Você

Hoje eu lembrei de você. Faz tanto tempo, tanta coisa nesse fluxo contínuo de tempo e espaço ao qual chamamos vida.

Somos apenas um ponto comum que interseccionou duas retas que continuaram a seguir infinitamente e a interseccionar-se ad infinitum com outros alguéns.

Apenas rostos, lembranças, histórias e vida construída passo a passo, lado a lado.

Eu sinto falta de você. Queria que você tivessse ideia do quão difícil é admitir isso depois de todo esse tempo, de todos esses acontecimentos e de toda a mudança que nos ocorreu.

Não sei mais quem és e muito menos sabes quem sou.

Mas eu ainda sinto sua falta.

Eu ainda lembro de você sempre que mencionam relacionamentos, seja porque você foi o mais próximo disso que tive, seja porque graças a você não pretendo ter algo assim tão cedo.

Lembro de você quando conheço gente inteligente, quando penso sobre física, quando vejo coisas sobre a Islândia ou quando passo algum tempo encarando alguém.

Lembro também quando como coxinha e quando tento abrir os sachês de ketchup nos lugares em que vou.

Lembro de você quando pego na mão de alguém, porque sempre fico tentando encontrar a sua, com suas unhas que crescem desreguladamente.

Procuro seu cabelo, seus óculos e seu cheiro de banho tomado que nunca desaparece.

Procuro por suas piadas, seus conselhos e por alguém que aceite conhecer a mim tanto quanto você fez.

Mas eu tenho medo. Você me deixou com medo. Não consigo me imaginar fazendo tudo de novo com outra pessoa, abrindo-me tanto para que depois tudo seja destruído e reste-me apenas lembranças e dias infinitos de choro profundo.

Eu me afastei tanto de mim mesma depois de você que acabei por repelir a todos e nunca mais consegui ser sincera o suficiente com ninguém.

Eu decidi deixar de falar com eles e simplesmente agir, porque eu falei tanto com você e nada nunca deu certo.

A gente só chorou e se machucou e chorou e se machucou e isso nunca teve fim, até que decidissemos nunca mais nos falar e esse rompimento brusco me machucou tanto que mesmo achando que superei eu sei que nunca vou superar. Sempre vou ter você aqui dentro.

Dizendo que estou fazendo tudo errado e que deveria voltar a ser como eu era, ou seja, uma pessoa legal. Dizendo que eu deveria voltar a conversar e ser sincera e falar tudo que penso e sinto, mesmo que isso gere textos enormes e chatíssimos, porque é assim que eu sou.

E ai, como eu sinto falta de você tentando medir meus batimentos cardíacos e dizendo que nenhuma das minhas teorias malucas me levaria a uma prática mais fácil!

Acho que segui esse conselho muito à risca. Eu sinto saudades de pensar. De ser racional. De mandar sms perguntando se posso te abraçar. Sinto saudades de você.

Onde você está? O que a gente fez com a gente? Por que é que a gente teve que ficar tão longe, mesmo querendo estar tão perto? Quem somos nós agora?

Você ainda lembra de mim? Ainda pensa em mim? Ainda perde algum minuto da sua vida chorando por mim, do mesmo jeito que eu faço com você nos dias aleatórios em que lembro da sua existência?

Você.

Queria fazer uma lobotomia de você.

Não Preciso Disso pra Ser Feliz.

Nem pra me sentir completa.

Isso tudo é uma piada. A vida é uma grande piada, contada, diversas vezes, por péssimos piadistas que nos fazem rir só porque chorar na frente deles seria deplorável. A verdade é que o mundo só caminha quando passamos a dotar a ele algum tipo de sentido, não importa qual seja. Tem gente que quer ser feliz, outros querem mudar o mundo, outros querem apenas existir sem que ninguém os incomode, outros não querem nada, mas todos perdem tempo pensando em qual sentido esperam que o mundo e a vida em geral tenha para eles. E eu não me importo com o que as pessoas querem, só fico triste quando percebo que o que as motiva a querer as coisas são coisas com as quais não concordo. E eu sei que eu não deveria me importar que eu não deveria ficar indignada com as diferenças, mas sim aceitá-las, mas, bem, isso é difícil.

Porque desde que eu nasci me disseram que eu deveria viver em busca de uma coisa chamada “felicidade” e eu nunca soube ao certo o que é isso, mas todas as vezes em que senti meu estômago borboletear após algo bom ter acontecido em minha vida, denominei que tive um momento de felicidade. Aos poucos percebi que viver na felicidade é algo que não existe, aprendi que é apenas uma palavra, como todas as outras, uma palavra que tenta simbolizar um sentimento irreal. Ou real por apenas poucos segundos. E isso foi terrível. Porque ver sentido na música de natal que diz “papai Noel, vê se você tem a felicidade pra você me dar/ já faz tempo que eu pedi, mas o meu papai Noel não vem, com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem” é algo absurdamente absurdo. E todas as vezes que me pego refletindo abruptamente sobre temas que ninguém se importa lembro-me de meu primo assistindo a Clube da Luta e comentando só e unicamente “as cenas de ação são massa, mas esse cara é muito pilhado” e penso que, bem, eu sou muito “pilhada”, o que quer que isso queira dizer. Porque eu simplesmente não consigo engolir determinadas situações sem que isso gere em mim uma reação em cadeia de pensamentos terríveis que, na maioria das vezes, resultam ou em textos chatos, ou em eu descontando minhas neuras em gente nada a ver. Já descontei as neuras hoje, mas não foi suficiente. Precisava fazer um texto.

Eu tinha cinco anos quando disseram que eu tinha casado. Estava sendo daminha do casamento do meu primo, junto com o irmão da esposa dele e disseram que a gente se casou junto com eles. Acreditamos e passamos a noite dançando junto, como os noivos estavam fazendo e depois saímos dizendo que nos amávamos, pois era o que os noivos fizeram. Com seis anos todas as meninas da sala se reuniram e disseram que gostavam cada uma de um fulano, eu tive que arranjar o meu, caso contrário ficaria sem amigas. Com oito anos, os pretendentes eram outros e tínhamos passado a ser mais seletivas. Perdi-me no tempo e consegui sobreviver sem adentrar-me nesse meio torturante em que eu tinha que fingir interesse por um menino idiota só por ser bonito para ter amigas e de repente estava com catorze anos, todas as minhas novas amigas já tinham beijado algum garoto e as conversas em suma maioria eram sobre eles. E eu adentrava mesmo sem ter nenhuma experiência, só porque sempre gostei de meter o bedelho na vida alheia. E eu completei quinze anos e não ganhava mais tantos presentes de aniversário, a maioria das pessoas terminava o cumprimento com “um bom namorado”. Com dezesseis terminavam o cumprimento com “e muitos gatinhos”. Com dezessete davam três beijinhos que era “pra casar” e com dezoito faziam tudo ou diziam “nem adianta desejar essas coisas mais, né?” e eu nunca soube o que fazer nessas situações, na verdade, nunca sequer compreendi as razões para que elas existam.

Atualmente toda semana eu tenho que escutar alguém elencando motivos para que eu arranje um namorado, explicando seriamente sobre o quão a vida melhora quando isso acontece “você se frustra menos”, “beijar é bom”, “é bom ser amado” e tudo que eu consigo pensar é que eu consigo todo o amor que necessito com a minha mãe e meu pai e não estou interessada em procurar mais um ser para esse fim. E tudo que eu consigo pensar é em dizer, ”Por favor, vá cuidar da sua vida”, mas sei que meus pais ficariam chateados com a “falta de educação” e então fico calada. Porque a coisa é tão absurda que a falta de educação não é em meter o bedelho na vida alheia, mas sim em reclamar que estejam fazendo isso, porque “eles falam para o seu bem”. Quem foi o burro que disse um dia que isso seria para o meu bem?

Tenho apenas dezoito anos, mas já estou morta de cansada de rir das piadas engraçadas da vida e de fingir que estou rindo das tristes. Estou morta de cansada dessa gente que tira não sei da onde que a vida ideal é morar numa casa com quintal, ter cachorros, um marido rico e bonito e mil filhos. Não que tenha algo errado em pensar assim, o errado, sob o meu ponto de vista, consta no fato de a pessoa achar seu pensamento tão certo a ponto de tentar implantá-lo na vida de todos os outros seres que encontra. Porque eu não concordo com nada disso, mas só tenho coragem de abrir a boca em situações como esta quando sei que o interlocutor vai entender e não vai apenas dizer “ai, essa aí é uma louca que ainda acredita que pode mudar o mundo” porque, eu não acredito que eu vá mudar o mundo, minha gente! Eu só não concordo com as linhas de pensamento tradicionais e prezo pelo meu direito a ser livre para pensar e agir de acordo com o que eu bem entender! Porque eu nunca cheguei pra uma garota e disse “pare de se sujeitar a essa teoria abrupta de que você precisa estar apaixonada e ter um namorado lindo aos 15 anos para ter um futuro perfeito” eu simplesmente deixei de acreditar nisso e comecei a viver melhor comigo mesma.

Porque não há nada de errado em não querer que sua vida dependa da vida de outra pessoa. Em não querer ter um namorado só porque a sociedade lhe impõe que é o certo a fazer. Em acreditar no amor em pleno século XXI. Em tentar descobrir maneiras cada vez melhores de viver e aproveitar bem a vida, independentemente de qual linha filosófica você tenha que seguir para isso. Não há nada de errado em ser quem se é, independente se é loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, ladrão, polícia ou capitão! Todos têm as mesmas chances e probabilidades de conseguirem o que querem da vida e até mesmo de decidirem que não querem nada! E eu não luto pela minha felicidade e os outros que se danem e não luto pela felicidade dos outros e eu que me dane, eu não luto por nada! Apenas tenho o singelo desejo de que possamos respeitar, de fato, uns aos outros e parar com essa babaquice de acreditar que a vida fácil, ou que é passada para nós como fácil, como tradicional e, diversas vezes, como certa, seja de fato a mais fácil, tradicional e certa. Meu desejo é apenas que cada um tenha a capacidade de descobrir o que é melhor para si mesmo, sem tentar impor isso a nenhum outro. É que deixem as garotas que não querem namorar ou que anseiam desesperadamente por isso, mas por algum motivo não conseguem, em paz e ao mesmo tempo em que deixem em paz a que começou a namorar aos onze anos. Eu só queria que todo mundo vivesse a vida em paz. Tanto consigo quanto com os outros. Sem essas pressões abruptas e toscas que uma sociedade e uma cultura de loucos vive nos impondo!

Eu só queria poder morrer virgem aos 110 anos sem ter que ouvir toda semana algum panaca me dizendo que eu deveria estar namorando. Porque, mesmo que a felicidade esteja em falta, seja rara e uma palavra infeliz, é possível alcançá-la sem ter um homem nas costas – ou em qualquer outro lugar do corpo.

Desculpem-me, eu precisava desabafar.

Dolores Haze, vulgo Lolita.

Hoje é um dia de vitórias para a minha pessoa, afinal depois de QUATRO meses, sim, vocês leram direito, eu consegui terminar um livro e não foi um livro qualquer, foi Lolita, o maravilhoso. Dei pulinhos ouvindo “We Are The Champions” – como sempre faço quando realizo algo depois de muito batalhar – e gravei um vídeo que não chega nem aos pés do que deveria ter sido, mas ando com capacidade para tudo muito diminuta. De qualquer maneira, espero que vocês gostem e se apaixonem e morram de vontade de correr para ler essa maravilha de bolhinhas pretas com gloss rosa. Lo-li-ta <3

P.S.: Agradecimento especial a Anna Vitória e Taryne por terem me feito morrer de vontade de ler essa belezura.

Ode ao Amor

Hoje é dia de ovacionar alguma coisa, pelo menos foi o que eu e um grupo de blogueiras combinamos. Passei, portanto, o dia inteiro pensando a que dedicaria meu texto. Pensei no chocolate, sempre delicioso, presente e capaz de gerar êxtase mesmo nos momentos mais depressivos da minha vida, pensei no pão de queijo, aquele bem quentinho e delicioso preparado pela minha mãe, pensei também na pamonha e em todas as delícias que podem ser produzidas por grãos de milho e então resolvi fugir do tema “comida“. Comecei a pensar nos meus filmes favoritos, nos meus diretores favoritos, escrevi mentalmente um texto lindo para o Tim Burton, ovacionando junto com ele a magnífica Helena Bonham Carter e o incomparável Johnny Depp, mas pensei que homenageá-los em um texto conjunto não seria o suficiente. Mudei então o foco e comecei a pensar em lugares visitados pela minha pessoa e que me causaram boas sensações, comecei a pensar em pessoas que me trazem boas lembranças e boas sensações, comecei a pensar em épocas específicas da minha vida e aventuras passadas nelas, pensei em muitas coisas! Devo ter escrito mentalmente mais de 20 textos. Sim, porque depois de todos esses temas comecei a pensar nas músicas, nos meus cantores, nas minhas letras e nas minhas melodias preferidas, então abrangi temas fúteis como minhas roupas favoritas e depois temas mais abstratos, como o número 5 (meu número da sorte) e depois de passar horas a fio pensando, repensando, planejando e replanejando o que escrever em um texto de homenagem a algo, retornei ao tema mais simples e básico de todos.

Porque se eu não amasse cada uma dessas coisas jamais teria sequer cogitado a possibilidade de ovacioná-las.

E foi aí que eu percebi que é o amor que me move, que cada passo que dou em minha vida é impulsionado por amor a alguma coisa. Percebi que todos os meus planos e metas são fundamentalmente baseados no amor. Enquanto jovens pré-vestibulandos planejam suas vidas pensando no retorno financeiro de seu futuro, eu só quero saber de fazer algo que permita-me amar e ser amada. Não me importo em ser pobre, feia, gorda ou doente, desde que eu seja livre para amar tudo o que eu resolver amar.

Então parei para pensar e concluí que o mundo de hoje é muito fechado para pessoas como eu. Enquanto eu saio amando todas as pessoas simplesmente por sorrirem e serem gentis comigo, os outros saem odiando a qualquer um que não sorria para eles por um dia. Eu não, se eu amo alguém eu sempre vou amar esse alguém, mesmo que ele passe a ser totalmente o oposto do que um dia foi, mesmo que passe a me maltratar e que vire um completo trouxa segundo o meu ponto de vista, porque essa pessoa me proporcionou coisas boas e ao amar os momentos que passamos juntos, estou amando nem que seja um mínimo pedaço dela.

Percebi que sou uma pessoa completamente passional, movida ao amor, literalmente. Percebi que se eu não me sinto confortável, bem, se certa coisa não me agrega nada de agradável eu vou logo descartando. Sou dessas que mantém por perto somente o que lhe engrandece, convive somente com quem se é capaz de amar. Eu amo. Amo muito. Sei que é perigoso fazer isso em um mundo como o de hoje, mas não me importo, morrer por amor continua sendo a melhor maneira de morrer.

É por isso que eu gosto tanto de Beatles, eles me entendem. Eles entendem que tudo que precisamos é de amor. Eles me impulsionam e me motivam a continuar acreditando nisso. É por isso também que gosto tanto de estudar o romantismo, aquelas pessoas eram capazes de cometerem suícidios após escreverem livros lindos e perceberem que no mundo real nem um oitavo daquilo seria possível.

Então eu resolvi homenagear o amor, que segundo Empédocles (um filósofo clássico grego) é a força que une os quatro elementos e é dele que derivam todas as coisas unidas que conhecemos.

Resolvi homenagear o amor porque sem ele eu não seria nada.

Resolvi homenagear o amor porque sem ele o mundo não seria nada.

Resolvi homenagear o amor porque é disso que estamos precisando.

Resolvi homenagear o amor porque não tenho a menor vergonha de dizer que eu amo a quantidade absurda de coisas, pessoas, sentimentos, momentos, comidas, cheiros, gostos e toques que eu amo.

Resolvi homenagear o amor porque ele merece, ele é suficiente.

E, como em uma peça teatral que eu vi anos atrás, digo-lhes: Ode ao Amor, seja como for.

Eis que o Silêncio grita.

Nunca havia visto o silêncio falar tão alto. Ultimamente venho notado que o ser humano tem uma necessidade incessável de falar e ser ouvido, precisa de atenção, as vezes muito mais do que realmente consegue obter, a verdade é que todos nós gostamos de ter alguém por perto que esteja ali simplesmente por querer estar ali, sem se importar com rótulos e afins.

O silêncio grita porque ele não existe. São poucas as pessoas que se sentem confortáveis em ambientes silenciosos, poucas sentem-se confortáveis consigo mesmas, poucas tentam entender seus pensamentos, poucas tentam realmente ser algo, enquanto a maioria está preocupada em ter coisas.

Vivemos acostumados a submeter as nossas vidas a tudo e todos que tentam mandar em nós, não digo isso apenas por experiência própria, é o que tenho visto. Poucos são os que são autênticos o suficiente para chutar tudo aquilo que fazem por obrigação e fazem somente aquilo que realmente lhes fornece prazer. Certo é que a maioria diz que nem tudo são flores, que para se chegar ao céu é preciso passar pelo inferno, no fim, precisamos do desequilíbrio para que valorizemos o equilíbrio.

Tenho sentido inveja dos animais considerados “irracionais”, porque eles sim valorizam a vida, fazem tudo instintivamente, sem grandes intenções por trás, sem esperar grandes coisas, sem se decepcionar, fazem tudo que é necessário como é necessário, não sentem essa insatisfação que não nos abandona nunca, não, para eles está tudo bom, tudo sempre bem, é uma vida fácil e boa. Queria ser um pássaro, deve ser legal sair voando por aí, sem lenço nem documento.

Mas eu sou humana e vivo num mundo cheio de gente que finge que ser o que não é e tem vergonha de quem gostaria ser. O humano almeija a perfeição e quanto mais próximo chega dela, mais ele almeija, estando assim eternamente insatisfeito. Testam seus limites, mesmo que ninguém os peça para fazer isso, estão sempre em alguma competição, mesmo que seja contra eles mesmos.

Enquanto isso o silêncio está apenas lá, sozinho, esperando que nos aproximemos dele e sintamos seu sabor.

Certamente sou insatisfeita, nada nunca me satisfaz, porque não sei o que eu busco. Felicidade é algo extremamente lindo e necessário, mas fútil demais para ser o ideal máximo de vida. Amor é maravilhoso, mas difícil de ser encontrado em meio a tanto ódio e tanta superficialidade. A arte é o que me prende aqui, o que ainda consegue me surpreender um pouco e me fazer respirar, sentir algo. As vezes eu só queria sentir algo.

Realmente espero que todas as pessoas que conheço atinjam seus ideais de vida, quanto a mim, continuarei a pensar e escrever sobre isso, dinheiro não é assim tão necessário, pelo menos não em grandes quantidades e enquanto eu não achar algo pelo qual valha a pena lutar, continuarei sem lutar por nada, vivendo passivamente e banalmente. Chata, como sempre fui. Fútil, ridícula e mimada. Super-protegida e insatisfeita, eternamente.

Se algum dia algo muito bom acontecer por aqui, bom o suficiente para me fazer levantar da cama com um sorriso no rosto e vontade de lutar, a vida perderá seu sentido, porque ela só faz sentido enquanto não descobrimos o nosso real ideal, depois que fizermos isso, de nada mais adiantará continuar aqui.

Eu amo muita coisa, meu coração acelera a cada vez que presencio muitas coisas, muitas coisas despertam bons sentimentos em mim, mas a felicidade só é real quando compartilhada e enquanto estiver aqui sozinha, somente o silêncio poderá me compreender – se algum dia eu conseguir ouví-lo – a verdade é que sem a minha mãe por perto (o único e supremo referencial de amor que possuo) fico assim, abobada e desesperada por algo que seja ao menos real.