“Você Pode Curar a Sua Vida”

Não é novidade para ninguém que sou sinônimo de instabilidade e indecisão, em meio a uma crise ocorrida em 2010, uma amiga passou-me uma série de vídeos que a tinham auxiliado a encontrar um rumo nas coisas, foi assim que eu conheci a Louise Hay.  Confesso a vocês que assisti a todos os vídeos com uma rapidez incrível, porque estava realmente interessada em ouvir o que aquela nobre senhora tinha para me contar, ela tem uma teoria de que nós somos responsáveis por tudo que nos ocorre e assim sendo, somente nós mesmos podemos mudar a nossa realidade e melhorá-la. É um pouco parecido com aquele livro “O Segredo”, no sentido de que ela propunha que nós mentalizassemos algo e lutássemos para atingí-lo, sempre pensando positivamente. Essa minha amiga utiliza seu pensamento o dia inteiro, sempre que tem alguma coisa ruim acontecendo ela diz “Pensamento Positivo!” e lá vamos nós de novo, esquecendo meu pessimismo nato e pensando que talvez as coisas realmente funcionem alguma vez. O fato é que, com o passar dos meses, acabei me esquecendo da senhora Hay, deixando-a de lado. Esqueci-me de seus ensinamentos e hoje em dia não sei mais do que realmente se trata todo o seu estudo, lembro apenas que devemos pensar positivo e que somos capazes de curar nossas próprias vidas. Acredito nela, mas falho ao procurar quais são as reais causas dos meus problemas, para poder tratá-las com afinco, teoricamente, esse é o trabalho dos psicólogos, que estudam horrores para conseguirem tal posto e eu fico aqui, fracassadamente tentando me curar sozinha. Talvez eu realmente precise voltar para a terapia, mas a questão é que me sinto muito anormal ao cogitar tal hipótese, tendo em vista que continuo acreditando, mesmo depois de todos esses anos e das minhas experiências com tais profissionais, que psicólogos ajudam somente quem está perturbado com alguma coisa e eu não posso estar perturbada com nada, porque isso demonstraria grande fraqueza da minha parte e eu sou o pilastre principal da minha casa, quando eu desmorono, tudo desmorona, então eu não posso desmoronar, não posso precisar de um psicólogo, não posso precisar da ajuda alheia para identificar problemas causados por mim mesma, não posso ser fraca o suficiente para isso. Sim, parece neurose, paranóia e diversas outras coisas, mas a verdade é que admitir que preciso de terapia seria o mesmo que admitir que possuo problemas e eu gosto da ideia de não possuir problemas, de conseguir respirar tranquilamente e de amar quem eu sou e a vida que levo, mesmo que em vários momentos tudo me leve a crer no contrário.

A verdade é que não faz nem uma semana que meu semestre realmente começou e eu já estou aqui, toda perdida novamente, pensando em várias coisas que havia deixado de cogitar há tempos, relembrando sentimentos há muito guardados lá no fundo e até mesmo arrependendo-me de atitudes que anteriormente foram consideradas sábias e sinônimos de coragem. Tenho sentido coisas jamais sentidas anteriormente, coisas que precisam ser vivenciadas enquanto existem, coisas que não podem ser abandonadas enquanto esperam o leito de morte, mas bem… Não consigo fazer essas coisas. Ando completamente irritada com toda essa luta constante que paira em minha mente e nunca me deixa em paz, qual o problema de viver um pouco em paz, de gostar de viver, pelo menos uma vez na vida? Queria tanto deixar de ser lunática e paranóica, mas não faço ideia de como fazer isso.

Se antes eu tinha 15 horas disponívies para ficar no computador diariamente, agora possuo apenas 3 e quando possuo. Não quero mais perder a minha vida presa a essa inútil máquina, quero fazer outras coisas, descobrir outras coisas, sentir um pouco mais, viver um pouco mais.

Tive dois dias memoráveis essa semana, em um deles estava passeando com uma amiga pelo meu bairro, descobrimos lugares incríveis que sempre estiveram ali e eu nunca tinha sido capaz de enxergá-los. Respiramos ar puro, vivenciamos experiências lindas, senti um ar gostoso, uma vontade maravilhosa de viver e de continuar me aventurando por aí o máximo que eu pudesse. Foi um passeio extremamente maravilhoso e memorável, digno de ser reprisado diversas outras vezes. No outro eu estava no aniversário de uma amiga “das antigas” e nós brincamos de gato-mia e sujamos o quintal dela inteirinho, depois resolvemos passear pelo condomínio e paramos dentro de uma casinha do parquinho, todas super esprimidas lá dentro, a casinha estava bamba, inclusive e nós estavamos realmente temendo por nossas vidas, mas não abandonamos o lugar, continuamos lá, conversando e rindo, rindo abundantemente, como se nada pudesse nos deter, como sempre fizemos, rindo e aproveitando os bons momentos juntas. A casinha não caiu, voltamos para a casa da minha amiga e logo todas fomos embora, não sabemos ao certo quando nos reencontraremos, mas não importa muito. A paz e leveza que aquelas pessoas me transmitem é irreparável, a certeza absoluta de que perto delas posso ser exatamente quem eu quiser e não serei julgada, pelo contrário, elas me abraçãrão e rirão comigo de todas as minhas desventuras nessa vida insana. Extremamente maravilhoso. Esses dois dias serão daqueles que jamais se apagarão de minha mente, ficarão aqui guardados, para sempre. É uma pena que essas pessoas que me fazem mais bem do que um desfribilador faria caso eu estivesse prestes a morrer, estejam sempre tão fisicamente longes e as que estão fisicamente perto, estejam tão mentalmente afastadas. Sinto falta das conexões que tínhamos antigamente, essa coisa de “momentos bons” apenas uma vez a cada seis meses é meio que frustrante.

Logicamente não estou reclamando da vida que levo, longe de mim fazer tal coisa. É certo que há várias coisas que me desagradam, várias pessoas que, embora sejam absurdamente importantes para mim, eu tenho certeza de que nunca mais falarão comigo depois do dia 17/12, mas eu decidi resgatar lá do fundo um pouco do que a Louise Hay me ensinou, eu posso curar a minha vida, eu posso pensar positivamente. O futuro é incerto, de nada adianta ficar aqui planejando e sofrendo por antecipação, as coisas que devem acontecer simplesmente acontecerão, mesmo que não façamos nada para isso. Então, bem… Decidi deixar um pouco dessas minhas frustrações para lá, esquecer toda a insensatez que me move e tentar resgatar algumas coisas que não deveriam ter sido abandonadas, enquanto tento manter aquelas que nunca me abandonarão.

Afinal, sou apenas uma garota de 17 anos que sofre horrores ao passar uma semana longe dos pais, não posso exigir tanto de mim mesma. Talvez eu melhore o mundo algum dia, mude algo, faça as coisas realmente serem boas, mas agora não é o momento certo para isso. Preciso me firmar como pessoa, estabelecer muito bem com quem quero me relacionar e com quem não quero, seguir minhas crenças e agir de acordo com tudo que penso, preciso ser eu primeiro. Em um dos meus episódios preferidos de Gossip Girl, a Blair tinha voltado a namorar com o Chuck e eles estavam muito felizes juntos, era o dia da inauguração do novo hotel dele e ela estava sendo tratada como sempre sonhou, mas quando a festa terminou ela olhou para ele e disse que precisava ser reconhecida como Blair antes de ser reconhecida como “namorada do Chuck” e bem, é exatamente assim que me sinto agora. Preciso ser alguém que eu goste, alguém que as pessoas de quem eu gosto gostem e somente depois disso serei capaz de decidir o que farei com o resto da minha vida.

Vale dizer que meu coração não é um tijolo, está mais para uma gelatina mesmo. Mole e sensível, muito maleável, mas dificilmente ferido, no entanto, quando um ferimento ocorre ele não sara mais, somente tende a aumentar. Exatamente como uma gelatina, mas tem que ser aquela gelatina azul, que eu nunca soube o nome do sabor, porque somente aquela é gostosa, somente aquela vale a pena. Em meio a todas as gelatinas, sou como aquela gelatina azul, na geladeira de alguém que aprecia tanto sua beleza que não se sente apto a enfiar uma colher ali e desmoroná-la de vez.

No fim das contas, acabei escrevendo abundantemente sobre nada além de mim mesma, algo completamente irrelevante para os co-habitantes do planeta, perdoem-me por ter feito com que disperdiçassem seu precioso tempo.

Eu vou ficar bem. Sou forte o suficiente para isso.

This text was wrote while she was listening to Linger – The Cranberries


Pequeno adendo: Gostaria de dizer que além desses meus amigos que estão fisica ou mentalmente distantes, há aqueles que estão fisica e mentalmente próximos e por estarem sempre tão presentes e interessados na minha vida, acabo ficando sem palavras para descrevê-los. Só quero que saibam que não menosprezo vocês, nem um pouco, sei o quão importantes vocês são e os agradeço por serem e estarem sempre por perto, desculpem-me, no entanto, caso eu não saiba transmitir isso corretamente.

Eis que o Silêncio grita.

Nunca havia visto o silêncio falar tão alto. Ultimamente venho notado que o ser humano tem uma necessidade incessável de falar e ser ouvido, precisa de atenção, as vezes muito mais do que realmente consegue obter, a verdade é que todos nós gostamos de ter alguém por perto que esteja ali simplesmente por querer estar ali, sem se importar com rótulos e afins.

O silêncio grita porque ele não existe. São poucas as pessoas que se sentem confortáveis em ambientes silenciosos, poucas sentem-se confortáveis consigo mesmas, poucas tentam entender seus pensamentos, poucas tentam realmente ser algo, enquanto a maioria está preocupada em ter coisas.

Vivemos acostumados a submeter as nossas vidas a tudo e todos que tentam mandar em nós, não digo isso apenas por experiência própria, é o que tenho visto. Poucos são os que são autênticos o suficiente para chutar tudo aquilo que fazem por obrigação e fazem somente aquilo que realmente lhes fornece prazer. Certo é que a maioria diz que nem tudo são flores, que para se chegar ao céu é preciso passar pelo inferno, no fim, precisamos do desequilíbrio para que valorizemos o equilíbrio.

Tenho sentido inveja dos animais considerados “irracionais”, porque eles sim valorizam a vida, fazem tudo instintivamente, sem grandes intenções por trás, sem esperar grandes coisas, sem se decepcionar, fazem tudo que é necessário como é necessário, não sentem essa insatisfação que não nos abandona nunca, não, para eles está tudo bom, tudo sempre bem, é uma vida fácil e boa. Queria ser um pássaro, deve ser legal sair voando por aí, sem lenço nem documento.

Mas eu sou humana e vivo num mundo cheio de gente que finge que ser o que não é e tem vergonha de quem gostaria ser. O humano almeija a perfeição e quanto mais próximo chega dela, mais ele almeija, estando assim eternamente insatisfeito. Testam seus limites, mesmo que ninguém os peça para fazer isso, estão sempre em alguma competição, mesmo que seja contra eles mesmos.

Enquanto isso o silêncio está apenas lá, sozinho, esperando que nos aproximemos dele e sintamos seu sabor.

Certamente sou insatisfeita, nada nunca me satisfaz, porque não sei o que eu busco. Felicidade é algo extremamente lindo e necessário, mas fútil demais para ser o ideal máximo de vida. Amor é maravilhoso, mas difícil de ser encontrado em meio a tanto ódio e tanta superficialidade. A arte é o que me prende aqui, o que ainda consegue me surpreender um pouco e me fazer respirar, sentir algo. As vezes eu só queria sentir algo.

Realmente espero que todas as pessoas que conheço atinjam seus ideais de vida, quanto a mim, continuarei a pensar e escrever sobre isso, dinheiro não é assim tão necessário, pelo menos não em grandes quantidades e enquanto eu não achar algo pelo qual valha a pena lutar, continuarei sem lutar por nada, vivendo passivamente e banalmente. Chata, como sempre fui. Fútil, ridícula e mimada. Super-protegida e insatisfeita, eternamente.

Se algum dia algo muito bom acontecer por aqui, bom o suficiente para me fazer levantar da cama com um sorriso no rosto e vontade de lutar, a vida perderá seu sentido, porque ela só faz sentido enquanto não descobrimos o nosso real ideal, depois que fizermos isso, de nada mais adiantará continuar aqui.

Eu amo muita coisa, meu coração acelera a cada vez que presencio muitas coisas, muitas coisas despertam bons sentimentos em mim, mas a felicidade só é real quando compartilhada e enquanto estiver aqui sozinha, somente o silêncio poderá me compreender – se algum dia eu conseguir ouví-lo – a verdade é que sem a minha mãe por perto (o único e supremo referencial de amor que possuo) fico assim, abobada e desesperada por algo que seja ao menos real.

Onde estão as pessoas?

Quero alguém para ser o meu twitter. Alguém disposto a ouvir tudo que eu tenha para dizer e eu sempre tenho muitas coisas a dizer.

Quero poder chegar em casa, sentar e conversar horas a fio, com alguém que demonstre algum tipo de interesse.

A cada dia que passo presa nessa vida sub-humana com relacionamentos baseados em caracteres digitados em uma máquina qualquer, fico um pouco mais distante daquilo que consideraria felicidade.

É meio chata essa sensação de não ter o que falar, mesmo tendo várias coisas entaladas na garganta. O problema não é o que falar, mas sim com quem falar. Afinal… com quem devo falar? Há alguém realmente disposto a conversar comigo horas a fio sem se incomodar com isso? Há alguém nesse mundo que se importe pelo menos um pouquinho com a vida que levo longe da escola? Há alguém minimamente interessado em algo que eu pense, diga ou faça? Caso haja, gostaria de poder ver essas pessoas.

Acho triste o modo como muitas coisas estão sempre ao nosso redor e dificilmente as percebemos.

Como cheiros. O ar deixou de ser inodoro há muito tempo. Há odores diversos pairando pelos ares, o tempo todo, mas não os sentimos. Nossos narizes são capazes de adaptar-se a certos cheiros, com o tempo deixamos de percebê-los. Portanto, pode ser que seu ar nesse momento tenha um cheiro específico e você não o perceba por ter se acostumado a ele. Exatamente como acontece com as pessoas. Pessoas que nos rodeiam por muito tempo, tornam-se importantes para nós e depois viram apenas hábito. Seres que coexistem, sem importância significativa. As vezes nosso nariz desperta para novos cheiros, começamos a sentir odores em lugares anteriormente considerados inodoros. O mesmo com as pessoas. Dentre todas aquelas que nos rodeiam, de repente uma lhe desperta interesse.

Nesse meio termo entre pessoas e cheiros, as vezes estamos rodeados pelo universo, mas ainda estamos sozinhos. As vezes há todos os cheiros pairando ao nosso redor e ainda não sentimos nada.

Quero despertar interesse em alguém. Quero ser o twitter de alguém. O alvo de todas as suas confidências. Quero amar quem precise disso, quero ser especial e me sentir especial. Ser a droga de alguém que seja a minha droga. Numa conexão mútua e sincronizada, em que ninguém se sinta prejudicado.

Quero um novo twitter. Com dois braços para me abraçar, duas pernas para caminhar ao meu lado, dois olhos para me analisar perfeitamente, dois ouvidos para escutar-me atentamente, um nariz para saborear todos os cheiros possíveis e uma linda boca para balbuciar as palavras certas nos momentos certos. Quero um novo twitter para abandonar o velho. Trocar a máquina por uma pessoa. Transformar as pessoas em meu novo “deus”.  Deixar de ser uma trouxa alienada e ridícula. Quero ser livre para amar.

No fim, continuo a pensar… Será que somos iguais às roupas? Aquelas que são pensadas e moldadas para ficarem perfeitas em alguém, aquelas com tecidos e linhas estrategicamente planejados, amados. Roupas amadas que depois de serem usadas por muito tempo são jogadas fora ou vendidas em um brechó qualquer por aí, por um preço muito abaixo do normal. Seremos nós assim, tão baratos? Será que eu só valho 10 reais? Dez reais?

Shit. Acho que estou realmente ficando louca agora. Cuidado.

Reflexos de um dia chuvoso.

As vezes a melancolia aparece para nos fazer lembrar da beleza dos dias suaves. É difícil voltar à realidade depois de se viver um conto de fadas. O ar se torna pesado e os dias completamente sem sentido.

Como seria se aqueles segundos não tivessem existido?

Os momentos mais simples são os mais bonitos e os mais rápidos tornam-se eternos. Cada escolha nos remete a uma exclusão, o importante é fazer tudo valer a pena. A alma talvez não exista, seja apenas um reflexo da vida atual, mas se nossos sentimentos forem a nossa alma então ela existe, é bela e essencial.

É difícil seguir respirando quando as forças feitas por seu pulmão deisam de ser suficientes. Talvez pelo fato de tornarmos tudo tão complicado, um suspiro de alívio e felicidade faça com que tenhamos a vontade incessável da felicidade plena. Talvez a felicidade, mesmo que utópica, seja o mais concreto dos desejos humanos, depois que a conhece, nada mais importa.

Sinto-me apenas mais uma, atualmente. Mais uma insuficiente e incapaz de seguir sozinha. Agora, mais do que em todos os outros momentos, eu preciso de você. Sem me importar com rótulos, definições e outras pessoas, porque, por mais clichê que isso possa parecer, é muito mais fácil sorrir com você ao meu lado.

Percebe? A melancolia já passou, apenas por ter me lembrado de sua existência.

(Sinto-me completamente tola por falar coisas assim, aliás, mas é inevitável. Espero um dia conseguir definir o que diabos está acontecendo agora, mas no momento cansei de pensar. Deixarei as ideias de John Locke infiltrarem a minha cabeça, largarei o racionalismo e viverei empiricamente por um tempo, veremos no que vai dar.)

Giovanni di Pietro di Bernardone

Mais conhecido como “São Francisco de Assis”, é um dos poucos santos que inspira em mim uma paz, tranquilidade, convicção e alívio absoluto.

Conta a história que Francisco era um jovem muito rico que passava seus dias embebedando-se e “curtindo” a vida, com mulheres e prazeres mundanos, até que um dia recebeu um “chamado Divino” e resolveu seguir a vida religiosa.

Ao contrário de muitas pessoas, ele realmente a seguiu. Foi até uma Igreja, despiu-se e disse que nenhuma daquelas coisas o pertencia, que seus bens deveriam ser distribuídos para quem realmente os precisava e que de nada adiantava ter muita coisa se você não fosse nada.

A partir disso ele criou sua própria congregação, a dos frades franciscanos e passou a pregar o amor e a seguí-lo, como se essa fosse a verdade absoluta. Francisco passou a ser pobre, viver como qualquer um, mesmo pertencendo à classe nobre. Seu pai o deserdou, disseram-lhe que estava indo contra Deus, mas ele não se importou e seguiu seu caminho, ajudando a qualquer um que precisasse, fosse gente ou animal, como se todos fossemos apenas iguais. Ele costumava chamar todas as coisas da natureza de “irmãos”, porque tudo se completava em um ciclo perfeito para que a vida funcionasse perfeitamente.

Teve uma vez que ele resolveu construir sua própria Igreja, mas ninguém concordava porque ela seria frequentada por pobres, ele não desistiu. Recolhia pedras nas ruas, junto com seus seguidores e de pedra em pedra foi construindo sua própria Igreja, que existe até hoje. Francisco ajudou a reconstruir o cristianismo de sua época, seguiu ao pé da letra os ensinamentos de Jesus, não se importava em conviver com os excluídos, podia passar dias sem comer, ele simplesmente vivia.

Francisco conheceu Clara, uma jovem também nobre e também apaixonada pela vida que largou todas as suas regalias para seguí-lo e ajudá-lo. Eles construíram um lindo e puro amor juntos. Clara criou a versão feminina da ordem franciscana, as clarissas e seguiu sua vida amando a todos como a ela mesma e cuidando da natureza.

Os dois foram perfeitos um para o outro, se completaram. Eles sabiam exatamente o que era o amor, entenderam a essência da pregação de Cristo e a seguiram como se não houvesse nada além disso para ser feito.

Por que estou escrevendo sobre a vida deles?

Em meio a essa hipocrisia ambulante que me corrói por dentro, a essa falta de amor constante que me impede de respirar livremente e a toda essa maldade em que vivemos, histórias como essa me dão esperança de que talvez o mundo melhore algum dia.

Isso me leva a mais um lindo exemplo, a Comunidade Toca de Assis, fundada pelo Padre Roberto Lettieri, não é apenas uma ramificação dos franciscanos, é gente que realmente segue São Francisco. Essas pessoas ajudam os moradores de rua, os tratam como seus iguais. Doam alimentos, ajudam-os em seu higiene pessoal, os abraçam e conversam com eles quando precisam. Eles amam ao próximo como a eles mesmos. Me inspiram tanto que até pretendo passar um tempo convivendo com eles, para sentir um pouquinho da alegria de poder ajudar a quem precisa.

O mundo precisa de mais gente assim. Não de gente que vai à Igreja e concorda quando o padre diz que homossexuais são errados, que abraçar bêbados e mendigos é um grande sofrimento, que os pais devem brigar com os filhos e controlá-los e concorda novamente quando, logo em seguida, ele  diz que devemos amar incondicionalmente, que Deus é o perdão e não julga a ninguém e que devemos doar nosso dinheiro para a reforma da Igreja ao invés de gastá-lo comprando comida para nós mesmos. (acabei de ouvir tudo isso na missa em que fui, fiquei indignada e por isso resolvi escrever esse texto.) S Será que essas pessoas simplesmente não percebem a hipocrisia em que estão sendo levadas a acreditar? Que se Deus é perdão ele não vai ficar bravo porque você ama alguém do seu sexo ou qualquer coisa assim? Não percebem que se Deus acredita no amor ele não vai te julgar por amar? Esquecem-se de que Deus comia com leprosos e brigava por fazerem comércio na Igreja?

Desculpem-me por tocar nesse assunto novamente, mas isso é algo que me deixa completamente revoltada.

Então eu peço a você, Deus, Alá, Jesus qualquer que seja o seu nome, eu sei que você está em algum lugar. Acredito nisso porque se você não estiver aí, estaremos realmente fodidos. Então, Deus, onde quer que você esteja, por favor faça algo por nós, antes que acabemos por realmente nos destruir.

Eu preciso de forças para continuar a crer que o amor vale a pena.