AI-CI-TEL

A gente era criança e por algum motivo insano decidimos tropeçar juntas pela vida. Faz sete anos e eu ainda consigo olhar pra você e contar tudo que tenho vontade, enquanto sei que você faz o mesmo. Compartilhamos experiências, primeiras vezes, últimas vezes, fim de ensino fundamental, início e fim de ensino médio, faculdade… Dividimos os melhores entretenimentos possíveis e fizemos coisas divertidíssimas juntas. A gente se encontrou, dentre tantas pessoas existentes, encontramos uma à outra. E não tivemos medo ou vergonha de compartilhar nossos momentos, como fizemos nos últimos sete anos. Outro dia vi no facebook que se a amizade passa dos sete anos ela é eterna e eu realmente espero que a nossa seja.

Eu não sei direito o que te dizer, pensei em fazer um texto só com os melhores vídeos da nossa história, mas ia ser vergonhoso demais. Tem coisas que só uma deve saber da outra. A gente já pagou tanto mico juntas… Nem gosto de pensar sobre. E, por alguma razão que nunca vou entender qual, continuamos amigas. Mesmo sendo tão diferentes, mesmo que um terceiro olhando para nós pense “como é que elas são amigas?”, porque, bem, se fosse por esteriótipos a gente devia se odiar. Você faz ~~publicidade~~ na ~~UP~~ e eu faço ~~Ciências Sociais~~ na ~~Reitoria~~ e, gente, você não come pão! Vai dizer, temos tudo pra ser completamente diferentes e aquele tipo de gente que não entra em sintonia e não se suporta, mas, é exatamente o oposto! As vezes eu sinto como se o fato de sermos diferentes em vários quesitos acabasse por nos completar. Quero dizer, todos os nossos problemas e encruzilhadas são vistos sob pelo menos duas perspectivas diferentes e isso já dá uma baita ajuda na hora de tomar decisões, não concorda? Além do mais, é absurdamente impossível que coisas bobas como faculdade atrapalhe o que a gente tem. E eu me sinto tão gay estabelecendo “eu e você” como um relacionamento, que nem te conto!

A verdade é que você é uma das minhas amigas mais antigas e uma das poucas que eu consigo manter tanto contato hoje quanto tive quando tinha doze anos. Você é aquela pessoa que eu sei que posso atormentar em meus momentos depressivos e que posso morrer de rir quando estiver feliz. Você sempre vai me mandar links e vídeos aleatórios e vai completar as músicas que te mando via sms. Você sempre vai me convidar para eventos legais e vai deixar eu usufruir de seus contatos para entrar de graça em alguns lugares. Você vai me chamar pra passar um feriado inteiro na sua casa e na hora de ir embora ainda vai dizer “minha mãe perguntou se você não quer ficar mais um pouco”, isso depois da gente ter comido um monte de coisa gostosa, ter visto vários filmes, vídeos, seriados, notícias engraçadas, conversas bizarras e ido conversar no bosque. Você é uma daquelas pessoas que eu sei que quando eu achar que só a minha família vai se importar comigo, estarei enganada, porque você também vai. Mesmo que esteja brava. Mesmo que eu tenha sido super grossa e tenha te deixado revoltadíssima.

Eu sei que eu posso te fazer chorar, posso brigar com você e ser completamente insensível em questões que para você são de extrema importância, mas eu acho que você sabe que eu te amo infindavelmente e que a simples hipótese de te perder em algum momento já faz meu coração ficar apertado e angustiado. Eu acho que você sabe que mesmo quando eu te xingo e te dou algum dos meus tapinhas, só estou torcendo para que tudo termine bem e você seja feliz. Acho que você sabe que dia 30 de Julho está marcado na minha história como seu aniversário, mesmo que você esteja há milhas e milhas de distância, comendo coisas super gostosas das quais eu morreria de inveja. Acho que você sabe que eu realmente pretendo ter um empreendimento com você, para que a gente possa exercer nossas profissões quando der vontade, mas conseguir nos manter com algo super divertido e que nos deixe financeiramente independentes. Acho que você sabe que eu não passei sete anos ao teu lado à toa. Você precisa saber que é porque eu espero passar muito mais tempo. Porque sobrevivemos juntas a todas as metamorfoses juvenis possíveis e agora que as coisas estão começando a se estabilizar, é até injusto cogitar que nos separaríamos.

Ei. Você está fazendo dezenove aninhos! Em algum lugar de São Paulo há dezenove anos sua mãe estava torcendo para que você chegasse logo. Até consigo imaginar a cara dos seus pais quando te viram e do teu irmão também, claro. Você parece ter sido aquele tipo de criança que brincava sozinha, mas que tinha várias amigas também. E que sempre inventava coisas para manter a cabeça contente e estava sempre cantando e dançando por aí. Você parece ter sido aquele tipo de criança hiperativa que deixava os pais cansados, mas que quando eles te viam dormindo sorriam e ficavam felizes por você existir. Eu sou muito feliz por você existir.

Fique agora com o vídeo do carinha do dente assim /

Você

Hoje eu lembrei de você. Faz tanto tempo, tanta coisa nesse fluxo contínuo de tempo e espaço ao qual chamamos vida.

Somos apenas um ponto comum que interseccionou duas retas que continuaram a seguir infinitamente e a interseccionar-se ad infinitum com outros alguéns.

Apenas rostos, lembranças, histórias e vida construída passo a passo, lado a lado.

Eu sinto falta de você. Queria que você tivessse ideia do quão difícil é admitir isso depois de todo esse tempo, de todos esses acontecimentos e de toda a mudança que nos ocorreu.

Não sei mais quem és e muito menos sabes quem sou.

Mas eu ainda sinto sua falta.

Eu ainda lembro de você sempre que mencionam relacionamentos, seja porque você foi o mais próximo disso que tive, seja porque graças a você não pretendo ter algo assim tão cedo.

Lembro de você quando conheço gente inteligente, quando penso sobre física, quando vejo coisas sobre a Islândia ou quando passo algum tempo encarando alguém.

Lembro também quando como coxinha e quando tento abrir os sachês de ketchup nos lugares em que vou.

Lembro de você quando pego na mão de alguém, porque sempre fico tentando encontrar a sua, com suas unhas que crescem desreguladamente.

Procuro seu cabelo, seus óculos e seu cheiro de banho tomado que nunca desaparece.

Procuro por suas piadas, seus conselhos e por alguém que aceite conhecer a mim tanto quanto você fez.

Mas eu tenho medo. Você me deixou com medo. Não consigo me imaginar fazendo tudo de novo com outra pessoa, abrindo-me tanto para que depois tudo seja destruído e reste-me apenas lembranças e dias infinitos de choro profundo.

Eu me afastei tanto de mim mesma depois de você que acabei por repelir a todos e nunca mais consegui ser sincera o suficiente com ninguém.

Eu decidi deixar de falar com eles e simplesmente agir, porque eu falei tanto com você e nada nunca deu certo.

A gente só chorou e se machucou e chorou e se machucou e isso nunca teve fim, até que decidissemos nunca mais nos falar e esse rompimento brusco me machucou tanto que mesmo achando que superei eu sei que nunca vou superar. Sempre vou ter você aqui dentro.

Dizendo que estou fazendo tudo errado e que deveria voltar a ser como eu era, ou seja, uma pessoa legal. Dizendo que eu deveria voltar a conversar e ser sincera e falar tudo que penso e sinto, mesmo que isso gere textos enormes e chatíssimos, porque é assim que eu sou.

E ai, como eu sinto falta de você tentando medir meus batimentos cardíacos e dizendo que nenhuma das minhas teorias malucas me levaria a uma prática mais fácil!

Acho que segui esse conselho muito à risca. Eu sinto saudades de pensar. De ser racional. De mandar sms perguntando se posso te abraçar. Sinto saudades de você.

Onde você está? O que a gente fez com a gente? Por que é que a gente teve que ficar tão longe, mesmo querendo estar tão perto? Quem somos nós agora?

Você ainda lembra de mim? Ainda pensa em mim? Ainda perde algum minuto da sua vida chorando por mim, do mesmo jeito que eu faço com você nos dias aleatórios em que lembro da sua existência?

Você.

Queria fazer uma lobotomia de você.

Rehab.

A vida humana é um vício” foi o que eu li por aí outro dia e me fez perceber que, de fato, todos nós somos cercados por vícios. Eu, por exemplo, já tive a fase de vício por esmaltes, na qual cheguei a passar um mês almoçando bolacha recheada para sobrar mais dinheiro para comprar mais vidrinhos. Tenho uma coleção enorme até hoje que quase não os uso e juro que algum dia eles vão vencer e estragar e eu vou olhar e ficar chateada por ter gasto tanto tempo e dinheiro com uma coisa tão banal. Quero dizer, sim, tenho vidros raros, tenho cores bonitas, tenho habilidade, mas não sinto mais o que eu sentia antes. Pintar a unha virou tão banal quanto tomar banho.

Aliás, isto me lembra da época em que eu era viciada em tomar banho. E me lembra também que depois que o vício fica muito intenso e a gente perde o tesão pela coisa ela fica tão banal e sem graça que dá até vontade de não ter que fazer. E me lembra também de todas as vezes que eu simplesmente não tomo banho. Por preguiça, por frio, por falta de vontade. Porque não me parece mais divertido. É a mesma razão para eu passar várias semanas sem cortar ou pintar as unhas. Se me dissessem anos atrás que isso me ocorreria eu jamais acreditaria.

Eu tenho um bom controle sobre a maioria dos meus vícios. Um bom auto controle, acredito. Quero dizer, quando vejo que algo está ficando intenso demais pulo fora. Quando vejo que estou me tornando dependente e que o nível de vontade aumenta em cada vez que entro em contato com a coisa, simplesmente paro de fazê-la. Foi assim que eu consegui parar de jogar Candy Crush Saga antes de chegar na fase 100. Claro que o fato de eu ter empacado influenciou bastante, mas chegou num ponto em que eu simplesmente não aguentava mais rir das minhas desventuras naquele jogo e eu comecei a pensar em todo o tempo desperdiçado ali e simplesmente parei. Nem bloqueei, as vezes apareço lá para dar vidas aos amigos, mas saí antes que ficasse muito dependente.

Então surge o vício em pessoas, que na verdade é chamado por alguns de “amor”. Eu deixei de acreditar em “amor” porque vivi algo semelhante ao que todos dizem ser isso e foi tão drástico e destruidor que decidi que jamais sentiria de novo. Por isso, toda vez que sinto algo semelhante vou logo chamando de vício. Mentira, nem chamo. Minha saída – e tem funcionado muito bem – foi justamente parar de dar nome às coisas. Sentimento a gente sente, não tem motivos para nomeá-los. É por isso que eu não tenho vergonha de sair dizendo que amo todo mundo, porque me transmitiu algo de positivo, já amo. É assim que funciona. Com o vício é diferente. Porque o vício nem sempre é bom. É aquela coisa arrebatadora e ardente que faz o coração pular e as veias ferverem e que nos deixa simplesmente com vontade. Vontade de fazer coisas que talvez nem achassemos ser capazes de. E eu vou lá e faço. Sem medo ou vergonha. Só que depois o vício aumenta e atinge o nível que eu sei que tornar-me-ei dependente por um bom tempo. Eu, que odeio sentir-me presa aos outros, afasto-me. E a abstinência é terrível.

Por isso existe o chocolate. Aquela substância criada pela divindade mais superior do universo das divindades, que é capaz de te acalmar, alegrar e compreender. Que está sempre do seu lado e que te consola dizendo que sim, você é forte o bastante pra desvincilhar-se de teus outros vícios. Só que mesmo assim, você precisa de mim. Do chocolate, no caso. Porque por mais livre que a gente queira ser, por mais que a gente batalhe por esse direito de poder fazer o que a gente quiser, sempre haverá algo que mensurará esta nossa liberdade de alguma forma. No meu caso é o chocolate. Porque até do Spotted e do Facebook eu consigo ficar livre. Até longe das minhas mais de 100 sms’s diárias, mas eu nunca, jamais, consigo ficar longe dele. Não importa a forma ou intensidade que se apresente, o que importa é que esteja lá. E ele sempre está. Porque o chocolate é onipresente, onisciente, oni tudo. É aquela coisa deliciosa que faz tua boca tremer, as bochechas formigarem, o cérebro surtar, coração disparar, calor aparecer e de repente você está lá, largado no mundo. Sofrendo com aquela efusão de maravilhas que nada além de cacau e açúcar poderiam te proporcionar. Você, ali, independente de sua idade, deitado na cama, com cara de morto, mas com a cabeça a mil por hora. Você ali, com vontade de sair pulando, cantando e dançando, sem nem lembrar do dia terrível que acabou de ter. Você ali agradecendo a todas as entidades cósmicas do universo por terem te proporcionado aquele momento maravilhoso de cacau derretendo na sua boca e molhando sua língua enquanto você a movimenta e saboreia e entra em êxtase. Você ali, entregue. Naquele momento em que toda sua existência resumir-se-ia a um pedaço de chocolate em sua língua. Naquele momento em que nada mais seria suficiente. Em que nada mais importa. Em que todas as pessoas, jogos, esmaltes, sites e cores que você tanto lutou para esquecer parecem meras sombras de uma realidade que não te pertece mais. Porque naquele momento, caros leitores, você não se sente infinita. Naquele momento você se sente única, realizada, feliz. Extremamente. Naqueles segundos de desejo extremo sendo realizado é como se sua vida de fato fizesse sentido e a partir dali você quer mais. Mais chocolate. Mais vida. Mais vícios. Mais alegrias. Mais momentos como aquele. Porque depois que você encontra o paraíso, é impossível contentar-se com o comum.

São dezoito anos viciada em algo que eu nem sei como é feito. Dezoito anos em que eu como muito. Dezoito anos em que desenvolvi habilidades incríveis de aproveitar as sensações chocólatras por uma quantidade de tempo prolongado e com uma intensidade mais bem rentável. Foram anos e anos de luta externa para me desvincilhar de tudo isso. Anos e anos de luta interna também. Foram influências de diversos lugares da minha mente dizendo para que eu parasse. Para que eu conseguisse comprar uma barra de chocolate e fazê-la durar por mais de dez minutos. E eu consegui. Enfiei-me em minha própria reabilitação, batalhei com minhas próprias patas e fiquei uma semana sem comer nada que contivesse cacau. E eu quase morri. A tristeza inundou o meu ser, a vida ficou tão sem graça. Eu pensava em comer e logo desistia porque qual é a graça de comer salgado quando não tem nada que envolva chocolate para te alegrar no final? Emagreci tudo que engordei a vida inteira com meus quilos e quilos da melhor substância do mundo. Irritei-me. Desisti.

Porque na vida a gente pode se privar de muitas coisas, mas a gente sempre lutou pra ser livre. Eu sempre lutei pra ser livre. E é com a minha liberdade de escolha que decido ficar com o chocolate. O melhor dos meus vícios já experimentados até agora. O único que nunca me decepcionou. Bem vindo à minha vida novamente e, por favor, desta vez não permita que eu te expulse. Porque se eu preciso de algo para apoiar a minha existência em, que eu possa escolher uma coisa gostosa.

Vamos falar de Energia sem dizer Analu

14 de Abril, para os curiosos, é o dia internacional do café. Só que além disso também é o dia do aniversário de uma GRANDE amiga minha e eu acho que as coisas acontecem porque devem acontecer, então passei o dia tentando bolar uma razão para que ela tenha nascido no mesmo dia em que é comemorado o dia da melhor bebida já inventada no universo.

Deparei-me, pois, com uma tarefa muito mais difícil que o esperado, afinal o que é que uma pequenina loira que batalha diariamente para não conseguir roer as unhas poderia vir a ter a ver com uma bebida? Nada, é o que vocês responderiam, mas eu encontrei o elo que faltava! O café é uma bebida mundialmente conhecida por dar energia às pessoas. Muita gente o toma somente para tentar ficar acordado, o que, na minha humilde opinião, é desperdício de uma belezura.

Até aí tudo bem: ela nasceu no dia do café porque é tão enérgica e boa companhia quanto ele. Só que iremos um pouco mais além, porque assim como o café impede muitas pessoas de dormir, ela também impede. Ela nunca dorme, pra falar a verdade. E ela também nunca faz xixi e ela adora tomar sorvete e ela abraça TÃO forte que você acha que está no céu. Ela acorda cedo, vai para a faculdade, depois vai para o trabalho, depois para a aula de teatro e ainda tem energia pra voltar pra casa e ficar até de madrugada conversando com quem quer que esteja online. E se ninguém estiver online ela fica acordada lendo ou vendo Grey´s Anatomy ou, mais recentemente, jogando Candy Crush Saga.  A energia dela é tão intrínseca que mesmo quando ela resolve passar o dia inteiro à base de um pacote de batata fritas ou o fim de semana inteiro se alimentando de misto quente ela continua sendo a mais elétrica do grupo.

Quando criança certamente era aquela coisinha branca e loira, toda rosadinha, que não cansava de gritar, pular, correr, brincar e insistir em não deixar ninguém em paz. Nunca.  Atualmente ela pode até ter crescido no tamanho, mas se alguém aí for capaz de me apresentar uma criança que não tenha se apaixonado por ela e me mostrar uma situação no meio infantil em que ela não tenha feito sucesso e não tenha saído correndo pra brincar com todo o resto da garotada podem ter certeza que algo de muito errado há com ela.

Seus olhos são enormes e de um azul tão absurdamente brilhante que eu costumo dizer que eles vivem sorrindo e quando a boca dela resolve fazer o mesmo, a coisa fica mais bonita que uma orquestra sinfônica tocando Bethoven. Uma foto de um sorriso espontâneo dela causa em mim um grau tão grande de euforia que eu simplesmente começo a rir sozinha. É que ela tem tanta energia dentro dela que a coisa emana, supera todas as barreiras possíveis e nunca cansa de agregar pessoas.

Ela pula, dança, corre, tira foto, atua, escreve, conversa, joga, telefona, é amiga e ainda sobra tempo, minha gente. Sobra tempo pra ser uma prima, sobrinha, filha, irmã, madrinha, afilhada e neta absurdamente dedicada e fabulosa, daquele jeito que toda a família sempre quis ter.

É claro que, assim como o café, ela tem certas desvantagens. A questão é que assim como o café ela é mundialmente aceita e os defeitos são tão ínfimos e pouco visíveis que quase todo mundo esquece. Os que não esquecem começam a fazer campanhas contra, como com o café, coisas como “café faz mal à saúde” ou “como vocês podem gostar tanto dessa coisa amarga?” que seriam “essa menina finge que o mundo é rosa” ou “é impossível que haja alguém tão awesome, ela deve ter um podre”, mas, assim como com o café, essas coisas duram alguns momentos. Logo redescobrem uma vantagem dela e tã dã ela virou a deusa grega que sempre foi novamente.

Hoje o dia amanheceu bonito, embora um pouco frio, algo que é bem raro para os domingos curitibanos que em geral são cinzentos e chuvosos. O dia acordou sorrindo porque sabia que hoje era um dia muito especial para uma pessoa que adora dias sorridentes. Com certeza hoje foi um dia normal na vida da maioria das pessoas, ainda mais porque quase ninguém sabe dessa história do café, mas o dia foi lindo lá na casa da Analu. Foi lindo porque teve bolo e mais do que bolo, teve refrigerante, presentes, família e, claro, crianças maravilhosas, daquelas que é impossível não sorrir ao estar por perto.

Por fim, sabem qual foi a melhor parte do elo encontrado? Analu não gosta de café! O sonho dela era gostar, claro, mas ela não gosta. Ela vai no Starbucks e pede uma bebida linda que deve ser deliciosa, só que ela fala “sem café” e eu fico indignada com o fato de alguém ir a uma ~~cafeteria~~ e tomar um ~~milkshake~~ mas no fundo sei que ela não seria tão especial se fosse tão comum quanto o resto do mundo. Só que eu encontrei uma razão para isso: ela não precisa gostar do café porque ela nasceu no dia dele, então ela tem a essência dele dentro dela. Ela é naturalmente ativa, só dorme quando sabe que o resto do mundo também dormiu e mesmo quando acorda amarga é só dar um tempo que ela fica mais doce do que um bom mocaccino. Ana Luísa + café seria uma redundância para qual o mundo não está preparado.

Melhor que 1L de café com chocolate <3
Melhor que 1L de café com chocolate <3

Ei, meu amor, desculpa pela demora do texto! Espero que seu dia tenha sido fantástico e que  seu ano também seja. Eu nunca vou cansar de repetir que se há uma pessoa que merece toda a felicidade do universo, essa pessoa é você. Porque você é uma pessoa boa e sabe o que acontece com esse tipo de gente? O mundo sorri pra elas. Você pode não ser grande na estatura, mas você vai ser muito grande na sua vida e eu sempre vou ter muito orgulho quando abrir um sorriso, derramar algumas lágrimas e dizer que você é minha amiga. Então dessa vez eu não vou dizer que amo você, vou dizer que amo mais ainda o café depois que percebi que ele faz parte de ti.

Sonhadora

Eu sonho. Sonho com vidas que jamais viverei, sonho com momentos que poderiam ter sido como nos sonhos, mas não foram, sonho com coisas que pretendo realizar e com outras completamente impossíveis, sonho com coisas que nada têm a ver comigo, sonho com desconhecidos e com conhecidos, em preto e branco e em colorido, linearmente ou não. Sonho acordada, sonho dormindo e sonho até quando não devia sonhar. Eu sonho. E eu já tive várias vidas por causa disso. Já sonhei com vidas muito diferentes da infernal que vivo. Mas só tem um sonho que nunca se esvai, apenas um que permanece não importa quantos anos passem o quanto a situação mude ou o quanto eu cresça.

Não sei da onde essa ideia surgiu, nem sei como descobri que essa coisa existia, mas lembro de gastar metade dos meus banhos não musicados planejando tudo minuciosamente. Da cor do vestido ao formato da unha. Da primeira letra do discurso ao último ponto final. Já treinei o sorriso, o andar – principalmente pra garantir que não cairia. Já montei a ficha técnica do meu filme e já me imaginei nas mais diversas posições nele. O meu sonho, é o mais clichê do mundo: ganhar um Oscar.

Eu não podia assistir à premiação, afinal era no domingo a noite, eu sempre tinha aula segunda de manhã. Então só sabia dos resultados no Jornal e na maioria das vezes não tinha visto a nenhum filme, mas tudo era tão bonito e gracioso que me encantava mais do que qualquer conto de fadas, afinal, era real. Uma vez comentando com meu primo a imensa vontade de assistir ao Oscar e a total impossibilidade de fazê-lo fez com que ele fosse doce o suficiente pra gravar em um VHS o Oscar inteiro, comentado pelo José Wilker e cheio de comerciais no meio. Fiz minha mãe fazer o vídeo cassete funcionar e passei a tarde inteira assistindo e achando um máximo. Desde então eu nunca mais perdi uma premiação. Virei aquela fã lunática que ao ver os indicados corre para ver todos os filmes, a fim de ter palpites concretos em todas as categorias. Sou aquela que morreu de rir com o Oscar que a Anne Hathaway apresentou e ficou super orgulhosa da Natalie Portman. Sou aquela que está se torturando até agora por só ter conseguido assistir a cinco filmes deste Oscar, desconsiderando as animações, claro. Mas também sou aquela que não quis fazer nada na noite de ontem porque precisava acompanhar a tudo detalhadamente. Em três canais ao vivo, comparando os comentários de todos os críticos para no fim descobrir que o mais condizente era, de fato, o José Wilker. Sou aquela que mesmo com a TV no volume cinco morreu de gritar abafando o barulho com uma almofada enquanto pulava desengonçadamente no sofá ao ver que Tarantino de fato tinha ganhado seu Oscar e que chorou por dentro quando viu a eterna princesa da Genóvia linda agradecendo aos céus pelo seu. Aquela que achou bizarríssimo Harry Potter e Bella Swan juntos e que ficou com pena da queda da Jennifer Lawrance, embora acredite que ela não merecia ganhar pelo filme que ganhou. Mas, principalmente, sou aquela que sonha.

Fevereiro sempre é um dos auges do meu ano por causa da premiação e este ano não foi diferente. Nem sei como consegui acordar pra aula hoje, mas eu fui. Fui feliz porque dois dos meus ídolos tinham ganhado, fui feliz porque não conseguia deixar de imaginar a felicidade de cada uma daquelas pessoas por ter ganhado uma estatueta daquelas. Fui feliz porque aquele é o maior sonho da minha vida. Tem gente que sonha em casar, em ser presidente ou médica e eu já sonhei com tudo isso, mas, mais que tudo, sonhei com meu Oscar. Por muito tempo. E eu nunca vou deixar de sonhar. Hoje sei que não sei atuar, não vou concorrer a essas categorias, mas existem várias outras. Várias outras, quem sabe um dia?

Na hora do almoço eu, meu pai e minha mãe, estávamos comentando sobre o prêmio, eu contando os detalhes para os dois que foram dormir logo no início e então disse que era meu maior sonho e eles, como os melhores pais do mundo que são me falaram que seria maravilhoso se eu ganhasse e ainda me deram dicas e apoio para de fato investir nisso. Enquanto a maioria dos pais riria da minha cara, eles falaram que eu jamais posso desistir, se é realmente o que eu quero, disseram que eu devo tentar. Eu amo tanto eles por isso. Tanto. Eles apoiam absolutamente tudo que eu diga que quero fazer e apoiam de verdade, não só com palavras levianas, eles dão ideias, se empenham junto quando é preciso, fazem-se sempre presentes. Eles sempre estão presentes. Sempre tentando provar que sou livre, mesmo não me chamando Django. E eu não sei se de fato vou passar a minha vida inteira lutando pra ganhar alguma categoria do Oscar, mas sei que se eu fizer eles me apoiarão. Não importa onde estejam. E é por isso, caros leitores, que quando for eu com um vestido maravilhoso rindo daquelas piadas bizarras e babando ovo pela maravilhosidade dos meus ídolos, quando eu estiver lá, com meu vestido e unhas maravilhosos, a primeira frase que falarei ao pegar a estatueta será “Mãe, pai, é por vocês” em português mesmo, que é pra eles me entenderem. Em seguida agradecerei ao mundo inteiro, mas eles por primeiro. Porque enquanto a maioria dos vencedores diz que seus maridos e esposas são o centro do mundo e a luz do viver, a minha luz e o meu centro sempre será a minha família. E eu sempre vou agradecê-los por jamais tentar domar a sonhadora existente em mim e por sempre lutarem para que eu possa ver apenas o lado bom da vida.