Festival de Cinema em Curitiba

          Junho é o mês do início do inverno e, para quem mora em Curitiba, isso significa muito pinhão, quentão e usar todas as cobertas e casacos possíveis – apesar de que as vezes a gente precisa ficar tirando uma a uma no decorrer do dia.

          Mas, há cinco anos o mês deixou de significar apenas o inverno e as festas juninas, pois a cidade começou a sediar um festival internacional de cinema, chamado “Olhar de Cinema“. A mostra é dividida em nove seções e oferece alguns prêmios para os filmes que dela participam. Os ingressos têm preço fixo de R$8 (inteira) e R$4 (meia) e a programação completa está disponível no site do evento. Neste ano, os filmes estarão em cartaz no cinema do Shopping Crystal e do Shopping Novo Batel, ambos localizados no bairro Batel, em Curitiba.

          Dentre os filmes da Mostra, os destaques são:

Entre Cercas-kVKH-U20347467953E4-1024x576@GP-Web

Entre Cercas (2016)

          Filme israelense, dirigido por Avi Mograbi a exibido pela primeira vez na Mostra de Berlim deste ano. É um documentário sobre um grupo de refugiados que estão em um centro de detenção próximo à fronteira do Egito e se reúnem para conversar sobre sua situação.

Cidade do futuro-kVKH-U20347467953p8F-1024x576@GP-Web

A Cidade do Futuro (2016)

          Filme brasileiro, dirigido por Cláudio Marques e Marília Hughes, conta a história de uma família não-tradicional que habita o interior da Bahia.

a ultima terra

A Última Terra (2016)

          Filme paraguaio, dirigido por Pablo Lamar e que retrata a história de um casal de idosos que mora em um local isolado, tendo que enfrentar a morte eminente de um deles.

Um Outro Ano

Um Outro Ano (2016)

          Filme chinês, dirigido por Shengze Zhu, o filme retrata uma série de jantares de uma família comum que reside na China. A intenção da diretora é mostrar, através de uma situação cotidiana, os retratos da cultura e tradição locais.

A Comunidade

A Comunidade (2016)

Filme dinamarquês, dirigido por Thomas Vinterberg, retrata um casal dos anos 70 que é acadêmico e decide abrir as portas da própria casa para que outras pessoas residam nela e a frequentem.

          Como podemos ver, o festival não é “internacional” por acaso. A intenção é que o cinema independente dos mais diversos países, e também do Brasil, cheguem ao cinema de alguma forma. Porém, além de filmes novos e pouco conhecidos, há espaço para clássicos antigos de outros países e que não chegaram a fazer muito sucesso por aqui. Esse espaço é concedido na seção “Olhares Clássicos” da Mostra. Já na seção “Olhar Retrospectivo” temos, anualmente, a seleção de um cineasta para que sua obra seja revisitada. O cineasta escolhido para a 5ª edição é o brasileiro Luiz Sérgio Person.

          Se a sua intenção é conhecer novos cineastas, fique de olho nos filmes da seção “Foco“. Já se sua intenção é conhecer e vivenciar diferentes tradições e culturas, você pode gostar mais das “Exibições especiais“. Já a seção “Competitiva” é onde longas e curta metragens que possuem grande potencial de comunicação com o público são selecionados, sendo deles escolhidos alguns premiados no final. Esses filmes costumam ser arriscados, contemporâneos e socialmente comprometidos.

          Há ainda a seção “Novos Olhares“, composta por longas e curta metragens com propostas estéticas mais radicais. Essa seção é indicada para espectadores que estejam em busca de surpresas, pois os filmes fogem do comum. A última seção, “Mirada Paranaense“, dedica-se a apresentar um panorama da produção audio-visual realizada pelo Paraná no último ano.

          Além dos filmes, há encontros com cineastas, seminários, encontros de negócios e ainda um espaço experimental que funciona como laboratório de cinema. Ou seja, se você se interessa por cinema, o evento é praticamente obrigatório.

          A Quinta edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, ocorre entre os dias 08 e 16 de junho e é aberta para a participação de qualquer pessoa.

 

The Hateful Eight – Quentin Tarantino

            Tarantino é um dos meus diretores/roteiristas de cinema preferidos de todos os tempos. Claro que não o conheci em seu início de carreira, mas assim que tive a chance, assisti a todos os seus filmes vezes o suficiente para decorar os meus preferidos: Pulp Fiction e Kill Bill. Os filmes dele são tão importantes pra mim que meu primeiro artigo científico foi justamente sobre um deles: Django Unchained. Para este, inclusive, tive o orgulho de ver Tarantino ganhar um Oscar como melhor roteiro adaptado, o que, é claro, tiete como sou, achei mais do que merecido.

            The Hateful Eight (Os oito odiados) tem esse nome por ser, justamente, o oitavo filme escrito e dirigido por Tarantino. Além disso, o nome é devido ao fato de o filme ser sobre oito personagens presos em uma cabana em um dia de nevasca muito intensa. Até o momento, o filme ganhou um Globo de Ouro por melhor música original, esta produzida por Ennio Morricone, famoso compositor italiano que faz muitas músicas eruditas. Para este filme, Morricone produziu cerca de cinquenta minutos inéditos em música, o que o fez, claramente, merecer o prêmio recebido.

            Infelizmente, porém, no discurso de recebimento, ele não pôde comparecer, sendo Tarantino o responsável pelo discurso. Porém, ele foi bastante infeliz em sua fala, dando o entender que a música de Morricone era “música de verdade” e colocando-a em oposição à “música do gueto“. A forma como a frase foi colocada foi bastante pejorativa e causou desgosto nos atores negros que compareceram ao evento. O mais curioso da situação é que o filme em questão é o segundo produzido por Tarantino e protagonizado por negros. Particularmente, acredito que tenha sido apenas um deslize de expressão, causado por um racismo enrustido e inconsciente que aparece em situações como esta, onde a cultura negra ainda tende a ser considerada “inferior” à branca e “erudita” o que, para quem conhece minimamente sobre a cultura africana, sabe que é balela. Porém, saber disso conscientemente e reproduzir até em atos inconscientes é complicado. Ou seja, é muito provável que Tarantino tenha apenas cometido o que a psicanálise chama de “ato falho“, mas não cabe a nós discutir a índole dele no que diz respeito ao seu comprometimento – ou não – perante a inclusão racial em seu país. Porém, o fato de ele trazer protagonistas negros para seus filmes é um sinal bom o suficiente para não ser ignorado.

the_hateful_eight-hateful-eight-tv-spot

            O protagonista negro em questão, é o Major Marquis Warren, interpretado por Samuel L. Jackson (que já trabalhou com Tarantino em Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, Bastardos Inglórios e Django Livre). Warren é um caçador de recompensas que perde seu cavalo em meio a uma nevasca, pois ele morre de frio. O caçador carregava três corpos que valeriam uma recompensa de $8mil e estava à procura de uma carona até a cidade mais próxima, para poder receber o dinheiro. Porém ele é negro e isso faz com que não seja fácil conseguir carona, ainda mais quando se carrega três corpos mortos. Por sorte, ele encontra com John Ruth, interpretado por Kurt Russel (que nunca tinha trabalhado com Tarantino) e que também é um caçador de recompensas. Ruth estava levando para a cidade mais próxima uma prisioneira chamada Daisy, porém, ele não levava prisioneiros mortos, pois gostava de vê-los sendo enforcados. Dessa forma, Daisy viajava algemada a ele.

            Ruth topa dar carona a Warren, pois o reconhece de um jantar em comum e também pela fama de Warren, por ter sido um negro que se tornou Major após uma série de lutas contra os brancos na Guerra Civil americana (que também é palco narrativo para Django Livre). Daisy Domergue é interpretada por Jennifer Jason Leigh (também trabalhando com Tarantino pela primeira vez) e é a antagonista do filme, sendo uma personagem forte, complexa e importante. Não se sabe porque há uma recompensa para sua cabeça, porém, ela vale $10mil. Ainda no decorrer do caminho, os três se encontram com mais um passante, que também perdeu seu cavalo para a nevasca e estava por busca de carona. Este porém, é o rapaz que está prestes a se tornar xerife na cidade próxima à região. Logo, para que os caçadores de recompensa recebam seu dinheiro, ele precisa estar na cidade. Com isso, ele consegue convencer Ruth a lhe dar uma carona. Porém, para Chris Mannis, interpretado por Walton Goggins, não é confortável viajar ao lado de um negro, o que gera desavenças.

            O destino inicial é um armarinho da região, gerido por Minnie e Sweet Dave, que recebem pessoas em situações tensas, como a nevasca em questão. Como nos próximos dois dias seria difícil viajar, eles pensam em se hospedar por lá e então seguirem para a cidade destino. E é aí que a história do filme começa para valer e se desenrola de um jeito hilário e trágico, que só Tarantino sabe fazer.

The_Hateful_Eight_102567

            O filme é classificação 18 anos, o que pode ser explicado pela quantidade de sangue e também por uma cena de nudez explícita, vulgo, uma das mais engraçadas do filme. O filme é tão inusitado que é impossível não rir e o tradicional banho de sangue (marca registrada de Tarantino) não deixa a desejar, muito pelo contrário.

            Quem conhece e acompanha Tarantino, sabe que seus filmes são sempre divididos em capítulos, são repletos de sangue, muito violentos e irreais. E é exatamente esse o espírito da coisa: pegar histórias sérias e mostrar que o exagero cinematográfico pode torná-las engraçadas. As trilhas sonoras e os elencos selecionados são um show à parte. De John Travolta à Leonardo DiCaprio, vi atores muito diversos fazendo coisas incríveis e bem diferentes com o que usualmente faziam. Além de tudo, seus filmes tentam trazer à tona questões um tanto apagadas pela sociedade norte-americana e reacender feridas que os mais conservadores da região vivem tentando esconder. Há ainda uma grande participação de atores negros em papéis importantes, além de mulheres protagonistas (Kill Bill é praticamente inteiro sobre mulheres fortes).

          Resumindo: apesar de ele ter diversas falhas, é inegável que seus filmes são bons e incomodam Hollywood. A ponto de o título de “Os Oito Odiados” ser uma referência direta aos oito filmes de Tarantino: frequentemente odiados pelos críticos. Eu, que adoro polêmicas, não podia ficar de fora desta.

            Segue o trailer:

Cinema em 2016

          Não sei vocês, mas eu adoro acompanhar as estreias cinematográficas. Nada mais legal do que assistir a um filme no cinema, enquanto se come uma boa pipoca amanteigada. Infelizmente, devido ao aumento dos custos, esse pequeno prazer da vida cotidiana está cada vez mais raro (pelo menos para mim) e me pego a esperar para que outras duas coisas aconteçam, sendo elas: 1. Os filmes estrearem no Netflix ou 2. Eu encontrar um torrent confiável para fazer o download. No fim das contas, é fato que não tenho andado tão antenada nas estreias quanto gostaria.

          Para resolver este problema, portanto, fiz um calendário com todas as estreias cinematográficas do ano e destaquei aquelas que eu quero muito assistir! Vou deixar um dinheiro mensal reservado para isso, assim se eu encontrar companhias para ver os ditos filmes, poderei realizar o prazer do cinema. É claro que se alguém aí mora em Curitiba, se interessa por algum dos filmes destacado e não tem companhia, pode me convidar que farei o possível para ir! Afinal, conhecer novas pessoas é sempre legal!

          Por hora, vou explicar um pouco do porque os filmes destacados me interessam!

cinema 2016

  • Os oito odiados

         Tarantino é um dos meus diretores de cinema preferidos e sempre me surpreende quando resolve fazer um novo lançamento. De Pulp Fiction (1994) para cá, a única coisa que não mudou foi a quantidade de sangue utilizada na produção dos filmes. O diretor continua a surpreender e, baseando-me no seu último filme, Django Livre (2012), que, inclusive, lhe rendeu o Oscar de melhor roteiro, não tenho razões para achar que me decepcionarei com o novo lançamento. Assim sendo, antes mesmo de ver o trailer ou saber da história, já quis assistir o filme. Posteriormente, soube de algumas especulações de fãs informando que talvez ele seja parte de uma “trilogia”, que seria composta por Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), sendo o terceiro filme. Há boatos de que o próprio Tarantino confirmou isso. Eu, por outro lado, tenho minhas dúvidas, mas não vejo a hora de assistir o novo filme e re-assistir os dois que o antecederam, a fim de estabelecer conexões. Veja o trailer aqui.

  • A Garota Dinamarquesa

         Eddie Redmayne conquistou meu coração já como Marius, em Os Miseráveis (2012). Após sua brilhante atuação em A Teoria de Tudo (2014), onde interpretou Stephen Halwking com genialidade o suficiente para ser digno de um Oscar de melhor ator, ele me ganhou de vez. Eis que, em meados de 2015, tenho acesso ao trailer deste filme, em que ele interpreta um rapaz que, ao posar para sua esposa que é pintora fantasiado de mulher, descobre-se transgênero e me encanto tanto, que passo a ficar ansiosa pela estreia do filme. Apesar de já ter tido acesso ao torrent do mesmo, ainda não tive tempo de ver. Porém, pelo trailer, a história e a capacidade de Redmayne, tenho a mais absoluta certeza de que é um filme maravilhoso e espero poder vê-lo e revê-lo muitas vezes na vida. Veja o trailer aqui.

  • O escaravelho do diabo

         O filme é baseado em um livro nacional homônimo, escrito em 1972 por Lúcia Machado de Almeida e pertencente à famosa série infanto-juvenil Vagalume. Pessoas ruivas legítimas começam a aparecer mortas e há indicações que o incidente esteja relacionado com a existência de escaravelhos (besouros pretos). O irmão de uma das vítimas, junto com um inspetor local, começam a investigar os assassinatos. A história mistura suspense com romance e com certeza embalou a vida de milhares de brasileiros, sendo muito legal que vá para os cinemas! Infelizmente, não encontrei o trailer da versão cinematográfica, mas se seguir um pouco da história do livro, já será uma boa adaptação.

  • Mogli: O menino Lobo

         Mogli sempre foi uma das histórias mais encantadoras que ouvi, juntamente com Tarzan. A ideia de um menino perdido na floresta, que ainda assim sobrevive, pois desperta nos animais próximos uma espécie de “instinto salvador”, muito me encanta. Já era satisfeita com a versão em desenho animado, porém a nova versão, em live action (ou seja, com atores) está encantadoramente linda. O trabalho de fotografia e arte do filme parecem sensacionais e, de pronto, já faz valer apena. Veja o cartaz do filme aqui e o trailer aqui.

  • X-Men: Apocalipse

         Acompanho a saga X-Men desde pequena. Tive contato primeiramente com os desenhos animados X-Men: Evolution e, posteriormente, com a adaptação cinematográfica dos quadrinhos. A trilogia principal [X-Men: O filme (2000), X-Men 2 (2003) e X-Men: O Confronto final (2006)] foi acompanhada com muita atenção por minha parte. Os filmes subsequentes, nem tanto. Com exceção de X-Men Origens: Wolverine (2009) e X-Men: Primeira Classe (2011), não vi nada relacionado a série. No entanto, dias atrás enquanto mudava de canal me deparei com X-Men: Dias de um futuro esquecido (2014) já da metade para o final passando na televisão e achei interessante. Confesso que não me atraio muito por filmes de super-heróis, mas algo acontece nessa saga que me torna interessada. Culpo as personagens femininas fortes, afinal, é impossível não se apaixonar pela Tempestade, Vampira, Jean Grey, Lince Negra e Mística. Eu juro que tento! As atrizes escolhidas para os papéis são sempre muito condizentes e as personagens são muito poderosas e importantes para a narrativa, tornando tudo mais eletrizante. Bom, fui levada a assistir o trailer do filme novo e me pareceu interessante. Espero conseguir assistir. Veja o trailer aqui.

  • Alice Através do Espelho

         Duas coisas fazem meu coração bater forte por este filme. A primeira é que sou apaixonada pela história da Alice. Já li os dois livros que a contam e sei os filmes que a retratam quase de cor. Acho ótima essa ideia de que todo mundo é maluco – e que isso é normal, vivo me encantando pelo cheeshire cat e acho que Johnny Depp deu um toque ainda mais especial para a última versão do filme, com seu chapeleiro que além de maluco e sensacional, é solitário, incisivo e apaixonante. Esta, inclusive, é a segunda coisa que me atrai. O filme de 2010, dirigido pelo Tim Burton e estrelado pelo Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter e Anne Hathaway me encantou fortemente. Ele é bastante diferente da versão em desenho animado (que tenta misturar a história dos dois livros) e tem uma fotografia e trilha sonora extremamente bonitas. Foi o filme mais legal que vi em 3D na vida, porque o efeito realmente funcionou. Eu conseguia ver o Gato quase que lambendo a minha cara e a Lagarta era quase que parte de mim, a experiência se tornou ainda mais real, como se eu fosse parte do filme e vice-e-versa. O trailer da continuação me deixou atordoada assim que vi, quando vi os cartazes e a data de estreia marcada, mal pude acreditar. Estou realmente ansiosa por essa estreia e espero que seja tão bonita e bem trabalhada quanto a última versão. Veja o trailer aqui.

  • Invocação do Mal 2

         Eu adoro filmes de terror, mas Invocação do Mal (2013) foi o que mais me deixou apavorada. Na maior parte das vezes, gosto destes filmes para analisar a reação que os personagens têm perante acontecimentos sobrenaturais, pois na maior parte das vezes são reações não críveis. Assim sendo, ao invés de me sentir aterrorizada, tendo a achar os filmes engraçados e, no máximo, instigantes. Algumas vezes, como é o caso de O Chamado (2002), fico inclusive com pena da protagonista da história. Mas Invocação do Mal foi traumático a ponto de eu não me lembrar da história – exceto que tinha relação com uma boneca. E eu realmente quero ver a continuação, porque a adrenalina que senti ao assistir o primeiro filme precisa ser rememorada. Foi demais. Veja o trailer aqui.

  • Procurando Dory

         Acredito que todas as crianças que assistiram a Procurando Nemo (2004) no cinema gostaram mais da Dory e do Bruce do que de todos os outros personagens. Eu, inclusive, sou partidária do Bruce ter seu próprio filme – o que me lembra daquele outro filme, O Espanta tubarões (2004), que também é bem engraçado. A perspectiva para o Procurando Dory é que seja uma continuação que faça jus ao seu predecessor. Continuar um filme com um espaço superior a uma década é um risco muito grande, dessa forma, a aposta para que o filme compense é grande. Esperamos não nos decepcionar e nos divertir, em memória a pessoa que éramos lá em 2004. Veja o trailer aqui.

  • Star Trek: Sem Fronteiras

         A morte de Leonard Nimoy abalou os nossos corações em 2015 e nos fez lembrar da cena fantástica do último filme da saga que o tornou famoso. Star Trek: Além da Escuridão (2013) marcou a última aparição do ator no cinema, quando Spock do futuro entra em contato com Spock do passado. É uma cena nostálgica e eletrizante para todos os fãs da saga, mesmo os que não acompanharam seu florescer. Em 2016 a jornada completa 50 anos de existência e a estreia de um novo filme serve para remarcar bem o espaço que ocupa na cultura pop mundial. Após diversos filmes, seriados, livros, quadrinhos, áudios, fanfics e fanmovies, o diretor J.J Abrams foi recrutado pela Paramount para fazer um reboot na história original, “refazendo” a primeira trilogia. Em 2009 foi ao ar o primeiro filme do reinício da série e Star Trek: Sem Fronteiras marca o fim dessa nova trilogia, que até agora, fez jus ao nome que carrega. Veja o trailer aqui.

  • A Lenda de Tarzan

         Já expliquei quando falava de Mogli, o quanto histórias sobre pessoas perdidas na floresta e que mesmo assim sobrevivem me encantam. Isso é tão verdade que minha história preferida é (e pelo jeito sempre será) Into the Wild (que virou filme em 2007). Com Tarzan a coisa é ainda mais séria, pois é o primeiro filme que me lembro de ter assistido no cinema, lá em 1999. Não foi a primeira vez que fui ao cinema, mas é a primeira da qual tenho lembrança, por isso, é memorável. Lembro que fiquei com bastante medo do gorila malvado e torci muito para que Tarzan fosse bem sucedido. Agora, que conheço um pouco sobre antropologia, acredito que a parte da Jane e do pai dela sejam bastante prejudiciais à história e toda vez que assisto fico com pena do Tarzan, pois ninguém merece sentir tanto desconforto e deslocamento quanto o que a Jane o provoca. Sério, aquilo ali não é amor. Porém, ainda acho a trilha sonora linda e a história fofinha – é só não racionalizar sobre. Ter a oportunidade de ver tudo isso em uma super-produção live action onde a fotografia é maravilhosa (já perceberam que adoro a fotografia dos filmes, né?) me parece imperdível. Veja o trailer aqui.

  • Esquadrão Suicida

         Como disse, não gosto muito de filmes de super heroi. Porém, a trilogia de Batman que começa com Batman: Begins (2005) foi uma que acompanhei. Fã do Heath Ledger como fui a vida inteira, por causa de 10 Coisas que odeio em você (1999), entrei em êxtase ao ver sua brilhante atuação como Coringa em Batman: O cavaleiro das trevas (2008). Não me conformo com a morte de Ledger até hoje. Jared Leto, por sua vez, faz parte do meu universo cinematográfico desde que assisti a Clube da Luta (1999) pela primeira vez. Posteriormente, o conheci como cantor da banda 30 Seconds to Mars (uma das minhas preferidas em 2009) e me emocionei com sua atuação em Mr. Nobody (2009), que é um filme maluco, mas muito tocante. O ator foi tendo cada vez mais espaço na mídia, garantiu seu Oscar e continuou cumprindo muito bem a função de ser lindo. Mas quando anunciou que interpretaria o Coringa, gerou opiniões bastante controversas. Alguns acreditam que ele não é bom o suficiente para o personagem, outros ficaram com medo de ele realmente enlouquecer com o contato com o personagem (como afirmam ter ocorrido com Ledger) e outros, como eu, ficaram simplesmente curiosos para ver qual o resultado disso. Duvido muito que ele vai nos decepcionar e pretendo pagar para ver, literalmente. Veja o trailer aqui.

  • Doutor Estranho

         Ainda não tem trailer oficial, mas tem um realizado por um fã. Nunca havia ouvido falar sobre o filme ou a história, mas pelas notícias que venho acompanhado e por ser estrelado pelo Benedict Cumberbatch, que é genial, parece ser um filme interessante. O nome também me atrai, mas por não conhecer exatamente a história, não sei o que dizer. Enfim, é mais um filme de super-herois que parece interessante para alguém que não gosta muito desse tipo de história.Veja o trailer fan-made aqui.

  • Animais Fantásticos e onde Habitam

O título do filme é homônimo a um dos livros didáticos utilizados pela Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, pertencente ao universo ficcional de Harry Potter. Cinco anos após o lançamento do último filme da saga, os fãs terão a oportunidade de reviver um pouco da magia do universo criado por J.K. Rowling. O filme se passa tanto no Reino Unido quanto em Nova York e é estrelado pelo já citado – e incrível – Eddie Redmayne. Podemos esperar muitos efeitos especiais e nostalgia, advinda de um dos universos ficcionais que mais deixou saudade. O livro na qual o filme se baseia também está disponível nas livrarias do Brasil. Veja o trailer aqui.

  • Star Wars: Rogue One

Parte do novo universo expandido de Star Wars, Rogue One prevê ser a história de um grupo de combatentes da resistência que luta para roubar planos da Estrela da Morte. O filme faz parte de uma série de spin-offs da saga principal, que será produzida pela Disney. Ou seja, a história não é a continuação do Force Awakens (2015), mas, como pertence ao mesmo universo, seus eventos influem no restante. Ainda não há trailer disponível do filme, mas a previsão é de que seja tão surpreendente quanto o último da saga.

  • Minha mãe é uma peça 2

O primeiro filme da série é de 2013 e conta a história de dona Hermínia, mãe de dois filhos jovens e que não sabe exatamente como lidar com ele. O filme é estrelado pelo ator Paulo Gustavo, que o escreveu baseando-se em histórias de sua própria mãe. Dentre as comédias ofertadas pelo cinema brasileiro, é uma das que vale apena. Engraçado, leve e empolgante ao mesmo tempo, te faz sair do cinema amando a sua mãe mais do que antes – ou então achando-a tão engraçada quanto dona Hermínia. Imagino que na continuação da história, ela continue sendo uma peça e eu possa continuar a rir. O filme ainda não tem trailer oficial disponível.

  • Quem é você, Alasca?

Quem é Você, Alasca? é o primeiro livro publicado pelo autor John Green, em 2005. Outras obras do autor foram adaptadas recentemente para os cinemas, sendo elas A culpa é das estrelas (2014) e Cidades de Papel (2015). A história em questão gira em torno de Alasca, uma menina efusiva, inteligente e interessante que se tornou objeto de paixão do jovem Miles Halter – introspectivo e enviado pelos pais para uma escola mais rígida. O livro é um dos meus preferidos do autor, perdendo apenas para o Teorema Katherine, que ainda não tem adaptação cinematográfica prevista. Baseando-me nas outras adaptações de livros, imagino que não me decepcionarei com esta, visto que a adaptação de Cidades de Papel (2015) muito me agradou. O filme, que ainda não tem data oficial para lançamento, tão pouco tem um trailer. Há apenas hipóteses e expectativas, mas por hora, elas são suficientes.

[Os links deste trecho vão te redirecionar para vídeos em que comento sobre cada um dos livros do autor]

  • O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares

Mais um filme dirigido por Tim Burton, este narra a história do livro homônimo, escrito por Ransom Riggs e que conta a história de Asa Butterfield, garoto que fica preso em uma ilha habitada por crianças sobrenaturais e criaturas macabras. A senhorita Peregrine é quem toma conta destas crianças. O filme ainda não tem um trailer oficial, mas tem um teaser, que pode ser visto aqui. Não li o livro homônimo, mas achei a história interessante e fiquei interessada pela leitura do mesmo. Como confio em Burton para a produção de histórias macabras, duvido muito que me arrependerei desta escolha.

Melhores do Ano – Parte 2

Hoje eu vim falar sobre os 5 filmes mais legais que eu vi no cinema esse ano. Confesso que não foi um ano genial e bombástico para a indústria cinematográfica e que eu nem fiz questão de frequentar muitas vezes o cinema (só 26 vezes, rs) e confesso que vi muito filme ruim que me fez ficar chateadíssima por ter pago para assistir, mas que descobri horários e dias com promoções tão emocionantes que paguei muito barato em vários filmes.

1 – Os Miseráveis

Esse foi um dos únicos anos da minha vida que não assisti a todos os filmes do Oscar, por pura falta de paciência mesmo. Não pude deixar de ver “Os Miseráveis”, principalmente porque prometia um oscar (que veio) para a Anne Hathaway e ela, que sempre será minha Mia Thermopolis, merecia só por existir. O filme é gigante e inteiramente cantado, até na parte das falas. Ele é a adaptação cinematográfica do musical da broadway, que é baseado na obra de Victor Hugo. Eu não li o livro, mas tenho certeza que falta muitos detalhes dele no filme e nesse caso não culpo o adaptador, porque o filme é bem semelhante ao musical. Os atores cantaram muito bem e a atuação também foi muito boa, eu realmente gostei do que vi e gostaria de ter re-assistido no cinema porque esse compensava.

2 Minha Mãe é uma Peça

Eu adoro assistir comédias, porque adoro rir. A questão é que comédias brasileiras sempre são réplicas mal feitas de besteirol americano, que por si só já é uma coisa mal feita. Até inventarem esse filme. Conta a história de uma mãe que escuta a filha xingando ela e resolve dar férias para si mesma, só pra provar pros filhos que eles não sabem viver sem ela. Paulo Gustavo interpreta sua própria mãe, de uma maneira absurdamente hilária e faz com que o filme seja gargalhadas garantidas.

3 O Renascimento do Parto

Nunca tinha ido assistir a um documentário no cinema, somente a biografias, o que não considero como documentários, mas quando fiquei sabendo deste não pude deixar de ficar ansiosa para assisti-lo. O filme trata de parto humanizado e apresenta exemplos de diversas mães contando suas experiências, mostra vários partos e reconstrói na nossa cabeça tudo que a gente cresceu ouvindo sobre a melhor maneira de se ter filhos. A produção foi feita com dinheiro arrecadado por apoiadores, gente comum e eles conseguiram dinheiro suficiente para um filme de qualidade suficiente para passar em cinemas do país inteiro, o que foi ainda mais legal.

4 Flores Raras

Quando ouvi falar desse filme comecei a procurar onde passaria, porque esse era daqueles que precisava ser visto no cinema. Valeu a pena. Cada segundo. Glória Pires deu um show de atuação nessa história absurdamente linda de amor (ou algo assim) entre uma arquiteta brasileira e uma poetisa estados unidense. A fotografia do filme é linda e ele é muito bem amarrado e tem uma trilha sonora sensacional e é muito intenso e tocante e compensa.

5 Gravidade

Esse é um filme sensorial que realmente não faz sentido se não for visto em 3D. Fazia muito tempo que não via um filme que realmente explorava a terceira dimensão e Gravidade faz isso maravilhosamente bem. Você sai de lá achando que passou o dia inteiro vagando no espaço junto com a Sandra Bullock e você fica aflito e sente o filme, como minha amiga disse, não é um filme, é uma experiência. E eu acho que todo mundo devia provar um pouquinho.

Menção Honrosa: Uma História de Amor e Fúria e Invocação do Mal

The Day of The Doctá

Eu nunca tinha ido ao cinema sozinha. Sempre achei um ato absurdo o de ir ao cinema sozinha. Ninguém é tão sozinho a ponto de não achar um coleguinha sequer que esteja apto a suprir sua necessidade de cinema. Ninguém é sozinho ao ponto de ter muita vontade de ver um filme e não conhecer ninguém que compartilhe de tal vontade. Ir ao cinema sozinho sempre me pareceu o cúmulo da solidão, o enterrar-se no fundo de seu próprio poço. E todas vezes que minha vontade bate eu saio chamando cada uma das pessoas que se dizem minhas amigas até que alguma aceite minha proposta e nós, saltitantes, aproveitemos as maravilhosidades cinematográficas. Não que hajam tantas. Neste ano, aliás, creio ter visto apenas um ou dois filmes que realmente compensaram o ingresso, o resto é puro prazer banal de uma viciada em salas escuras repletas de gente, pipocas gigantes e amanteigadas e pessoas do seu lado pra você apertar no momentos de tensão e sorrir olhando nos olhos e chorar enquanto fala “eu não estou chorando, é só um cisco”. Nunca precisei recorrer à solidão em tal momento da vida. Sempre pensei que em meio a tanta solidão, o ritual cinematográfico deveria estar sempre bem acompanhado. E foi assim que eu vi filmes que nem lembro o nome ou o motivo para estar lá, foi assim que convenci minhas amigas a irem em cinemas obscuros só pra satisfazer aquela vontade mordaz. Foi assim que gastei rios de dinheiro super-faturado naquela pipoca absurdamente cara, mas essencial e foi assim que atrapalhei absolutamente todas as salas de cinema em que pisei com minha risadas histéricas, meus gritos aleatórios e meus comentários em momentos impróprios, que juro que eram pra ser cochichos, mas eu falo alto e, ai, as pessoas escutam. E ficam bravas. E chutam minha cadeira e falam “shiu” e isso me faz rir mais ainda, porque o mundo pode estar terrível, um caos, absurdamente péssimo. Mas o cinema salva.

Em meio à nostalgia causada no momento em que sentei naquela sala escura e meus olhos marejaram de emoção, lembrei-me da primeira vez que fui ao cinema. Tarzan. Eu tinha quatro anos e consigo lembrar exatamente de eu sentada na poltrona vendo a mãe dele olhar na minha cara, aquilo foi mágico. Mamãe insiste em dizer que já havia me levado para ver outros filmes antes deste, mas Tarzan é o primeiro que eu lembro. Depois dele vieram vários outros, “As Meninas Super-Poderosas”, que foi o primeiro filme que vi com meu pai e ele saiu da sala em 10min de história para ir fumar e nunca mais voltou e foi bem traumático, porque eu era criança e estava numa cidade desconhecida e não tinha ninguém pra rir das piadas comigo. “Procurando Nemo” e sua história interessantíssima pois mamãe entendeu que o nome do filme era “Procurando Demo” e só aceitou ver comigo depois de um longo papo persuasivo com a vendedora de ingressos. Pulando um bom espaço de tempo, vamos para a estreia de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” que eu nunca tinha visto nenhum filme da saga e comecei a chorar desesperadamente porque o Gandalf tinha morrido e AI DE QUEM tentasse me convencer de que não era a mesma pessoa. Velhinhos barbudos morrendo sempre serão o Gandalf e isso sempre será desesperador (Desculpa J.K, você sabe que depois desse fato eu passei a apreciar a sua obra, mas que meu coração sempre será Tolkienano). Então vieram as pré-estreias da saga “Crepúsculo” que eu devo confessar, li os livros em uma semana, achei o máximo, mas nunca vi filmes tão entediantes quanto aqueles. É claro que as amigas persuasivas e a falta do que fazer me fizeram comprar ingressos muito antecipadamente e passar horas e horas na fila, lembro-me que para esperar por “Lua Nova” foram DOZE horas, sentada no chão do shopping, conversando com desconhecidos e comprando ingressos de quem não queria mais pelo preço normal para depois revender um pouco mais caro e conseguir pipoca grátis. Bons tempos. Então vieram os filmes finais de Harry Potter e as pré estreias deles, que também foram absurdamente geniais, com camisetas temáticas e mil e um cosplayers na fila, o que fizeram meu coração morrer de emoção.

Hoje, pois, sozinha. Depois de três dias tenebrosos em que uma dor violenta surgiu porque não sei sentar e eu acabei não conseguindo me sentar, tendo que ficar deitada na mesma posição na cama eternamente. E ia passar “The Day of The Doctor” no cinema há duas quadras da minha casa. E eu simplesmente ia surtar se não conseguisse ir. Há uns três meses Milena me falou deste episódio comemorativo lá no facebook e a gente gritou histéricamente chateadas porque nosso sonho de viajar para Londres para ver juntas não se tornaria realidade, mas queria que ela fosse em SP, porque lá passaria o filme, aqui não tinha nada dizendo sobre no site, para minha enorme frustração. Eis que, no meu e-mail semanal de programação de cinema vem escrito que haverá uma sessão sábado e outra domingo e eu simplesmente tinha que ir. Não que eu seja Whovian, porque a série tem 50 anos e eu só vi três temporadas e meia, mas foram três temporadas e meia de algo tão essencialmente marcante e fantástico que me fizeram amar pakas mesmo mal conhecendo. Fora isso, há as influências de amigos chatos que só falam disso o dia inteiro, e, de repente, em todos os lugares que vou há alguém mencionando algo relacionado à Doctor Who. Era impossível eu não querer saber o que era isso. E eu quis. E fui enfeitiçada.

É claro que eu poderia ter persuadido algum dos meus incríveis amigos a ir comigo nesta empreitada de vida, mas eu sequer sabia se conseguiria ir, dado meu estado físico e o psicológico, completamente instável por causa dos remédios que venho tomando. O plano era ficar tonta, desmaiar e chorar copiosamente, até me convencer a baixar o episódio e assistir na pacata tela do meu computador. Só que não. Sexta feira consegui 30 minutos de estabilidade e fui em busca do meu precioso ingresso, custou VINTE REAIS a meia entrada, o que achei um tremendo absurdo, mas não tinha como recusar, porque era Doctor Who. Era em 3D. Era a duas quadras da minha casa. É claro que não tinha mais ingresso pra sessão oficial, mas empresas de cinema são espertas e fizeram uma sessão extra, então eu consegui meu bilhete dourado, que na verdade era branco, e que me daria passagem ao melhor universo paralelo do mundo.

Após um sábado agonizador no qual passei a questionar toda a minha existência e tinha me resolvido de que passaria o domingo dormindo, senhor Horóscopo (que meu pai nunca saiba que acredito nele, por favor) me diz que domingo seria um ótimo dia para mergulhar em mim mesma, fazendo coisas como ir ao cinema sozinha. Confesso: eu tenho medo de ir ao cinema sozinha. Não tem a menor graça ver o filme da sua vida sem alguém muito querido do seu lado pra você apertar e gritar “AAAAAAH”, mas ok . Após ouvir que o episódio era realmente bom e épico, não pude deixar de tomar todos os remédios possíveis e passar todas as pomadas possíveis e dormir no melhor colchão na casa, estática, a fim de acordar com as costas fortes o suficiente para serem capazes de me manter em pé. E eu consegui. Acordei às nove horas em pleno domingo, algo que jamais faria, passei mais pomada, tomei mais remédio, fiz alongamentos, comi e fui.

A sessão começaria às onze horas e eu tinha a mais absoluta certeza de que haveria uma fila descomunal à espera de deixarem entrar na sala. Mentira. A fila descomunal era fora do shopping, porque ele ainda estava fechado! Entrei no meu lugar e quando o shopping abriu tirei forças sei lá da onde e saí ultrapassando todas as pessoas lerdas, as que não sabiam qual era a escada rolante que subia e as que cometiam outros erros do tipo. Por favor, vou nesse shopping pelo menos uma vez por semana a vida inteira, eu sei ele de cor, me deixem passar. E eu passei e ultrapassei mocinhos e velhinhos que comentavam toda a história de Doctor Who e consegui chegar na fila, que já estava grande (imagina se eu tivesse ficado pra trás, humpf). A espera para entrar foi ínfima. Recebi meus óculos 3D e como não tinha comprado pipoca, era mais fácil ainda de ultrapassar pessoas. Ultrapassei, ultrapassei e ultrapassei. E consegui um lugar no meio da penúltima fila, exatamente do jeito que eu gosto. É claro que não poderia sentar bizarramente como sempre faço, porque minhas costas não deixariam, mas ali, sentadas, elas se sentiram confortáveis e até pararam de reclamar de meus maus tratos para com as mesmas.

Traillers e mais traillers, nenhum que eu não tenha visto. Aí aparece o primeiro alien, só que não, o filme não tinha começado. As instruções de segurança e o falatório sobre não desligar o celular foi genialmente dito por personagens do próprio Doctor Who, incluindo dois Doctors. E naquele momento, ah… Naquele momento eu não conseguia mais pensar em nada. Os olhos marejavam, eu não acreditava que tinha conseguido vencer minha própria epopeia, que estava no cinema sozinha ao lado de duas amigas surtando juntas e pensando que eu não teria ninguém pra surtar comigo. Naquele momento minha pena pelos casais que não conseguiram lugar juntos foi embora, minha dor nas costas nem pareceu existir e eu estava ali. Infinitamente ali. Completamente focada ali. Naquele momento. Que jamais voltará. Que foi único. E que foi meu.

Nem preciso comentar que o filme foi absurdamente maravilhoso, que Billie Piper diva salvou o universo e que eu chorei como se fosse fã convicta há cinquenta anos. Nem preciso comentar que fiquei eternamente chateada porque queria MUITO poder rever o filme no cinema, mas não vai mais passar e eu nunca mais vou ver pinturas em 3D. Nem preciso comentar que o episódio está sendo baixado no meu computador neste momento porque eu simplesmente preciso rever. Porque o plot foi incrível. Porque os atores são incríveis. Porque a Inglaterra é maravilhosa. Porque TARDIS é a melhor invenção da humanidade e porque eu insisto em suspirar ridiculamente a cada vez que lembro do que acabei de viver.

O filme terminou. A música que eu nem sei se tem nome, mas pra mim é a música do Doctor, começou a tocar. As luzes da sala se acenderam. A tela ficou preta. E ninguém conseguiu se levantar da poltrona. Cada um ali, preso em seu universo particular atrelado a tantos outros universos. Todos ali, vivendo solitariamente sua gigante efusão. E eu morrendo de fome, sem conseguir raciocinar pensando mil vezes antes de levantar da cadeira para não levar um tombo e obtendo êxito em minha empreitada. Saímos da sala, todos nós. E eu fui ao cinema sozinha pela primeira vez na vida. E eu não morri. E eu vi o que pra mim foi o melhor filme visto no cinema este ano.

E é claro que quando saí da sala mandei mensagens de voz histéricas pras pessoas, porque fazer tudo e não compartilhar com ninguém era ser algo muito diferente de eu mesma.

Toda vez que isso for mencionado, será lembrado como um sonho. Um sonho vivido e realizado.