BEDA #26 Ciência com Fronteiras

Eu gosto de viajar, como todos já sabem. E tenho muita inveja de quando as pessoas viajam e eu não. O tipo de foto que mais me irrita é de gente em lugares legais que eu nunca fui e provavelmente não irei. Claro que em certos casos faço um esforço para ficar feliz pela pessoa, mas as vezes não dá.

Eis que a CAPES, o CNPQ e o Governo Federal não consideram que meu curso seja ciência. Veja bem, tem “ciência” até no nome, mas aparentemente arquitetura é mais científico do que ciências sociais. O fato é que não tenho direito a participar do Ciências sem Fronteiras e isso me frustra desde o segundo em que descobri. Porque há vagas para mobilidade acadêmica pela própria universidade, mas as implicações burocráticas são muito maiores e acaba não valendo tanto apena.

Quando descobri que dava pra escolher um país para estudar um ano de faculdade, com tudo pago e um benefício mensal para sobreviver, além de dinheiro para um computador e, enfim, tudo que você precisa – exceto viagens fora do itinerário, fiquei maravilhada. Ciências sem Fronteiras é um programa sensacional. O que me deixou mais feliz recentemente foi a previsão de um “Cultura sem Fronteiras”, que aí seria destinado a áreas humanas, ou pelo menos não técnicas quanto as do outro. Infelizmente, as chances de isso acontecer antes de eu me formar são escassas e, pra ser sincera, a essa altura do campeonato nem sei se eu teria coragem de embarcar nessa aventura.

O fato é que nesse semestre cerca de cinco pessoas que eu conheço embarcaram pelo universo sem fronteiras das ciências e eu fiquei realmente feliz pelas pessoas. Afinal, é uma oportunidade fantástica. Mas a inveja bate. Com muita força. E cada foto incrível que eu vejo fico mais agoniada com a sensação de “por favor, aproveite cada segundo, olha que legal essa chance” e me digno a acordar nessa humilde cidade todos os dias, enfrentando as variações climáticas mais absurdas possíveis na menor quantidade de tempo. É complicado. São os momentos típicos que era melhor que a internet não existisse. Ou que eu pudesse estar em vários lugares ao mesmo tempo, porque a vontade é de aproveitar bastante com cada uma das pessoas. Parece incrível. Por favor, se você faz algum dos cursos dito científicos, se inscreva nessa budega. Por favor. Por favor.

BEDA #25 Apps úteis

O uso de smartphones cresceu exponencialmente nos últimos anos. Na maioria das vezes influenciado pelo uso de bate papo online, como whatsapp e viber. Só que há vários outros aplicativos úteis por aí! Resolvi, então, mostrar os que mais uso.

1 Apps de redes sociais
Como perdi a paciência com facebook, só tenho o aplicativo do tumblr e do instagram. Ambos são bem funcionais

2 Editores de texto
Como escrevo bastante e uso isso na faculdade, foi necessário adotar aplicativos de editores de texto. Uso o Google drive (e o leitor de documentos) e o evernote, que deixa você anotar em cadernos separados o que quiser!

3 Financeiro
Acho essencial ter o aplicativo do banco, para sempre estar de olho no extrato e ter certeza que ninguém usou seja cartão por aí. Além disso, uso também o Minhas Economias, para anotar tudo que gasto e com que gasto.

4 Transporte
Há vários aplicativos com os horários e itinerários dos ônibus da cidade, uso o Busao curitibano. Há também como pedir táxi (é mais rápido que telefone!) uso o Táxi Já. Quando tenho que ir de carro ou a pé, uso o Google maps mesmo, que tem até opção de gps!

5 Organização
Google Agenda na veia. Além de notificar minutos antes do compromisso, é sincronizado com seu email, fazendo com que vc receba email de notificação também! Dá pra organizar os compromissos com cores, compartilhar com outras pessoas e, enfim, é ótimo!

6 Editor de imagem
Muito útil para instagram e tumblr. E também pra garantir fotos boas em geral

. Uso o aviary pra edição (tem até função meme!) e o instafit pra deixar as fotos padrão instagram.

7 Armazenamento
O celular sincroniza automaticamente com minha conta dropbox, fazendo com que eu acesse todas as minhas fotos onde estiver. Como armazeno meus arquivos mais importantes no dropbox, acabo tendo acesso a tudo o tempo todo.

8 Escrita
Não gosto do teclado samsung, mas nada que o swype não resolva! E tem também o app só wordpress, por onde estou escrevendo pela primeira vez!

Esses são os meus aplicativos! Lembrando que uso android e não sei como funcionam os outros sistemas operacionais!

BEDA #24 Filmes Recentes

Netflix e internet boa têm me permitido retornar aos velhos hábitos procrastinadores, nos quais gasta-se tempo vendo filmes. Eis que estamos perto de, finalmente, terminar esse desafio, e nem uma palavra sobre filmes foi dada. Visto que é um absurdo, resolvi falar sobre os três filmes legais que vi durante essa semana!

Melancholia

Não me lembro de ter visto outro filme do Lars Von Trier e, sinceramente, esperava uma coisa muito diferente. Convenhamos, eu gosto de filmes que, mesmo não lineares, contem uma história coesa e que faça sentido e que sirva para alguma coisa. E, ok, não é que o filme seja ruim, mas absolutamente não é o que eu esperava. Gostei bastante da Kirsten Dunst e tem o Alexander Skarsgard, então nem sei porque reclamar. Ok, sei sim: a segunda parte do filme é decepcionante. Sinceramente, momento em que me distancio pra sempre dessas coisas “cults”.

Prozac Nation

Now we’re talking. Anos 90, caloura da universidade que surta e precisa fazer tratamento e tudo que isso envolve. Esse filme tem plot. E uma boa plot. Dá vontade de terminar de ver pra tentar entender um pouco sobre a bagunça existencial da Elizabeth, além de que, acho que seja quase impossível alguém não se identificar com ela em algum ponto.

Requiem for a Dream

Now we’re talking 2. Duas histórias paralelas, falando sobre dois sonhos diferentes. Ambos os personagens condenados desde o início. Você começa já sabendo que as coisas ali não foram feitas pra dar certo e que, caso queira rir, deve voltar pra alguma série de comédia. Os cortes rápidos das cenas fazem com que o filme tenha menos falas do que filmes comuns, mas o mesmo impacto. O existencialismo induzido que o filme causa compensa. E Jared Leto novinho também, claro.

BEDA #23 Horário Eleitoral

Meu pai é uma pessoa difícil. Não que ele seja malvado, mas ele é muito fechado em si e isso dificulta aproximações. Tento não julgá-lo por isso, mas as vezes é complicado saber que você tem um pai, que ele está ali e que você não sabe conversar com ele. Conhece-o tão pouco quanto ele te conhece. Meu pai gosta muito de futebol, jornais, palavras cruzadas, sudoku, jogos do windows e política. Eu, por outro lado, não gosto de futebol, não tenho paciência para jornais (exceto o do Evaristo, de vez em quando), não consigo me concentrar pra jogar sudoku, sou horrível nos jogos do windows e, por mais que goste de palavras cruzadas, não gasto tempo que poderia ser útil com elas. Sobra a política.

Meu pai trabalhou com política por vinte e tantos anos e essa sempre foi uma questão forte para mim. Desde muito pequena, ia na câmara dos deputados visitar meu pai e conversar com o deputado. Ouvia as histórias sobre o Requião e o Lula e não sabia exatamente quem eram, mas eles pareciam importantes e legais. Sempre soube que o Fernando Henrique era ruim e que eu jamais deveria votar 45. Inclusive, eu deveria tentar convencer as pessoas a não votarem. Porque é um partido ruim, veio da ARENA, que era a parte conservadora da ditadura e, enfim, nada que as pessoas do 45 fazem é bom. Foi isso que eu ouvi a vida inteira.

Conforme fui crescendo, fui tentando entender mais sobre a coisa, tanto para meu próprio bem, quanto para ter mais assunto com o meu pai. E assim acabei sendo a pessoa que sempre sabe a música de quase todos os candidatos (e que as vezes demora muitos anos pra esquecê-las) e que liga a televisão somente para ver o horário político. Eu realmente gosto do horário político. Fico muito contente quando sei que ele vai entrar no ar! Mas gosto mais do horário pra deputados/ vereadores do que os de governadores/ prefeitos/ presidentes.

O que me atrai no primeiro caso é a forma como as pessoas se apresentam em 10seg. Eu fico pensando o que eu diria se estivesse ali, com apenas dez segundos para convencer alguém a votar em mim. Invariavelmente eu rio com as escolhas dos candidatos. Propaganda eleitoral é sensacional. Os nomes, a posição do cenário, a escolha das cores, das palavras, o modo como são ditas, o que o corpo do candidato expressa no momento, tudo é sensacional. No segundo caso, gosto de prestar atenção na discrepância do tempo que as grandes coligações têm frente aos candidatos “menores”. E também o que tanto um quanto o outro fazem com esse tempo ali. Como eles vendem seu peixe. Alguns usam o tempo para atacar o adversário, outros para chamar pessoas que gostam de si para que digam pro mundo o quanto a pessoa é bacana e outros mal têm tempo para dizer o nome e o que querem fazer. Eleições são sensacionais.

Hoje lá estava eu, assistindo o programa eleitoral gratuito e tentando ver se realmente a regra do “não vote no 45 ou pessoas que apoiam eles” ainda me representa. Então eu vi candidatos dizendo que buscam a redução da maioridade penal, a manutenção da família cristã e um terminou seu tempo com a frase “endireita Brasil!”. Eu tenho medo dessas coisas. Então acho que a regra ainda vale. E acho inclusive que é possível dizer que eu sou esquerdista. Mas de verdade, que se sente representada por candidatos do psol e do pstu e fica muito chateada com o fato de eles nunca ganharem. Inclusive, hoje eu tive a elucidação de que gostaria de poder votar em uma candidata trans. Acho que o dia que uma mulher trans ganhar uma eleição teremos chegado em algum tipo de política que realmente me agrade.

Meu pai continua intrigado com questões políticas. Continua tendo opiniões sisudas e conservadoras em alguns aspectos. Cada eleição que passa fica mais difícil de conversar com ele, principalmente se sua opinião não for a mesma. Os argumentos ficam cada ano mais ultrapassados e é uma sensação incrível conseguir ganhar dele em alguma discussão política. Mesmo com todas as dificuldades, ainda é aí que a gente se encontra de algum modo. É aí que a gente conversa. E, de qualquer forma, a vida segue.

BEDA #22 Fé no Aquecimento

Estava na quinta série quando ouvi falar sobre aquecimento global pela primeira vez. Para mim a coisa foi apresentada como uma certeza. Filmes como “um dia depois de amanhã” e o próprio “a era do gelo 3” (embora esse se passe em um momento bem diferente), sempre me causaram um temor horrível. Ir a praias e perceber que haviam novas barragens para o mar, porque ele começava a atingir as avenidas, me deixava angustiadíssima. Aprendi a escovar os dentes com a torneira fechada e passei a me esforçar para diminuir o meu tempo de banho. Além de ter aprendido o básico sobre reciclagem, reutilização, sustentabilidade, salvem as florestas, amazônia pra sempre e afins.

E então eu conheci pessoas que dizem que aquecimento global é mentira. Que as coisas estão aquecendo, mas pode demorar muitos anos pra acontecer toda a catástrofe que nos é passada. Que ok economizar e se preocupar com a sustentabilidade, mas não há sangria desatada. Essas pessoas dizem que o buraco na camada de ozônio não existe e, se existe, não vai mudar muito a nossa vida.

Então eu passei a ver o aquecimento global de um jeito diferente. Não como uma certeza, mas como uma possibilidade. É inegável que esse ano foi mais quente que o ano passado, por exemplo. Muito mais quente. Até no inverno. Até em Curitiba. É fato que algumas geleiras derretem e que alguns animais entram em extinção e desaparecem. Mas não sei se isso é tão absurdo quanto sempre me foi passado, porque faz parte do ciclo climático períodos de degelo e outros glaciais e, bem, dado os erros na previsão diária de tempo, não consigo acreditar muito nessas previsões à longo prazo.

No fim, o aquecimento depende de uma crença na existência dele. Existem aqueles que acreditam e aqueles que não acreditam. E se ele existe ou não, ninguém consegue provar com argumentos bons o suficiente para desmanchar a outra parte. O interessante é que essa poderia, facilmente, ser a descrição de Deus. E o ponto é que: se mesmo sem as pessoas conseguirem provar empiricamente a existência de deus, atos baseados nessa crença afetaram a história da humanidade basicamente desde que o mundo é mundo, pouco importa a existência do aquecimento global, mas sim as consequências da síntese dessa crença e descrença. A potencialidade de isso ser impactante, a meu ver, é maior do que a necessidade de uma prova de existência ou não. O que interessa é observar a fé na coisa e não a coisa em si.

É , aquecimento global é algo que me intriga.