Ficção e Representatividade

Com um namorado pesquisador sobre ficção científica, torna-se impossível não adentrar-se um pouco mais no meio. Percebi logo de início que uma das principais discussões que acontece é em torno da representatividade feminina, visto que na maior parte de filmes de ficção científica as mulheres são subservientes aos homens e seus personagens não tem narrativa própria, sendo supérfluos e/ou submissos.

Bom, isso é verdade em diversos seriados, filmes e livros de ficção científica. Principalmente nos que dizem respeito a super heróis, onde o herói é sempre um ego masculino salvando mocinhas frágeis que, na maior parte das vezes, acabam por se apaixonar ou pelo herói, ou pelo vilão (ou pelos dois).

Porém, tenho visto alguns seriados que mudam um pouco essa chave de pensamento e mostram que é possível mulheres terem pulso forte na ficção científica. As mulheres estão conquistando esse espaço há algum tempo e produções deste ano, como Sense8 e Jessica Jones, são provas vivas disso. Pensando em todas essas coisas, resolvi gravar um vídeo com indicações de cinco séries com mulheres bacanudas, que indico para todas as mulheres que buscam por inspirações decentes para a vida!

Um dia com Doctor

Minha melhor amiga, Piper Chapman, foi presa por ser comparsa em tráfico internacional de drogas. Eu, como pessoa legal que sou, fui visitá-la na cadeia e uma vez acabei querendo levar presentes para ela que não eram propriamente aceitos pela segurança, o que fez com que eu fosse presa também. Viramos companheiras de cela e a vida era até divertida.

Meu trabalho na prisão era entregar comida, na verdade, cuidar do caixa do refeitório. Isto porque as detentas deveriam pagar para obter sua alimentação. O pagamento era feito com moedas, e eu tinha um imã muito forte que as grudava e ninguém conseguia pegar de mim. Minha chefe era a temida Red e as meninas da cozinha eram incríveis! Na frente do refeitório havia uma loja, repleta de manequins. E eles me assustavam, afinal, poderiam ser aliens dispostos a me atacar a qualquer momento. Por isso, eu sempre trabalhava acompanhada.

Chapman descobriu que o diretor da prisão era amigo de infância de seu pai e conseguiu uma reunião secreta com ele, que lhe garantiu a soltura. Quando ela foi me visitar, prometeu me levar para conversar com o mesmo senhor e para isso passamos pelos dutos de ventilação do presídio, até chegar na sala dele. No entanto, ela não deixou que eu saísse do esconderijo e me mostrasse, a ideia era de que eu fosse apenas uma supervisora do encontro. Era como se eles estivessem em uma televisão, eu podia ouvir, ver, mas não podia tocar e muito menos ser vista. Fiquei com medo, pois meu esconderijo era pequeno e escuro e ouvia barulhos estranhos vindos de fora. Fiz o caminho de volta e na hora que saí pela última porta, não consegui mais encontrá-la para o caso de querer voltar. Havia sido decisão sem retorno.

No momento em que saí, me dei conta que os barulhos advinham de marretas que estavam trabalhando contra a estrutura do presídio, ou seja, havia uma série de pessoas do lado de fora, querendo quebrar as paredes da nossa casa, para nos proporcionar liberdade. Enquanto isso, estava na hora de servir mais uma refeição.

Estava trabalhando normalmente, quando vi uma série de policiais assustados vindo em nossa direção, alguns estavam machucados. Eles gritavam “eles conseguiram! as barreiras foram quebradas!” e com isso, percebi que algumas das paredes haviam caído e era possível fugir. Por um momento, fiquei em dúvida se fugiria ou esperaria Chapman conseguir minha libertação. Decidi não trocar o certo pelo duvidoso e saí correndo desesperadamente.

Só que a cadeia se encontrava no deserto e para chegar até algum lugar com gente, eram muitos quilômetros de corrida. Não sabia o caminho e por isso segui o comboio. Tive que pular barrancos, correr desesperadamente e torcer para que os policiais não me alcançassem. Encontrei uma outra colega de prisão quando estávamos na frente do primeiro prédio do caminho: um hospital psiquiátrico. A mãe dela estava à espera dela, com a intenção de fazer uma internação surpresa, pois sua filha foi presa após um surto psicótico. Enquanto minha amiga pegava a chave do carro, convenci sua mãe a desistir da ideia do manicômio, pois a menina tinha passado muito tempo presa e liberdade supervisionada pela família e psicólogos parecia com o suficiente para ela. A mãe concordou e além disso, ofereceu-me carona para a cidade.

Chegando na cidade, encontrei a minha família e começamos a pensar em como dissuadir a polícia do meu caso para sempre. Considerando que as eleições se aproximavam, caso eu votasse saberiam que tinha fugido e se não votasse eu teria que pagar multa ou voltar para a cadeia. A situação precisava ser resolvida antes disso e a eleição estava muito próxima. Fomos pensar em um plano no refeitório de um shopping, pois estava morrendo de saudades de comidas “normais”. Quando finalmente escolhemos nosso prato e começamos a degustá-lo, percebi que o ambiente estava repleto de policiais e fiquei com medo de ser reconhecida, pois reconheci alguns deles. Olhei para a família e falei que precisaríamos sair dali correndo e ao mesmo tempo sem deixar rastros. O medo era que minha roupa de cadeia me denunciasse.

Assim que saímos do refeitório, fomos parar em uma sala pequena e branca, sem nenhum móvel e com apenas uma mulher vestida em uma blusa amarela e uma calça azul. Contei a ela a minha situação e pedi que trocasse de roupas comigo, ela disse que isso era impossível, mas que em breve um clone dela chegaria e ficaria com orgulho em trocar as roupas comigo. Dito e feito, dois minutos depois entra pelo meio da parede (que aparentemente era uma porta invisível) uma réplica perfeita da mulher, que se dispõe a trocar de roupas comigo. Porém, como nem tudo são flores, a roupa era extremamente apertada e desconfortável.

Saímos e fomos encontrar minha prima que é advogada e poderia me ajudar a resolver o meu caso. Estávamos conversando normalmente, quando avisto mais e mais policiais e o medo volta a crescer. Saímos do local em que nos encontrávamos e nos deparamos com a TARDIS. Doctor, que era Matt Smith, pede para que Amy e Rory me ajudem a encontrar a maior quantidade de fugitivos possível para que entrassem na TARDIS e conseguissem fugir.

Encontramos muita gente e o tempo era curto, pois os policiais se aproximavam. Aconteceu algo inédito para a rotina de Doctor e sua TARDIS: ela lotou. Tanto que eu tive que viajar com as pernas para fora, o que, cá entre nós, era muito divertido. O problema é que o excesso de peso fez com que a decolagem fosse difícil e estar com partes do corpo para fora não ajudava. Consegui entrar e fiquei tão espremida quanto em um biarticulado em horário de pico. Até que a TARDIS parou em um local aleatório, Doctor pediu para que saíssemos e desapareceu.

Estávamos diante de uma porta, a qual entramos e nos deparamos com um maravilhoso (e chique) jantar em clube elegante, sabe-se lá onde. Encontramos lugar para todos nós e comemos muito e bem, enquanto alguns recebiam notícias de que algumas pessoas foram recapturadas. Soubemos que as latinas, ao voltarem pra prisão, estavam felizes por terem tido tempo de visitar o México e que Red continuava mal humorada e irritada por não ter sido bem sucedida. Nós estávamos felizes e aparentemente despreocupadas, embora não soubéssemos onde e tão pouco qual era a nossa situação.

Foi então que eu acordei.

BEDA #8 Diga-me o que assistes e te direi quem és

Clima de férias ainda instalado em minha pessoa e relembrando um post que vi há algum tempo sobre as séries que estão sendo acompanhadas no momento, vim dar o meu testemunho de que continuo firme, forte e tenho conseguido fazer outras coisas sem ver seriados e só assisti 3 eps na última semana! Mas, com as aulas voltando assumo que voltarei à maravilhosa rotina adquirida no ensino médio de passar o domingo inteiro vendo seriados. Enfim, vamos ao que ando vendo:

Fringe

Típico seriado que nunca me chamou atenção, até eu começar a assistir e me apaixonar por Walter Bishop. Fringe conta a história de uma sessão do FBI especializada em casos que fogem do normal, mas não no sentido espiritualista e sim no científico. Para resolver os casos que FBI não dá conta, resgataram Bishop um velhinho (muito muito fofo e engraçado) que estava preso há séculos em um sanatório, tem problemas de memória e é genial. Você vai ver histórias malucas, universos paralelos, outras dimensões e realidades, seres estranhos, o poder da química e aprender que de fato todo limite existe para ser testado. Ainda estou no começo da terceira temporada, mas é genial.

True Blood

A season finale da série de vampiros mais legal já inventada está incrivelmente melhor do que a quinta temporada. Eu odiei a quinta temporada. Mas isso não significa que a atual esteja grandes coisas. É claro que cada episódio continua dando vontade de ver o próximo, mas chegou num ponto que meio que todo mundo sabe o que está prestes a acontecer e, sinceramente, se eles me surpreenderem ficarei grata. Porém, para quem nunca viu, eu super recomendo. Principalmente pela maravilhosa objetificação ao corpo masculino. True Blood é uma série necessária.

Ru Paul’s Drag Race

Descobri essa durante o mês final do semestre passado na faculdade e não há nada mais tranquilizador do que assistir as drag queens mais divertidas da história competindo para ser a próxima drag super star. Os desafios são sensacionais, as drags são incríveis e é impossível não rir ou não aprender algo novo depois de uma maratona desse reality incrível. Com várias temporadas no netflix, a facilidade de ver um episódio atrás do outro é gigante e quando você vê, lá foi um dia inteiro. Só não é o melhor reality da vida porque Keeping up with Kardashians existe, mas tá quase lá.

Breaking Bad

Outra pérola do netflix, a série foi finalizada no começo desse ano. Conta a história de Walter White, um professor de química que se descobre com câncer terminal, sem dinheiro para o tratamento,  mas com talentos químicos para fazer a melhor metanfetamina do pedaço. Ainda estou no começo, mas é muito interessante.

Doctor Who

Com a oitava temporada prestes a começar, com um novo Doctor e novas aventuras, eu finalmente me vi obrigada a terminar a sétima. Ainda não embarquei na aventura de acompanhar a série desde seus primórdios (1963), mas a tomada nova é interessante o suficiente para manter qualquer pessoa vidrada. Doctor é o último timelord existente, ele tem dois corações, poder de regeneração e uma caixa de telefone de polícia azul móvel, que na verdade é uma incrível máquina que viaja através do espaço e do tempo. Com uma densidade de personagens incrível e aliens maravilhosos, o seriado é um dos mais legais que já assisti e merece ser visto por todos, e tem episódios suficientes para dois anos vendo literalmente sem parar, ou seja, adeus tédio.

Orange Is the New Black

A segunda temporada da série de presidiárias que retrata como nenhuma outra as representações femininas atuais teve sua segunda temporada lançada no início de Junho pela netflix. Como é uma produção netflix, todos os episódios são lançados no mesmo dia e a vontade é de assistir um atrás do outro até acabar. A temporada foi incrível e faz com que todos que assistem, ao terminar, queiram imediatamente ver a próxima. Espero que o ano que vem chegue logo para isso! A série conta a história da Piper, jovem branca, cis, classe média alta, presa após ser delatada por uma ex namorada como cúmplice em tráfico internacional de drogas. Só que Piper deixa de ser o foco, tornando a série uma rica exploração sobre comportamentos. É sensacional.

Game of Thrones

A última temporada lançada de GoT, com cenas de estupro desagradáveis que geraram uma falta de cenas de sexo em geral (o que, a meu ver, sempre foi o chamativo principal de público para a série), foi mais decepcionante que as anteriores. Por mais que a história tenha se desenvolvido, fiquei com a sensação de que não se desenvolveu o suficiente. Faltou a sensação de surpresa e aventura que as temporadas anteriores haviam causado e continuei assistindo apenas por causa da khaleesi. Espero que na próxima volte ao normal. A série conta, basicamente, a história de vários reinos que brigam para ver quem terá o comando do Trono de Ferro, que dá o poder de comandar todos os reinos. Os efeitos são muito bons e os episódios costumam ser incrivelmente surpreendentes.

Bom, essas foram as minhas companhias de férias, mas claro que continuo tendo Gilmore Girls e Skins como companhias de vida, que volta e meia dão vontade de retornar ao meu mundo e o fazem com eficácia. Se tiver alguma série bacana pra me indicar, sinta-se à vontade!

Melhores do Ano

Sou fanática por retrospectivas e por mais que a escassez de tempo tenha feito com que uma guerra mental se instalasse em mim, acabei por decidir em fazer apenas uma retrospectiva no quesito “melhores do ano”. Eu vou escolher cinco séries, cinco filmes vistos no cinema, cinco filmes vistos fora do cinema e cinco coisas que fiz pela primeira vez em 2013 (mesmo que não tenham sido as melhores do ano). Os textos serão em forma de lista, porque eu adoro lista, mas sempre contarão com um primeiro parágrafo explicativo, porque eu adoro explicar as coisas e introduzir tudo certinho até elas. Não sei qual será a frequência, mas tudo será postado até o final do ano. Se alguém também quiser entrar nessa aventura, deixe o link nos comentários porque eu adoro ler listas alheias! Começaremos com os seriados.

Minha amiga sempre diz que um ótimo jeito de medir confiança no mundo moderno é analisando por quantos anos uma pessoa consegue acompanhar uma série. A gente sabe que seriados raramente mantêm o padrão alto durante todas as temporadas e que depois de algumas a história fica confusa e você continua assistindo apenas para honrar o que já começou. Já fiz isso com várias séries, mas também desisti de várias outras. Acresço pois um fator à teoria da minha amiga: seriados também são excelentes para medir a capacidade de variância que uma pessoa consegue suportar. A quantidade de histórias que ela consegue acompanhar ao mesmo tempo, sejam elas completamente diferentes ou totalmente parecidas, diz muito sobre como ela conseguiria lidar com muitas pessoas, iguais ou diferentes e como ela não gosta de ficar sempre na mesma coisa. Refiz minha conta no Orangotag hoje e descobri que assisto a 23 séries. Isso porque nunca fui capaz de tirar da watchlist séries como Skins, Gilmore Girls e Gossip Girl, que mesmo mortas e enterradas ainda vivem na minha playlist. Não é que eu seja fiel até o fim, veja bem, Glee e The Vampire Diaries eu só consegui acompanhar até a terceira temporada, então desisti. Incontáveis outras eu só assisti o primeiro episódio e desconsiderei. Outras, como How I Met Your Mother, eu juro que tentei acompanhar, mas realmente não fez meu tipo. Várias eu nunca sequer tentei ver em ordem, mas ali estão porque todos os momentos de ócio que me levam ao canal da Warner me levam a algum episódio de alguma delas. Tirando tudo isso, eu acompanho de verdade somente quinze séries, por enquanto e enquanto várias delas são amores antigos, outras são hiper novas e boas o suficiente para serem indicadas a todo o universo.

2013 foi muito triste para o meu catálogo de seriados, pois foi o fim definitivo de Skins e Gossip Girl, coisas que eu acompanhava desde quando inventei de acompanhar séries. Então cancelaram Bunheads, uma série absurdamente genial, feita pela mesma roteirista de Gilmore Girls. Pro coração ficar mais chateado, o computador com vários torrents de várias séries que eu pretendia ver, pifou. E o site em que eu encontrava todos os torrents e as legendas também. A vida parecia sem sentido, até que eu encontrei o Netflix, o seriestvix voltou a funcionar e eu parei de frescura e comecei a me aventurar em alguns seriados sem legendas. As séries que serão aqui mencionadas não são todas parte das que eu assisto, mas as assisti ao longo desse ano e elas mereceram estar aqui.

1 – United States of Tara

A série acabou em 2011, conta com três temporadas e todos os episódios estão disponíveis no Netflix. A história é de Tara, uma mãe de família, esposa e irmã que tem transtorno dissociativo de identidade, ou seja, ela tem múltiplas personalidades que surgem em momentos impróprios e agem de acordo com a própria moral, trazendo problemas para Tara e sua família. O seriado é bastante intenso, ao mesmo tempo que simples e ameno. A vontade é assistir super rápido e fazer de tudo para cuidar da Tara. Confesso que esperava mais do final, mas vale apena mesmo assim. As temporadas contam com apenas 12 episódios cada e a direção é do Steven Spielberg.

2 – The Carrie Diaries

Carrie Bradshaw é uma das personagens de “Sex and the City”, a história dos seus diários ocorre em sua adolescência, ou seja, nos anos 80. O seriado da CW surgiu para substituir o horário ocupado antes por Gossip Girl e, com isso, pegar um pouco do seu público. Funcionou comigo. Anna Sophia Robb, a Carrie, era minha atriz mirim favorita há alguns anos, por causa de filmes como “Ponte para Terabítia”, saber que ela era a Carrie, não importa quem essa Carrie fosse, atraiu-me ao seriado automaticamente. A ambientação é fenomenal, as músicas são ótimas e para uma série fútil, sobre moda, adolescência e picuinhas da vida, não há de que reclamar. A série começou esse ano e ainda está em funcionamento, já na segunda temporada. A primeira teve apenas treze episódios.

3 – Da Vinci’s Demons

Leonardo da Vinci é o artista e inventor mais polêmico da história, há várias especulações sobre sua vida e seus pensamentos. Esse seriado ajuda a explorar o universo de Da Vinci, mesmo deixando claro que é apenas uma ficção histórica. Nele somos apresentados a uma Roma Antiga cheia de podres e a um Da Vinci atordoado, morando em Florença e tendo como meta de vida descobrir quem é sua mãe, pois é um filho bastardo. Cada episódio é uma carta de tarot, a magia, tensão e genialidade permeiam cada segundo e é impossível terminar um episódio sem sair correndo atrás do outro. O seriado é em inglês, mas eles têm um sotaque romano que as vezes é até engraçado, explora os percalços da Igreja Católica e nos proporciona o contato com invenções geniais de um cara fenomenal. A primeira temporada terminou neste ano, com oito episódios de quase uma hora de duração cada. A segunda temporada foi confirmada para o próximo ano.

4 – Game of Thrones

Baseada nos livros das “Crônicas de Gelo e Fogo” de G. R. R. Martin, Game of Thrones conta a história de sete famílias que moram em Westeros e lutam para conseguir o trono de ferro, que no momento está nas mãos dos Baratheon. O seriado da HBO dá um show em produção, efeitos especiais, trilha sonora, figurino e maquiagem e não deixa a desejar em nenhum aspecto. Não é o tipo de coisa que se recomenda ver na sala com os pais por perto, porque gente pelada e sexo quase explícito é uma constante, mas é aquele tipo de coisa que você assiste quase sem ar e que quando acha que não tem mais como se surpreender, você se surpreende. Absurdamente intenso e incrível, assistido de supetão durante as últimas férias e automaticamente considerado um dos melhores seriados da minha vida. Foram exibidas três temporadas, com cerca de dez episódios cada. Foi renovada para a quarta temporada, a ser iniciada em Março de 2014. Cada segundo compensa.

5 – Doctor Who

Doctor Who entrou no ar em 1963 pela BBC em Londres e conta a história de um timelord, que é uma espécie de alienígena com forma humana proveniente de Gallfrey. Os timelords conseguem sentir o tempo dentro de si mesmos e o Doctor conseguiu (eu não sei direito ainda como, quando ou por quê, pois comecei a primeira temporada da série clássica muito recentemente e ainda não sei de tudo, um dia, quem sabe) uma nave espacial facilmente camuflável em Londres, por ser uma Police Box. Tudo dos timelords é maior por dentro, então quando você entra na nave, que se chama TARDIS, ela é gigante e capaz de te levar a qualquer lugar no espaço-tempo, não só na Terra, mas em todas as galáxias. Então Doctor e uma acompanhante perambulam por aí vivendo altas aventuras, correndo bastante e salvando alguma espécie de alguma catástrofe. Embora tenha 50 anos, a série não precisa ser vista desde o começo para que seja compreendida. A parte nova iniciou-se em 2005, conta no momento com 7 temporadas e está inteiramente disponível no netflix. É plenamente possível de entender o fio da meada iniciando pela primeira, ou pela segunda, ou por qualquer uma. Doctor Who é compreensível em episódios aleatórios ou para ser visto em sequência e nunca se torna cansativo e repetitivo, sempre é uma nova aventura que nunca é banal e sempre agrega algo às nossas vidas. É claro que eu recomendo que também seja assistida a série clássica, porque é fantástico ver a evolução de algo durante 50 anos e analisar como foi capaz de se manter, é como se deixasse de ser um simples seriado e se transformasse em um fenômeno. A série antiga conta com 26 temporadas e, embora os primeiros episódios sejam mais curtos, é estimado que contando com todos os episódios e especiais demore-se cerca de dois anos para assistir a tudo relacionado a Doctor Who. Se você está procurando compromisso sério com um seriado, acaba de resolver os seus problemas.

Além dessas cinco séries lindas, escolhi três para dar menções honrosas: Revenge, Girls e Orange is the New Black.

Caso não tenha ficado claro, os números ao lado dos nomes das séries não são hierarquizações, de maneira alguma. Em breve volto com mais listas!

A Magia da Caixa Azul

Existem pessoas que não importa qual idade a gente tenha quando conheça, vai parecer que conhecemos durante nossa vida inteira. Essas pessoas se conectam a nós e nossas vidas passam a ocorrer mutualmente, de uma maneira esquisita e bonitinha. Contam-se histórias de infância e busca-se criar lembranças fortes e emblemáticas para substituir todos os bons momentos não compartilhados pelo fato de um não conhecer o outro. Não é só com gente que isso acontece.

Era começo de 2013 e eu estava conversando aleatoriedades com uma das minhas melhores amigas quando ela fala “você precisa assistir uma série chamada ‘doctor who'”, você, como uma nobre desconhecedora de todas as coisas do mundo até que alguém te apresente a elas, solta um “não consigo ver essas séries de médico, tenho aflição”. Sua amiga, logicamente, ri da sua cara como se não houvesse amanhã e diz “Não, ele é um alien que viaja no tempo e no espaço numa caixa azul! Doctor é o nome dele, não tem nada a ver com médicos. Os efeitos especiais são horríveis e a série é super trash, sua cara, você vai amar.” ri, recuperei-me do meu fiasco e logo esqueci da existência da coisa. Nunca fui fã de aliens e afins, sempre morri de preguiça de ficção científica e só assisti Star Wars ano passado, porque meus amigos nerds me obrigaram. Tinha mais o que fazer do que perder tempo com aquilo. I was a fool.

Tempos depois fui introduzida à vida da pessoa mais viciada em Doctor Who que o mundo poderia inventar e eu achava ele um idiota porque se a série era boba e a pessoa idolatrava tanto, tinha que ser retardada. A dita pessoa passava o dia inteiro compartilhando coisas da série no facebook e eu ficava em dúvida se ia xingar, se parava de seguir o feed ou se assistia alguma coisa do seriado só pra parar de ser preconceituosa. Fiz nenhuma das três alternativas, me acostumei com os posts e passei a achar vários deles super divertidos, mesmo sem entender absolutamente nada. Um dia ele veio me contar que a série é a mais antiga da televisão britânica, existe desde 1963 e não terminou ainda. Ela não vai ter fim. Ouvir uma pessoa super empolgada te falando interminavelmente sobre algo faz com que você tenha um pouco de vontade de assistir, mas a preguiça de ver um seriado com 50 anos que demora dois anos pra assistir todos os episódios, me impediu de começar.

Até que aquela amiga genial que eu denominei “little sistá“, disse que eu precisava conhecer “doctá”. Eu não levo a sério indicações alheias, mas era a terceira pessoa insistindo pra eu ver a coisa e dessa vez tinha ficado sério, porque se ela tinha me dito que era a minha cara, que eu não ia me arrepender e que eu estava sendo boba por não ter começado ainda, é porque, de fato, eu estava perdendo tempo em não assistir.

Entrei no mês grátis de netflix só pra ver uma temporada e provar pra mim e pra todos que não tinha nada a ver, a coisa era idiota e eu tinha mais o que fazer da vida. Aí eu conheci a música de abertura, o Doctor, suas companions maravilhosas e os daleks. E foi como encontrar algo que eu procurava a vida inteira e nem sabia. Foi como se, imediatamente, existir fizesse sentido. Declarei-me apaixonada, viciada, envolvida. Doctor Who não é um seriado, é um estilo de vida (como diriam as amadas Gilmore) e mais do que isso, é real. Porque é plenamente impossível que nada daquilo exista, que a TARDIS seja só uma invenção e que o mundo seja sem graça o suficiente para não ter feito time lords existirem. Prefiro acreditar que de algum modo ele existe, afinal, “só porque acontece na sua cabeça, não quer dizer que não é real”, disse Dumbledore.

Não entendo como manter-se são depois que se conhece Doctor Who. Depois que se conhece daleks e todos os outros aliens que eu jamais decorarei os nomes. Depois de viajar para a Inglaterra Vitoriana, Roma Antiga, vários outros planetas de outras galáxias, universos paralelos e várias outras coisas malucas e inusitadas. São histórias contadas com tanta intensidade, genialidade, bom humor e densidade que é plenamente impossível viver igual depois que se conhece Doctor Who. É aquela coisa absurda de nem conhecer o negócio direito e jurar amor eterno. De descobrir que tem um doodle do google em sua homenagem e passar horas e horas jogando um jogo bobo, mas sensacional. Porque tudo que envolve Doctor Who é absurdamente sensacional, mesmo quando é idiota e isso faz com que deixe de ser idiota.

Depois de toda essa conexão, sinestesia, frenesi, harmonia e sensação de “mal conheço, mas considero pakas”, torna-se impossível habitar o mesmo planeta que pessoas que escrevem coisas toscas, que ofendem Doctor, que menosprezam os companions (por favor, nunca vai haver uma “profissão” melhor do que essa, eu posso ser velha e ter 5 pós doutorados ou posso ser uma dona de casa malacafenta que dos dois jeitos serei frustrada por não ser uma companion.) ou que falam “ah é a série de ficção científica mais antiga e famosa do mundo, é legal”. Não. Não. Não. Doctor Who é a coisa mais sensacional que eu tive acesso durante este ano, é meu novo amigo de infância não compartilhada que vivo tentando criar lembranças em comum. É o dono de uma conexão que não acontece com qualquer coisa, a qualquer momento. Que me perdoem os antropólogos e suas teorias lindas, vocês não viajam por aí em uma caixa azul bigger on the inside e vocês não sabem o que é allons-y, sem contar que vocês piscam.

2013-10-05 13.22.57
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