Consider me a satellite, forever orbiting…

Acho que nunca vou encontrar um personagem que me capte tanto quanto Christopher McCandless. É quase uma obsessão. Já perdi a conta das madrugadas não dormidas às quais se fez necessária mais uma vista ao filme sobre sua história, enquanto o coração morria dentro do peito por pensar que eu deveria saber pelo menos esse livro de cor. E não sei. Não sei quantas noites passei chorando por ele ou pelo que ele desperta em mim ou por tudo que eu sinto, sonho e reflito a cada vez que lembro que um dia o universo foi habitado por um ser humano de tamanha magnetude. É uma saudade imbatível de algo que eu nunca vi ou vivi e nunca verei ou viverei. Uma dor absurda ao olhar ao redor e perceber que, infelizmente, o mundo não é feito desse tipo de loucos maníacos, dispostos a abandonar a sociedade e viver sua própria vida. A história de McCandless pra mim é  impossível de ser descrita ou explicada. E eu decidi que vou passar minha vida inteira procurando alguém com quem eu ache que deva compartilhar a felicidade. Porque eu decidi que ia tentar entender o Chris e eu decidi isso quando eu tinha catorze anos e nunca tinha lido sequer “O chamado da floresta” e não fazia ideia de quem era Thoreau. E acho que estou conseguindo.

Todas as vezes que acabo em algum canto repleto de natureza, pedras e pouco sinal de civilização, não resisto em subir nas pedras, abrir os braços e sentir o infinito que a Sam, lá no livro do Charlie (que eu sempre esqueço o nome) vivia se referindo a. E eu descobri que não tem a menor graça se sentir infinito sozinho. Não porque seja impossível aproveitar uma felicidade instantânea enquanto estamos solitários, mas porque não é tão infinito se não há alguém do seu lado, sentindo a mesma coisa e rindo da mesma coisa com você. E as vezes a pessoa em si não é significante, o importante é ter alguém. E é por isso que a gente abraça o primeiro estranho que está ao nosso lado quando estamos no meio de uma praça e descobrimos que passamos no vestibular, por exemplo, porque a gente precisa compartilhar. Fomos ensinados que é assim que se vive. E por mais que Mc Candless tenha lutado arduamente para tentar romper com a construção cultural que o cercou, ele modificou a frase do Tolstoi e decidiu que a felicidade só seria real quando compartilhada.

Enquanto Tolstoi propõe que a gente só é feliz quando vive pra outrem, Chris propõe que a gente é feliz e ponto. Que a gente consegue atingir um nível de introspecção benéfica e auto conhecimento que se tornam mais imprescindíveis para nossa existência do que a existência de qualquer outra pessoa. Não que a gente deva virar narcisista e passar o dia inteiro se achando o máximo, mas Chris enxerga que há um ponto de “máximo” em todo mundo e que a gente nunca percebe, porque estamos sempre atordoados com mil e uma preocupações, pressões e problemas inventados para suprir nossa ociosidade e é justamente isso que causa nossa sensação terrível de solidão e de falta de afeto e de laços duradouros, porque a gente passa tanto tempo sendo levado a crer que precisa achar um “outrem” para mirar nossa felicidade em que acaba por esquecer de nós mesmos. E o Chris nunca soube quem ele era e ele precisou de uma epopeia tenebrosa pra descobrir isso e mostrar pra mim que eu posso e que eu consigo. Mesmo que meus pais a vida inteira tenham dito que não, que eu jamais conseguiria andar muito ou ir muito longe e que eu tinha que aprender a dirigir logo, pros meus pés não doerem e que shoppings eram muito melhores que parques, porque eu não me sentiria tentada a andar de bicicleta ou pular corda ou fazer qualquer uma das outras coisas que eu “não posso”.

Se um cara aleatório encheu uma mochila com livros, um saco de arroz, uma troca de roupa, um sapato de chuva e uma arma de caça e foi pro meio do nada, absolutamente sozinho e ainda assim sobreviveu por um bom tempo, escreveu um diário incrível e conheceu pessoas tão maravilhosas que fizeram com que o ato de sair de casa, largar os pais sem dar notícia, queimar todo o dinheiro e abandonar o carro valessem a pena, quem é que disse que eu não posso? Por que eu não poderia? Se há limites na vida, é para serem explorados. Se há perigos, é para serem desafiados e se há desafios é para serem enfrentados. Mesmo que a gente perca. Mesmo que a gente nunca encontre alguém para compartilhar a nossa felicidade. Mesmo que a gente tenha que se contentar com nós mesmos e nossa magnetude eternamente invisível perante os nossos olhos. Mesmo que a gente chore no fim da noite se sentindo um fracasso. Porque viver é sobre tentar. Viver é sobre se sentir infinito. Viver é sobre compartilhar. Viver é sobre estar absurdamente cansado e não conseguir dormir por não conseguir parar de pensar e de chorar pelo simples fato de se… viver.

Jamais conseguirei agradecer meu Supertramp à altura e já me conformei com o fato de essa ser a maior frustração da minha vida, junto com minha maior paixão não realizada e a maior decepção por um abraço que jamais poderá ser dado. E eu nunca vou cansar de falar sobre ele, de lembrar dele e de aprender com ele. Mais uma vez, obrigada Chris.

…I knew all the rules, but the rules did not know me… Guaranteed.

Ódio do ócio, ócio do ódio.

Eu descobri com doze anos que odiava as pessoas. Todas elas. Eu não tinha a menor vontade de me misturar, porque todas eram inúteis e só iam servir pra um par de risadas e nada mais que isso. Por mais que eu goste de rir, expandir meu contato social só para obter este sucesso na vida sempre me incomodou. Aí eu comecei a fazer teatro e aprendi que devia tentar ser legal, mesmo que não fosse de verdade. Aprendi que na frente das pessoas eu tinha que colocar uma máscara feliz e divertida e “me jogar”, ser quem elas queriam que eu fosse e ponto final. Aprendi que sempre teria o meu quarto cor-de-rosa (que agora é branco) para abranger as minhas rebeldias sem sentido perante a vida e a não existência de algo que eu possa considerar como vida de fato. Aprendi que meu guarda-roupas estaria sempre bagunçado, mas jamais se compararia com meu chão e que minha estante de livros estaria impecável e catalogada, pois é meu método de tentar organizar a tal vida. Aprendi que eu ia conhecer cerca de meia dúzia de gente que ia me fazer sentir a vontade o suficiente para arrancar a tal máscara e mostrar que ei, eu sou chata pra caramba, ok? E essas pessoas, mesmo com essa ciência, continuariam ali. Porque tem louco pra tudo nessa vida.

Nunca aprendi a sobreviver ao ócio. Aos feriados e às férias. Sempre as passei perto de minha prima, que me aturava durante todas as madrugadas, às quais eu jamais dormia. Porque é muito mais legal ficar acordado e interagir quando todo o mundo está em repouso, quando você não precisa se esforçar, pentear o cabelo ou fazer as olheiras desincharem, simplesmente porque ninguém vai estar vendo. Tudo é mais fácil quando o escuro te protege. A claridade sempre me incomodou. Por isso o blackout do quarto fica fechado o dia inteiro sempre, menos quando eu saio e minha mãe abre pra “entrar um ar”. As noites não dormidas ou dormidas e mal sonhadas ou dormidas e tão bem sonhadas que tornam-se péssimas puramente por serem irreais sempre foram minha parte preferida da existência. E é um absurdo que eu seja obrigada a desperdiçá-la dormindo durante a maior parte da minha vida. É por isso que, amante da madrugada, odiante de pessoas, convivência, intimidade, relacionamentos e claridade, madrugadas de feriados e fins de semana tornaram-se minhas preferidas. Mesmo sem a minha prima. Mesmo sem as conversas sem sentido e sem olhos nos olhos. Porque agora eu canalizo todo o meu ódio em músicas violentas e escrevo coisas absurdas enquanto me imagino socando todas as pessoas que odeio e é incrível como a lista de pessoas e lugares que eu odeio crescem a cada dia. É quase uma função exponencial e pra eu ser capaz de me lembrar o que é uma função exponencial é porque ando muito irritada. É isso. Eu ando irritada. Explosiva. Estressada. Com vontade de pegar uma metralhadora e sair por aí lavando o mundo em sangue. Porque é tudo muito errado. Tudo muito irrelevante. Tudo muito pra nada.

Dezenove anos. Inconstância. Preguiça. Malemolência. Vontade de retornar aos hábitos de cidade de interior e visitar o cemitério só para poder correr e gritar sem parecer maluca. Vontade de pular da janela só pra ver se aprendo a voar. Vontade de fugir. Pra qualquer lugar. Pra fazer qualquer coisa. Algo diferente. Inconstante. Que não me irrite. Porque até chocolate me irrita. Porque até as lágrimas que insistem em aparecer pararam de ser benéficas e se transformaram em odiadoras e malvadas como todo o resto da minha essência. Porque ler me irrita e não ler me irrita mais ainda. Porque eu não consigo ver um filme inteiro sem ter vontade de explodir o idiota que inventou os filmes e não consigo passar dez minutos no computador sem querer explodir o débil mental que inventou essa merda. Porque não consigo respirar de olhos abertos por cinco segundos sem querer explodir o retardado que inventou essa coisa chamada “gente”.

Trilha sonora de Clube da Luta. Textos que eu queria muito poder não ler. Vontade absurda de não ter tendinite só pra poder bater em alguém, qualquer um. Nem que fosse pra sair na rua de pijama e dar um soco e voltar pra dormir tranquila. Busca por uma paz interior que aparentemente está mas que longe. Vontades e anseios que jamais serão realizados. Fuga. Síndrome de Supertramp mais atacada do que nunca. Vontade de achar um babaca qualquer pra me acompanhar em uma viagem de carro para o infinito, só pra eu ter quem xingar enquanto escuto músicas esquisitas e reclamo de cada micro-pedaço de cada micro-coisa que eu encontrar pelo caminho. Porque eu odeio novembro. Porque eu odeio fins de ano. Porque eu odeio fins. E odeio inícios. E odeio tudo. Inclusive você.

Angústia

Eu entendo as razões para a existência do feminismo. Entendo que as mulheres são tratadas como inferiores em quesitos que realmente não são e que por causa de tamanha desvalorização elas acabam objetificadas e tratadas como nada. Eu entendo que por causa dessa cultura massificada que ensina os homens desde sempre que mulheres possuem ótimos buracos e que peitos são a oitava maravilha do mundo, muitas mulheres sejam estupradas, abusadas, violentadas de maneiras absurdas e mortas todos os dias. E entendo que muitas delas não tenham coragem de contar nada disso, por medo da revolta do agressor. Por medo de sofrer mais pelo simples fato de ser mulher. Eu entendo tudo isso. E acho uma palhaçada. Assim como acho uma palhaçada que todas essas coisas aconteçam com negros, indígenas, mendigos, homossexuais e quaisquer outra subdivisão considerada inferior e mais fraca por algum modo. E é por isso que defendo o direito de todas essas pessoas a irem à luta, por igualdade e por respeito. Coisas que deveriam nos ser garantidas, tendo em vista que fazem parte da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, mais precisamente do artigo II que diz “Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição”.

A questão é que a Declaração de Direitos Humanos é só uma proposta de acordo de paz, como muitos outros, que servem como aparatos para algumas coisas, mas não como bases reais de fundamentos para atitudes humanas. A maioria das pessoas nunca leu essa Declaração e, convenhamos, ninguém nunca foi perguntado se concordava com ela ou não. A gente simplesmente nasceu. Aqui, num universo repleto de regras e convenções às quais tivemos que aprender a lidar, até que isso nos sufocasse o suficiente para que, os que não aprenderam a lidar, se revoltassem e começassem suas revoluções em prol das minorias.

Descobri-me uma pessoa revoltada para com o feminismo. Eu sempre achei que gostava dele, porque eu concordo com vários de seus preceitos e porque adoro o fato de eu poder ter voz e poder tomar decisões sobre a minha vida, coisas que jamais teriam acontecido sem ele. Só que uma das linhas do feminismo é a da “teoria queer”, que pretende uma igualdade social total entre os gêneros e isso me incomoda de um tanto que nem consigo expressar. Não a teoria em si, se ela se tornasse realidade ok, eu até conseguiria me acostumar, eu acho, a questão é que vejo essa e algumas outras linhas do feminismo tão utópicas quanto o lindo comunismo marxista. E isso me irrita. Porque é impossível que a classe oprimida se reconheça como oprimida e se una em prol de uma revolta de paradigmas. A gente nunca vai conseguir uma revolta comunista, porque ao mesmo tempo que detestamos a desigualdade social e todo o mal que ela trás para a humanidade, adoramos o fato de podermos comprar o celular que a gente quer e todos os outros privilégios de “classe média” e, ok,  a ideia não é empobrecer as pessoas, é tornar todo mundo igual em um patamar econômico mediano, suficiente para todos serem felizes com seu dinheirinho e tal, mas eu não consigo ver uma aplicação prática disso. Não consigo imaginar um mundo sem desigualdade e se eu conseguisse, não sei se ia querer viver nele. Pode parecer ridículo e talvez seja, mas é a verdade. O mesmo acontece com o feminismo. A intenção não é tornar o mundo uma enorme supremacia feminina, é apenas promover a igualdade entre os sexos/gêneros, visando o respeito. Tecnicamente é uma coisa bem simples, o problema é que até as pessoas que lutam por isso foram criadas sob preceitos machistas e até elas vão reproduzir o machismo em algum momento, não é como se fôssemos capaz de extirpar uma cultura da gente, só porque de repente a vemos como errada.  Por mais feministas que sejam, as mulheres vão continuar em busca de um parceirx para a vida. Vão continuar sabendo menos sobre fios elétricos e mais sobre pregar botões e para mudar isso teriam que mudar toda a mentalidade de uma geração que está sendo formada, mas como mudar essa mentalidade, se os próprios formadores de opinião não sabem direito o que expressar?

Vivo em um mundo muito ativo politicamente, vivo rodeada de militantes das mais diversas coisas e, ao mesmo tempo, vivo em uma família ultra-conservadora que odeia tudo isso. Para ser diferente da minha família, forcei-me a acreditar cegamente em todos os padrões militantes sem nem pensar sobre eles, porque eram diferentes dos da minha família, então deviam ser bons. Só que eu me sinto tão oprimida pelas pessoas que pregam o libertarismo, o feminismo e a igualdade, quanto pelos que pregam a opressão, o conservadorismo e a supremacia. Consigo verificar pontos negativos e positivos das duas posições e me é impossível decidir de qual lado eu quero ficar. Sou uma completa indecisa e em cima do muro, em todos os quesitos, porque eu nunca vou conseguir discordar completamente de alguém e, ao mesmo tempo que isso me irrita, eu acho fantástico. Porque eu realmente me acharia uma babaca se estivesse comendo kinder bueno enquanto saía gritando por uma igualdade econômica ou se tivesse indo gritar pela liberdade feminina após ter pedido permissão para o meu pai para isso.

Meu pai nunca se importou com o que eu faço ou deixo de fazer, então eu simplesmente faço. Mas eu sei que isso decepciona tanto a ele quanto à minha mãe. Saber que eu tento pensar e que não quis ser um robô programado para seguir preceitos da moral cristã os assusta, tendo em vista que foi para isso que eles me criaram e eu acho divertido esse embate familiar que tenho que lidar todos os dias, acho que é um ponto forte do feminismo existente em mim. Isso e o fato de eu ser uma maluca por quebrar convenções sociais que impõem que eu tenha um cabelo comportado, use roupas bonitinhas, coma salada e tenha planos para casar. Mas acho que é só isso. Eu prezo muito pela liberdade perante o meu próprio corpo e pelo direito de poder estudar e trabalhar e receber a mesma remuneração que um homem no mesmo cargo. Eu detesto as cantadas dos pedreiros que sou obrigada a ouvir todos os dias e me enojo ao ver as crianças brincando de ser mães, porque elas poderiam estar brincando de uma série de outras coisas, mas não pelo fato de “estarem treinando para ser mães”. Acho legal a noção de que uma mulher não PRECISA ser mãe, mas ao mesmo tempo, acho legal quem respeita aquelas que querem. Aquelas que acreditam no casamento, numa vida comportada e conservadora.

Se Doctor Who aparecesse na minha vida hoje e me perguntasse em qual época e lugar eu gostaria de ser largada, pediria para estar na Inglaterra do século XVIII, para ter a chance de viver um dos romances da Jane Austen. Porque eles são lindos, eles são românticos, mas são a representação perfeita de como uma sociedade machista funciona e de como uma mulher acaba por se render a ela quando encontra o amor, porque só o amor salva. Eu nem sei se ainda acredito no amor, mas queria ter a chance de viver naquela época, porque lá eu acreditaria, lá eu não precisaria pensar, lá eu não teria que viver essa eterna angústia de pessoa insatisfeita com a própria insatisfação. Lá eu poderia apenas reproduzir o que minha mãe me ensinaria, poderia bordar em paz (como eu tenho saudades de ter tempo para bordar!) e poderia criar um monte de pirralhos, do jeito que eu sempre quis.

No mundo atual eu me vejo cada vez mais obrigada a aperfeiçoar o meu intelecto, a conviver com pessoas que acreditam em coisas que acho duvidosas, a olhar para as crianças às quais dou aula com pena, porque sei que um dia elas vão ter que encarar o mundo e vão se decepcionar. Mas não consigo deixar de ter um pingo de esperança e fico com vontade de mudar a vida deles de algum modo, de fazer eles pensarem, talvez se todo mundo tiver senso crítico as utopias se tornem reais. Talvez o que falte seja a gente acreditar. O Chapeleiro Maluco de Once Upon a Time disse que o problema dos humanos é que eles querem sempre uma solução mágica, mas não acreditam nela. Eu realmente não acredito. As vezes eu acho que não acredito em nada. Se não consigo acreditar nem em mim, como serei capaz de acreditar em qualquer uma dessas milhares de teorias fenomenais com as quais vivo entrando em contato? Como serei capaz de achar que um dia seremos iguais, mas ainda assim haverá um jeito do romantismo existir? A visão que eu tenho é a de que o romantismo é tão antiquado e dominativo, que em uma sociedade igualitária simplesmente desapareceria e a gente ia se relacionar com as pessoas só para suprir a ânsia de não sermos sozinhos. E eu já cansei disso, de tentar tampar o Sol com uma peneira e continuar queimada pelos raios UV que passam por cada buraquinho. Eu já cansei de me ver obrigada a sorrir e concordar com as coisas só para não parecer uma conservadora-reprodutora-de-senso-comum mesmo estudando antropologia. Porque tem uma assim no meu curso e ela é deplorável e eu não quero ser ela e eu não acho que eu seja. Mas também não sou aquela que vai sair por aí gritando que quer que o mundo seja perfeito, porque eu odeio coisas perfeitas, porque eu preciso dos meus problemas imaginários e dos motivos para passar o dia inteiro angustiada e sofrendo e comendo mil e um doces e ficando com peso na consciência porque vou sair do padrão de beleza implantado na minha mente!

Eu jamais lutaria contra o padrão de beleza, inclusive, porque eu adoro ele. Por mais opressivo e exclusivo que seja, eu gosto da ideia de que as pessoas tem que se depilar, ter dentes brancos e não tortos, cabelos ajeitados, unhas bonitas, roupas não grotescas e um peso que condiga com sua estrutura óssea. Acho triste as pessoas que se submetem a mil plásticas porque querem ser a barbie, mas nisso eu enxergo apenas um exagero e não uma razão para acabarem com as barbies, mesmo porque, elas são bonecas simples, que proporcionam que as crianças continuem criativas e continuem a inventar histórias e qual é graça de ser criança se você não pode inventar histórias? Se você não pode achar que um dia vai ser uma princesa, como as da Disney, ou até mesmo como a Mia Thermopolis? Eu odeio a robotização infantil que vem sendo pregada constantemente, se elas não puderem inventar histórias, não vão conseguir desenvolver seu raciocínio a ponto de se tornarem bons pensadores e sem bons pensadores a humanidade acaba. As indagações acabam, a arte acaba, a literatura, música, cinema… tudo vira reprodução do que já foi, repetição do que já foi dito. E é isso que me incomoda. E não o fato de uma mulher pedir para um homem trocar uma lâmpada ou fazer a bateria do carro funcionar, não são coisas que interessam muitas delas. Assim como pregar botões e fazer cachecóis não interessa muitos dos homens. E eu não sei qual é o problema disso. Não sei qual é o problema em cumprirmos alguns papéis diferentes. Não sei qual é o problema em sermos diferentes e ao mesmo tempo tão intensamente dependentes uns dos outros.

As vezes eu acho que todos esses movimentos sociais apenas ampliam o individualismo e o enfraquecimento de laços sociais, enquanto acreditam estar fazendo o exato contrário. E isso me irrita, me incomoda, me deixa enfurecida. Porque eu odeio ser sozinha, porque eu sou uma pessoa absurdamente dependente. Porque um dia minha mãe vai morrer e eu vou precisar de alguém que me dê liberdade o suficiente para eu chorar no colo, dormir abraçada e pedir para pentear meu cabelo nos dias que meu braço resolve não funcionar. E eu não me vejo conseguindo nada disso em um universo em que as pessoas vivem pregando que não precisam umas das outras, exceto no momento da revolução. Porque eu odeio as pessoas, mas eu preciso delas. O tempo inteiro.

Não Nasci pra V1d4l0k1ss3

Essa é a conclusão chegada pela minha pessoa, que, após muitas tentativas, descobriu ser uma amante devota de sua cama, seus chocolates, livros e seriados. E conversas madrugueiras com os amigos através de bate-papos. Ou um cineminha, dormir na casa da pessoa, ir a um café ou restaurante ou sorveteria e, nos dias empolgantes, uma festa muito emocionante – porque precisa ser muito emocionante pra me fazer ter vontade de ir.

Sempre fui uma pessoa comportada, só sabem que estou em casa porque as vezes vou ao banheiro. Nunca fui dessas que falta aula no ensino médio pra beber e fumar, pelo contrário, eu era a chata que brigava com os amigos que faziam isso. E que quando faltava aula era pra dormir, ou pra conversar no MSN, enquanto eles bebiam e fumavam e dançavam nas máquinas de shoppings.

Quando a gente é criado sossegadamente, em uma casa na qual seus pais ficam o dia inteiro em e sua única saída é brincar de barbie sozinha no seu quarto ou assistir desenho, dormir ou ir conversar com sua avó, qualquer coisa é vida lokisse. Tirar foto em máquina com filme sem avisar os pais é um risco tremendo, se esconder embaixo da cama pra ver quanto tempo demora até sentirem sua falta, uma tremenda aventura. Sair de casa para ir à escola e parar no bar para comprar bala, é eletrizante. Fugir para a casa de algum conhecido, só pra assustar os pais, é a coisa mais divertida do mundo. E não adianta achar que conforme você vai crescendo as coisas vão mudar, porque elas não mudam.

Aos treze anos eu comecei a ler “O Diário da Princesa” e presenciei Mia Thermopolis tentando (e conseguindo) se descobrir como pessoa, passando por um intenso processo de auto-atualização e conseguindo ser alguém na vida. Resolvi tentar fazer o mesmo. Faz seis anos que tento desconstruir e reconstruir o meu ser todos os dias, viver em um constante processo dialético, esperando que algum dia eu faça sentido e, quando olho para os treze anos, ainda sou igual. É claro que há uma série de novas experiências que me construíram e que hoje eu consigo manter uma discussão antropológica por um tempo bem maior do que nos treze anos, onde eu sequer sabia o que era antropologia. Mas ainda sou a pessoa que espera que a vida ocorra como a da Mia e que de repente tudo se encaixe e faça sentido. E talvez eu vire a Cassie, que na sexta temporada de Skins já é adulta e ainda está esperando algo acontecer na vida dela pra dar uma guinada.

Aos dezenove anos muitas coisas mudaram, mas as vida lokisses continuam banais. Continuo a estranhar os que conseguem passar o dia inteiro em um bar e no dia seguinte ir para a aula, os que usam mil e um tipos de drogas e ficam alucinados e divertidíssimos, os que saem todas as noites para lugares diferentes e legais, os que estão sempre rodeados de pessoas e sorriem e parecem felizes. Porque nada disso faz sentido na minha cabeça, parece desperdício de tempo e se é pra desperdiçar, que seja com bons sonhos. Minha vida é ir pra aula e voltar pra casa, pra dormir, pra conversar com as amigas que moram longe, pra planejar invasões à casa das que moram perto e nunca falam com a gente, ou simplesmente pra ver o episódio novo de uma das vinte séries que me vejo acompanhando no presente momento, e eu amo a minha vida! Sou uma pessoa chata. Uma velha ranzinza que a idade ainda cabe no dedo. Ainda vejo o mundo como quando eu tinha treze anos, ainda corro pra cama da mamãe quando a noite está difícil e não me vejo em posição de trabalhar ou fazer algo responsável. E não é porque sou triste, eu sou tão feliz, sorridente, empolgada, contente, mas não nasci pra ser vida loka. É tão mais fácil viver aqui, nessa posição de pessoa metida que acha que sabe muito sobre o funcionamento do mundo e prefere não se meter para não se contaminar e que acaba tão contaminada quanto qualquer outro.

Minhas vida lokisses são andar sozinha à noite, voltar a pé de madrugada acompanhada por semi-conhecidos, ficar na faculdade o dia inteiro fazendo qualquer coisa menos estudar, passar a madrugada pré-prova acordada vendo seriados e nem encostar na matéria, gastar metade do salário em livros que nunca serão lidos e a outra metade em produtos capilares. Fazer experiências malucas com o próprio cabelo, conhecer os outros campus universitários, viajar para lugares novos e ficar na casa de gente que nunca vi ao vivo. Acordar de madrugada com vontade de tomar banho e tomar. Assistir True Blood na tv da sala com gente em casa e coisas do tipo. Aventurar-me nas vida lokisses comuns exige um preparo psicológico descomunal, ou um ataque impulsivo muito forte. Eu sou presa à mim mesma. Ao meu auto-controle (ou à tentativa de fazê-lo existir). Não consigo me imaginar descontrolada e insana por aí, porque mesmo quando fico insana, estou completamente ciente disso e, pra mim isso não é vida lokisse. Vida lokisse é entrar num bar às 14h e acordar no outro dia, pelada, na casa de um estranho que você nem sabe o nome. Não consigo me ver assim. De maneira nenhuma. E eu queria. Do mesmo jeito que sempre quis ficar em recuperação, sempre quis ser vida loka.

Esse ano resolvi tentar. Encarnei o Charlie que tinha em algum lugar do meu ser e decidi parar com essa frescura de ser um espectro que ronda a sociedade, resolvi que ia virar gente em alguns aspectos e permiti-me experimentar uma série de coisas que a Mayra dos treze anos morreria de preguiça só de imaginar. E não me arrependo. Mas a minha cama é tão mais legal, minhas músicas e danças sozinhas, os filmes no cinema que está sempre vazio, mas que a pipoca está sempre boa, os abraços inesperados dos amigos que continuam por perto mesmo sabendo que eu vou negar todos os convites porque vou preferir sentir a maciez do meu lençol…. não faz sentido acordar todos os dias, se arrumar lindamente e sair por aí pra cumprir roteiros sociais que não te apetecem, só porque você acha que tem que fazer os outros felizes. Eu só quero um chocolate quente e um livro, posso?

E não é que eu não goste de festas, shows ou simplesmente de conviver. Eu gosto de tudo isso. Eu sou gente. Eu adoro contato físico, compartilhamento de histórias e criação de novas histórias. Mas depois de, no máximo, quatro horas de convívio social, tudo que eu consigo pensar é no silêncio do meu quarto, no qual o barulho é o da rua e o do teclado incansável do computador. Quando a quarta hora chega, encarno a pessoa insuportável que fica repetindo incansavelmente “vamos embora?” até que alguém finalmente me leve embora, ou que eu simplesmente vá. Porque não tenho paciência. Porque já é demais. Porque quero ficar sozinha, refletir, dormir e ser eu! Porque eu só sei ser eu quando ninguém está vendo. Porque eu tenho vergonha do mundo inteiro. Porque as pessoas acabam por me irritar de algum modo e eu só preciso desesperadamente fugir.

Esse é um texto de contentamento. Decidi aceitar o jeito “Mayra” de ser, essa coisa mole, inconstante, instável, esquisita e ao mesmo tempo tão necessitada de se fazer normal e compreendida. É um processo demorado, difícil, lento, mas talvez seja assim que a gente consiga atingir a auto-atualização da qual Mia sempre falava. Talvez seja assim que a gente vire gente, quando a gente simplesmente se aceita. Bom, essa é a Mayra, ela gosta de experimentar as coisas, porque não quer passar pelo mundo com algo muito legal nunca feito, mas ela não permanece fazendo as coisas. Ela não permanece fazendo nada. E nada, nem chocolate ou episódios novos de séries, pode competir com sua cama. A vida lokisse da Mayra é ficar em casa dormindo a vida inteira, enquanto os outros fazem todas as loucuras que julgam necessário.

Coerção Social

Nunca fui do tipo maníaca por encontrar um namorado e nunca entendi as perguntas do tipo “mas você não tem vontade?”, “já tá na idade, não?” ou os desejos de “e muitos namorados” que minhas primas começaram a fazer nos meus aniversários desde os quinze anos. Nunca me imaginei tendo um namorado, isso porque tenho aquele problema de não conseguir imaginar como chegar ao fim, mas conseguir imaginar o fim. Nas poucas vezes que me vi velha (e por velha entendam trinta e pouco anos, não que isso seja velha, mas nunca consegui me imaginar mais velha que isso – síndrome de Marla Singer de viver esperando que a morte chegue logo e ficar decepcionada porque ela demora) conseguia imaginar minha casa com um lindo ateliê de arte e uma máquina de escrever antiga e paredes repletas de livros – a maioria lidos e eu preparando o lanche para os meus filhos levarem para a escola e fazendo o nó na gravata do pai dos filhos e depois indo para o meu lindo trabalho sofisticado e sem horário pré-estabelecido, que permitiria pausas esporádicas para lanchinhos e sonecas.

Veja que eu digo “pai dos meus filhos”, isso porque como nunca me imaginei casando não me sinto apta a chamar esse indivíduo de “marido”. Assim como acho que vou demorar anos pra conseguir chamar alguém de “namorado”, mesmo que o resto do mundo chame. Mesmo que eu ache que talvez a gente seja. Porque na minha cabeça, estar em um relacionamento significa que você finalmente admitiu sua vulnerabilidade e resolveu compartilhar de verdade a existência para com outra pessoa. A partir disso você passa o tempo inteiro conversando com ela, e continua a sempre ter assunto simplesmente porque se sente apta a falar sobre o que quiser.  E você tem certeza de que não importa o que fale estará sendo ouvida, a pessoa estará interessada e no final vai te falar o que você precisa ouvir e vocês vão sorrir e dormir tranquilos. E eu não consigo me imaginar nessa posição.

Alguma coisa no meu cérebro bloqueia o quesito “relacionamentos amorosos” e toda vez que eu acho que estou finalmente gostando de alguém e a minha família finalmente vai tirar a imagem de 19-anos-nunca-beijou-na-boca que têm de mim na cabeça, pronto. Tudo volta. Eu me sinto a pior pessoa do universo por considerar a hipótese de gostar de alguém e empatar a vida da pessoa e, ai Deus, 7 bilhões de pessoas no mundo, não posso condenar o pobre coitado a gostar de mim e exigir exclusividade ainda! Porque, né, quem seria o burro que ia se condenar a ficar ~~comigo~~? Aí eu desisto de todos os meus possíveis pensamentos românticos, sento no meu canto comento meu chocolate e vendo meus filmes reflexivos, tento entender porque isso acontece, tento pensar que talvez eu mereça ser amada por alguém, talvez todos mereçam, choro um pouquinho e durmo. Acho que a cultura emo de 2007 realmente se enraizou em meu coraçãozinho e decidiu nunca mais me deixar em paz.

Até aí tudo bem, o problema é quando eu resolvo assistir as comédias românticas. Porque eu odeio as comédias românticas, mas as amo tão intensamente! Elas são insuportáveis porque mostram gente comum, triste e solitária que encontra o amor da vida na fila do supermercado e passa por altas aventuras enquanto tenta consolidar que de fato eles são o amor da vida um do outro e no final todos ficam bem e felizes e ao mesmo tempo que eu rio da história e choro com a desilusão por nada daquilo ser real, uma sementinha no fundo do meu cérebro me faz pensar que talvez essas coisas aconteçam com alguém. Talvez eu só precise me abrir mais. Talvez o problema esteja comigo (no fim sempre concluo que o problema está comigo, claro.)

Só que eu sempre soube lidar bem com essas coisas. Eu sempre consegui dormir depois dos meus choros-chocolates-filmes. Sempre consegui sorrir no outro dia e ignorar minhas tias dizendo que eu preciso parar de ter nojo de beijo na boca, porque é bom. Só porque  com 14 anos eu falei que achava super nojento e nunca fiz isso na frente delas e elas sub-entenderam que eu nunca fiz isso em lugar nenhum. E estava tudo bem, tudo tranquilo. Eu conseguia ouvir minhas amigas falando sobre os possíveis amores e sobre os reais amores, sobre o que fizeram e o que gostariam de fazer, sobre qualquer coisa relacionada a garotos e manter-me longe o suficiente para jamais me envolver com as conversas. Um dos principais motivos para eu me sentir um alien durante a escola era justamente o fato de que as meninas só falavam sobre garotos e, poxa, tinha tanta coisa a mais no mundo para ser dita e elas se limitavam a tão pouco! Nada fazia sentido.

Eu nunca vi sentido em encontrar um namorado aos quinze anos e estar noiva aos 21. Nunca vi sentido nessa história de amor da vida, alma gêmea ou qualquer coisa assim. Pra mim sempre foi clara a ideia de pessoas que se encontram, se gostam, tornam-se dependentes da existência uma da outra, sentem-se aptas a compartilhá-las e o fazem. Simples assim.

E daí minhas amigas começaram a ter namorados. E daí as pessoas que estudavam comigo no ensino fundamental casaram e tiveram filhos. E aí algumas outras amigas ficaram noivas e outras não namoram porque preferem ir para as baladas e “passar o rodo” e várias outras fazem como eu e passam as noites fugindo da realidade enquanto encaram realidades paralelas em filmes, livros e séries e imaginam o quão bom seriam se aquela fosse a realidade delas. E eu não consigo entender porque essas coisas acontecem ou como acontecem, mas chega um ponto na vida em que tudo ao seu redor coage para a ideia de que você precisa de um relacionamento romântico monogâmico para ser feliz. Que você precisa encontrar um homem-hetero-solteiro que more na sua cidade e pareça minimamente confiável e interessante. Que sua vida nunca vai ser completa ou fazer sentido se você não tiver isso. Que você vai ser excluída socialmente, porque todas as amigas-que-namoram vão sair com os namorados e você vai ficar sozinha em casa. E que um dia de fato todas as suas amigas vão ter namorados e você não, logo, você será uma velha cheia de gatos e livros não lidos numa estante gigante.

E essas ideias são aterrorizantes. Porque ninguém quer ser sozinho. Ninguém que imaginar um futuro distante em que está sozinho. E eu sei que tem toda essa gente que acredita que mulher não nasceu para casar e ser mãe e ok, ela não NASCEU pra isso, mas, assim como os homens, ela vai sentir vontade de fazer isso em algum momento. E não importa se é porque a cultura em que ela está inserida a faz sentir mais segura quando acompanhada, não importa se é porque colocaram na cabeça dela que a solidão é a pior coisa do mundo, não importa se é porque ela acredita piamente que só vai ser feliz com um homem do lado, nada disso importa. O fato é que vai chegar um ponto na vida em que a mulher vai se sentir obrigada a encontrar um homem para compartilhar as coisas. Vai chegar um momento que tudo ao redor dela vai levar para isso. Vai chegar um momento em que ela vai se desesperar e ansiar amargamente que essas coisas aconteçam com ela.

E é exatamente nesse momento que os filmes de comédia romântica nos diriam que a gente não vai encontrar, porque estaremos tão desesperadas procurando nosso padrão que acabaremos sozinhas. E é nesse momento que vamos começar a ler Marian Keys, achar Nicholas Sparks fofo e morrer chorando com músicas da Taylor Swift. E que vamos fazer playlists para dor de cotovelo (porque todas as pessoas minimamente interessantes não cumprem o padrão básico hetero-solteiro-quemorenamesmacidade) e que vamos baixar aplicativos que transformam pessoas em catálogos ou mandar spotteds pra qualquer um que demonstre-se disponível de algum modo. É nesse momento que dormimos esperando o cara-lindo-dos-filmes apareça e ele nunca aparece. E os eventos familiares se aproximam, e seus primos sempre estão acompanhados, e os que não estão são chamados de “espertos” e “pegadores”, enquanto as primas acompanhadas são super aclamadas, as não acompanhadas, mas com mais de 25 anos são rechaçadas e dizem que “vão ficar para a titia” e as um pouco mais novas, mas que nunca demonstraram algum tipo de habilidade no quesito romântico viram piada.

E mesmo que nada nesse universo faça sentido, você torce para encontrar logo um namorado, colocar isso no facebook (pra evitar ter que falar pra todo mundo, porque isso me faria admitir que tenho um namorado e seria estranho e símbolo de fraqueza imenso) e conseguir dormir em paz à noite. Depois de ver um filme compartilhando pipoca, cobertor e a cama.

E esse é só mais um dos motivos pela qual a sociedade me irrita.