[REVIEW] Gilmore Girls – 3ª Temporada

     Esse texto contém muitos spoilers e é recomendável que você já tenha assistido a tericeira temporada de Gilmore girls antes de realizar a leitura. Você pode ver a review da Primeira e da Segunda temporada.

Temporalidade

      No final de julho tivemos a divulgação da data de estreia da oitava temporada de Gilmore Girls, chamada “A Year in Life“. As informações que nós já tínhamos, é de que seria uma temporada com apenas quatro episódios, de noventa minutos cada. Cada episódio será referente a uma estação do ano e a série se passará no ano corrente. O que nós não sabíamos é que a Netflix ia disponibilizar todos os episódios no mesmo dia (apesar dos protestos da criadora da série) e que esse tão aguardado dia seria o dia 25 de novembro! Para que as coisas ficassem ainda mais emocionantes, fora lançado o primeiro teaser da temporada. Deixo vocês com a apreciação dele.

     Agora, sobre a temporalidade da terceira temporada. Vimos um ano inteiro passar nessa temporada! Começamos nos preguiçosos dias de verão e terminamos com a formatura de Rory, que ocorre já no próximo verão. No meio tempo, passamos por dois memoráveis festivais da cidade, uma festa de aniversário bacana para Lorelai, impasses em relação ao jantar de sexta-feira, um dia de ação de graças bastante agitado, dois bebês e dois fins de relacionamento. Foi bastante coisa, mas a Netflix conseguiu resumir em um minuto – conforme está fazendo em todas as temporadas. 

Os casais

Rory e Dean

     Rory começa a temporada sacaneando Dean, pra variar. Ela está visivelmente apaixonada por Jess. O beijo do episódio final da temporada anterior ainda ressoa e o tempo em Washington não a fez esquecê-lo. Ela até tenta continuar com o Dean, mas o coração dela não está mais lá e ela segue sem coragem de dizer isso. Vários episódios dela tentando se convencer a continuar com o Dean são vistos. E, óbvio, Dean percebe tudo que está acontecendo, mas como ele gosta muito dela, não consegue “largar mão” do relacionamento. Os dois seguem se enganando. 

     Dean acaba sendo recriminado por muitos fãs por ter terminado o relacionamento em público, mas eu super entendo ele. O episódio do festival de dança foi apenas o estopim. Ele já estava saturado, Rory já estava saturada, o relacionamento estava saturado. Ele foi o mais honesto da história e apenas fez o que deveria ser feito: deixar ela tentar a sorte com o Jess. É claro que, na cabeça de Dean, ela iria se decepcionar e voltar a ficar com ele. Como isso não aconteceu, ele acabou partindo para outra e, já no final da temporada, anunciou seu noivado. É interessante que o relacionamento não ganha foco na série e a gente sabe quase nada sobre a Lindsay, o que nos faz achar que Dean realmente só se mete em relacionamentos sem conhecer direito as pessoas. 

     É curioso, porém, que o relacionamento de Rory e Jess não seja lá aquelas coisas e ela acabe sentindo ciúmes da Lindsay, mesmo sem admitir. Também é bastante interessante que, após o término, ela e Dean tenham a vontade de serem amigos, pois “sentem falta de conversar um com o outro”, sendo que em todo o relacionamento deles, era raro ser mostrado ao telespectador essas conversas. A impressão que a gente tinha era de um desentendimento constante, causado por falta de interesses comuns. Porém, basta o relacionamento terminar para que eles se tornem os melhores amigos que já tiveram e sintam saudades um do outro. Bizarro.

     Outro ponto bastante esquisito dessa história é que Dean se mete em uma briga destruidora com Jess, para que na próxima vez que encontra a Rory conte que está prestes a ficar noivo. Ele tinha acabado de brigar feio e destruir uma casa com o namorado dela, o que dava a impressão de que ele estava querendo reconquistá-la, e então anuncia que vai ser noivo de Lindsay. É de dar pena a confusão mental do pobre Dean. 

Rory e Jess

        Estava na cara que esse casal não ia vingar. Rory era acostumada com um namorado atencioso, que gostava de sua mãe e compartilhava os momentos com ela – por piores que eles parecessem. De bailes de gala à festas escolares e jantares de família. Quando ela se depara com alguém como o Jess, que não dá o braço a torcer e tem zero de esforço para conhecer e se adentrar no universo dela, fica um tanto perdida. O relacionamento deles, que enquanto amizade se demonstrava com um grande potencial de entendimento, acaba se tornando algo bastante estressante.

      Jess é o primeiro cara por quem Rory parece cogitar a hipótese de transar, mas para ele, sexo não parecia ser exatamente um problema. É bastante interessante, porque o assunto “sexo” nunca surgiu enquanto Rory estava com Dean, mas assim que ela começa a se envolver com Jess ele surge. Seria um sinal de moralismo na série? Essa hipótese é levantada pela seguinte situação: Rory é constantemente vigiada e lembrada por sua mãe de que ela não deveria transar e que deveria comunicar quando pretendesse fazer isso. O  medo de Lorelai é que ela engravide e “repita seus erros“. Rory, por sua vez, não parece ser uma adolescente normal e simplesmente não demonstra sentir tesão sexual por seu primeiro namorado – que é bem aceito pela mãe e considerado certinho. Já, quando ela começa a namorar o cara que a mãe não gosta, o “bad boy“, o assunto do sexo surge e vira uma possibilidade. “Ela era muito nova antes“, vocês podem me dizer, mas 16/17 anos não é cedo demais para transar se você é loucamente apaixonada por seu namorado fixo. Então, bom, a abordagem do sexo em relação à Rory começa problemática aí. Ela não parece se sentir confortável com a ideia ainda, o que é ok, mas a partir do momento que ela começa a se sentir confortável, tem a noção de que não é certo e não deveria fazer e não faz.

       Enfim, Jess acaba indo embora, por causa de conflitos familiares sérios. E não comunica isso com ela. Ele não comunica com ela nenhum de seus problemas e vive uma relação fútil, sem deixar que Rory penetre em sua vida e sem penetrar na vida dela. De um namoro, Rory vai para um relacionamento de “amigos que se beijam” e ela até tenta se contentar com isso, mas não consegue. Acredito que Jess seja a primeira grande decepção de sua vida.

Sookie e Jackson

     Nessa temporada, eles experimentam o início da vida em casados, que é bastante inovadora para ambos. Jackson se muda para a casa de Sookie e ela sente que precisa se esforçar para fazer com que ele sinta que a casa também é dele, embora ele diga que isso não é necessário. Isso gera um episódio muito legal, mas também mostra que nenhum relacionamento é perfeito e que é possível haver conflitos quando se tenta agradar o outro. Mas não é algo muito grande, é bem específico de fase de adaptação mesmo.

     O casamento deles acabou acontecendo de forma rápida e várias coisas em relação ao futuro não haviam sido discutidas. Por isso Sookie leva um susto quando Jackson aparece com a ideia de que queria ter quatro filhos em quatro anos. Da mesma forma, Jackson surta quando Sookie comunica estar grávida. Não havia preparação financeira e psicológica para os dois, que eram recém casados. E, na verdade, é meio chato que eles não possam ter curtido por mais tempo seu tempo juntos.

Lorelai e Christopher

       Christopher não apareceu muito nessa temporada, tendo inclusive faltado a formatura de Rory, o que nem foi tratado como uma grande coisa – fato muito estranho. Lorelai e ele começaram a temporada de forma conturbada, devido ao abandono gerado no último episódio da temporada anterior. As coisas complicaram bastante quando Emily tentou juntá-los, por não saber o que estava acontecendo. Eles passaram um longo tempo sem se falar, o que gerou estranhamentos em Lorelai quando ela foi convidada para o chá de bebê de Sherry e a deixou ainda mais desconfortável por ter tido que comparecer ao nascimento de G.G

     Christopher voltou ao seu padrão de pai ausente e, aparentemente, começou a aceitar a ideia de ficar com Sherry e cuidar de G.G. Mas, como não foram dados muitos detalhes sobre ele no decorrer da temporada, várias dúvidas surgem em relação à sua vida atual.

Emily e Richard

      Não há conflitos entre o casal no decorrer da temporada. O mais próximo disso ocorre quando Lorelai the First (ou Trixie) é pega em flagrante dando um beijo e Emily acaba contando isso para todos. Richard fica bastante enfurecido, mas como elas logo fazem as pazes, tudo fica em paz.

     Outro ponto de quase briga ocorre no dia em que Richard conseguiu levar Rory para conhecer Yale e marcou, às escondidas, uma entrevista com um de seus ex-colegas que tinha influência na seleção de lá. Emily ficou enfurecida, pois já sabia que Lorelai não estava gostando da ideia de levar Rory para conhecer Yale e ter uma surpresa dessas não ajudaria na relação das duas. Esse conflito também não foi levado adiante. Com Richard em sua própria empresa e bem relacionado, Emily não tinha razões para brigar com ele.

Luke e Nichole

       Mais um pra lista dos relacionamentos amorosos esquisitos da série. Nichole é advogada de Taylor e eles se conhecem por causa de um aluguel a uma das propriedades de Luke, requisitado por Taylor. O relacionamento começa por causa de Jess, que basicamente desafia Luke a chamá-la para sair. Ela aceita, eles se dão bem e começam um relacionamento.

     Não sabemos muito sobre Nichole, ao contrário de Rachel, não há cenas em que ela seja a protagonista. Tudo que sabemos é que sua existência aflora o ciúmes de Lorelai e faz com que ela comece a perceber que tem sentimentos por Luke, o que é evidenciado no momento em que ela toma coragem para parar de brincar e pedir para que ele não viaje com Nichole, pois seria muito romântico e sério. Luke não entende, mas a gente entendeu: ela não queria ele com outra mulher. Nesse momento, o shipp Lorelai e Luke ficou aflorado.

      A temporada acaba sem a gente saber se essa viagem aconteceu ou não, sem saber detalhes desse relacionamento e sem conhecer direito a Nichole.

Lane e Dave

      Aí está o casal mais fofo da temporada! Finalmente, Lane tem a vida que gostaria. Começa a tocar bateria, encontra um amor que a entende e não questiona as birras de sua mãe – pelo contrário, resolve tentar conquistá-la e depois enfrentá-la e tem o seu primeiro beijo.

      Lane desfruta de uma boa festa onde sua banda toca, várias festas realizadas em sua casa para o público da igreja de sua mãe e, claro, o baile de formatura. É bastante revoltante que esse baile não tenha sido mostrado, visto todo o esforço que ela e Dave tiveram para conseguir a autorização da senhora Kim. Acredito que, se Jess tivesse conseguido os convites para ele e Rory, esse baile teria aparecido. Mais uma pra cota de excesso de protagonismo das Gilmore!

     O que importa é que Lane e Dave são extremamente fofos e compreensivos. O episódio em que eles dão seu primeiro beijo é a coisa mais fofa do mundo e quando ele vira a noite lendo a bíblia para conseguir entender a senhora Kim, é outro momento de explosão de fofura! 

Dave Rigalsky appreciation picture

Paris e Jamie

         É muito emocionante o fato de Paris ter encontrado alguém que goste dela. A coisa ruim disso, é que nunca vemos os dois juntos e não fazemos ideia de como é o relacionamento deles. Parece bom, mas não tem como ter certeza. Nessa temporada, em específico, Paris fica distante e um tanto apagada e isso é penoso, porque é justamente a temporada onde as grandes reviravoltas de sua vida ocorrem.

      O fato de ela ter transado antes de Rory é bastante marcante, porque seria inimaginável aos olhos de um terceiro. É realmente uma pena que nós, telespectadores, não tenhamos tido oportunidade de ter detalhes sobre essa relação e o desenrolar dessas coisas. Mais uma vez, culpo o excesso de protagonismo das Gilmore.

      Mais uma vez, o sexo é visto de forma errada e ruim. Paris culpa o fato de ter estado em um relacionamento e feito sexo por não ter passado em Harvard, o que passa a impressão de que relacionamentos são distrativos e que quando você é adolescente e faz sexo alguma coisa errada vai acontecer com a sua vida. Não gosto dessa mensagem implícita na série.

As amizades

Lorelai e Rory

      A amizade das duas ficou ainda mais aflorada nessa temporada. Lorelai continuou indo onde Rory precisava dela e vice-e-versa. As duas não brigaram de forma exponencial e conseguiram entrar em consenso sobre todos os problemas que apareceram. Rory, inclusive, deixou de falar com o próprio pai em solidariedade a Lorelai. E, ao ver que a mãe precisaria desistir do sonho de ter o próprio hotel, para pagar sua faculdade, pediu, por conta própria, um empréstimo aos avós. Provavelmente o ato de maior responsabilidade de Rory até então. A parceria das duas segue ótima.

Lane e Rory

     Rory não entendeu a mensagem que Lane mandou contando do beijo e não retornou perguntando sobre. Aquilo me magoou bastante, porque Lane sempre dá bola pros perrengues de Rory e foi abandonada em uma hora linda e emocionante. 

       Rory se redimiu quando aceitou ceder espaço na garagem de sua casa para que a banda da amiga treinasse. Isso permitiu que Lane prosseguisse com seus sonhos e seu relacionamento, ponto pra Rory! 

         Já no começo da temporada, temos a saga de Lane buscando independência e querendo pintar seu cabelo para isso. Rory demonstra ser uma boa amiga nessa ocasião, pintando de roxo e, depois, de preto, o cabelo da amiga. 

Lorelai e Sookie

      A amizade das duas tem seus abalos quando diz respeito ao futuro do Independence Inn. O sonho conjunto de ter o próprio hotel persiste, mas quando o Independence sofre o incêndio e passa pela reconstrução, elas começam a se estranhar. Felizmente, tudo se ajeita, a dona do Dragonfly morre e elas conseguem dinheiro suficiente para comprá-lo. Boas coisas provavelmente vêm daí.

      Sookie segue sendo a amiga de todas as horas para Lorelai. E, mesmo com Jackson em casa, mantém o programa de ser o “backup” de café da manhã, para os momentos em que Lorelai briga com Luke.

Rory e Paris

          As duas começam a temporada muito bem, com uma experiência positiva em Washington. Mas dividir a presidência do corpo estudantil não ajudou a amizade de ambas, infelizmente.

      Paris, inexperiente em relações amorosas, acaba sem saber elencar prioridades e ficando perdida. Rory se vê no meio de uma briga, sofrendo ameaças por parte de Frankie e fazendo com que Paris entendesse as coisas de forma equivocada e se voltasse contra ela. As duas passam a maior parte da temporada brigando e a experiência de dividir a presidência, que poderia ter sido positiva, se torna caótica.

           Felizmente, ambas acabam tendo que dividir a autoria do discurso de bicentenário de Chilton, fazendo com que Paris fosse até Stars Hollow e desse um update a Rory sobre sua vida, de forma que as duas acabaram se reconciliando. Isso fica ainda mais visível quando Paris não é aceita em Harvard e entra em depressão, mas recebe o apoio de Rory, que a visita em casa e tenta colocá-la para cima.

Lorelai e Luke

      Mais uma temporada repleta de altos e baixos na relação dos dois. Apesar de ser visível para o público que eles se gostam, eles ainda não descobriram ou admitiram isso, dificultando bastante as coisas. Lorelai segue sendo a melhor conselheira possível para ele e ele sendo o amigo mais fiel possível.

      O episódio em que ele se dispõe a ajudar Lorelai a aprender a pescar, para que ela pudesse sair com outro cara, é o auge dessa temporada. Pela primeira vez, ele tem a oportunidade de mostrar algo que é importante para ele e compartilhar isso com ela – mesmo que o interesse por trás da história fosse ela sair com outro cara. Eles acabam se aproximando ainda mais. 

      Porém, um distanciamento começa a ocorrer com o aparecimento de Nichole que, como Rachel, tem ciúmes de Lorelai. Isso fica evidente no episódio da conferência sobre Poe, onde ela acaba tendo que ir dormir na casa de Luke e ele prefere não contar para Nichole. Esse distanciamento pode ou não ser nocivo, dependendo de como as coisas forem retratadas daqui para frente. 

    Luke ter emprestado sua lanchonete para que servisse de restaurante enquanto a cozinha do Independence Inn não tinha sido consertada é outro ponto alto de sua narrativa.

Luke e Jess

      Jess começa a se dar melhor com Luke. Eles conversam mais, inclusive sobre mulheres. Luke consegue impor limites e ordens em relação ao relacionamento de Rory e Jess – apesar de sua preocupação maior ser com o bem estar de Rory e não do sobrinho. Porém, as desconfianças continuam a perseguir  a relação. Primeiro com o aparecimento do carro de Jess, seguido pela descoberta de que ele estava trabalhando no Wall Mart. O orgulho por Jess ter sido eleito o funcionário do mês no supermercado se converte a estresse, quando Luke descobre que ele tinha deixado de frequentar a escola para realizar horas extras e estava prestes a reprovar.

       O pai de Jess apareceu na cidade, Luke não contou para ele, mas ele acabou descobrindo. Isso fez com que Jess se revoltasse ainda mais perante Luke, a escola e a cidade. E, de repente, era como se Rory não existisse ou fosse importante, porque Jess, após um desentendimento com Luke, simplesmente fez as malas e foi até a cidade de seu pai. Um final bem triste para o personagem e para as relações por ele estabelecidas. Espero que ele retorne nas próximas temporadas.

Lorelai, Rory, Emily e Richard

      A relação familiar ia bem – tirando o episódio de Christopher no jantar – até que Richard inventou a viagem para Yale. Esse foi um momento de grande crise na relação, fazendo até Rory ficar contra ele. Tudo vai ficando mais ameno no decorrer da temporada e a explosão de felicidade e união é quando a própria Rory, após ser aceita em Princeton, Yale e Harvard, decide pela ex-universidade de Richard. Não havia como fazê-lo mais feliz.

      Os jantares de sexta-feira ficam ameaçados por alguns episódios, porque Lorelai conseguiu dinheiro para pagar o que devia pela escola de Rory. Mas isso faz com que ela seja rejeitada da lista de bolsistas de Yale e fique sem dinheiro para pagar a universidade. Rory vê como oportunidade de conversar com os avós e reestabelecer os janters de sexta-feira, porém, sem prometer a presença de Lorelai. Como isso se desenrolará na próxima temporada? Eu acredito que Lorelai acabará cedendo. Veremos.

Curiosidades e pontos importantes da temporada

  1. Quem vai na formatura de Rory é Luke e não Christopher
  2. Senhora Kim realmente superou e esqueceu a ligação que Lane deu na festa? Ou isso vai desembocar em mais problemas para a próxima temporada?
  3. O que aconteceu com o Alex? Ele e Lorelai tiveram alguns encontros, um final de semana romântico em Nova York e uma ida para pesca e, aleatoriamente, ele desapareceu da temporada! Será que ainda volta? 
  4. O aparecimento de Max Medina pode influenciar nas próximas temporadas, agora que ele não será mais professor de Rory? Será que ele e Lorelai vão voltar a ficar juntos? Querendo ou não, ele foi o mais legal dos namorados que ela teve desde o início da série.
  5. Não é novidade para ninguém, mas Adam Brody, que faz o Dave Rigalsky, acaba se tornando o Seth Cohen de The O.C no ano seguinte.
  6. Acredito que um ponto bem importante e que vai ter influências futuras é toda essa história de sexo.
  7. É muito difícil para mim escolher um episódio favorito dessa temporada, porque descobri que é a minha temporada favorita. Mas, se fosse pra escolher um só, ficaria com o Dia de Ação de Graças, no episódio 9.

[REVIEW] Gilmore Girls – 2ª Temporada

         Esse texto contém muitos spoilers e é recomendável que você já tenha assistido a segunda temporada de Gilmore girls antes de realizar a leitura. A Review da primeira temporada pode ser encontrada aqui.

Temporalidade

       Uma coisa que me chamou bastante atenção nessa temporada é o ano em que ela foi realizada, 2001. Para além de coisas como o quarto da Lane, que é repleto de CDs e onde ela escuta músicas em um diskman com fones de ouvidos, é interessante observar os outros adventos tecnológicos:

  • As Gilmore ainda alugavam filmes e eles ainda eram em VHS.
  • A televisão delas ainda era em tubo e consideravelmente pequena.
  • Luke ainda tinha uma daquelas TVs minúsculas com antenas gigantes.
  • Os celulares eram enormes e não transmitiam mensagens de texto, para realizá-las era necessário um outro aparelho, chamado pager.
  • As pessoas ainda ligavam umas para as outras no telefone de casa e ainda era comum telefones com fio.
  • Não havia essa ânsia de comunicação que a gente vive atualmente, sendo plenamente normal que amigos e casais ficassem mais de um dia sem se comunicar.

Já no âmbito da moda, é interessante perceber outras coisas:

  • Jeans era considerado um estilo próprio e era socialmente aceito sair de casa com um conjunto de calça + jaqueta jeans, com botas ainda por cima.
  • O design dos carros era completamente diferente e hoje em dia seria considerado cafona.

Mas, coisas como a vestimenta de Luke e de Emily seguem atemporais. Assim como o estilo de Michel e do trovador solitário da cidade. Já se olharmos para o cabelo do Dean, percebemos que a moda realmente faz uma época.

Os casais

Rory e Dean

            Se na primeira temporada fica claro o quanto Dean é babaca, na segunda fica claro o quanto Rory pode ser babaca também. A partir do momento que ela conhece Jess, começa a agir de forma estranha com Dean, fazendo com que a insegurança dele perante o relacionamento seja completamente explicável. Ok, ele liga para ela vezes demais, está sempre querendo ficar perto etc etc etc, mas tudo isso porque está mais do que na cara que Rory estava interessada em Jess

       Ao contrário da primeira temporada, nessa eu fiquei com pena do Dean. Ele se esforçou horrores para ser um bom namorado para Rory, veja bem, fez até um carro para ela! E nada parecia suficiente, porque ela visivelmente não estava mais interessada. Acredito que não dá pra culpar tanto a Rory também. Eles começaram a namorar rápido demais, não se conheciam direito, não houve tempo para paquera ou para um de fato se apaixonar pelo outro. O relacionamento deles foi composto por um “amor à primeira vista” que acabou se consolidando durante a relação, mas não era como se um fosse perfeito para o outro, porque, como eu já disse, eles tinham pouquíssimo em comum.

Baile de Debutante

       Mas, falta honestidade em Rory nessa temporada. Ela podia ter terminado com o Dean, explicado a situação e ter sido sincera. Porém, ela opta por tentar esconder o sentimento que está surgindo nela, negando veementemente sua existência. Só que os sentimentos costumam ser mais fortes que o nosso controle e foi o que houve com Rory, que acabou faltando aula para ver Jess e, com certeza, não comentou isso com o Dean. E ela ter beijado o Jess no último episódio deixa ainda mais claro que o sentimento existe e ela foi desonesta em continuar namorando com o Dean, mesmo porque ele seguiu o tempo todo apaixonado por ela e se esforçando para ser um bom namorado e ser legal com a mãe dela. 

             Minha primeira grande decepção com a Rory foi nessa situação. Não acho que ela devesse ser perfeita, mas pra mim toda essa indecisão e tudo que ela fez no decorrer da temporada foi uma traição muito maior do que se ela tivesse simplesmente beijado Jess, como rolou com o Tristan, por exemplo. Porque ali tinha um envolvimento emocional grande demais para ser negado e a desonestidade dela me magoou.  Nessa situação, fico completamente do lado do Dean, morrendo de dó dele e torcendo pra ele terminar com ela logo – já que ela não toma a iniciativa. 

          Apesar de tudo isso: confesso que fiquei muito muito chateada no episódio que está tendo uma feira de livros na cidade, Rory está completamente empolgada e Dean não dá bola e quer ir assistir “O senhor dos anéis” no cinema, sabe-se lá por qual vez. Também não concordo com a forma que Dean lida com o ciúme e a insegurança, porque ele segue no esquema de gritar com a Rory e culpar ela por tudo e em casos como a história do bracelete, isso simplesmente passa dos limites. Não gostei também da forma que ele lidou com o acidente de carro, porque ele não lidou e isso acabou ferrando ainda mais a relação dos dois. 

Dean sabe ser fofo.

Lorelai e Max

       Que bom que eles não casaram!!!! No episódio que Max vai até Stars Hollow e passeia com Lorelai, Rory e Dean, fica bastante evidente o quão despreparado ele está para esse casamento. Isso é óbvio pelo fato de ele não ter tido tempo para um relacionamento sólido com Lorelai, mas também porque eles não tiveram tempo para se conhecer de verdade. Assim como Rory e Dean, esse casal carece de interesses em comum e de coisas que impulsionem a relação. Seria um casamento gerado por uma paixão a primeira vista mal consolidada e não faria bem para nenhum dos dois. Max sequer teve tempo de ser propriamente apresentado aos pais de Lorelai, veja bem. Igualmente, ela não conheceu ninguém da família dele. 

“Max é o equivalente de Lorelai para Dean”

           A única coisa que dá pesar nessa história, é de Rory. Ela tinha gostado da ideia de Max ser seu padrasto e estava se dando bem com ele. O rompimento da relação de Lorelai com Max acabou influenciando negativamente Rory e isso foi chato. Mas, nada que ela não tenha superado, como vimos no episódio em que ela o entrevista e tudo corre bem.

           Os preparativos para o casamento, no entanto, foram bem bonitos. E é bem interessante todo o desenrolar da despedida de solteiro de Lorelai e o envolvimento que Emily acaba por ter. Na despedida de solteiro fica bastante evidente que ela não quer se casar com Max e que sente muita saudade de Christopher e é muito legal que ela tenha tido honestidade e sinceridade em terminar com Max antes do casamento. Ponto pra Lorelai nessa!

Sookie e Jackson

      Esse segue sendo o casal mais fofo da história. É muito frustrante que no episódio da competição para comprar as cestas, Jackson tenha ficado bravo porque a Sookie não entendeu que ele estava querendo morar com ela e tenha acabado não comprando a cesta. Mas o desenrolar do episódio é muito fofo e ela acaba recebendo o pedido de casamento mais fofinho ever.

       É bem engraçado o momento em que Sookie se embrenha com Emily para planejar o casamento e acaba perdendo o controle. Jackson fica visivelmente incomodado, mas não tem coragem de comentar porque não quer ferir os sentimentos dela. Ele acaba sendo meio frouxo com ela as vezes e não sendo sincero com seus desejos e vontades, mas é muito fofo que ele faça isso para evitar de magoá-la.

Owwwwn

      O casamento acaba ocorrendo de forma pacífica, bonita, simples e super fofa e eu espero que eles sejam felizes daqui pra frente!        

Lorelai e Christopher

     Esse casal começou a me irritar. Primeiro Christopher passa uma série de episódios sem aparecer, aí Lorelai liga para ele na despedida de solteiro. Quando ele vai na festa de debutante de Rory, Lorelai começa a achar que vai ter uma chance, mas aí pouco depois ele conta que está compromissado com Sherry e leva ela para conhecer as Gilmore sem avisar, durante um discurso de Rory

         Quando Lorelai começa a culpar Christopher por cada fim de relacionamento que ela teve e ele responde de forma estúpida, é um momento glorioso. Finalmente Lorelai leva um tapa na cara e percebe que para ele toda aquela situação também não é fácil e que as fugas dela perante os relacionamentos são de responsabilidade dela, não dele. É muito importante pro crescimento dela como pessoa ter noção desse tipo de coisa e eu realmente gostei da atitude de Christopher

         Mas, convenhamos que a Sherry não parece a pessoa mais legal do mundo, vide as coisas que ela falou para a Lorelai e o fato de ela praticamente forçar Rory uma relação instantânea com Rory. Enfim, é bastante idiota e enraivecedor que, quando Chris volta pra cidade tempos depois, chateado com seu relacionamento com Sherry, mas ainda se relacionando com ela, ele e Lorelai passem uma noite juntos e isso desencadeie em uma possibilidade de engrenarem em um relacionamento sério. Por favor, esses dois realmente já passaram dos 16 anos? Porque eles estão agindo de forma tão babaca quanto Rory com Dean. É completamente desleal por parte do Christopher fazer isso com a Sherry, por pior que esteja o relacionamento deles. Parece que entre os dois a química é tão forte, que eles simplesmente esquecem de todo o resto e só querem transar. Só que aí quando eles precisam encarar a realidade pós-sexo, desistem e percebem que não dão certo. Isso aconteceu na época em que a Lorelai ficou grávida, não precisava ter acontecido agora novamente.

        Porém, em se tratando de narrativa serial, essa virada no final do último episódio da temporada é bastante eletrizante. Porque o espectador passa a acreditar que finalmente algo ia dar certo pra Lorelai e quando Chris aparece dizendo que a Sherry está grávida, tudo desanda. É uma das coisas que impulsiona o espectador a assistir a próxima temporada, ou pelo menos, foi o que aconteceu comigo. Porém, sigo acreditando que Lorelai precisa urgentemente fazer terapia para superar o Christopher e perceber que Luke é, de fato, seu homem ideal.

Emily e Richard

    Quando Richard finalmente conta que se aposentou, já estamos no décimo episódio da temporada. Até lá, vemos apenas o casal brigando bastante, mas sem compreender muito a razão para que Richard não queira participar dos eventos sociais que são tão importantes para Emily. Quando finalmente a aposentadoria é revelada, percebemos que a relação dos dois vira um inferno. Emily estava acostumada a passar o dia sozinha em casa, fazendo suas coisas pessoais e sociais, tendo que lidar com o marido apenas à noite. A partir do momento que ele passa a ficar muito tempo em casa, ela fica extremamente irritada e sente que tem uma sombra e não um marido, então começa a impulsionar ele a fazer qualquer coisa menos ficar em casa, o que as vezes é engraçado, mas na maior parte das vezes é apenas triste. Fiquei com bastante pena da Emily por causa dessa situação, inclusive pelo fato de seu marido ser bastante manipulador em relação ao que quer ou não que ela faça. 

          Felizmente, mais para o final da temporada, Richard decide abrir um negócio próprio, volta  a passar muito tempo fora de casa e o relacionamento deles parece engrenar também. É bastante interessante comparar esse relacionamento com os outros da série, pois ele depende visivelmente mais do companheirismo do que do amor e da paixão, que parecem ser os principais impulsionadores dos outros. Talvez por isso ele dure tanto.

   

As amizades

Lorelai e Rory

      Por alguma razão eu não inseri essa categoria na Review passada. Falha minha, afinal de contas essa é a principal relação da série e a que move todas as outras. 

      Nessa temporada o companheirismo das Gilmore fica ainda mais evidente. Tudo começa quando Rory e Lorelai saltitam após a mãe aceitar o pedido de casamento de Max. As coisas se acentuam quando, ao informar a filha de que o casamento estava cancelado, Rory simplesmente acata a ideia de uma viagem de carro e arruma uma mala rapidamente. Sem grandes questionamentos. 

   É bastante interessante observar o processo de rompimento de Lorelai, que pediu encarecidamente para que Rory vivesse a fossa, quando ela terminou com Dean na temporada anterior, mas ao invés de a própria Lorelai viver qualquer possível fossa, ela foge. Isso é bem triste e complicado, porque o espectador acaba não vendo Lorelai sofrer por Max, ela parece ter aceitado muito rápido que as coisas simplesmente não eram para ser e jogou bola pra frente. Rory até tenta fazer ela falar sobre, mas é em vão.

      De qualquer forma, a viagem delas é muito bacana porque elas acabam indo parar em Harvard e Rory consegue se imaginar frequentando o campus etc etc. É um momento muito bacana das duas. A amizade delas é posta a prova por diversas vezes no decorrer da temporada, porque Rory acaba “forçando a barra” da relação entre Lorelai e Emily. Além disso, as duas começam a apresentar algumas dissonâncias de pensamento e forma de ação, mas ainda não parecem preparadas para de fato enfrentar uma a outra, então elas acabam aceitando as falhas e prosseguindo a existência. As coisas entre as duas ficam ainda mais brandas quando Lorelai, enfurecida porque Rory segue dando bola para Jess, percebe que Emily concorda com o afastamento entre a neta e o garoto e sugere que Lorelai aja de determinadas maneiras. Ao perceber que estava concordando com a mãe, Lorelai cai na real e deixa que Rory seja amiga de Jess, se quiser.

      Isso é bastante importante de ter em mente no decorrer da série: Lorelai vive um conflito enorme, onde não quer ser parecida com a mãe e quer garantir que a filha seja e faça tudo que ela não pôde fazer.

      Ademais, é bastante bonito perceber o quanto uma se importa com a outra.

Lane e Rory

    A amizade das duas não fica em tanta evidência nessa temporada, aparecendo menos. Sabemos menos sobre a Lane e sobre o que ela anda fazendo. Por exemplo, será que ela ainda é líder de torcida? Rory segue ocupada demais com as coisas da escola, com o namorado, com a mãe e agora ainda tem a amizade eminente com Jess para complicar… Mas Lane segue sendo a amiga mais fiel dela e as duas ainda são muito companheiras – apesar de que nem para ela Rory admite sentir algo por Jess.

Lorelai e Sookie

         A amizade das duas segue forte, mas tem um grande abalo no episódio em que elas pensam sobre comprar o terreno para o próprio Inn. A presença de Mia na cidade faz com que Lorelai se sinta saudosa e responsável pelo Independence Inn a ponto de se sentir culpada em ter tido a ideia de abandonar o local para ter o seu próprio Inn, com sua melhor amiga. Sookie fica bastante chateada com isso, porque levava muito a sério o sonho das duas e as duas brigam feio. Felizmente, a briga passa e elas voltam a ser amigas e a sonhar com o próprio Inn. 

         Ademais, ambas seguem sendo bastante confidentes. Sookie é muito bacana com Lorelai ao fornecer café da manhã todas as vezes em que ela briga com o Luke, por exemplo. E Sookie segue tratando as Gilmore como se fossem família, o que é bem recíproco. Lorelai ainda tem pés atrás com o fato de Sookie gostar e tratar bem Emily, mas aos poucos vai compreendendo as coisas e deixando acontecer.

Rory e Paris

      Finalmente a amizade delas começa a deslanchar. O primeiro passo acontece no sétimo episódio, quando Rory é chamada pela conselheira da escola para conversar, por ser considerada muito solitária. A escola a acusa de não ter amigos e que passar os intervalos lendo é errado. Rory já tinha uma relação bem conflituosa com Paris, que já havia frequentado a sua casa e morria de ciúmes por causa de Tristan. Além disso, como ambas sonhavam em estudar em Harvard, o relacionamento era baseado em muita competição. 

      Porém, Paris é muito estrategista e percebe que ficar perto de Rory pode ser produtivo. As coisas entre as duas ficam mais sérias quando Paris aparece na casa de Rory de noite, em um dia onde Rory iria ficar sozinha em casa e planejava lavar roupas e aproveitar a solidão. Paris acaba por salvar Rory de uma briga com Dean e ali as coisas entre elas começam a brotar. Tudo fica ainda mais sério quando Paris, que concorria à presidência do corpo estudantil, percebeu que não ganharia a eleição por não ser simpática e convidou Rory e sua cara de anjo para serem vice-presidentes. A eleição desencadeou em horas de diálogo entre as duas, que acabaram ficando cada vez mais amigáveis. Os grupos de trabalho corroboravam. As duas frequentemente caíam na mesma equipe, como vimos no episódio da peça teatral e no da feira de negócios. E, incrivelmente, a equipe dava certo. 

      Rory acaba sendo a única amiga de Paris que se importa com ela e Paris acaba se demonstrando muito sensível, solitária e triste. A amizade delas floresce de forma conflituosa, mas interessante e real.

Lorelai e Luke

      Mais uma relação pra lista das que eu não coloquei na Review passada!!! Tsc tsc pra mim.

      Lorelai e Luke têm uma relação muito interessante. Eles são praticamente um casal, porém não se relacionam romanticamente. Luke é o conselheiro principal de Lorelai, para quem ela recorre em todos os problemas. Ele faz o mesmo com ela. Os dois se ajudam e se zoam na mesma frequência e nutrem um cuidado e carinho muito especial. Não é à toa que os amigos mais próximos de Lorelai, e até sua mãe, acreditam que rolam sentimentos amorosos entre os dois. Não vejo a hora de eles finalmente admitirem.

    Nessa temporada os conflitos do relacionamento ficaram ainda maiores. Eles brigam feio diversas vezes, todas elas por conta de Jess. Lorelai primeiro não considera Luke preparado para lidar com o garoto e depois começa a contestar todas as atitudes e decisões que ele toma. Luke é ranzinza e não tem humildade para aceitar os conselhos de Lorelai, então acaba xingando e criticando ela por se meter na vida dele. O cúmulo da relação é no dia do acidente de carro, onde Lorelai realmente ultrapassa os limites e fala coisas que não deveria para o pobre Luke. É claro que ela se arrepende depois. É claro que os dois são orgulhosos demais para fazer as pazes e seguir conversando normalmente.

      Outro ponto bacana da temporada ocorre no episódio do leilão das cestas, onde Lorelai percebe que tinha caído em uma armadilha montada por miss Patty, para que ela encontrasse um namorado, e pede para que Luke compre sua cesta. Eles acabam tendo um almoço muito fofo e aparentemente gostoso. A felicidade de Luke no momento em que descobre que Lorelai não vai se casar é outro momento bastante fofo. Assim como o fato de ele ter feito um Chuppah para o casamento dela, talhado à mão. E também todo o cuidado de Lorelai quando o tio dele morre. O carinho que um tem pelo outro é muito fofo e as vezes dá vontade de colocar os dois em um potinho e amassar. É o meu “casal” preferido da série.

Rory e Jess

     Jess é o primeiro cara que Rory conhece que entende as referências dela. Ele gosta de ler, conhece alguns dos livros que ela conhece e indica outros tão bacanas quanto. É alguém com quem ela pode conversar sobre assuntos que não conversa com outras pessoas e isso a atrai profundamente.

       A complicação principal dessa relação advém do fato de Jess só ser legal com Rory. Todas as outras pessoas da cidade acham que ele é um troglodita mal encarado, malvado e chato. Mas, com Rory ele é realmente dócil e legal e é impossível para ela não ser legal com ele. Da mesma forma em que é impossível para ela convencer as outras pessoas de que ele é legal.

     Percebemos que Rory não se aproxima de Jess com a intenção de ser uma companheira romântica dele, mas sim para ajudar Luke em sua nova empreitada. O fato de Jess ter muito a ver com ela e de eles conseguirem conversar bem mais do que ela consegue com o próprio namorado, apenas faz com que ela tenha vontade de se tornar mais amiga dele. Mas Rory não entende as razões para que Jess seja tão mal encarado, para que ele não ajude Luke e siga com toda essa pose de menino mal.

    Inicialmente Rory é inocente e não percebe que Jess tem a intenção de ficar com ela romanticamente falando. Mas em todos os episódios da temporada que os dois aparecem juntos, a gente vê Jess tentando forçar a barra e Rory tentando se distanciar, porque ela já tem Dean e não quer magoá-lo. Quando acontece o acidente de carro, as coisas desandam de vez. Rory percebe que não importa o que ela faça a cidade vai continuar achando que ela é uma santa e que não importa o que Jess faça, vão continuar achando que ele é um demônio. E ela se compadece dele. 

        Quando ela vai visitá-lo em Nova York, sem saber exatamente a razão para fazer isso, é bastante claro que ela só vai até lá porque gosta dele e não queria ele longe. Mas ela não sabe se expressar, claro. E eles passam um dia formidável juntos, mas o fato de ela ter perdido a formatura da mãe por causa disso, faz com que ela fique tão chateada que considera não ver mais Jess. Só que ele volta pra cidade e aparece no casamento da Sookie e ela acredita que isso acontece porque ele quer ficar com ela e voltou para ficar com ela. Aí ela beija ele. E basicamente se esquece de que, durante todo esse romance fofo, ela estava namorando outro. É de dar pena da Rory a confusão mental que acontece nessa temporada, mas sigo acreditando que ela deveria ter sido mais honesta. Jess é um bom amigo e uma boa companhia para ela e eles certamente têm mais coisas em comum do que ela e Dean, então por que raios ela continuou com o Dean? Acho que nem eu, nem ela, nem o Jess ou o Dean sabem disso. Creio que todos nós estamos juntos e unidos nesse processo de lamentação.

Luke e Jess

       Mais um pra lista de relacionamentos conturbados. 

       Luke primeiramente aceita cuidar de Jess por ele ser família, mas eles não se conheciam de fato.  Morando juntos, a relação dos dois acaba ocorrendo, por vezes de forma forçada. Luke amplia sua casa para que Jess se sinta confortável e isso é um passo muito grande vindo dele. 

      Quando os senhores da cidade apontam que Jess era ranzinza e chato, como o tio, Luke percebe que de fato eles tinham muitas coisas em comum e começa a agir de forma mais sensata com Jess. Ele segue tendo dificuldade em impor limites e em acompanhar o garoto, como é mostrado no momento em que ele leva um susto ao saber que Jess está quase reprovando de ano.

    Luke acaba enfrentando um monte de gente da cidade, incluindo Lorelai, para defender o sobrinho. Jess acaba aprendendo a reconhecer os esforços do tio e a gostar dele. Os dois nunca admitem isso, porque ambos são introspectivos e têm dificuldades de lidar com sentimentos. Enquanto Jess joga na cara de Luke que ele deveria correr atrás de Lorelai, Luke joga na cara de Jess que Rory tem namorado e não vai dar bola pra ele. 

      No fim da temporada a gente percebe a tristeza de Luke ao ficar longe do sobrinho. Seguido por sua alegria ao ver que Jess está de volta – apesar de todos os problemas que ele traz junto.

Lorelai, Rory, Emily e Richard

        Enquanto na primeira temporada Emily passou um dia em Stars Hollow, nessa, a vez foi de Richard. Ele se demonstrou bastante manipulador e malvado com Lorelai nesse dia, mas a relação dos dois acabou melhorando no decorrer da temporada, tendo como auge o dia em que Lorelai foi ajudá-lo a montar o novo escritório e contratar uma secretária.

          Entre Lorelai e Emily as coisas também melhoraram. Primeiramente no desfile que ocorreu no Inn, como parte de uma ação beneficente de um clube de mães do Chilton, onde as duas desfilaram juntas. Emily ainda ajudou Lorelai a conseguir um empréstimo para lidar com os cupins de sua casa, apesar de não ter sido fácil que Lorelai aceitasse. Depois, elas passaram um final de semana agradável juntas em um SPA. É claro que houveram alguns conflitos, mas elas conseguiram resolver e aproveitar o momento de união. Devagar, Lorelai parece estar começando a entender o lado de Emily e a visão que ela e Richard tem por sobre ela. Em sua formatura, quando os dois aparecem e ainda levam uma equipe de filmagem, é possível ver o brilho no olhar dos três. Principalmente no momento da foto.   

       Já com Rory, o relacionamento parece estar deslanchando ainda mais. Emily montou um quarto para ela em sua casa, contendo todas as suas coisas preferidas e Rory até decidiu passar uma noite lá, após ter uma discussão com sua mãe – que ficou bastante preocupada e achando que a filha tinha desaparecido. Com Richard, a relação está ainda melhor agora que ele está aposentado. O avô segue emprestando livros para Rory e tendo boas discussões sobre economia e política. Além disso, eles ficam ainda mais próximos quando ela pede ajuda para seu trabalho de Negócios. 

         É também nessa temporada que Rory se desentende com seus avós pela primeira vez. Richard é o primeiro alvo, já no primeiro episódio da temporada, quando Dean vai a sua casa e ele o enche de perguntas desconfortáveis, tratando-o mal. Outra briga ocorre também por causa de Dean, mas dessa vez tem a ver com o carro que ele deu para Rory, visto que o avô não o considerava seguro. Já com Emily, a briga ocorreu por causa de Jess, no dia em que Rory apareceu com um gesso no braço e explicou a situação. Emily ficou possessa e as duas se desentenderam. Ambos os desentendimentos passaram rápido.

Curiosidades e pontos importantes da temporada

  1. Segundo uma fala de Paris, sua babá é portuguesa. Porém, quando elas conversam a língua falada parece espanhol. É algo para que eu preste atenção nas próximas temporadas.
  2. Luke gosta de Star Trek e era fã durante a infância e adolescência, isso é muito interessante e engraçado de se ter em mente.
  3. Lorelai dorme com Chris mesmo sabendo que ele ainda está comprometido com Sherry, isso é algo para guardarmos para lembrar na posterioridade.
  4. Rory perde a formatura da mãe (que era um BIG DEAL pra Lorelai) por causa de Jess, e é facilmente perdoada.
  5. Rory demonstra não ser um anjo, uma santa intocável e afins, mas a cidade inteira recusa crer nisso e culpa sempre o Jess. Isso também é algo a ser guardado para a posterioridade.
  6. A atriz Brenda Strong, uma das integrantes do clube de mães do Chilton, que aparece no episódio 7, posteriormente interpreta Mary Alice Young, em Desperate Housewives.
  7. A Chuppah que Luke fez para Lorelai é utilizada no casamento de Sookie.
  8. Rory querendo aproveitar seu dia sozinha em casa para lavar roupas e ficando frustrada ao ser interrompida representa demais a minha existência.
  9. O meu episódio preferido da temporada é o 19, por causa da noite de filmes da cidade e da apresentação fenomenal do Kirk, que é um personagem incrível.

 

O amor de Gerda, um texto sobre A Garota Dinamarquesa.

          A gente ouve falar sobre amor basicamente desde que nos entendemos por gente e na maior parte das vezes pensamos nele como uma coisa boa. Ruim é não amar ou não ser amado. O amor, em si, é algo bom, benéfico, feliz. Pessoas que amam são mais plenas, completas, realizadas, leves e tranquilas. E esse pensamento faz com que as pessoas entrem em relacionamentos sem pensar em todas as consequências possíveis. Faz com que uns prometam aos outros que ficarão juntos “na alegria, na tristeza, na saúde e na doença“, sem realmente pensar no que isto significa. E faz com que as pessoas só caiam na real sobre como amar é difícil, complicado e dolorido, quando as situações que colocam o sentimento à prova se fazem presente.

          Como agir quando alguém que você ama é agressivo com outra pessoa? Quando comete um crime? Como agir quando essa pessoa erra de uma forma que você não imaginou possível até então? Quando ela te decepciona? Te machuca física ou psicologicamente, mesmo sem perceber? Como se levantar e dizer “ei, você está ocupando o tempo da minha vida e eu realmente preciso ir embora agora. O mundo é gigante e cheio de coisas pra fazer, você vai encontrar seu caminho e eu o meu, tchau.” quando tudo o que você consegue pensar e sentir é que a outra pessoa está em um momento ruim e precisa de você?

          Será que a gente tem a noção do que é amar, se comprometer em um relacionamento e estar disposto a viver com outra pessoa desde o momento em que aceitamos nos relacionar com ela? Estamos dispostos a abster manias, gostos, desejos, anseios, sonhos, rotinas e criar outras manias, gostos, desejos, anseios, sonhos e rotinas?

the danish girl 2

          A gente conseguiria ficar perto um do outro caso tudo fosse diferente? Caso ao invés de você ser mulher e ele homem, ele fosse mulher? Caso um dos dois perdesse todo o dinheiro ou, de repente, ficasse milionário? Conseguiriam ficar juntos caso um dos dois ficasse cego ou perdesse o emprego, mudasse radicalmente de aparência ou tivesse a maior chance profissional da vida, mas em outro país e ambos tivessem que se mudar? Ou não é possível se imaginar em nenhuma dessas situações?

          Eu costumo dizer que quando digo que amo alguém, é porque eu realmente sinto. E que para mim, o amor significa exatamente tudo isso aí: estar do lado da pessoa não importa o que esteja acontecendo. Eu consigo me imaginar largando a minha vida para ajudar alguém que eu ame e esteja precisando de mim. Consigo me imaginar (e as vezes já realizo) essa coisa de abster de minhas próprias vontades em prol das dos outros de vez em quando. Eu realmente me esforço pra entender o que se passa na cabeça das pessoas que eu amo e para me tornar uma pessoa amável, uma boa companhia, alguém legal de se estar perto, minimamente confiável e feliz. É claro que nem sempre eu consigo, é um esforço diário e eu vivo brigando e ficando brava com o universo inteiro, mas insisto em tentar. E tive a graça (ou o desprazer) de ainda não saber qual é o meu limite. Acho que todos nós temos um. Ninguém consegue se submeter e abster a tudo em prol de outra pessoa, ninguém é capaz de se anular tanto assim e continuar saudável e sã.

E é claro que todo esse pensamento insano sobre qual seria o meu limite no quesito amor surgiu após eu assistir a “A Garota Dinamarquesa” (The Danish Girl). O filme de 2015, que ainda não estreou nos cinemas do Brasil, é estrelado pelo Eddie Redmayne e pela Alicia Vikander e conta a história de Lili, uma mulher que nasceu homem e se casou com Gerda, mas depois se descobriu mulher e inicia um processo muito doloroso de transição. Porém, minha empatia maior não foi para com a história dolorosa, conflituosa e difícil de Lili, mas sim com a Gerda. Porque ela se casou com o amor da vida dela e o viu morrer e se transformar na Lili e ao invés de largar ele, ficar brava ou sei lá, ela ajuda a Lili a se entender. Ela continua ali e se transforma na melhor amiga do outro ego do seu marido. Com o tempo, ela consegue até captar que a Lili vai ter uma vida amorosa que não engloba ela e uma vida em geral que não engloba ela e ela tem que passar por todo o processo de entender que seu marido realmente morreu. E ela continua ali, do lado da Lili. E eu nunca tinha visto um amor tão intenso e tão real.

the danish girl

          No decorrer do filme, fiquei imaginando o que aconteceria se a história fosse o oposto. Se a Gerda de repente se descobrisse Robert, será que o Einar (nome masculino da Lili) ficaria ao lado dela com a mesma presteza e benevolência que ela ficou na situação mostrada no filme? Eu não tenho como afirmar isso concretamente, mas arrisco dizer que sim. Arrisco dizer que a relação daquelas duas pessoas ali era realmente uma junção de almas, que ultrapassava toda a sanidade possível. Elas se aceitaram da forma que vieram ao mundo e lutaram para serem reconhecidas por seus trabalhos e para serem felizes da maneira que podiam.

          E o filme é baseado em uma história real, o que torna tudo ainda mais intenso. O roteiro foi inspirado em diários reais escritos pela Lili e, puxa, se mesmo em um filme contado sob o ponto de vista da Lili a gente consegue ter toda essa empatia pela história da Gerda, imagine como seria se fosse ela contando os fatos. Essas duas mulheres são incríveis e eu estou estasiada ao perceber que uma das melhores histórias de amor que eu vi retratadas no cinema não pertence ao “padrão heterossexual” que é comumente mostrado.

          Esse filme me fez repensar sobre o que eu já rotulei como “algo que senti“, sobre o que já formulei sobre amor e o que já pensei sobre relacionamentos. Foi tão intenso que não consegui chegar aqui e fazer uma resenha mais técnica ou alguma crítica insensível. Pelo contrário. Eu preciso agradecer ao universo por ter feito essa história acontecer e chegar até mim. Preciso agradecer a todas as pessoas que o universo me permitiu (e me permite) amar e preciso admitir que como humana em eterno aprendizado, mais uma vez ficou provado que tenho muito a aprender, crescer e tolerar. E que talvez assim eu consiga aprender a ser mais sincera com meus sentimentos e honesta comigo mesma. A Gerda é mais uma das minhas heroínas, e dessa vez nem é fictícia.

Thanks for all the fish

Há um ano eu estava no Paquistão. Trocando exaustivamente mensagens no whatsapp com um pentelho que tinha deixado no Brasil. Fui num casamento por lá e mandei uma foto para ele com eu vestida com roupa de festa pakistani style e ele postou no mural do meu facebook, com um “eu te amo” escrito em um árabe de google translator. Ri desesperadamente quando vi a coisa e fiz minha amiga que entendia um pouco de árabe me dizer se estava certo, ela disse que sim. Sem jeito, falei que era absurdo sair postando uma foto que foi compartilhada privadamente, ao que ele respondeu “isso que dá ficar mandando foto pro namorado”. Fui no whatsapp perguntar se a gente era namorado, e ele disse “não, mas queria ser”. Achei esquisito, ri, imaginei que ele devia estar me zoando – como em todas as outras vezes que tinha dito que queria ser meu namorado. E respondi “tá”. E nos primeiros dias eu achava que aquilo era pura zoeira, mas com o passar do tempo percebi que tínhamos nos tornados namorados sem que nós mesmos percebêssemos a situação. Afinal, agíamos como namorados, só não tínhamos esse nome. Desde então, não conseguimos oficializar uma data de início da relação, o que sempre foi muito engraçado. Mas resolvi fuçar no whatsapp, a fim de ter um dia para marcar no calendário e olhar quando, sei lá, tivermos velhinhos e esquecendo até de como limpa a bunda. É mais fácil lembrar das coisas quando temos datas associadas a elas. Segundo o whatsapp, a conversa aconteceu em 16 de Janeiro. Pode ser uma data ilusória, simbólica, tanto faz. É WM day. E por mais que homenagens em relação a isso pareçam que a gente tá se vangloriando por ter aturado alguém enchendo nosso saco por um ano, a verdade é que eu realmente gosto de deixar coisas registradas. E não me recordo de ter registrado isso em algum lugar que eu possa ter acesso no futuro. Minha função no casamento do Paquistão era justamente jogar pétalas de rosas no noivo, que simbolizava fertilidade na relação e, tecnicamente, as pessoas que fazem isso recebem felicidade, ao mesmo tempo em que a transmitem para o casal. Pelo jeito as mitologias paquistanesas funcionam, pois agora eu sei que a vida pode estar um tremendo maremoto, mas ainda assim eu terei um sorriso e um olhar que me transmitirão paz. E pra quem achava isso impossível, ver-se presa nessa artimanha com garras fortes o suficiente para não se imaginar longe delas, é mais um fator de que milagres e mitologias funcionam. E que a gente nunca pode dizer nunca, afinal, não sabemos o que os deuses planejam para o nosso futuro – e muito menos qual mapa astral vai encaixar perfeitamente no nosso. Sinto-me absurdamente honrada por ter compartilhado essa parte da minha vida com uma pessoa tão especial e que me enche de orgulho e alegrias em todos os momentos e, hoje, enquanto agradeço a cada segundo, desejo que ele seja multiplicado infinitamente. Obrigada.

Ana, de novo.

Hoje Ana faz onze anos. Falei sobre o aniversário dela no ano passado e decidi que vou tentar falar na maior quantidade de anos possíveis. Ainda tenho dificuldades em me enxergar como tia, mas estou começando a entender a responsabilidade da questão. Penso no quanto minhas tias foram e são importantes para mim e descubro que não posso me omitir em relação às sobrinhas que eu tenha, não importa o quão longe estejamos.

Ainda não tenho a intimidade que gostaria de ter com ela, mas agora que Ana cresce, minhas esperanças estão maiores. Tímida ela ainda continua, pouco nos falamos e há uma distância gigante entre a gente. E nem falo apenas do fato de ela morar em outra cidade, mas sim da distância de pensamentos mesmo. Até agora tentei não me importar muito com a forma pela qual minhas sobrinhas são criadas, mas há práticas de condutas que elas reproduzem dos pais que me enchem de angústia.

Já sonhei que ela me ligava para eu resgatá-la bêbada em uma festa de madrugada, porque o pai a mataria se ela chegasse em casa assim e, bem, é esse o tipo de tia que eu quero ser. A tia que está ali, que entende, que se esforça. Que leva em conta o que ela pensa e faz o possível para não reprimir.

Tenho sentido uma vontade absurda de salvar a Ana. Como se ela precisasse doentiamente de mim. Queria poder tirar ela da casa dela por uns tempos, levar pra passear e enchê-la com todo o carinho que ela vive rejeitando por causa da timidez e repreensão prévia. Onze anos é quando a vida começa a ficar difícil, principalmente quando se é menina. As colegas começam a menstruar, namorar, ter peitos e as sensações que isso causa nem sempre são das melhores. E, bom, sei que a Ana vai precisar de alguém com quem conversar sobre.

Mas a cada dia que passa percebo que essa pessoa não será eu. E isso é meio inconcebível, porque, bem, eu sou a única tia dela, ela é minha primogênita e juro que meu amor é grande o suficiente pra qualquer problema que ela venha a ter. Só não consigo demonstrar. E o abismo entre a gente ao invés de se estreitar, só cresce. E enquanto Ana deveria estar aqui perto, continua longe. Quase intocável.

Sabe, Ana, se algum dia você vier a ler isso aqui, preciso te dizer que penso em você quase todos os dias. Que vejo muito de eu criança em você e que lamento por seus pais agirem de forma ainda mais rigorosa do que os meus agiram comigo. Acredito muito em você e jamais hesitaria em estar ao seu lado. Olha, não importa o que o mundo te faça acreditar, você é linda. Você é inteligente. Você é importante. E você é amada. Não importa exatamente “quem” ou “o que” você seja. Sempre vai ter uma tia desmiolada esperando você precisar dela.

Que seus onze anos se multipliquem muitas vezes.