Animal Kingdom (2016) | Série

Animal Kingdom, poster da série

Quem faz a série?

         Jonathan Lisco é o criador da série, que tem como base o filme australiano homônimo, lançado em 2010. David Michôd e  Liz Watts, que produziram o filme, também compõem a equipe da série. Lançada em junho de 2016, pelo canal TNT, a primeira temporada teve dez episódios, com uma média de 50 minutos de duração cada um.

        O elenco principal é composto por Ellen Barkin (Smurf), Scott Speedman (Baz), Shawn Hatosy (Pope), Ben Robson (Craig), Jake Weary (Deran), Finn Cole (J), Daniella Alonso (Catherine) e Molly Gordon (Nicky). 

Animal Kingdom - pôster da série
Animal Kingdom – pôster da série

Sobre o que se trata?

      O enredo principal gira em torno de J, que é o protagonista da temporada. Logo no episódio piloto, vemos que a mãe dele faleceu de overdose e ele foi levado a morar com sua avó, Smurf. Por sua vez, Smurf lidera uma organização criminosa, semelhante a uma máfia familiar, tendo seus quatro filhos como funcionários. Todos eles têm suas próprias casas, mas passam a maior parte do tempo na casa da mãe, que desenvolve uma relação de chefe e mãe ao mesmo tempo, colocando em questão vários estigmas da maternidade compulsória.

       J cai de paraquedas nesta casa que se sustenta a partir de ilegalidades e tudo que ele sabe é que sua mãe não gostava da forma como a família vivia. Ele e a namorada, Nicky, acabam no meio de confusões e precisam se decidir entre qual moralidade seguir e qual a melhor conduta para determinadas situações. Catherine, esposa de Baz, também é fundamental, trazendo para a série discussões sobre o passado da família de Smurf e sua consolidação no lado “obscuro” da sociedade.

O que eu achei dela?

      A série é bastante direta, o que é um ponto positivo. Para quem gostou de Skins (2007-2013) e True Blood (2008-2014), tendo interesse por ilegalidades, drogas, sexo e demais ações desafiadoras do status quo da sociedade, com bastante drama familiar e criminalidade, Animal Kingdom é a melhor pedida possível!

      A série consegue ser intrigante, surpreendente e manter o espectador curioso para o que há por vir. Os personagens não são explorados o suficiente para criar uma identificação com quem está assistindo, mas ainda assim é possível torcer por alguns deles. Smurf é absurdamente sensacional, quebrando todos os estigmas e paradigmas de uma mulher de meia idade e mãe de quatro filhos. A série é importante por mostrar todo o desvio passível de ocorrer na sociedade atual, apresentando novos paradigmas. A temática é bem abordada, a produção é bem realizada e o espectador fica com vontade de acompanhar a próxima temporada. Ponto para os produtores!

Jane the Virgin – Série de 2014

Capa da série Jane the Virgin

Quem faz a série?

      Jennie Snyder Urman é a criadora da série, que já teve duas temporadas completas, somando 45 episódios, com uma média de uma hora cada. É produzida pela Poppy Productions, em parceria com a CBS e a CW, e passa nas televisões dos EUA, mas atualmente faz parte do catálogo da Netflix, que, por enquanto, disponibilizou apenas a primeira temporada. A terceira temporada tem previsão para estrear em outubro desse ano.

      O seriado ganhou em 2016 o prêmio Voice Arts Awards, pelo trabalho do ator Anthony Mendez. Em 2015, ganhou o prêmio Publicists Guild of America, na categoria Televisão; o People’s Choice Awards, na categoria Nova comédia de TV favorita; o Peabody Awards; o Online Film & Television Association, na categoria de Melhor atriz de série de comédia, com Rita Moreno; o Imagen Foudation Awards como Melhor atriz coadjuvante (Andrea Navedo) e Melhor atriz (Gina Rodriguez). Ganhou ainda o Gay and Lesbian Entertainment Critics Association, o AFI Awards e o Globo de Ouro, na categoria de Melhor performance para uma atriz em uma série de comédia ou musical, prêmio concedido a Gina Rodrigues.

      A série é estrelada por Gina Rodrigues (Jane Villanueva), Andrea Navedo (Xiomara Villanuevo), Ivonne Coll (Alba Villanuevo), Jaime Camil (Rogerio De La Vega), Brett Dier (Michael Cordero Jr.), Justin Baldoni (Rafael Solano), Yara Martinez (dra. Luiza Alver) e Yael Grobglas (Petra Solano).

Elenco Jane The Virgin
Elenco Jane The Virgin

Sobre o que se trata?

     Jane Gloriana Villanueva é uma jovem adulta filha de Xiomara Villanueva, que foi mãe aos 16 anos e que, por sua vez, é filha de Alba Villanueva, que migrou para os EUA quando jovem, vinda da Venezuela. Jane foi criada para não repetir os erros da mãe e isso significa que ela não iria perder a virgindade até estar casada. Até então isso não tinha sido um problema pois, apesar de ter um namorado bastante bonito, Michael é também paciente e atencioso e não faria ou forçaria ela a algo que ela não queria. O sonho de Jane é ser uma escritora de sucesso e para isso ela faz faculdade e trabalha como recepcionista em um grande hotel. 

      Um dia ela vai até a ginecologista, realizar exames de rotina e é artificialmente inseminada por engano. Ocorre que a médica que realizou a inseminação, dra. Luiza Alver, é irmã do dono dos sêmens, Rafael Solano. Sua esposa, Petra, havia ido até o consultório para realizar a inseminação e a amostra de sêmen acabou indo parar em Jane. Para piorar ainda mais a história, aquela era a última amostra de Rafael Solano, pois ele havia tido um câncer e ficado estéril. Além disso, ele é o chefe de Jane no hotel, por quem ela tinha sido apaixonada, cinco anos antes.

      Michael Cordero Jr., o namorado de Jane, é investigador na polícia local e está atrás de um criminoso muito perigoso, chamado Sin Rostro. Os indícios apontam ações do bandido na região do hotel que Jane trabalha e relacionado, justamente, com Rafael Solano e os demais donos do hotel.

       Essas são só algumas das tramas da série, que aborda a imigração para os EUA e a necessidade de novas leis para os imigrantes, fala sobre mulheres latinas, de diversas idades, vivendo nos EUA. Aborda a temática LGBT, com a personagem Luiza, que é lésbica. Trata, de maneira cômica, sobre as telenovelas mexicanas. Fala sobre família, amor paterno, maternidade, independência apesar da maternidade e, claro, muito drama típico de novela mexicana, sendo praticamente uma meta-história, onde as críticas às telenovelas se fazem presentes.

        A história conta ainda com um narrador, que está sempre recapitulando e lembrando as coisas.

O que eu achei dela?

       A série é fenomenal. Consegue agregar todo o drama típico de novelas mexicanas, com a sutileza e a boa qualidade de produção típicas das séries estados-unidense. É uma perfeita combinação de dois estilos, visivelmente feita para agradar a parcela latina da população dos EUA. A série ganha o nosso coração pelo fato de ter uma trama muito boa, que cada vez se complica um pouco mais. Os furos no roteiro existem, mas não são muitos e a série consegue manter uma narrativa excitante, em que é impossível assistir a apenas um episódio por vez.

   É perceptível a metalinguagem da série, pelo fato de que é um ator de telenovelas, a série é quase uma telenovela e as personagens assistem telenovelas. Então, ao mesmo tempo em que a narrativa típica desse tipo de produção é discutida e trabalhada, ela é posta em prática e funciona com os telespectadores.

     A ideia inicial da história é muito interessante, pois Jane é uma grávida virgem e isso desencadeia uma série de coisas bizarras em sua vida. É incrível acompanhar o crescimento dela e ver como ela amadurece com a gravidez e com o desafio de ser mãe. O final da segunda temporada é particularmente enraivecedor e agoniante e eu não vejo a hora de começar a terceira temporada, com os dedos cruzados para que não seja nada tão trágico.

    A série é bastante sincera e brinca bastante com a interatividade da era digital, lançando mão de diversas hashtags no decorrer dos episódios. Destaco um episódio em específico, onde é explicitamente levantada a bandeira “não votem em Trump” e eu achei fenomenal que tenha tido espaço na TV aberta dos EUA pra propagandas como essa. Sinceramente, essa série é totalmente anti-Trump, vide o elenco sumariamente latino. 

   Apesar de ainda estar no início, é o tipo de seriado que vejo tendo muitas temporadas, com bastante sucesso em todas elas. Recomendo fortemente, principalmente para quem gosta de ver coisas viciantes e que conseguem te deixar tão vidrado, a ponto de esquecer do resto da vida.

Resenha do filme Flores de Aço (1989)

Características Técnicas

         O nome original do filme é Steel Mongolias e foi produzido nos Estados Unidos, em 1989. O filme é colorido e tem duração de 117 minutos. O roteiro é de Robert Harling e a direção é de Herbert Ross. O elenco principal é formado por Sally Field, Dolly Parton, Shirley MacLane, Daryl Hannah, Olympia Dukakis e Julia Roberts

          Julia Roberts foi indicada ao Oscar de 1990 como melhor atriz coadjuvante por seu papel em Flores de Aço. A atriz ganhou o prêmio da mesma categoria, no Globo de Ouro. Sally Field, por sua vez, recebeu a indicação de melhor atriz no Globo de Ouro de 1990, mas não ganhou a estatueta. Shirley MacLaine foi indicada como melhor atriz coadjuvante em 1991, no prêmio britânico BAFTA. Flores de Aço ganhou o People’s Choice Awards de 1990, na categoria Filme Dramático Favorito.

           Em 2012 o filme ganhou um remake com elenco principal composto por mulheres negras, estrelado por Queen Latifah.

Enredo

          M’Lynn (Sally Field) é casada com Drum Eatenton (Tom Skerritt) e tem três filhos, sendo dois homens e uma menina, Shelby (Julia Roberts). A família habita uma cidade do interior do Sul dos EUA e é bem quista pela cidade. Shelby está prestes a se casar com Jackson Latcherie (Dylan McDermott), um rico advogado – que mora em uma cidade diferente. O casamento da filha é um grande evento para a família de M’Lynn, que vai se preparar para a festa no salão de Truvy Jones (Dolly Parton). Para dar conta do serviço, a cabeleireira, contrata Annelle Dupuy (Daryl Hannah) como ajudante. 

        Clairee Belcher (Olympia Dukakis) e Ouiser Boudreaux (Shirley MacLaine) também frequentam o salão de Truvy  e M’Lynn, Shelby, Annelle, Truvy, Clairee e Ouiser começam a nutrir uma forte amizade, que permeia todo o enredo do filme. Elas são as “flores de aço” que dão título à história. 

          Shelby sofre de diabetes e é alertada, antes do casamento, por seu médico, a não ter filhos. Por essa razão, quando ela anuncia a gravidez, sua mãe fica bastante apreensiva e chateada. Apesar do risco, Shelby decide que precisa desse filho para ser feliz e resolve persistir. De fato, a gravidez traz complicações para sua vida e é graças à união feminina  advinda da amizade que a família de M’Lynn lida com os problemas.

O que eu achei do filme

          Assisti o filme em um canal de televisão fechada, contendo intervalos e possíveis cortes. Por essa razão, talvez minha percepção da história seja diferente daquela de quem assistiu ao filme completo e sem intervalos. Espero realmente que não tenha havido cortes.

          O filme me chamou atenção por diversos aspectos. A atuação de Sally Field é extraordinária e me ganhou. A caracterização dos personagens é maravilhosa. Uma das coisas positivas de entrar em contato com filmes um tanto antigos é poder observar diferenças culturais e estéticas marcantes da época. Uma das coisas que me chama sempre a atenção, para além dos cabelos e roupas, são os locais onde se é socialmente aceito fumar. E, nesse filme isso também aparece. 

       Comecei a assistir o filme imaginando que seria uma história vazia e sem sal, onde após o casamento Shelby teria complicações no relacionamento e seria sobre isso o desenrolar da história. Mas não foi o que eu vi. O filme é brilhante na arte de mostrar apenas as coisas que importam para o desenrolar da história. Por essa razão, há muitos cortes secos entre as cenas. Se você está vendo uma cena que se passa no natal, assim que a parte relevante sobre a comemoração acontece, o corte seco aparece e somos remetidos para um outro momento e outra história relevante. Não há aquela sensação de continuidade e acompanhamento excessivo do espectador perante a família mostrada na narrativa. Não é o tipo de filme que encanta pelo excesso de detalhes, pelo contrário, a narrativa é prática e bem performada

           O que mais me chama a atenção na história é o viés narrativo dela, que é o feminino. Em uma época onde os filmes famosos são aqueles em que as mulheres são bibelôs ou têm vidas fúteis, Flores de Aço surge para mostrar que é nas mulheres que a força da sociedade reside. O filme mostra os percalços da vida das mulheres do subúrbio e a forma magistral com a qual elas lidam com seus problemas. É evidente pela narrativa que os homens são muito mais dependentes das mulheres do que elas deles. É evidente que elas têm uma vida, anseios, sonhos e uma narrativa própria e os homens surgem como “fim natural“, claro, pois é essa a marca cultural da época. 

          Para as mulheres do subúrbio estados-unidense da década de 80, o fim natural era casar-se e ter filhos. Não era algo que passava pela cabeça delas questionar. No entanto, não era por isso que elas deixavam de ser protagonistas de sua própria história.

           Flores de Aço é um filme de força e resistência feminina, que mostra, através de uma narrativa com as doses certas de drama e comédia, o quanto mesmo as mulheres que parecem frágeis e fúteis sabem lidar com as adversidades da vida de forma proveitosa e benéfica. E a frase mais marcante é a de M’Lynn, quando fala que os homens são considerados de aço, mas são as mulheres que passam pelas coisas mais difíceis.

         Quem gosta do ar suburbano de séries como Desperate Housewives vai se encantar com essa narrativa, brilhantemente produzida.