Humana.

Conheci diversas galáxias, países e sistemas de vida. Perambulei por todos os lugares que fui capaz e tentei me identificar com todos, tendo sempre em mente que sou um pouco de cada coisa e nunca uma só.

Enganei-me.

Eu não sou alienígena. Nunca fui. Eu sempre fui humana. Sempre tive um umbigo. Sempre tentei me encaixar em um esteriótipo. Sempre tentei participar da vida comum. Sempre tentei ser exatamente o que esperavam de mim, sempre fui apenas e ridiculamente humana. Uma simples humana fingindo-se especial.

A gente se sente alien algumas vezes, não posso negar. Senti-me assim principalmente em meu ensino médio, lá parecia que eu não me encaixava. Parecia que eu havia sido largada em um lugar completamente diferente de mim e sim, eu fui. Eu sofri tentando redescobrir-me e reinventar-me a fim de ser cada vez mais parecida com o que todo mundo esperava. Então eu libertei-me e caí exatamente no meu ninho. Se um dia fui alienígena, na faculdade sou mais humana do que qualquer um. Lá tudo o que me incomodava em mim durante o ensino médio passou a fazer sentido, fui compreendida e deixei de me sentir como uma alien. Humana. Mesmo com os cabelos coloridos.

Eu não sei mais o que escrever por aqui. Tenho feito tantas coisas, descoberto tantos lugares que nem sei o que poderia escrever. Tenho tentado aproveitar minha privacidade, para isso preciso parar de divulgar cada mísera coisa que faço por aí. Não estou triste ou incompleta, pelo contrário, vivo um dos melhores momentos da minha vida porque eu finalmente ando vivendo. Isso é legal.

Viver é legal. Vocês deveriam experimentar.

Devo confessar que muito me decepcionei com o mundo blogueiro, no qual textos sobre cabelos, seriados ou listas aleatórias são muito mais visualizados do que textos com essência. Isso me irrita. Principalmente porque eu não sei ser assim. Não sei escrever mil textos rasos sem me sentir inútil e não sei escrever textos filosóficos e sucintos, como os da Milena, por exemplo. Eu não tenho um estilo literário. Não tenho uma voz no mundo blogueiro. Não sei escrever algo que alguém – exceto eu – queira ler e estou cansada de receber comentários que parecem ter sido feitos por “obrigação”, porque eu já fiz muito disso, comentar por obrigação. Consigo saber quando o mesmo ocorre comigo e não é legal. Já disse e repito: prefiro não ser visualizada ou comentada, mas poder falar o que eu quero.

Não tenho conseguido falar o que quero. Tenho me sentido pressionada a cumprir um padrão bloguístico capaz de fornecer visibilidade à minha escrita. Tenho me sentido muito mal com tudo isso.

Resolvi dar um basta.

Eu não sou de fazer “hiato” no meu blog. Nunca fiz isso. Esse lugar sempre foi o meu maior orgulho e eu não posso simplesmente abandoná-lo, mas ultimamente eu o tenho abandonado, mesmo que involuntariamente.

Este blog não está em um hiato propriamente dito, mas sinto-me na obrigação de avisar aos escassos leitores que aparecem por aqui por se interessarem em meus textos que só voltarei a escrever quando sentir-me realmente apta a. Estou tentando levar a escrita um pouco mais a sério e pretendo usar esse blog para investir nisso.

Enquanto nada disso acontece, vocês podem acompanhar alguns escritos meus no Amásia.

That’s all folks.

O Que Seremos Nós?

Jogados por aqui, cujo único destino e certeza é a de que um dia partiremos e seremos eternamente esquecidos? Cujas lembranças, esperanças e sonhos não passam de um bando de bobagem esquisita que surge apenas na nossa cabeça e não passa de lá quase nunca?

Seremos nós covardes, salvadores, protetores, famosos, decepções? Seremos algo? O que é ser algo? Será que somos, fomos ou seremos? O que será de  nós? O que somos nós?

Perguntas sem resposta. Sem resposta para nenhuma delas. Apenas perguntas. Letras que se unem em sílabas que se unem em palavras que se unem e formam frases que com um ponto de interrogação transformam-se em perguntas e nos atormentam. A todos nós. O tempo todo. Será que algum dia conseguiremos ser exatamente aquilo que achamos que somos?

Ser.

A eterna dúvida do ser humano. Ser humano. Três letras que poderiam formar outras palavras, Res, Rse, Sre, Esr, Ers, mas só fazem sentido quando unidas na ordem S-E-R. Três letras capazes de nos atormentar e de nos tirar noites inteiras de sono, de nos fazer perder a cabeça, afinal… O que seremos nós? Seremos algo? Seremos alguém? Seremos? Não seremos? Em que momento deixamos de ser o que somos? Fomos algo?

E por que nos importamos tanto com essa simples palavra? Porque queremos tão arduamente simplesmente ser o que achamos que devemos? Porque a gente não consegue simplesmente ser, sem pensar o que somos? Ou será que alguém consegue? Eu não.

Eu não sei quem eu sou. Não sei quem espero ser e muito menos consigo descrever quem eu fui. Não sei absolutamente nada sobre o ato de ser algo. Eu não sei se eu sou ou se eu quero ser algo. Muitas vezes eu simplesmente desisto dos questionamentos e tento implantar em minha própria mente a sensação de que não sou nada e de que não há problema algum nisso. Mas há. Porque eu fui ensinada desde sempre que devo ser alguma coisa.

Que devia querer ser alguma coisa quando crescesse e que eu já devia saber e estar fazendo isso agora, porque já cresci. Que eu devia ser educada e me esforçar ao máximo para ser bonita, sociável, gentil e carregar todos os outros infinitos valores que a nossa cultura nos impõe como sendo corretos. Eu cresci sabendo que precisava ser alguma coisa, mas ninguém me disse o que. Ninguém me disse como descobrir exatamente o que eu quero ser. Ninguém me disse quem eu posso ser ou se eu posso ser ou se devo apenas ser, sem pensar nisso primeiro. Só me disseram que eu deveria, nunca me explicaram as regras.

E, sem as regras, eu não aprendi. Eu não sei ser. Eu não sou. Sou? Seremos nós alguma coisa além de simplesmente nós mesmos? Além de um emaranhado de carne, osso, sentimento, cultura e vontade de ser alguma coisa? Será que um dia seremos algo?

O QUE SEREMOS NÓS?

That is my question.

É esse o efeito que uma boa peça de teatro tem sobre a minha pessoa. “A Varanda do Esquecimento”, última apresentação amanhã, 21h no Teatro Cena Hum.

Eu tenho um Complexo

É fato. E não é uma coisa do tipo “não gosto de mostrar os cotovelos porque são gordinhos”, eu jamais deixaria de gostar de qualquer parte da minha pessoa. A coisa é mais complexa, eu tenho algo que gosto de chamar de “complexo romântico”. Provavelmente vocês não fazem ideia do que significa, explico. Eu abomino a ideia de beijar um desconhecido em uma festa e nunca mais falar com ele. Na verdade, acho que abomino o conceito “festa”, primeiro porque as mulheres passam horas se produzindo para encontrarem rapazes com calça, camiseta, tênis e cabelo bagunçado. Elas pagam menos para entrar nos estabelecimentos, como forma de garantir que sempre haja mais mulheres do que homens nas festas. Elas próprias se desmerecem e acabam por usar roupas lastimáveis que as desvalorizam de um tanto que elas acabam por ser somente objetos prontos a satisfazer os desejos dos homens vorazes. É assim que eu vejo o mundo. Você sai para dançar e se divertir com os amigos e tem que ficar sempre de olho nos caras que passam por ti com um tremendo “olhar de gavião”, pra não dizer “comendo-te com os olhos” e eles vêm, bêbados e grotescos tentar de agarinhar de algum modo primitivo. Mas as mulheres estão tão acostumadas com esse ciclo que acham normal e legal o fato de serem desejadas por esses homens bizarros, tanto que se vestem para eles e contam para o mundo inteiro o que conseguiram na noite. Eu não sou assim. Eu abomino esse padrão com todas as minhas forças.

Começo pelo termo “pegar”. Acho esquisito ouvir que “fulana pegou sicrano” porque pegar é algo que você faz com um objeto. Você pega um copo. Você pega um táxi. Você pega um lápis e assim vai. Quando você diz que “pega” uma pessoa, está desmerecendo-a. Prefiro dizer que “fulana enlaçou-se romanticamente com sicrano”, porém esse termo não se encaixa com os fatos reais, devido ao fato de que não há romance nenhum, sentimento nenhum, apenas um monte de gente solitária que quer provar para o mundo que é mais legal ser solteiro do que comprometido, mas não está a fim de parecer desesperado o suficiente para estampar na cara “a procura de uma gata” e resolve sair na balada pra provar sua potência com o sexo que lhe atrai. No fim das contas, o termo adequado para o que realmente ocorre é “pegar” e isso é absolutamente triste. Eu sempre digo que da mesma maneira que não tomo refrigerante, não tomo bebida alcoólica, o fato é que ultimamente eu tenho me imaginado fazendo ambos, mas nunca tive coragem e nunca terei. A mesma coisa acontece com o “ficar”. Não sou do tipo de gente que “fica” com pessoas, já me imaginei fazendo, como creio ser normal, porém é algo que não faz parte da minha personalidade. Quando vou a festas e vejo minhas amigas “ficando” com desconhecidos eu acho esquisito e quando um desconhecido vem falar comigo em festas eu me sinto TÃO desconfortável que tenho vontade de sumir na hora. Porque em festas nenhuma pessoa nunca vai chegar para falar com você sem segundas intenções. E eu não gosto de sequer imaginar essas segundas intenções. Eu sei que eu tenho dezoito anos, sou solteira e deveria aproveitar a vida, mas a questão é que isso pra mim não é aproveitar coisa nenhuma, é desperdiçar. Desperdiçar saliva, energia e boa vontade com gente que a gente nem sabe de onde surgiu. Não.

Sou do tipo que acha absolutamente poética a música “I wanna hold your hand” dos Beatles, porque relacionamentos deveriam ser baseados unicamente nisso. Em querer pegar na mão do outro. Porque quando pegar na mão da pessoa for a coisa mais legal e maravilhosa do mundo para você naquele momento, aí sim vale apena resolver beijar a pessoa, se ambos estiverem dispostos a tal, claro. O mundo precisa é de amor e não de mais relacionamentos superficiais criados unicamente para extravasar desejos não realizados. Talvez eu soe medieval, mas sempre achei tão bonita a imagem que a minha mãe narrava de seu primeiro namorado, ela e ele sentados em um banco sozinhos na praça, enquanto um integrante da família de cada um os vigiava e eles conversavam e riam e um olhava pro outro fofamente e tã-dã eles davam as mãos. O auge do namoro era dar as mãos! Não que as outras coisas sejam ruins, garanto que não devem ser, mas a questão é que não consigo ver como elas podem ser boas sendo feitas de maneira indevida. Banal. Eu não gosto de ver gente tratando gente como objeto, não gosto de ver gente que se trata como objeto. Não gosto de ir a festas porque sei que terei que passar por tudo isso e fico tão aflita com toda a situação que as vezes desisto da festa. Isso é terrível, porque eu adoro festas. Eu adoro dançar. Adoro me vestir bem e fazer uma maquiagem divertida e dançar, porque dançar é divertido, é algo que não precisa ser compreendido, mas que faz tão bem às vezes que se torna necessário. Só que dançar agrega tantas coisas hoje em dia que se torna chato. Odeio quando coisas que eu gosto de fazer tornam-se chatas.

Eu sou do tipo que precisa estar apaixonada para agir romanticamente. E eu jamais me apaixonaria por um estranho que conheci numa festa. Principalmente considerando que a maioria deles são burros a ponto de nunca terem ouvido falar do meu curso. Jamais me apaixonaria por alguém que não sabe o que é o meu curso, que não gosta do que eu gosto e que sai por aí azarando menininhas em festas! NÃO! Assim sendo, talvez eu morra solteira ou isso ou conhecerei o cara dos meus sonhos em uma biblioteca na sessão de Marx. No teatro aprendi que “beijo técnico” é beijo sem sentimento e por mais que a maioria das pessoas dê “beijos técnicos” o tempo todo eu tenho a mais absoluta certeza que os restringirei apenas para âmbitos profissionais, isso se eu tiver coragem. E eu sei que isso é absolutamente esquisito de ser lido e que todos vocês discordarão de mim e tentarão escrever comentários para dissuadirem a mim de minha ideia, mas vou logo avisando que não há condições. Não há. Eu tenho complexo romântico e isso significa que sem amor não dá. E que meu estômago se embrulha com o fato de o amor estar tão em falta no mundo ultimamente. Prefiro ser a velha solteira dona de gatos do que a que se maquia e diz ser feliz em um casamento puramente superficial, de fachada. Eu prefiro coisas reais. Eu prefiro intensidade. Eu prefiro profundidade. Eu prefiro o conteúdo ao invés do pacote. E além de tudo, eu prefiro absurdamente um coração que fale mais alto que um cérebro.

O Lado Negro

(3/17)

(Daqui)

O mundo é dos ousados, para ser alguém, e não apenas mais um, você precisa fazer a diferença. Tento fazer isso com a minha aparência, mas aparência é o que menos importa e por isso falho. Para fazer a diferença você precisa tentar ser o que ninguém é, ir além, mergulhar a fundo nas coisas e fazer tudo valer apena, sendo único e mágico. Você precisa de sensualidade, jogo de cintura e uma cabeça super aberta. Aceitar propostas e ser capaz de fazer as suas também. Ser criativo e nunca desistir, não importa o quanto queiram que você o faça. É isso que acontece em “Cisne Negro”. Natalie Portman representa uma bailarina esforçadíssima que está há tempos na academia e ninguém dá bola, até que resolvem readaptar o clássico “Lago dos Cisnes” e ela coloca na cabeça que precisa ser a personagem principal. Para isso Nina ensaia dia e noite o máximo que pode e consegue o papel, mas o diretor a considera crua demais para tal, perfeita para fazer o “Cisne Branco”, mas como o intuito da readaptação é fazer com que uma única bailarina seja os dois personagens principais, explorando ao máximo suas qualidades, ela não é suficiente. Ao saber disso Nina batalha ainda mais, treina ainda mais e consegue atingir uma precisão invejável em seus movimentos, mas dança não é apenas movimento e sim sentimento e é isso que lhe falta. Ela precisa transmitir paixão, acreditar em cada um dos passos e não apenas fazê-los roboticamente. Ela precisa ser atriz também, representar um papel. Então ela tenta. Ele manda ela se masturbar, ela o faz, ela sai a noite, faz tudo o que jamais se imaginou fazendo para tentar atingir o nível do papel. Ela não tem mais vida, a vida dela se torna sua apresentação e isso toma conta dela, o personagem toma conta dela e ela acaba tendo o mesmo fim que ele. Esse filme não foi mais um, ele fez a diferença. Foi ousado. Ousadíssimo eu diria. É o meu favorito de 2011 e me transmite uma carga emocional incontável, porque eu tento ser artista e tenho os mesmos defeitos que a Nina. Nunca sou suficiente, nunca consigo me entregar às coisas e muito menos envolver-me por inteiro. É tudo superficial, falta um mergulho submarinesco ali. Quando eu digo que tudo é superficial realmente quero dizer tudo. Desde relacionamentos até minhas produções escritas. Nunca consigo atingir o íntimo das pessoas, acho que nunca consegui atingir sequer o meu íntimo. Mas eu tento. Tento meio que sabendo que fracassarei, mas tento. Só que chega uma hora que eu surto, a ponto de sequer querer pensar na coisa de novo. Estou assim com o teatro nesse momento, é difícil de admitir isso porque eu amo profundamente tudo aquilo, mas é necessário que eu admita para que possa tentar melhorar a situação. O fato é que eu tenho medo de ir lá e fazer tudo errado, de ser a pior da turma e estragar a peça de todos, de reprovar ou de simplesmente perceber que não sou boa o suficiente, que não nasci para aquilo. Se eu não tiver nascido praquilo, não faço a menor ideia de para o que foi então. O fato é que tenho um psicológico e autoestima muito frágeis e me abalo com qualquer coisa e a partir do momento que percebo que meus esforços estão sendo em vão e que continuo não sendo boa o suficiente, não adianta, eu surto. Mas eu não posso surtar. Não quero surtar. Bem, esse texto não está sendo escrito com o intuito de ser um texto reclamão e chato, pelo contrário. É pra ser um texto avassalador, reestruturador e eu vou encaminhá-lo para isso em breve. Começarei dizendo que sou como a Nina no início do filme, pura, inocente, superprotegida, mas que ama todas essas carcterísticas. Abomino a ideia de beber, fumar e de ver um casal se beijando com língua fico com um nojo tremendo. Não gosto de pensar nessas coisas que dão prazer, acho que prazer na maioria das vezes é um sentimento errado e vão que não deve ser o foco de nossas vidas. Por isso sempre abominei as piadas sexuais dos professores de terceiro ano e nunca entendi os meninos que perdem as madrugadas vendo filmes pornôs porque eu simplesmente não vejo razões para isso. Sou poética, do tipo que acredita em amor verdadeiro e não consegue aceitar a ideia de sair beijando desconhecidos só porque sente carência. Não consigo entender pessoas que se relacionam amorosamente sem estarem apaixonadas e muito menos as que agem como se fossem simples animais sexuais. É legal ser assim as vezes, embora muitos digam que é careta. No entanto, as vezes é exagerado e se torna um estado ilusório, porque o mundo não é esse conto de fadas todo e ficar procurando um amor verdadeiro talvez não leve em nada, além de uma casa cheia de gatos aos 60 anos. Explorar-me pode ser bom. Só não é preciso atingir o outro extremo, como a Nina no final do filme. Afinal tem coisas que não precisam ser empíricas para serem reais, basta que a gente use bons princípios lógicos e exploremos bem a nossa imaginação, como os filósofos que raramente testaram suas teorias e mesmo assim elas se provaram corretas em diversas ocasiões. O segredo é tentar, é se doar ao invés de se prender. Outro dia ouvi que sou muito contida e por isso não consigo fazer as coisas passionalmente e isso é uma tremenda verdade. Passo muito tempo pensando nas coisas que eu não posso ou devo sentir, retendo-as dentro de mim e talvez seja essa a razão para toda essa ingenuidade idiota. A questão é que os meus dezoito anos estão chegando e a hora de crescer, no sentido “maturidade” da palavra, chegou e eu não posso deixá-la passar. Há noções que precisam de uma vez entrar em minha cabeça, resoluções que precisam ser examinadas e realizadas. Está na hora de mais ação e menos teorias. Está na hora de me jogar e encontrar o meu lado negro. Porque todos têm que ter um lado negro, nem que seja por um pequeno momento. Tenho tentado vorazmente atingir esse feito e as vezes avanço bastante, mas em seguida minha mente começa a trabalhar para a regressão e eu volto a achar tudo errado e a querer ser certinha de novo. É que ser certinha é legal, mas não proporciona uma visão completa da vida e eu quero ter uma visão completa das coisas. Então eu preciso deixar esses meus conceitos do século XIX pra lá e ingressar de fato no mundo do século XXI, será que eu consigo? Será que eu consigo extinguir tudo que sempre fui, em prol de uma nova experiência de vida? Será que é realmente isso que eu quero ou só passei a achar que era de tanto ouvir falar? Questionamentos retóricos que só servem para me confundir ainda mais. No fim, acordarei intrinsecamente a mesma de hoje, até o fim dos dias. Porque no fundo esse tipo de mudança simplesmente me atormenta. Seria bom se tudo fosse fácil e menos incerto, mas como não é continuo aqui, sendo um alien. Espero que alguém me aceite um dia.

(daqui)

Expondo-me novamente…

É, talvez eu nunca aprenda que essa história de escrever sobre a sua essência em um lugar público não é aconselhável, mas estou sufocada demais para cogitar a hipótese de não escrever a respeito disso.

Sempre fui um poço de crises existenciais e isso não é novidade para ninguém, mas a nova crise não é existencial, pelo menos não necessariamente. O fato é que em poucos meses eu terei terminado o meu Ensino Médio. Toda a minha experiência escolar terá sido esgotada e isso simplesmente me assusta.

Eu não gosto de ir para a escola, não gosto da minha escola, especificamente, não gosto da maioria das pessoas que sou obrigada a conviver e que finjo gostar. Não gosto. Sou uma tremenda falsa, hipócrita e ridícula e não me importo de ouvir dizer que sou essas coisas, pois as sou consciente do fato de sê-las. A questão é que mesmo abominando aquele ambiente com todas as minhas forças, a simples ideia de perdê-lo para sempre me é completamente assustadora.

Tenho passado por dias tenebrosos e tristes na minha vida, em que eu fico naquele lugar a maior parte dos meus dias, sem aproveitá-lo, esquecendo-me que em breve ele será tirado de mim para sempre. Hoje pode ser que aquela escola só me traga desgosto, mas ela ambientou os melhores momentos da minha vida. Nela eu conheci algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Foi naquele lugar, daquele jeito, com aqueles corredores brancos, as janelas pequenas e a sensação de estar numa prisão de segurança máxima que eu desenvolvi meu intelecto por anos. Foi ali que eu me formei como pessoa, que decidi como seria. Se sou o que sou hoje, devo muito àquela escola.

Tenho chorado ao pensar que daqui alguns meses eu nunca mais vou usar o meu uniforme, meu crachá, não vou poder reclamar da minha turma para o acessor pedagógico e nem das pessoas irritantes para as minhas amigas. Os almoços costumeiros pelos restaurantes do Centro terão terminado, assim como as já habituais aulas de Top Fera.

Sinto-me jogada num mar de incertezas, sem saber que rumo minha vida tomará a partir de agora. Com um medo enfadonho de ter falhado em minhas escolhas e de me arrepender no futuro, com um medo ainda superior de falhar e decepcionar a minha família inteira.

Tenho sido um turbilhão de emoções, incertezas e medo. Acordo e ponho-me a pensar no objetivo que pretendo alcançar com aquele dia e nunca alcanço nada. Acho que se eu não fizer nada relacionado a escola quando estiver fora dela não serei obrigada a pensar nesse tenebroso fim.

Minha vida nunca foi homogênea, tudo sempre mudou, mas eu sempre sabia que passaria a metade dos meus dias na escola, mesmo que não gostasse dela. Sempre soube que seria obrigada a aprender matérias terríveis e a aguentar pessoas detestáveis. Agora já não sei de mais nada! Talvez daqui a uns meses eu seja apenas uma perdida na vida que acorda na hora do almoço todo o dia e não tem plano nenhum para o futuro. Serei capaz de sobreviver ao ócio? Duvido muito. Ócio demais cansa. É por isso que eu sempre quero ir para a escola depois do primeiro mês de férias.

Esse ano eu quis muito as férias. Aguardo por elas desde Agosto. Conto os dias para o dia 09/12, para ficar livre daquela escola demoníaca para sempre! Então pus-me a pensar em como será ficar longe daquele lugar e eu não consigo imaginar minha vida longe daquele lugar. Sou um objeto do Estado, feita para desenvolver o intelecto ao máximo possível, para ficar dentro de um casulo microscópico e sofrer quando ele se rompe. Fui feita para ser largada nesse mundo infinito sozinha, testando tudo que já aprendi. Daqui alguns meses eu serei mais responsável por mim mesma e o fato é que não me considero preparada para tal. Não me considero preparada para nada.

O que torna as coisas um pouco piores, porém, é o fato de além de estar tão fora de mim ultimamente, com esse nível de estresse aguçadíssimo e essa falta de vontade de tirar a bunda da cadeira para fazer algo útil, tenho me sentido sozinha. Completamente abandonada. Não adianta saber que tenho um monte de amigos. Já não sinto vontade de falar com eles. Rodear pelos mesmos assuntos já discutidos, falar mal dos outros ou ficar planejando um futuro que nem somos capazes de realmente imaginar. Sinto falta de pessoas que simplesmente sorriem, falem de coisas levianas e deixem a vida um pouco mais leve, ao mesmo tempo que tratam de assuntos sérios as vezes. Sinto falta de longas discussões acerca de assuntos polêmicos e de conversas completamente banais. Sinto falta da convivência que nos unia no início do ano e que, talvez por ter sido tão explorada, acabou se degradando. Sinto falta de muitas coisas. Sinto que vivo uma rotina que não é minha, que estou lá, mas não estou. Está faltando algo e eu não sei o que é. Talvez sejam os abraços, sorrisos, canções ou zoações que aconteciam antes, talvez seja a infantilidade que fomos obrigados a deixar de lado com o tempo… Realmente não sei, mas tenho me irritado com isso.

Meus melhores momentos são os do teatro e aqui fico imaginando o que seria de mim se eu não pudesse ir às aulas de teatro nesse semestre. Acho que eu ficaria mais chata ainda, se é que é possível.

O fato é que o ano está acabando e mesmo eu tendo amado aquela escola por tantos anos da minha vida, agora não vejo a hora de me ver livre dela, mesmo morrendo de medo do que isso possa acarretar para a minha vida. O ano está acabando e eu vou sentir falta dos meus colegas de classe, mesmo dos que me tiraram do sério. Está acabando e não há nada que eu possa fazer para impedir que isso aconteça. Está acabando e eu estou ficando sozinha de novo, sendo obrigada a tomar conta de mim mesma. Está acabando e se eu não achar um jeito de aproveitar os últimos momentos terá acabado antes mesmo de eu notar e só restará o arrependimento. Está acabando e eu gostaria de ter os meus bons amigos ao meu lado de novo.

Está acabando e quando isso ocorrer prevejo uma crise existencial enfadonha, porque é o meu jeito de lidar com as coisas. Retraindo-me e refletindo, mesmo que não chegue à conclusão alguma.

Está acabando, ainda bem! Que venha o Natal.

Such a lonely day, shouldn’t exist. It’s a day that I’ll never miss. Such a lonely day, and it’s mine. The most loneliest day in my life.