BEDA #31 É TETRA!!!!

Não vim fazer um post tardio para o tetra da Alemanha, embora, convenhamos, foi mais do que merecido. Muito menos para o ano do meu nascimento, onde o Brasil foi tetra. É só que, à guiza de comemoração, ou me recordo de um grito de Galvão Bueno que nem ouvi ao vivo (conscientemente) ou de Freddie Mercury cantando “we are the champions”. Se bem que, na maioria das vezes, o que me vem em mente é justamente galvão narrando o tetra com Freddie de fundo. Sei lá, é assim que a cabeça funciona.

Finalizando a digressão, esse é um post para agradecer as cerca de 30 pessoas que acompanharam diariamente essas minhas crônicas sem pé nem cabeça. Hoje é o último dia do desafio e é a primeira vez que consigo cumprir um desses desafios de posts diários e me sinto muito orgulhosa de mim mesma por isso. Além do mais, hoje é #blogday, o que faz ser regra ter um post no blog.

Além de agradecer essas pessoas desocupadas que leem o que escrevo, preciso dizer que fazer esse desafio foi muito bacana para criar disciplina pelo menos em algum âmbito da minha vida. É muito difícil ter o que falar para desconhecidos todos os dias e mais difícil ainda separar tempo para pensar e escrever coisas decentes. O resultado disso foram uma série de posts clichês e feitos nas coxas, mas, bem, exigir que eu postasse por 31 dias seguidos e que fossem coisas relevantes em todos era querer de mais. Espero, porém, que pelo menos algum destes textos tenha ficado bom e servido pra alguém em algum momento. Eu aprendi bastante e reavivei o costume de sentar e escrever sobre o dia no final dele, que nem nas épocas de diários. Foi bastante divertido!

Deixo aqui um sumário do desafio, para facilitar a vida de quem não leu tudo na ordem e está com vontade.

#1 Let the game Begin

#2 Carta aos Leitores

#3 Maldito Vídeo

#4 Sobre o Fim das Férias

#5 Yoga

#6 Where the Wild Things Are

#7 O que você faz quando ninguém está vendo?

#8 Diga-me o que assistes e te direi quem és

#9 Millenium

#10 Sobre Comer

#11 Forty-Two: Don’t Panic

#12 Brincando de Deus

#13 Puff… Is Gone

#14  

#15 Diário de Classe

#16 A eterna Questão

#17 Temos uma Música!

#18 Medo do Escuro

#19 Testes e mais Testes

#20 Pop Divas

#21 A pacífica Atemporalidade

#22 Fé no Aquecimento

#23 Horário Eleitoral

#24 Filmes Recentes

#25 Apps Úteis

#26 Ciência com Fronteiras

#27 Devolvam meu Descanso

#28 Solidariedade Indireta Mútua 

#29 Des-Elogio

#30 Medida Certa

BEDA #30 Medida Certa

Minha mãe nunca foi apenas mãe, ela sempre foi minha amiga. É que eu nunca fui do tipo que faz muitos amigos pela vida, então tive a sorte de ser deixada com uma mãe que cumprisse os dois papéis.

Em alguns momentos achava que isso viria a ser diferente, que a gente ia parar de conversar sobre todas as coisas, porque eu ia crescer e tal. E, bem, talvez o dia de a gente parar de conversar sobre todas as coisas chegue, mas acho que está longe. No momento, a gente senta na mesa da cozinha, nos nossos momentos de café, e conversamos sobre tudo que dá na telha. Uma coisa bem Gilmore mesmo. E talvez uma das principais razões para eu gostar tanto do seriado.

Poucas são as pessoas que conheço que conseguem passar tanto tempo com a mãe sem se sentir incomodada e que sente liberdade para falar que não está afim de conversar sobre aquele assunto ou naquele momento. Sempre brinco que acabo sendo mais mãe dela do que ela minha, mas, na verdade, sei que a gente cresce e aprende juntas. Muito melhor do que separadas, aliás. Ela não nasceu sabendo como seria ser minha mãe, da mesma forma que não nasci sabendo como seria ser filha dela. Mas, sinceramente? A gente manda muito bem nesse negócio.

Creio que a minha relação com a minha mãe seja a mais bem resolvida da minha vida. E nem é uma coisa pra parecer bonito em blog, é que, bem, é a minha mãe. Acho difícil que alguém a conheça e não comece a se dar bem logo de cara. Ela é incrível. E, no auge dos meus dias depressivos, minha razão para continuar viva. Enfim, eu tô escrevendo tudo isso pra dizer pra vocês que as vezes a gente mora com pessoas incríveis e que nos amam absurdamente e estamos tão fechados em nós, que não nos dignamos a prestar atenção nelas. Enquanto isso, ficamos carentes e procurando atenção de outras pessoas, enquanto aquelas, por sua vez, fazem o mesmo. E tudo poderia ser resolvido diretamente, com um bom abraço e um “obrigada por ter me parido e cuidado de mim até hoje”. É, que, sei lá, como ela sempre me fala, mãe a gente tem só uma. E, bom, na maioria das vezes é exatamente a medida que a gente precisa.

BEDA #29 Des-elogio.

Existem elogios bacanas. Dizer que uma pessoa está bonita, que a roupa lhe caiu bem, que está com cara de contente e que o penteado/corte de cabelo valorizaram o rosto. Típicas coisas que todo mundo gosta. Assim como todo mundo gosta de elogios pelo seu modo de ser, de escrever, de arrumar as coisas, de falar, ou qualquer outra habilidade boa da pessoa. E existem elogios ruins.

Vim aqui reclamar de dois. Um deles é sobre maquiagem. É legal uma pessoa que quase nunca usa maquiagem ouvir um “nossa, como você ficou bonita” quando usa. Da mesma forma, é legal ouvir um “continua bonita”, quando você usa todos os dias e fica um dia sem. Mas não é legal chegar para uma pessoa que raramente usa maquiagem e dizer “fica bem mais bonita assim, devia usar mais” ou falar isso para quem usa sempre e passa um dia sem. Cada pessoa usa ou não maquiagem de acordo com sua percepção de si mesmo e ninguém tem nada a ver com isso! Maquiagem serve pra você se sentir melhor consigo mesma, cumprindo isso, tá ótimo.

O outro deselogio, esse ainda mais irritante, é o tal do “nossa, como você emagreceu”. É bom ouvir isso quando você tem uns quilos a mais e passa eras da sua vida tentando controlar isso, comendo coisas esquisitas e se exercitando loucamente. É sinal do reconhecimento do seu esforço. Ok. Agora, ouvir isso sendo que pra você é normal ter quilos a mais, não te incomoda e você não mexe uma unha sequer para mudar isso, acaba surtindo o efeito contrário. Se a pessoa não se percebe como gorda, ao ouvir um “você emagreceu”, começa a se perceber e se sente mal. Só que esse deselogio pode ficar ainda pior. Quando é o caso de chegarem para uma pessoa magra e dizerem “nossa, você emagreceu”. Nunca conheci uma pessoa dessas magras de ruim e não magras-de-academia que fique feliz em saber que emagreceu mais. Pelo contrário, elas passam a vida inteira ouvindo dos médicos e dos pais que estão abaixo do peso e chegam a ficar contentes quando ganham alguns quilinhos. Aí chega uma pessoa infeliz e manda um “nossa, você emagreceu”, é a mesma coisa que chegar pra pessoa gorda que quer emagrecer e dizer “você deu uma engordada, hein?”. Não é legal. É irritante. Mesmo e principalmente porque a única pessoa que deveria ter interesse na sua massa corpórea é você mesmo!!!!! O que interessa se fulano emagreceu, engordou ou tá no mesmo peso?

Existem tantas coisas para se elogiar nas pessoas, pra que focar nessas tentativas falhas de se adequar a um padrão de beleza ultrapassado e mortífero? Aff.

BEDA #28 Solidariedade Indireta Mútua

Reclamar da vida é fácil. É aquela velha história de que sempre a grama do vizinho é mais verde e de que todas as dores sempre são menores que as nossas. Convenhamos que é um saco estar narrando a dor da sua vida e a pessoa responder com um “te entendo, também tenho dor aí”. É muito difícil a gente acreditar que a pessoa realmente nos entende, porque, claramente, se ela tivesse a mesma dor que eu não conseguiria falar sobre isso de modo tão banal.

Eu descobri que tinha artrite reumatóide com cinco anos e não me lembro de um dia sequer que eu tenha conseguido andar, esticar os braços, subir e descer escadas e semelhantes, sem sentir algum tipo de incômodo. Porém, agradeço sempre que possível à minha mãe, por ter sido atenciosa e perceber que eu tinha dificuldades para andar, quando eu tinha dois anos e pouco de idade. E também por, depois disso, nunca ter me abandonado, sempre me levando em médicos, provendo os remédios e apoio emocional nos momentos em que eu era zoada na escola ou ficava chateada por não poder fazer educação física e ter que ficar explicando pra todo mundo.

Com o passar do tempo, superei essa coisa de ter artrite. É claro que as vezes ainda reclamo. Dói, as vezes é muito difícil existir pisando no chão e semelhantes, mas é a minha vida. E, bem, tem gente pior.

Há um pouco mais de um ano, comecei a tomar um remédio intravenoso, aplicado em uma clínica. O remédio é fornecido pelo SUS e a aplicação também. São atendidas pessoas de 2 a 21 anos, todo o tipo de gente e cada uma delas com sua história, um tanto parecida com a minha, mas com suas particularidades. É uma experiência interessante ir tomar esse remédio, porque não tive, durante a infância, a oportunidade de conhecer outras pessoas que tinham a mesma coisa que eu. Isso fez com que eu me achasse um monstro e culpasse os genes familiares por terem me feito nascer assim. Ali, tendo a chance de conversar com todas aquelas crianças, adolescentes, semi-adultos, pais, avós e outros acompanhantes, aprendo com eles enquanto eles aprendem um pouco comigo.

O tempo passa mais rápido. Não é necessário ligar a televisão. A gente conversa, conta a vida inteira e se sente entendida. Porque ali as gramas dos vizinhos têm tons muito semelhantes. E não há sensação melhor do que conversar sobre como era ruim tomar corticóide e ficar inchada. Existem coisas na vida que só quem compartilha as mesmas doenças que a gente é capaz de entender. E é incrível, porque perto destas pessoas, não importa o quão ruim elas estejam, todo mundo sorri. Tomar o remédio, que é super chato porque temos veias difíceis e somos obrigados a perder um tempão do nosso dia, passa a ser uma experiência interessante. E cada vez que eu vou, conheço uma pessoa mais diferente e mais disposta a conversar. E a gente esquece que está ali tomando remédio porque somos todos ferrados e sem os remédios teríamos uma vida péssima. O tempo passa rápido e ainda torcemos para que no próximo mês o nosso horário coincida com o de alguma outra pessoa bacana.

Eu entendo as velhinhas que só sabem conversar sobre doenças e remédios. É um jeito maravilhoso de nos lembrar que a vida não é perfeita, mas ela ainda é vida. E que se o outro está conseguindo encarar, a gente também consegue. Chamo isso de solidariedade indireta e mútua. Porque a gente faz sem querer, mas faz tão bem pro outro quanto faz para nós.

BEDA #27 Devolvam meu Descanso!!!

Sabe-se que tenho 99 problems but to sleep isn’t one. Porém, no entanto, todavia, algo tem acontecido durante meu processo de sonolência. Vamos dizer… eu durmo. No final de semana devo ter dormido, somando sexta a segunda, quase 50h. Mas nunca me sinto descansada. Parece que todo tempo que passo dormindo, continuo acordada.

Quando não estou, de fato, acordada, revirando-me na cama desesperadamente e com uma angústia absurda por ter dificuldades numa coisa tão simples quanto dormir, ainda mais sendo eu. Estou dormindo e sonhando com todas as coisas que tenho que fazer no outro dia. Em detalhes. Prevendo momentos de olhar o instagram, conversar no whatsapp, checar o facebook e os emails. Além das conversas e acontecimentos previstos.

Não sei qual das duas opções é mais agoniante. A primeira demonta uma incapacidade absurda de controle por sobre o próprio corpo, afinal o cansaço existe, a necessidade do descanso está ali, mas, por algum motivo, o corpo insiste em se manter em funcionamento e ignorar a passagem das horas e a necessidade iminente de levantar da cama e fazer algo da vida. No segundo caso, sempre tem a hora de acordar. E não há pior sensação do que acordar e perceber que todo aquele dia que aconteceu na verdade era um sonho e que você vai precisar fazer todas aquelas coisas de novo, só que agora acordada. Isso gera uma constante sensação de deja vù que, sinceramente, é um pé no saco.

É assim que eu tenho dormido, rolado na cama, ou qualquer que seja o nome. Por muitas horas do meu dia. O cansaço não me permite produtividade e entre estar meio acordada ou meio dormindo, eu sempre prefiro a segunda opção. A questão é que, deitada na cama, pelo menos n ão estou passando a vergonha de demonstrar pensamento lento ou desinteresse, coisas muito comuns para pessoas que estão em modo-zumbi. A irritação por não conseguir sair desse modo cada dia aumenta mais, assim como a pilha de coisas que deveriam ter sido feitas.

O psicólogo, irritante como sempre, fica falando que eu preciso ser mais organizada, disciplinada e sempre ter um tempo para lazer, assim não vou me esgotar e vou conseguir dar conta das minhas sete matérias. Eu, mesmo com a consciência de que algo precisa ser feito, não tenho ímpeto de pensar sobre o que fazer, dado que o cansaço sempre acaba por me vencer e o anseio múltiplo por um descanso duradouro não cansa de crescer.

Se todo meu cansaço gerador de sono pudesse ser invertido e se transformasse em ânimo gerador de ações produtivas, minha vida seria muito mais fácil. E aí voltamos para as questões iniciais dessas crônicas: nossos maiores monstros estão dentro de nós mesmos. Sinceramente? Queria conseguir relaxar. (e assim comecei a entender quem usa drogas)