convulsão e virei mestre na arte de ignorar gente chata, que era só o que tinha. Tive até coragem de comer salgadinhos duvidosos na festa de encerramento! Cresci e com isso completei a etapa.

Fiz várias conversões, paradas, arrancadas, desenvolvimentos de marcha, desvios e enquanto isso meu acompanhante de prova dignou-se a distrair o avaliador conversando sobre sua vida no Pará. Todos os meus erros o avaliador dizia “vou desconsiderar por causa da via estreita” e afins até que, do nada, ele me mandou estacionar. E eu morrendo de medo de ter feito algo errado e decepcionado minha mãe que me esperava lá fora.

A consistia em um teste no computador, o qual foi realizado na semana em que minhas aulas voltaram e eu não tive tempo algum para reler a apostila e tentar decorar alguma lei. Fui na cara e na coragem, mais na coragem do que na cara. Meus cabelos já estavam verdes e eu consegui entrar para a prova antes do horário previsto. Passei meu dedinho, dirigi-me a um computador e fui. Chutei a maioria das perguntas, mais por fome e preguiça do que por falta de conhecimento mesmo. Podia jurar que havia reprovado, então cheguei em casa e verifiquei o resultado: aprovada e eu ainda poderia ter errado mais uma que o resultado continuaria o mesmo.

Cinco dias depois fui buscar a minha LADV que dias depois descobrir ser  um cartão que me permitia dirigir somente ao lado de meu instrutor. Usei esse argumento para nunca dirigir sem ele por perto. As aulas iniciaram. Na primeira conheci o instrutor, Jonas, um cara bacana, mas que usava perfume forte demais. Vivia dizendo que se candidataria vereador nas próximas eleições para ficar rico e que era para eu votar nele. Eu morria de raiva. Fomos a um lugar deserto e eu sentei no banco do motorista pela primeira vez na vida. Uma das melhores sensações do ano. Não bati e nem deixei morrer e quando me dei conta estávamos em uma das ruas mais movimentadas da cidade. Continuamos no mesmo ritmo, mas com o passar do tempo eu errei mais, aprendi mais e acabei acertando mais também. A baliza foi o melhor momento da experiência. Sentia-me o máximo ao fazê-la e orgulhava-me de mim mesma por raramente errar. 20h aula depois recebi o papel dizendo que poderia marcar meu exame, mas o instrutor disse que me aconselhava fazer mais 10 aulas pelo menos. E assim a sétima etapa foi quase conclusa.

Marquei o teste para mais de um mês depois do fim dessa aula. Uma semana antes fiz quatro horas extras e na última o instrutor me olhou com uma cara que parecia cara de quem não me achava apta ao teste, mas não paguei mais aulas. Foram só aquelas mesmo. Apostei na cara e na coragem novamente. Fase 7 finalmente foi concluída.

 Desliguei o carro e ele disse que nós dois havíamos passado. Abri a porta do carro, saí, quase dei pulos e berros, controlei-me. Entrei no banco de trás, voltamos para o DETRAN, liguei para meu pai, que, infelizmente, não está na cidade, mas que deu um grito tremendo de felicidade e em seguida ligou para a minha mãe para reforçar o orgulho, e saí para contar para a minha mãe. E foi assim, caros leitores, que a oitava e última fase foi conclusa também.

Colhi o que eu plantei, o que eles plantaram, o que a sociedade plantou. Eu colhi. Eu consegui. Sem nunca ter querido, me esforçado, superestimado, desejado… Colhi por acaso. Estava passando pelo matagal e colhi. Como todas as melhores coisas que me aconteceram, essa também foi obra do acaso, com só um pouquinho de esforço meu e 100% de energias positivas advindas da minha família, afinal, é ela o meu grande porto seguro. Eu colhi, mas esse fruto ainda hei de dividir com muita gente.

Vejo vocês no trânsito no dia 22/12 e esse é mais um motivo para o mundo demorar mais um pouco para acabar.