A Quarter

Li os outros textos de aniversário que fiz para você e acho que não consigo repeti-los. A comemoração esse ano foi diferente, física a ponto de não sobrar tempo pro virtual. Com direito a bolos e visitas, em uma festa surpresa planejada de última hora, mas bastante divertida. Você ficou inicialmente bravo, como eu esperava, mas logo começou a se divertir também. Acho que o bolo gostoso ajudou na parte de amolecer o coração. O dia de estudos foi ao ló, mas há outros infinitos dias para estudo – assim como há infinitas coisas para se estudar, ainda mais quando a pesquisa é sobre estrelas, que por si só, são infinitas.

Por falar em estrela, é legal pensar o quanto você tem levado a sério a ideia de viver longa e prosperamente. Por exemplo, ontem você completou um quarto de século nessa vida, imagine quantos séculos já atingiu somando todas elas? Deve ser uma loucura. Sobre a prosperidade, basta ouvir alguém que te conheceu há uns cinco anos falar sobre você e olhar para quem você é hoje. Claro que os acontecimentos passados ajudaram a chegar aqui, mas ainda bem que chegou aqui, porque as coisas de lá eram meio esquisitas e repletas de pessoas que não conseguiam lidar com o seu coração gigante. Não sou ninguém para falar essas coisas, mas realmente acredito que você têm sido mais feliz e realizado ultimamente. Tanto pelo fato de não precisar se relacionar com pessoas que o fazem apenas por interesses, quanto por poder estudar aquilo que gosta, na intensidade que acha necessário, enquanto encaixa jogos legais na sua rotina diária e muitos estudos e desenvolvimento espiritual.

Eu olho para você e vejo uma pessoa boa. Uma pessoa que está muito melhor do que quando eu conheci, embora seja ainda a mesma, algo possível de perceber pelas manias que não mudaram e o anseio infinito por conhecimentos diversificados. Se eu tinha orgulho de você já em 2013, hoje em dia é tão efusivo, que as vezes acho que não cabe em mim. Mas com você eu aprendi que meu coração é bem maior do que eu imaginava. E aprendi e aprendo muitas outras coisas também. Enquanto sei que você aprende com a convivência comigo também. 

E o fato de eu gostar mais do seu aniversário do que você mesmo não é porque acho legal ficar velho (embora eu ache, mais perto da aposentadoria), mas porque fico feliz em olhar que você cresceu ainda mais, conseguiu ultrapassar ainda mais limites e continua forte e resistente para mais um ciclo que se inicia. Fico feliz em saber que consegui acompanhar mais um ano da sua existência e que ela não para de ser expandida, como aqueles jogos com expansões caras e infinitas. E cada dia que passa você consegue crescer ainda mais dentro de mim, mesmo que em alguns dias a gente queira se matar. E eu gosto dessa loucura toda. Acho que você é minha aventura preferida até então (mas espere até eu pular de bunggie jumpie). E te agradeço por isso. Enquanto desejo muitos outros aniversários e outros 1/4 de século, até o infinito. Porque, como boa estrela, mesmo quando você se for a luz continuará irradiando por aqui.

Seja feliz. Sempre.

Mais de seis centos

Eu nunca termino coisas que eu começo. E isso deixa a minha mãe fula da vida desde que eu me entendo por gente. Todas as vezes que chego com a ideia genial de iniciar um novo projeto ou começar um novo curso ou qualquer coisa do tipo, ela olha para mim com olhar de reprovação e fala “mas aí você começa e depois desiste e eu gasto dinheiro à toa”. Não posso dizer que ela está errada, mas também não posso dizer que não tenho me esforçado para mudar. Uma prova? Este blog.

Este espaço completou cinco anos há alguns dias, mas eu esqueci completamente de vir falar sobre isso. Assim como esqueci de comemorar arduamente quando completei os 600 textos – que era minha meta do ano passado. Mas, talvez eu tenha deixado de comemorar essas coisas nos dias em que ocorreram justamente por um aprendizado importante que me veio tanto com a maturidade quanto com a própria escrita deste blog: existem coisas que são importantes apenas para mim.

É interessante observar como o objetivo deste espaço se transformou ao longo dos anos. De um desabafo inicial, para um desabafo constante, para um desabafo mais introspectivo e retraído, até que deixou de ser um desabafo e virou um enorme espaço de futilidades e digressões. Eu gosto de digredir, verdade, mas também gosto de refletir sobre a minha existência e sobre a existência do universo em geral e, percebi que tenho tido uma tremenda preguiça de fazer isso por aqui.

Acho que depois de cinco anos e mais de 600 textos é difícil querer que o espaço seja o mesmo, com os mesmos padrões textuais. Eu não sou a mesma, não tem como os meus textos serem. A cada ano que passa, sinto que minha vontade de ser uma escritora fica um pouco mais distante – embora todas as coisas aqui escritas preencham livros enormes. Ainda me recuso a acreditar que sou realmente lida e quando me lembro das mais diversas provas que já tive a respeito disso e das amizades incríveis que construí por causa disso, fico até chateada por tamanha descrença em relação à minha própria capacidade.

O fato é que este é o espaço que eu posso me orgulhar. Nunca gastei dinheiro para fazê-lo e nem por isso o abandonei. Posso ter ficado um bom tempo sem aparecer, mas a longo prazo, ele continua vivo. E eu também. E isso é tudo que eu poderia desejar para um senhor de mais de seis centos de textos.

E como começar o ano sem um projeto novo é um pé no saco, gostaria de apresentar pra vocês a MW Consultoria Acadêmica (curtam a nossa página!). Ela é uma solução para os problemas acadêmicos que assolam a maioria dos estudantes – e profissionais – da academia. Fazemos revisões e correções ortográficas, formatação de textos, digitação, tradução (inglês e espanhol, por enquanto), comentamos os textos (vulgo, lemos o que você escreveu e damos pitacos) e, se você mora em Curitiba e precisa de assistência presencial, damos aulas particulares de filosofia, antropologia, sociologia, literatura e produção de textos. Orçamentos e prazos são feitos individualmente e temos um compromisso muito grande com o nosso trabalho, o cliente e o produto final. Espero que possamos ajudá-los!

Thanks for all the fish

Há um ano eu estava no Paquistão. Trocando exaustivamente mensagens no whatsapp com um pentelho que tinha deixado no Brasil. Fui num casamento por lá e mandei uma foto para ele com eu vestida com roupa de festa pakistani style e ele postou no mural do meu facebook, com um “eu te amo” escrito em um árabe de google translator. Ri desesperadamente quando vi a coisa e fiz minha amiga que entendia um pouco de árabe me dizer se estava certo, ela disse que sim. Sem jeito, falei que era absurdo sair postando uma foto que foi compartilhada privadamente, ao que ele respondeu “isso que dá ficar mandando foto pro namorado”. Fui no whatsapp perguntar se a gente era namorado, e ele disse “não, mas queria ser”. Achei esquisito, ri, imaginei que ele devia estar me zoando – como em todas as outras vezes que tinha dito que queria ser meu namorado. E respondi “tá”. E nos primeiros dias eu achava que aquilo era pura zoeira, mas com o passar do tempo percebi que tínhamos nos tornados namorados sem que nós mesmos percebêssemos a situação. Afinal, agíamos como namorados, só não tínhamos esse nome. Desde então, não conseguimos oficializar uma data de início da relação, o que sempre foi muito engraçado. Mas resolvi fuçar no whatsapp, a fim de ter um dia para marcar no calendário e olhar quando, sei lá, tivermos velhinhos e esquecendo até de como limpa a bunda. É mais fácil lembrar das coisas quando temos datas associadas a elas. Segundo o whatsapp, a conversa aconteceu em 16 de Janeiro. Pode ser uma data ilusória, simbólica, tanto faz. É WM day. E por mais que homenagens em relação a isso pareçam que a gente tá se vangloriando por ter aturado alguém enchendo nosso saco por um ano, a verdade é que eu realmente gosto de deixar coisas registradas. E não me recordo de ter registrado isso em algum lugar que eu possa ter acesso no futuro. Minha função no casamento do Paquistão era justamente jogar pétalas de rosas no noivo, que simbolizava fertilidade na relação e, tecnicamente, as pessoas que fazem isso recebem felicidade, ao mesmo tempo em que a transmitem para o casal. Pelo jeito as mitologias paquistanesas funcionam, pois agora eu sei que a vida pode estar um tremendo maremoto, mas ainda assim eu terei um sorriso e um olhar que me transmitirão paz. E pra quem achava isso impossível, ver-se presa nessa artimanha com garras fortes o suficiente para não se imaginar longe delas, é mais um fator de que milagres e mitologias funcionam. E que a gente nunca pode dizer nunca, afinal, não sabemos o que os deuses planejam para o nosso futuro – e muito menos qual mapa astral vai encaixar perfeitamente no nosso. Sinto-me absurdamente honrada por ter compartilhado essa parte da minha vida com uma pessoa tão especial e que me enche de orgulho e alegrias em todos os momentos e, hoje, enquanto agradeço a cada segundo, desejo que ele seja multiplicado infinitamente. Obrigada.

42 ao contrário.

Há um ano atrás eu escrevia meu primeiro texto para sua pessoa. Lembro que na época o sentimento dominante em mim ao seu respeito era a agonia e lembro o quão agoniante foi sentar para escrever algo.

Acho interessante colocar aquele texto como contraponto para pensar o quanto mudamos de lá para cá. E digo “mudamos” porque, ao contrário de um ano atrás, agora existe um “nós”. E, sinceramente, lendo aquele texto eu rio e penso no quanto eu estava errada, sobre muitas coisas na minha vida. Mas acho que disso você já sabe, digo, do quanto eu mudei – a mim e a você, enquanto você fazia o mesmo – a mim e a você. E o quanto isso foi e é extremamente bom.

Então, ao contrário de um texto sobre a agonia que você me causa, preciso de um texto com mais de mil palavras e ainda assim elas seriam falhas, porque há muito a dizer sobre o que você me causa neste momento. Partirei para o clichê de que eu só descobri o que era amor e que ele realmente existia, depois que passamos a nos relacionar. E que a partir de então, todas as vezes que ouço falar sobre essa palavra obscura, a imagem do seu rosto surge imediatamente na minha cabeça.

Como você disse outro dia, talvez eu sofra de algum tipo de fanatismo religioso redirecionado para você, mas não acho que seja o caso. É só que a vida é cruel em tantos aspectos e ansiedade, insegurança e outros atrasos mentais fazem com que eu redirecione todo o meu esmero àquelas pessoas que eu quero bem. Não aprendi a dar valor para as coisas que tenho, porque aprendi que elas perderiam completamente a importância caso eu fosse sozinha. Considerando isso, prezo mais a capacidade de increase my skills no que diz respeito a ser tão boa para as pessoas quanto elas são para mim e, bem, você é muito melhor para mim do que jamais seria capaz de imaginar.

Bom, cá estou eu, um ano depois, ainda sem saber exatamente qual a melhor maneira de te desejar um feliz aniversário. Sei que com muito doctor who, pessoas ruivas, sci fi em geral, jogos, lasanha e alguns cachorros a felicidade reinaria no seu big day, mas, cá entre nós, você consegue esse tipo de awesomeness não importa que dia do ano seja. Talvez o dia do aniversário não tenha nada de especial – além da desculpa para ganhar bons presentes e receber um texto mané. Ou talvez tenha, tipo, sei lá rir da minha cara enquanto eu me sujo comendo lasanha e tentando me impor perante cachorros fofos e entender um pouco dos jogos obtusos.

O fato é que, 24 anos se passaram desde que o mundo ganhou a preciosidade mor e muitas vezes incompreendida, sir Willian Perpetuo Busch. Eu, que tenho a honra de compartilhar bons momentos há pouco mais de um ano, só posso dizer que quem teve mais tempo é incrivelmente sortudo e bobo por ter se distanciado. Espero poder estar com você por muitos outros aniversários e que até lá eu aprenda o que te dizer neste dia que talvez nem seja tão importante assim.

Por hora, cabe lembrar-te de que te amo muito e sem você meu mundo estaria eternamente no darkside. Que neste e em todos os anos a força esteja com você e que você nunca se esqueça de 42.

Abraços sinceros, Mayra.

2.0 é outra história.

Nas minhas lembranças mais remotas, estava o sonho de fazer 20 anos. Nunca consegui me imaginar mais velha do que isso e a ideia absurda de que essa idade já chegou as vezes me dá calafrios absurdos. O que já fiz da vida? O que não fiz e deveria ter feito? O que virá pela frente? Parece que agora o bicho está começando a pegar. E de maneira bem adversa àquela que a Mayra mirim cria, afinal estou bem longe de ter uma rede de televisão (longe até mesmo de considerar essa hipótese). Assim como não pretendo ter filhos tão cedo e muito menos estou casada e morando em uma casa muito legal. Essas coisas, no fim, só serviram como pano de fundo de boas brincadeiras de barbie (aquelas que, justamente, me fizeram chegar até aqui).

A realidade é bem diferente. Moro com meus pais, estou no terceiro ano da faculdade – decidindo o que fazer na tenebrosa monografia. Divirto-me vendo mil e uma séries, lendo vários livros e rindo com pessoas incríveis, que fazem os meus dias muito melhores. O mundo não é cor de rosa, ainda tenho que tomar remédios desagradáveis, ocorrem coisas estressantes, pessoas mudam e passam a me estressar, eu mudo e passo a estressar os outros, a dinâmica familiar passa a ser estressante em determinados aspectos, mas o rio continua a correr. As terapias semanais estão quase em dia, assim como as aulas de yoga, infelizmente em férias. O IRA está aumentando e a vontade de saber o que pode acontecer daqui para frente também.

Tentando pensar no que já fiz, concluí que já fiz muita coisa. Fui apresentadora de tv quando criança, assim como apresentei uma abertura para mais de 50 mil pessoas e não morri. Foram seis ou sete peças de teatro e várias várias viagens. Tive a chance de conhecer cinco países além do Brasil e 2 continentes além da América. Fiz amigos sensacionais, aproveitei meus avós o máximo que pude, tentei vencer cada obstáculo que impus a mim mesma e mesmo quando tentei, não consegui desistir da ideia genial que é explorar a vida, o universo e tudo mais. A vida é uma viagem e é uma pena eu estar só de passagem, como diria o Leminski.

Acredito estar vivendo um daqueles momentos de ouro, mesmo entre os dias entediantes. Olho-me no espelho e rio. Os cabelos estão normais, o rosto continua o mesmo e a risada aleatória ainda está lá. Ainda sou eu, no fim das contas. Mesmo sendo esse ser completamente incrível e desconhecido. O universo continua sendo muito maior do que eu e cheio de problemas que jamais serei capaz de resolver. As pessoas continuam a me decepcionar e o modo de enxergar a vida passa por transformações absurdas em questões de segundos. Eu estou viva. Eu olho ao redor e tenho a certeza mais absoluta de que aqui estou. E, digam o que quiserem, considero ter feito um trabalho bom até agora, mas com potencialidades expansivas infinitas. E é a elas que me dedicarei, agora que tenho 2.0 no meu motor. Se Raul pedia para parar o mundo porque ele queria descer, informo que pode continuar girando, porque aprendi a seguir o fluxo e aqui vamos nós.

#todossomosdivos
#todossomosdivos

P.S.1: Muito obrigada a todas as pessoas lindas que lembraram de mim ontem e me parabenizaram de alguma forma! Fiquei muito feliz com tudo.

P.S.2: Um obrigado especial para todos que compareceram à comemoração e abrilhantaram o meu dia com suas ilustres presenças, não teria tanta graça sem vocês.

P.S.3: E o agradecimento mais especial de todos para meu grande impulsionador de exploração de potencialidades, Willian.