BEDA #29 Des-elogio.

Existem elogios bacanas. Dizer que uma pessoa está bonita, que a roupa lhe caiu bem, que está com cara de contente e que o penteado/corte de cabelo valorizaram o rosto. Típicas coisas que todo mundo gosta. Assim como todo mundo gosta de elogios pelo seu modo de ser, de escrever, de arrumar as coisas, de falar, ou qualquer outra habilidade boa da pessoa. E existem elogios ruins.

Vim aqui reclamar de dois. Um deles é sobre maquiagem. É legal uma pessoa que quase nunca usa maquiagem ouvir um “nossa, como você ficou bonita” quando usa. Da mesma forma, é legal ouvir um “continua bonita”, quando você usa todos os dias e fica um dia sem. Mas não é legal chegar para uma pessoa que raramente usa maquiagem e dizer “fica bem mais bonita assim, devia usar mais” ou falar isso para quem usa sempre e passa um dia sem. Cada pessoa usa ou não maquiagem de acordo com sua percepção de si mesmo e ninguém tem nada a ver com isso! Maquiagem serve pra você se sentir melhor consigo mesma, cumprindo isso, tá ótimo.

O outro deselogio, esse ainda mais irritante, é o tal do “nossa, como você emagreceu”. É bom ouvir isso quando você tem uns quilos a mais e passa eras da sua vida tentando controlar isso, comendo coisas esquisitas e se exercitando loucamente. É sinal do reconhecimento do seu esforço. Ok. Agora, ouvir isso sendo que pra você é normal ter quilos a mais, não te incomoda e você não mexe uma unha sequer para mudar isso, acaba surtindo o efeito contrário. Se a pessoa não se percebe como gorda, ao ouvir um “você emagreceu”, começa a se perceber e se sente mal. Só que esse deselogio pode ficar ainda pior. Quando é o caso de chegarem para uma pessoa magra e dizerem “nossa, você emagreceu”. Nunca conheci uma pessoa dessas magras de ruim e não magras-de-academia que fique feliz em saber que emagreceu mais. Pelo contrário, elas passam a vida inteira ouvindo dos médicos e dos pais que estão abaixo do peso e chegam a ficar contentes quando ganham alguns quilinhos. Aí chega uma pessoa infeliz e manda um “nossa, você emagreceu”, é a mesma coisa que chegar pra pessoa gorda que quer emagrecer e dizer “você deu uma engordada, hein?”. Não é legal. É irritante. Mesmo e principalmente porque a única pessoa que deveria ter interesse na sua massa corpórea é você mesmo!!!!! O que interessa se fulano emagreceu, engordou ou tá no mesmo peso?

Existem tantas coisas para se elogiar nas pessoas, pra que focar nessas tentativas falhas de se adequar a um padrão de beleza ultrapassado e mortífero? Aff.

BEDA #12 Brincando de Deus

Existem coisas que nos irritam assim, de graça. Uma das atitudes que mais admiro é a de exercitar-se não se importar com as irritações, valorizando o que as pessoas e situações suscitam de positivo. A professora de yoga diz que isso nos torna mais leves, mas ainda é uma atitude distante para mim. Pensando em termos de sessão descarrego, resolvi elencar algumas coisas que existem e eu adoraria poder viver sem.

Cabelos Desidratados

Não me venha com “é difícil manter cabelo colorido” que eu passei dois anos com o cabelo hiper-descolorido e tinturado e depois pintei ele da cor normal e ele nunca foi nem 20% da merda que é o cabelo da maioria das ruivas de farmácia e das que fazem californianas. Pessoas com cabelos coloridos de verdade – azul, amarelo, etc – geralmente gastam tanto com a tinta e com o processo de fazer o cabelo que cuidar dele se torna essencial, então elas compram inúmeros cremes e fazem de tudo para ter pontas bacanas e algo bom de se encostar. Pessoas que pintam o cabelo de cores “naturais” raramente têm os mesmos cuidados, ou seja, passam o shampoo, o condicionador, dão uma penteada e está ótimo. E o cabelo fica elástico e a falta de queratina começa a gritar e você anda na rua e se desespera ao ver todas aquelas cabeças pedindo socorro e você fica agoniada e desejando que todo mundo usasse véu só pra cobrir isso. Então, fica a dica: se você pinta o seu cabelo, não importa a cor, compre uma ampola de hidratação ou um creme de R$3 qualquer. E tenha um finalizador pra ajudar nos fios elétricos e elásticos.

Pessoas que escrevem errado

Não falo aqui de pessoas que não tiveram oportunidade e/ou condições de estudo, porque para estas eu abro exceção com gosto. Falo daquelas que tiveram oportunidades e condições e ainda assim falam “vamos ir”. Normas e regras são primordiais, gente. Sou super a favor de ser fora da lei, mas não no que diz respeito à escrita!!!! Se existe a opção de justificar um texto, por que raios ele ainda está alinhado à esquerda? Se há mais de 50 tipos de fontes diferentes, pra que usar comic sans ms? Se existe corretor do windows, google translator, dicionário online, dicionário de sinônimos e o próprio google: por que tantas palavras erradas e tantas regras gramaticais totalmente zoadas? Não estou dizendo que devemos usar mesóclises e a segunda pessoa do singular/plural perfeitamente conjugadas. Não vejo razões para o arcadismo da língua, mas acredito que as regras estão aí para serem respeitadas e se todo mundo teve no mínimo 11 anos de aulas de português era para terem aprendido alguma coisa! Minha dica é: paguem um revisor/corretor pros seus textos antes de me obrigarem a lê-los. Meus olhos estão cansados de gritar com tantas gafes.

Preconceitos

Seguinte, eu sou cheia de pré-conceitos. Nível nunca cogitar ir a um pagode simplesmente por pensar que deve ser péssimo (mas pretendo ir em um, só pra atestar empiricamente). Acho, porém, que há uma diferença entre pré-conceitos e preconceitos. Os pré vêm antes de a gente ter contato com a coisa, é aquela noção que te vem em mente na primeira vez que te dizem que na China comem escorpião. Não significa que você nunca fará isso, que condena quem faça isso ou que odeia a ideia de fazerem isso. Significa apenas que, à primeira pensada, é escroto. O preconceito, pra mim, é diferente. Ele acontece quando você sabe que a coisa existe, você vê acontecendo, ela tá ali do seu lado e você, sem nunca ter pensado em tentar entender, sai pelo universo (principalmente o das redes sociais), falando besteiras sem fim. Por exemplo, eu, no Brasil, com uma concepção de mulher específica, olhando para uma muçulmana e chamando ela de reprimida, boba, não ouvida ou afins, simplesmente por ela usar burca/hijab é um pré-conceito. Porque eu não sei sobre a coisa, não tenho contato ou conhecimento com ela (embora com a existência do google essa desculpa seja mais que esfarrapada). Se eu, no Brasil, a partir desse pré-conceito abordar uma muçulmana de forma pejorativa ou difamá-la por causa de suas vestes, estarei tendo preconceito. Ou seja, o preconceito, pra mim, vem do pré-conceito, mas nem sempre o pré-conceito vira preconceito. E para evitar esse desencadeamento a gente tem que aprender a dar uma pesquisada nas cosias antes de sair dando opiniões mal formuladas sobre a vida alheia.

Eu poderia ficar falando o resto da minha vida sobre cosias que eu aboliria no mundo, considerando que a minha raiva para com ele aumenta a cada dia, e que em muitos deles acho que aboliria a mim mesma por ser uma praga. Mas a verdade é que se eu fosse Deus não aboliria os cabelos desidratados das pessoas que escrevem errado e são preconceituosas (inclusive para com as de cabelos desidratados e as que escrevem errado, tipo eu). Na real, se eu fosse o todo poderoso ia ficar no meu canto morrendo de rir da desgraça alheia. Afinal, é o que as videocassetadas do Faustão (pera, por que ele ainda não foi abolido?) me ensinaram desde a concepção do meu intelecto. Como diria Fernando Anitelli em uma de suas frases passíveis de ser levadas para a vida: esse mundo não vale o mundo.