Daqueles dias que deveriam ser eternos

Na última segunda-feira (28/11) recebi centenas de recados fofos e elogios de pessoas queridas. A sessão de elogios na realidade foi iniciada no sábado, durante a festa de casamento da minha prima. Deus sabe que eu sou envergonhada e invocada com o fato de só receber críticas de todos o tempo todo. Deus também sabe que eu sou a pessoa que jamais, nunca, sob hipótese alguma se elogia por algo que fez ou que não fez. Não… Deus sabe que eu sempre cobro a mais de mim e nunca fico satisfeita com nada.

Mas aí a segunda-feira repleta de elogios e coisas fofas acalmou um pouco meus ânimos e pude dormir tranquila e relaxada com um gostinho de alegria em minhas papilas gustativas. Deus sabia que a terça-feira (hoje) seria ainda melhor.

Acordei com um cansaço latente e fui para a aula de produção de texto. O interesse pela aula era mínimo, mas estava com vontade de rever alguns de meus amigos e precisava conversar com o diretor da escola, então fui. Lá descobri que às 13h os estudantes se reuniriam na Praça Carlos Gomes (conhecida por aqui como “A praça da Gazeta”) para receberem os jornais com a lista de aprovados da primeira fase do vestibular da UFPR. No dia em que corrigi o gabarito sabia que havia passado e como todos os meus leitores assíduos devem imaginar, não dei a mínima para o fato. Afinal, não concordo com o vestibular, não gosto dele, não meço minha vida por ele e o considero como uma prova qualquer dentre todos os milhões de provas que já tive que preencher ao longo da minha pacata vida estudantil. Minhas amigas queriam que eu fosse na praça, por um momento eu quis ir pra praça, mas aí cheguei em casa. Lembrei-me que hoje estrearia “Anita” e eu ainda tinha que preparar muitas coisas, além de me concentrar e manter minha voz nos eixos. Dormi após o almoço e deixei o tal resultado do vestibular pra lá. Quando acordei resolvi olhá-lo apenas por desencargo de consciência, eu havia passado e saí pela casa para procurar minha mãe e contar para ela, tendo em vista que ela ficaria muito mais feliz do que eu poderia ficar, não a encontrei. Meu pai me deu os parabéns e o sorriso no meu rosto ficou larguíssimo quando cheguei na lista do último curso e pude concluir que 90% das pessoas pelas quais eu me importo obtiveram êxito em suas provas e atingiram seus objetivos. Aos 10% restantes dignei-me a ficar triste e a pensar que doaria meus pontos extras a eles sem o menor problema. Não me esforcei para passar nessa prova sem graça e eles se esforçaram. Entristeci-me por vê-los fora daquela lista.

Resultado da primeira fase do vestibular UFPR 2011/2012 - 29/11/11

Logo minha mãe chega em casa, com o jornal na mão, o rosto vermelho e o cabelo completamente esvoaçante. Ela corre ao meu encontro e me enche de abraços e beijos e diz que foi para a Praça no meu lugar e gritou e descabelou-se ansiando por um jornal e depois que o recebeu procurou o meu nome, encontrou, gritou, parou todas as pessoas da rua para comentar o meu feito e pensou em trazer-me um presente, decidiu-se por chocolate, amargo por causa da semana de peça. Fiquei feliz e sorridente. Tenho a melhor mãe do mundo sem dúvida alguma.

Depois disso apressei-me para ir ao Cena Hum, cheguei lá com antecedência considerável e ajudei o Patrick a colocar o cenário no lugar, limpar o palco, montar as coxias e depois comemos, rimos, conversamos, maqueamo-nos e eis que chega a diretora nos dizendo que havíamos sido capa do Caderno G da Gazeta do Povo. Eu, que nunca havia aparecido no jornal, sou mencionada duas vezes no mesmo dia. Dei pinotes de gozo (como diria Mário de Andrade). Estávamos nos aquecendo para entrar no palco e chega uma câmera de televisão com um apresentador: haviam ido nos entrevistar minutos antes da estreia. Éramos 13 pessoas tremendo no palco e fizemos o possível para fornecer uma entrevista decente, talvez sem êxito – o resultado estará no ar às 20:30 no dia 08/12 no canal 11 da Net -, Humberto chega para fazer o “reihumchinchay” (?) conosco e faíscas de energia deslumbrante saem daquele palco. Oramos, gritamos, fizemos barulho, aquecemo-nos, vestimo-nos, concentramo-nos e entramos no palco.

A estreia foi repleta de nervosismo e era nítida a nossa insegurança e o nosso tremor. Pulamos alguns textos, erramos em várias partes, mas no final ficamos razoavelmente felizes com o nosso feito. Finalmente estreiamos. Pisamos naquele palco. Fizemos valer os nossos estudos do semestre inteiro. Vibramos, nos divertimos, aproveitamos, vivemos e foi lindo cada minuto daquele espetáculo, mesmo que tenha sido imperfeito. Temos três dias ainda por vir e faremos desses três dias maravilhosos. Tenho fé nisso. Anita continua ao nosso lado, nos fortalecendo e dando coragem e eu continuo pronta para qualquer crítica, elogio ou reclamação. Pronta para cumprir com todas as minhas responsabilidades, não importa quais sejam e para dar o meu máximo por aquilo que amo. Nem preciso comentar que AMO o teatro. Por isso o escolho todas vezes que preciso escolher entre alguma coisa. Teatro é a minha vida.

Capa do Caderno G - Gazeta do Povo - 29/11/11

Eis que 5 das 8 Anitas passam na primeira fase do vestibular; cerca de 50 pessoas prestigiam a nossa estreia; apareço no jornal duas vezes; quito minha dívida na cantina; consigo mais ingressos para a formatura; abraço pessoas amadas; sorrio, festejo, fico alegre e durmo tranquilamente.

Creio que todos merecem um dia desses.

(Nem preciso dizer que 29 é o meu dia de sorte)

A vida é muito curta para não ser vivida intensamente.

Clarice Lispector em seu conto “O ovo e a galinha” tenta nos explicar que por perdermos tempo tentando conceituar as coisas, deixamos de vivê-las. Essa simples frase conceitua a vida de muitos de nós. Ao inves de aproveitarmos as experiências e oportunidades que nos surgem, perdemos tempo tentando compreender as coisas, fracassadamente. Cada coisa que compreendemos é uma coisa a menos vivida com plenitude.

Meu professor de Literatura disse que “A plenitude está contida na incompreensão dos fatos” e é exatamente isso. É por isso que achamos o amor tão belo, é por isso que os comunistas são comunistas, é assim que formamos nossos conceitos e ideologias. Não compreender as coisas as torna muito mais belas, as torna algo a mais a ser desvendado e um dos maiores prazeres do ser humano certamente é tentar desvendar coisas.

Então surge a vida: incompreendida por todos, ao mesmo tempo que todos buscam compreendê-la.

Talvez se a gente deixasse de pensar tão milimetricamente em tudo que fazemos, se deixássemos de fazer somente aquilo que esperam que façamos, se deixássemos de ser o que todos esperam para simplesmente fazer as coisas que nos apetecem, seríamos muito mais felizes.

O mesmo professor de Literatura tentou explicar as ideias da Clarice através do gozo. Segundo ele, no momento do gozo vivemos plenamente, pois não estamos pensando em nada. Somos apenas animais sentindo prazer e é naquele prazer incompreensível que está contida a nossa felicidade.

Vivemos em média 70 anos, para nós, jovens, parece muito tempo, mas sabemos que na realidade não é. Várias espécies de tartaruga vivem cerca de 100 anos e os 100 anos delas são muito melhores aproveitados do que os nossos, elas viajam o oceano inteiro e não se preocupam com nada! Parece maravilhoso, mas impossível de ser empregado em humanos. Nós, os humanos, nos consideramos superiores aos outros animais. Construímos uma sociedade cheia de esteriótipos e expectativas e acabamos perdendo nossas individualidades em meio a tantas coisas comuns. Será que somos realmente diferentes, ou somos todos iguais, achando ser diferentes?

O fato é que eu, com meus poucos 17 anos, consigo pensar em no máximo 5 momentos que vivi intensamente, é pouco. A vida não é grande o suficiente para que a gente desperdice tantos momentos que poderiam ser maravilhosos com obrigações banais.

Não digo que devemos sair da sociedade, criar um mundo alternativo e fazer tudo que quiséssemos, sem nos preocupar com as consequências. Não nos é possível viver assim, infelizmente. No entanto, é possível que a gente reserve pelo menos um dia de nossas semanas para apreciar os pequenos prazeres, para fazermos aquilo que nos dá alegria e nutre nosso interior.

De que adianta passar 70 anos num planeta se não pudermos fazer nem metade das coisas que gostaríamos?

Mas um dia da semana não me é suficiente. Preciso de um companheiro, um trailler e tempo para ter uma experiência à lá Christopher McCandless, depois disso talvez minha vida seja plena.

É o que acontece quando você tenta ser honesto.

Essa frase entrou na minha vida dias atrás, assim que terminei de assistir ao filme “Era Uma Vez…”. Desde então comecei a refletir sobre ela e a conclusão chegada é simples: é mais difícil ser honesto do que ser desonesto.

Minha família é enorme e isso significa que é repleta de problemas, os principais dele são o tabagismo e o alcoolismo, tendo casos de drogadição e mendigagem como consequências dos mesmos. Não tenho vergonha de falar isso, porque é verdade. Tendo em vista tais problemas dentro de minha própria família, é de se imaginar que procuro distância de quem os possui e não faz parte dela. É assim que me distancio de várias pessoas, não pelo fato de fazer dezenas de discursos moralistas, anti-tabagismo, anti-álcool ou anti-drogas, a questão é que como eu não concordo com tais atitudes, as pessoas acabam me excluindo de seu círculo de convívio assim que iniciam-se no uso de tais substâncias.

O que pode-se observar, porém, é que mesmo em meio a tanta “perdição“, continuo sendo honesta, por mais difícil que isso seja às vezes. Não digo que nunca tive vontade de fumar ou beber, porque estaria mentindo. Ter vontade é natural e humano, ceder-se a essa vontade é o que te torna honesto ou não. No caso, uso a palavra honestidade pelo fato de eu ser menor de idade, o que torna o uso de qualquer uma dessas substâncias automaticamente ilegal, tendo em vista que mesmo as legalizadas pelo Estado são proibidas para menores de dezoito anos. Talvez eu beba algum dia, quando for mais velha e estiver numa festa de casamento por exemplo, ou talvez eu passe a ver sentido na coisa e vire uma bêbada perdida da vida, digna de pena dos meus familiares e causadora de mais sofrimento para eles, realmente espero que não, mas não posso prometer nada, não mando no futuro. Tudo que posso dizer é que até hoje eu nunca fiz nenhuma dessas coisas, simplesmente porque as considero erradas e bobas. Não entendo quem necessita de tais substâncias para ter momentos de alegria, felicidade ou êxtase. Não somente porque consigo tais momentos ingerindo um bom pedaço de chocolate, mas porque não vejo como possa valer a pena fazer uso de tais dejetos.

Sou completamente convicta de minha honestidade, nunca tendo roubado ou feito qualquer coisa considerada ilegal.

Respeito a liberdade individual de cada um, portanto não tento interferir nas escolhas feitas por meus conhecidos. Cada um age conforme suas crenças e eu nada posso fazer além de respeitar as decisões e opiniões de todas as pessoas, mesmo que discorde da maioria delas.

Depois de muitos anos tentando impedir que algumas das pessoas que eu amo perdessem suas vidas para os malditos vícios, resolvi fingir que não me importo, deixar para lá, liberar-me de tal peso e fazer com que cada um tenha consciência de sua própria escolha.

Tenho dezessete anos e nunca coloquei uma gota de refrigerante na minha boca. Há uns cinco anos todas as pessoas que me conhecem e sabem de tal fato perdem vários dias tentando me convencer a tomar aquela coisa gasosa e fétida, eu recuso a cada uma das ofertas. As vezes educadamente, as vezes rudemente, depende da quantidade de vezes que ela já foi feita pela mesma pessoa. Nunca cedi e nem pretendo. Não deixo de fazer o que acho coerente, certo e o que me é natural apenas para agradar terceiros. Enquanto não beber refrigerante me fizer feliz, não beberei. Se algum dia sentir vontade de beber, porém, beberei. Sou dona de minha própria vontade e tenho consciência dela. Não cedo fácil, em nenhum sentido.

Acho que de todas as coisas que eu sou a que eu menos sou é “influenciável“. Eu sou influenciadora, manipuladora, dissipadora de ideias, mas são pouquíssimas as pessoas que já conseguiram me influenciar, manipular ou que me fizessem acatar suas ideias (não que eu tenha absoluta consciência de todas as vezes que já fui levada a crer em algo e das vezes que o fiz por livre e espontânea vontade). A questão é que eu influencio, manipulo e dissipo ideias boas, construtivas, reflexivas e renovadoras. A pior coisa que eu posso fazer é levar alguém a crer que o chocolate é a melhor coisa que existe. No resto tudo que eu faço é recomendar boas músicas, filmes, livros, pensamentos, ideias etc e tal. Não consigo me imaginar tentando influenciar alguém para algo ilegal, mesmo porque a maior ilegalidade que eu já cometi foi sentar fora do lugar do ensalamento.

Então deparo-me com gente que diz que eu estraguei algumas pessoas. Gente que diz que pelo fato de eu querer fazer faculdade de Ciências Sociais sou automaticamente uma má influência. Gente que acha que assim que eu pisar na reitoria me transformarei numa bicho grilo que veste saia longa, usa dread e fuma maconha para conseguir resolver provas. Gente que pensa que outras pessoas começaram a usar substâncias nocivas a elas sob a minha influência. Não admito essas coisas. Sou a pessoa que espera o sinal ficar verde para atravessar a rua, mesmo que tenha como atravessá-la enquanto ele está vermelho. Sou a pessoa que devolve o troco quando recebe a mais e que abomina gente que fica bêbado o tempo todo. No dia em que alguém começar a fumar, beber ou se drogar sob a minha influência, o mundo estará realmente perdido.

Porque eu posso confiar em pouquíssimas pessoas, mas confio em mim mesma e sei que jamais faria isso.

Então se alguém ao seu redor começou a agir de uma maneira que você não concorda, não saia colocando a culpa nos últimos que ele conheceu. Não coloque a culpa em ninguém, a não ser nele mesmo. Quem é bem resolvido consigo mesmo não cai nesses papos furados de “amigos”. E lembre sempre que se seu amigo passa a agir de uma forma que você não concorda, cabe a você tentar alertá-lo dos males que está causando para si próprio, expondo os fatos da maneira que ocorrem. Sem tentar influenciá-lo a “voltar ao caminho da luz

E se você me conhece e realmente acredita que eu seja capaz de influenciar alguém a alguma coisa errada, saiba que não é porque as pessoas ao meu redor agem de certo jeito que eu concordo com isso, mas não é porque discordo que devo me afastar. Cada um escolhe ser o que quer, eu só posso respeitar as diferenças que nos cercam e continuar seguindo minhas crenças, da maneira que acho coerente.

Você já imaginou sua vida sem a arte?

Sem um prédio ou casa bem elaborados, com uma arquitetura bonita? Sem roupas legais, diferentes e confortáveis? Tendo que falar tudo que você sente, ao invés de simplesmente mandar uma música? Tentando deixar as teorias aprendidas na escola um pouco mais reais sem o auxílio de um filme/livro?

Já se imaginou sem poder escrever, cantar, dançar, interpretar, ouvir músicas, apreciar danças, absorver novas histórias transmitidas seja por teatro, televisão, cinema ou literatura? Já se imaginou sem ter noções irreais a respeito do amor? Sem poder rabiscar num papel o que tivesse vontade? Imaginou-se sem seus amados lápis de cor da infância ou sem a tia da escola te ensinando a fazer um Sol decentemente?

Você já se imaginou num mundo sem câmeras, sem fotografia, sem tapetes, cortinas, sapatos ou até mesmo escovas de dentes? Um mundo sem revoluções, sem liberdade de expressão, sem vontade própria? Já imaginou o que passaria pela sua cabeça, caso não existissem as músicas, filmes, novelas, seriados, peças teatrais, espetáculos de dança ou até mesmo o computador, os livros didáticos, o giz que o professor usa no quadro ou uma palestra bem dada sobre um assunto interessante?

Uma sociedade passiva a críticas, onde todos são submissos, alienados e fáceis de ser dominados?

Já se imaginou sem arte?

E é exatamente por isso que em cada uma das guerras, ditaduras ou revoluções os meios artísticos são os primeiros a serem censurados.

Sem a arte o ser humano se torna um completo nada, passivo a qualquer coisa e alvo fácil de qualquer tipo de doutrina. Sem ela é difícil pensar, questionar e ter noção própria das coisas.

A arte engloba muitas coisas, é a base de muitas coisas. Dela derivam-se as coisas mais importantes, os utensílios mais “básicos” para a nossa sobrevivência. Tudo que vemos, ouvimos e sentimos.

Por isso acho que seria muito útil passar uma excelente cultura artística para todos durante o período escolar. Muito mais útil do que entender equações algébricas capazes de ocupar um quadro negro inteiro. Sim, porque a matemática existiria sem a arte, mas o quadro negro não.

Tendo um bom conhecimento artístico, o resto se torna muito mais fácil.

Com a capacidade de compreender poemas repletos metáforas, antíteses, eufemismos, elipses e hiperbátos apurada, problemas matemáticos e questões de física quântica tornam-se muito mais fáceis de ser compreendidas. Poemas desenvolvem o cérebro com uma eficácia surpreendente.

Então, antes de criticar alguém por amar, viver, respirar e falar apaixonadamente sobre arte durante 24 horas por dia se lhe deixarem, pense em todas as maravilhas que essa simples palavra foi capaz de fazer pela humanidade em todo seu período de existência. Porque assim como são necessários médicos, engenheiros e advogados, o mundo precisa dos artistas. Inquestionavelmente. Portanto, antes de sair falando que eles são uns vagabundos, pense no quanto estudaram para chegar onde estão, em quantas barreiras tiveram que ultrapassar e a tamanha importância que seu trabalho terá. Antes de criticar um artista, lembre-se de que se nunca tivesse existido a arte, muitas outras profissões seriam abstraídas também.

Só… Não seja tolo o suficiente para menosprezar a arte. É tão cruel quanto xingar o Oxigênio.

Um ode especial a Salvador Dali e seu amigo Buñuel, por terem sido capazes de criar filmes incompreensíveis até hoje. Vocês são surreais.

“Você Pode Curar a Sua Vida”

Não é novidade para ninguém que sou sinônimo de instabilidade e indecisão, em meio a uma crise ocorrida em 2010, uma amiga passou-me uma série de vídeos que a tinham auxiliado a encontrar um rumo nas coisas, foi assim que eu conheci a Louise Hay.  Confesso a vocês que assisti a todos os vídeos com uma rapidez incrível, porque estava realmente interessada em ouvir o que aquela nobre senhora tinha para me contar, ela tem uma teoria de que nós somos responsáveis por tudo que nos ocorre e assim sendo, somente nós mesmos podemos mudar a nossa realidade e melhorá-la. É um pouco parecido com aquele livro “O Segredo”, no sentido de que ela propunha que nós mentalizassemos algo e lutássemos para atingí-lo, sempre pensando positivamente. Essa minha amiga utiliza seu pensamento o dia inteiro, sempre que tem alguma coisa ruim acontecendo ela diz “Pensamento Positivo!” e lá vamos nós de novo, esquecendo meu pessimismo nato e pensando que talvez as coisas realmente funcionem alguma vez. O fato é que, com o passar dos meses, acabei me esquecendo da senhora Hay, deixando-a de lado. Esqueci-me de seus ensinamentos e hoje em dia não sei mais do que realmente se trata todo o seu estudo, lembro apenas que devemos pensar positivo e que somos capazes de curar nossas próprias vidas. Acredito nela, mas falho ao procurar quais são as reais causas dos meus problemas, para poder tratá-las com afinco, teoricamente, esse é o trabalho dos psicólogos, que estudam horrores para conseguirem tal posto e eu fico aqui, fracassadamente tentando me curar sozinha. Talvez eu realmente precise voltar para a terapia, mas a questão é que me sinto muito anormal ao cogitar tal hipótese, tendo em vista que continuo acreditando, mesmo depois de todos esses anos e das minhas experiências com tais profissionais, que psicólogos ajudam somente quem está perturbado com alguma coisa e eu não posso estar perturbada com nada, porque isso demonstraria grande fraqueza da minha parte e eu sou o pilastre principal da minha casa, quando eu desmorono, tudo desmorona, então eu não posso desmoronar, não posso precisar de um psicólogo, não posso precisar da ajuda alheia para identificar problemas causados por mim mesma, não posso ser fraca o suficiente para isso. Sim, parece neurose, paranóia e diversas outras coisas, mas a verdade é que admitir que preciso de terapia seria o mesmo que admitir que possuo problemas e eu gosto da ideia de não possuir problemas, de conseguir respirar tranquilamente e de amar quem eu sou e a vida que levo, mesmo que em vários momentos tudo me leve a crer no contrário.

A verdade é que não faz nem uma semana que meu semestre realmente começou e eu já estou aqui, toda perdida novamente, pensando em várias coisas que havia deixado de cogitar há tempos, relembrando sentimentos há muito guardados lá no fundo e até mesmo arrependendo-me de atitudes que anteriormente foram consideradas sábias e sinônimos de coragem. Tenho sentido coisas jamais sentidas anteriormente, coisas que precisam ser vivenciadas enquanto existem, coisas que não podem ser abandonadas enquanto esperam o leito de morte, mas bem… Não consigo fazer essas coisas. Ando completamente irritada com toda essa luta constante que paira em minha mente e nunca me deixa em paz, qual o problema de viver um pouco em paz, de gostar de viver, pelo menos uma vez na vida? Queria tanto deixar de ser lunática e paranóica, mas não faço ideia de como fazer isso.

Se antes eu tinha 15 horas disponívies para ficar no computador diariamente, agora possuo apenas 3 e quando possuo. Não quero mais perder a minha vida presa a essa inútil máquina, quero fazer outras coisas, descobrir outras coisas, sentir um pouco mais, viver um pouco mais.

Tive dois dias memoráveis essa semana, em um deles estava passeando com uma amiga pelo meu bairro, descobrimos lugares incríveis que sempre estiveram ali e eu nunca tinha sido capaz de enxergá-los. Respiramos ar puro, vivenciamos experiências lindas, senti um ar gostoso, uma vontade maravilhosa de viver e de continuar me aventurando por aí o máximo que eu pudesse. Foi um passeio extremamente maravilhoso e memorável, digno de ser reprisado diversas outras vezes. No outro eu estava no aniversário de uma amiga “das antigas” e nós brincamos de gato-mia e sujamos o quintal dela inteirinho, depois resolvemos passear pelo condomínio e paramos dentro de uma casinha do parquinho, todas super esprimidas lá dentro, a casinha estava bamba, inclusive e nós estavamos realmente temendo por nossas vidas, mas não abandonamos o lugar, continuamos lá, conversando e rindo, rindo abundantemente, como se nada pudesse nos deter, como sempre fizemos, rindo e aproveitando os bons momentos juntas. A casinha não caiu, voltamos para a casa da minha amiga e logo todas fomos embora, não sabemos ao certo quando nos reencontraremos, mas não importa muito. A paz e leveza que aquelas pessoas me transmitem é irreparável, a certeza absoluta de que perto delas posso ser exatamente quem eu quiser e não serei julgada, pelo contrário, elas me abraçãrão e rirão comigo de todas as minhas desventuras nessa vida insana. Extremamente maravilhoso. Esses dois dias serão daqueles que jamais se apagarão de minha mente, ficarão aqui guardados, para sempre. É uma pena que essas pessoas que me fazem mais bem do que um desfribilador faria caso eu estivesse prestes a morrer, estejam sempre tão fisicamente longes e as que estão fisicamente perto, estejam tão mentalmente afastadas. Sinto falta das conexões que tínhamos antigamente, essa coisa de “momentos bons” apenas uma vez a cada seis meses é meio que frustrante.

Logicamente não estou reclamando da vida que levo, longe de mim fazer tal coisa. É certo que há várias coisas que me desagradam, várias pessoas que, embora sejam absurdamente importantes para mim, eu tenho certeza de que nunca mais falarão comigo depois do dia 17/12, mas eu decidi resgatar lá do fundo um pouco do que a Louise Hay me ensinou, eu posso curar a minha vida, eu posso pensar positivamente. O futuro é incerto, de nada adianta ficar aqui planejando e sofrendo por antecipação, as coisas que devem acontecer simplesmente acontecerão, mesmo que não façamos nada para isso. Então, bem… Decidi deixar um pouco dessas minhas frustrações para lá, esquecer toda a insensatez que me move e tentar resgatar algumas coisas que não deveriam ter sido abandonadas, enquanto tento manter aquelas que nunca me abandonarão.

Afinal, sou apenas uma garota de 17 anos que sofre horrores ao passar uma semana longe dos pais, não posso exigir tanto de mim mesma. Talvez eu melhore o mundo algum dia, mude algo, faça as coisas realmente serem boas, mas agora não é o momento certo para isso. Preciso me firmar como pessoa, estabelecer muito bem com quem quero me relacionar e com quem não quero, seguir minhas crenças e agir de acordo com tudo que penso, preciso ser eu primeiro. Em um dos meus episódios preferidos de Gossip Girl, a Blair tinha voltado a namorar com o Chuck e eles estavam muito felizes juntos, era o dia da inauguração do novo hotel dele e ela estava sendo tratada como sempre sonhou, mas quando a festa terminou ela olhou para ele e disse que precisava ser reconhecida como Blair antes de ser reconhecida como “namorada do Chuck” e bem, é exatamente assim que me sinto agora. Preciso ser alguém que eu goste, alguém que as pessoas de quem eu gosto gostem e somente depois disso serei capaz de decidir o que farei com o resto da minha vida.

Vale dizer que meu coração não é um tijolo, está mais para uma gelatina mesmo. Mole e sensível, muito maleável, mas dificilmente ferido, no entanto, quando um ferimento ocorre ele não sara mais, somente tende a aumentar. Exatamente como uma gelatina, mas tem que ser aquela gelatina azul, que eu nunca soube o nome do sabor, porque somente aquela é gostosa, somente aquela vale a pena. Em meio a todas as gelatinas, sou como aquela gelatina azul, na geladeira de alguém que aprecia tanto sua beleza que não se sente apto a enfiar uma colher ali e desmoroná-la de vez.

No fim das contas, acabei escrevendo abundantemente sobre nada além de mim mesma, algo completamente irrelevante para os co-habitantes do planeta, perdoem-me por ter feito com que disperdiçassem seu precioso tempo.

Eu vou ficar bem. Sou forte o suficiente para isso.

This text was wrote while she was listening to Linger – The Cranberries


Pequeno adendo: Gostaria de dizer que além desses meus amigos que estão fisica ou mentalmente distantes, há aqueles que estão fisica e mentalmente próximos e por estarem sempre tão presentes e interessados na minha vida, acabo ficando sem palavras para descrevê-los. Só quero que saibam que não menosprezo vocês, nem um pouco, sei o quão importantes vocês são e os agradeço por serem e estarem sempre por perto, desculpem-me, no entanto, caso eu não saiba transmitir isso corretamente.