[REVIEW] Gilmore Girls – 3ª Temporada

     Esse texto contém muitos spoilers e é recomendável que você já tenha assistido a tericeira temporada de Gilmore girls antes de realizar a leitura. Você pode ver a review da Primeira e da Segunda temporada.

Temporalidade

      No final de julho tivemos a divulgação da data de estreia da oitava temporada de Gilmore Girls, chamada “A Year in Life“. As informações que nós já tínhamos, é de que seria uma temporada com apenas quatro episódios, de noventa minutos cada. Cada episódio será referente a uma estação do ano e a série se passará no ano corrente. O que nós não sabíamos é que a Netflix ia disponibilizar todos os episódios no mesmo dia (apesar dos protestos da criadora da série) e que esse tão aguardado dia seria o dia 25 de novembro! Para que as coisas ficassem ainda mais emocionantes, fora lançado o primeiro teaser da temporada. Deixo vocês com a apreciação dele.

     Agora, sobre a temporalidade da terceira temporada. Vimos um ano inteiro passar nessa temporada! Começamos nos preguiçosos dias de verão e terminamos com a formatura de Rory, que ocorre já no próximo verão. No meio tempo, passamos por dois memoráveis festivais da cidade, uma festa de aniversário bacana para Lorelai, impasses em relação ao jantar de sexta-feira, um dia de ação de graças bastante agitado, dois bebês e dois fins de relacionamento. Foi bastante coisa, mas a Netflix conseguiu resumir em um minuto – conforme está fazendo em todas as temporadas. 

Os casais

Rory e Dean

     Rory começa a temporada sacaneando Dean, pra variar. Ela está visivelmente apaixonada por Jess. O beijo do episódio final da temporada anterior ainda ressoa e o tempo em Washington não a fez esquecê-lo. Ela até tenta continuar com o Dean, mas o coração dela não está mais lá e ela segue sem coragem de dizer isso. Vários episódios dela tentando se convencer a continuar com o Dean são vistos. E, óbvio, Dean percebe tudo que está acontecendo, mas como ele gosta muito dela, não consegue “largar mão” do relacionamento. Os dois seguem se enganando. 

     Dean acaba sendo recriminado por muitos fãs por ter terminado o relacionamento em público, mas eu super entendo ele. O episódio do festival de dança foi apenas o estopim. Ele já estava saturado, Rory já estava saturada, o relacionamento estava saturado. Ele foi o mais honesto da história e apenas fez o que deveria ser feito: deixar ela tentar a sorte com o Jess. É claro que, na cabeça de Dean, ela iria se decepcionar e voltar a ficar com ele. Como isso não aconteceu, ele acabou partindo para outra e, já no final da temporada, anunciou seu noivado. É interessante que o relacionamento não ganha foco na série e a gente sabe quase nada sobre a Lindsay, o que nos faz achar que Dean realmente só se mete em relacionamentos sem conhecer direito as pessoas. 

     É curioso, porém, que o relacionamento de Rory e Jess não seja lá aquelas coisas e ela acabe sentindo ciúmes da Lindsay, mesmo sem admitir. Também é bastante interessante que, após o término, ela e Dean tenham a vontade de serem amigos, pois “sentem falta de conversar um com o outro”, sendo que em todo o relacionamento deles, era raro ser mostrado ao telespectador essas conversas. A impressão que a gente tinha era de um desentendimento constante, causado por falta de interesses comuns. Porém, basta o relacionamento terminar para que eles se tornem os melhores amigos que já tiveram e sintam saudades um do outro. Bizarro.

     Outro ponto bastante esquisito dessa história é que Dean se mete em uma briga destruidora com Jess, para que na próxima vez que encontra a Rory conte que está prestes a ficar noivo. Ele tinha acabado de brigar feio e destruir uma casa com o namorado dela, o que dava a impressão de que ele estava querendo reconquistá-la, e então anuncia que vai ser noivo de Lindsay. É de dar pena a confusão mental do pobre Dean. 

Rory e Jess

        Estava na cara que esse casal não ia vingar. Rory era acostumada com um namorado atencioso, que gostava de sua mãe e compartilhava os momentos com ela – por piores que eles parecessem. De bailes de gala à festas escolares e jantares de família. Quando ela se depara com alguém como o Jess, que não dá o braço a torcer e tem zero de esforço para conhecer e se adentrar no universo dela, fica um tanto perdida. O relacionamento deles, que enquanto amizade se demonstrava com um grande potencial de entendimento, acaba se tornando algo bastante estressante.

      Jess é o primeiro cara por quem Rory parece cogitar a hipótese de transar, mas para ele, sexo não parecia ser exatamente um problema. É bastante interessante, porque o assunto “sexo” nunca surgiu enquanto Rory estava com Dean, mas assim que ela começa a se envolver com Jess ele surge. Seria um sinal de moralismo na série? Essa hipótese é levantada pela seguinte situação: Rory é constantemente vigiada e lembrada por sua mãe de que ela não deveria transar e que deveria comunicar quando pretendesse fazer isso. O  medo de Lorelai é que ela engravide e “repita seus erros“. Rory, por sua vez, não parece ser uma adolescente normal e simplesmente não demonstra sentir tesão sexual por seu primeiro namorado – que é bem aceito pela mãe e considerado certinho. Já, quando ela começa a namorar o cara que a mãe não gosta, o “bad boy“, o assunto do sexo surge e vira uma possibilidade. “Ela era muito nova antes“, vocês podem me dizer, mas 16/17 anos não é cedo demais para transar se você é loucamente apaixonada por seu namorado fixo. Então, bom, a abordagem do sexo em relação à Rory começa problemática aí. Ela não parece se sentir confortável com a ideia ainda, o que é ok, mas a partir do momento que ela começa a se sentir confortável, tem a noção de que não é certo e não deveria fazer e não faz.

       Enfim, Jess acaba indo embora, por causa de conflitos familiares sérios. E não comunica isso com ela. Ele não comunica com ela nenhum de seus problemas e vive uma relação fútil, sem deixar que Rory penetre em sua vida e sem penetrar na vida dela. De um namoro, Rory vai para um relacionamento de “amigos que se beijam” e ela até tenta se contentar com isso, mas não consegue. Acredito que Jess seja a primeira grande decepção de sua vida.

Sookie e Jackson

     Nessa temporada, eles experimentam o início da vida em casados, que é bastante inovadora para ambos. Jackson se muda para a casa de Sookie e ela sente que precisa se esforçar para fazer com que ele sinta que a casa também é dele, embora ele diga que isso não é necessário. Isso gera um episódio muito legal, mas também mostra que nenhum relacionamento é perfeito e que é possível haver conflitos quando se tenta agradar o outro. Mas não é algo muito grande, é bem específico de fase de adaptação mesmo.

     O casamento deles acabou acontecendo de forma rápida e várias coisas em relação ao futuro não haviam sido discutidas. Por isso Sookie leva um susto quando Jackson aparece com a ideia de que queria ter quatro filhos em quatro anos. Da mesma forma, Jackson surta quando Sookie comunica estar grávida. Não havia preparação financeira e psicológica para os dois, que eram recém casados. E, na verdade, é meio chato que eles não possam ter curtido por mais tempo seu tempo juntos.

Lorelai e Christopher

       Christopher não apareceu muito nessa temporada, tendo inclusive faltado a formatura de Rory, o que nem foi tratado como uma grande coisa – fato muito estranho. Lorelai e ele começaram a temporada de forma conturbada, devido ao abandono gerado no último episódio da temporada anterior. As coisas complicaram bastante quando Emily tentou juntá-los, por não saber o que estava acontecendo. Eles passaram um longo tempo sem se falar, o que gerou estranhamentos em Lorelai quando ela foi convidada para o chá de bebê de Sherry e a deixou ainda mais desconfortável por ter tido que comparecer ao nascimento de G.G

     Christopher voltou ao seu padrão de pai ausente e, aparentemente, começou a aceitar a ideia de ficar com Sherry e cuidar de G.G. Mas, como não foram dados muitos detalhes sobre ele no decorrer da temporada, várias dúvidas surgem em relação à sua vida atual.

Emily e Richard

      Não há conflitos entre o casal no decorrer da temporada. O mais próximo disso ocorre quando Lorelai the First (ou Trixie) é pega em flagrante dando um beijo e Emily acaba contando isso para todos. Richard fica bastante enfurecido, mas como elas logo fazem as pazes, tudo fica em paz.

     Outro ponto de quase briga ocorre no dia em que Richard conseguiu levar Rory para conhecer Yale e marcou, às escondidas, uma entrevista com um de seus ex-colegas que tinha influência na seleção de lá. Emily ficou enfurecida, pois já sabia que Lorelai não estava gostando da ideia de levar Rory para conhecer Yale e ter uma surpresa dessas não ajudaria na relação das duas. Esse conflito também não foi levado adiante. Com Richard em sua própria empresa e bem relacionado, Emily não tinha razões para brigar com ele.

Luke e Nichole

       Mais um pra lista dos relacionamentos amorosos esquisitos da série. Nichole é advogada de Taylor e eles se conhecem por causa de um aluguel a uma das propriedades de Luke, requisitado por Taylor. O relacionamento começa por causa de Jess, que basicamente desafia Luke a chamá-la para sair. Ela aceita, eles se dão bem e começam um relacionamento.

     Não sabemos muito sobre Nichole, ao contrário de Rachel, não há cenas em que ela seja a protagonista. Tudo que sabemos é que sua existência aflora o ciúmes de Lorelai e faz com que ela comece a perceber que tem sentimentos por Luke, o que é evidenciado no momento em que ela toma coragem para parar de brincar e pedir para que ele não viaje com Nichole, pois seria muito romântico e sério. Luke não entende, mas a gente entendeu: ela não queria ele com outra mulher. Nesse momento, o shipp Lorelai e Luke ficou aflorado.

      A temporada acaba sem a gente saber se essa viagem aconteceu ou não, sem saber detalhes desse relacionamento e sem conhecer direito a Nichole.

Lane e Dave

      Aí está o casal mais fofo da temporada! Finalmente, Lane tem a vida que gostaria. Começa a tocar bateria, encontra um amor que a entende e não questiona as birras de sua mãe – pelo contrário, resolve tentar conquistá-la e depois enfrentá-la e tem o seu primeiro beijo.

      Lane desfruta de uma boa festa onde sua banda toca, várias festas realizadas em sua casa para o público da igreja de sua mãe e, claro, o baile de formatura. É bastante revoltante que esse baile não tenha sido mostrado, visto todo o esforço que ela e Dave tiveram para conseguir a autorização da senhora Kim. Acredito que, se Jess tivesse conseguido os convites para ele e Rory, esse baile teria aparecido. Mais uma pra cota de excesso de protagonismo das Gilmore!

     O que importa é que Lane e Dave são extremamente fofos e compreensivos. O episódio em que eles dão seu primeiro beijo é a coisa mais fofa do mundo e quando ele vira a noite lendo a bíblia para conseguir entender a senhora Kim, é outro momento de explosão de fofura! 

Dave Rigalsky appreciation picture

Paris e Jamie

         É muito emocionante o fato de Paris ter encontrado alguém que goste dela. A coisa ruim disso, é que nunca vemos os dois juntos e não fazemos ideia de como é o relacionamento deles. Parece bom, mas não tem como ter certeza. Nessa temporada, em específico, Paris fica distante e um tanto apagada e isso é penoso, porque é justamente a temporada onde as grandes reviravoltas de sua vida ocorrem.

      O fato de ela ter transado antes de Rory é bastante marcante, porque seria inimaginável aos olhos de um terceiro. É realmente uma pena que nós, telespectadores, não tenhamos tido oportunidade de ter detalhes sobre essa relação e o desenrolar dessas coisas. Mais uma vez, culpo o excesso de protagonismo das Gilmore.

      Mais uma vez, o sexo é visto de forma errada e ruim. Paris culpa o fato de ter estado em um relacionamento e feito sexo por não ter passado em Harvard, o que passa a impressão de que relacionamentos são distrativos e que quando você é adolescente e faz sexo alguma coisa errada vai acontecer com a sua vida. Não gosto dessa mensagem implícita na série.

As amizades

Lorelai e Rory

      A amizade das duas ficou ainda mais aflorada nessa temporada. Lorelai continuou indo onde Rory precisava dela e vice-e-versa. As duas não brigaram de forma exponencial e conseguiram entrar em consenso sobre todos os problemas que apareceram. Rory, inclusive, deixou de falar com o próprio pai em solidariedade a Lorelai. E, ao ver que a mãe precisaria desistir do sonho de ter o próprio hotel, para pagar sua faculdade, pediu, por conta própria, um empréstimo aos avós. Provavelmente o ato de maior responsabilidade de Rory até então. A parceria das duas segue ótima.

Lane e Rory

     Rory não entendeu a mensagem que Lane mandou contando do beijo e não retornou perguntando sobre. Aquilo me magoou bastante, porque Lane sempre dá bola pros perrengues de Rory e foi abandonada em uma hora linda e emocionante. 

       Rory se redimiu quando aceitou ceder espaço na garagem de sua casa para que a banda da amiga treinasse. Isso permitiu que Lane prosseguisse com seus sonhos e seu relacionamento, ponto pra Rory! 

         Já no começo da temporada, temos a saga de Lane buscando independência e querendo pintar seu cabelo para isso. Rory demonstra ser uma boa amiga nessa ocasião, pintando de roxo e, depois, de preto, o cabelo da amiga. 

Lorelai e Sookie

      A amizade das duas tem seus abalos quando diz respeito ao futuro do Independence Inn. O sonho conjunto de ter o próprio hotel persiste, mas quando o Independence sofre o incêndio e passa pela reconstrução, elas começam a se estranhar. Felizmente, tudo se ajeita, a dona do Dragonfly morre e elas conseguem dinheiro suficiente para comprá-lo. Boas coisas provavelmente vêm daí.

      Sookie segue sendo a amiga de todas as horas para Lorelai. E, mesmo com Jackson em casa, mantém o programa de ser o “backup” de café da manhã, para os momentos em que Lorelai briga com Luke.

Rory e Paris

          As duas começam a temporada muito bem, com uma experiência positiva em Washington. Mas dividir a presidência do corpo estudantil não ajudou a amizade de ambas, infelizmente.

      Paris, inexperiente em relações amorosas, acaba sem saber elencar prioridades e ficando perdida. Rory se vê no meio de uma briga, sofrendo ameaças por parte de Frankie e fazendo com que Paris entendesse as coisas de forma equivocada e se voltasse contra ela. As duas passam a maior parte da temporada brigando e a experiência de dividir a presidência, que poderia ter sido positiva, se torna caótica.

           Felizmente, ambas acabam tendo que dividir a autoria do discurso de bicentenário de Chilton, fazendo com que Paris fosse até Stars Hollow e desse um update a Rory sobre sua vida, de forma que as duas acabaram se reconciliando. Isso fica ainda mais visível quando Paris não é aceita em Harvard e entra em depressão, mas recebe o apoio de Rory, que a visita em casa e tenta colocá-la para cima.

Lorelai e Luke

      Mais uma temporada repleta de altos e baixos na relação dos dois. Apesar de ser visível para o público que eles se gostam, eles ainda não descobriram ou admitiram isso, dificultando bastante as coisas. Lorelai segue sendo a melhor conselheira possível para ele e ele sendo o amigo mais fiel possível.

      O episódio em que ele se dispõe a ajudar Lorelai a aprender a pescar, para que ela pudesse sair com outro cara, é o auge dessa temporada. Pela primeira vez, ele tem a oportunidade de mostrar algo que é importante para ele e compartilhar isso com ela – mesmo que o interesse por trás da história fosse ela sair com outro cara. Eles acabam se aproximando ainda mais. 

      Porém, um distanciamento começa a ocorrer com o aparecimento de Nichole que, como Rachel, tem ciúmes de Lorelai. Isso fica evidente no episódio da conferência sobre Poe, onde ela acaba tendo que ir dormir na casa de Luke e ele prefere não contar para Nichole. Esse distanciamento pode ou não ser nocivo, dependendo de como as coisas forem retratadas daqui para frente. 

    Luke ter emprestado sua lanchonete para que servisse de restaurante enquanto a cozinha do Independence Inn não tinha sido consertada é outro ponto alto de sua narrativa.

Luke e Jess

      Jess começa a se dar melhor com Luke. Eles conversam mais, inclusive sobre mulheres. Luke consegue impor limites e ordens em relação ao relacionamento de Rory e Jess – apesar de sua preocupação maior ser com o bem estar de Rory e não do sobrinho. Porém, as desconfianças continuam a perseguir  a relação. Primeiro com o aparecimento do carro de Jess, seguido pela descoberta de que ele estava trabalhando no Wall Mart. O orgulho por Jess ter sido eleito o funcionário do mês no supermercado se converte a estresse, quando Luke descobre que ele tinha deixado de frequentar a escola para realizar horas extras e estava prestes a reprovar.

       O pai de Jess apareceu na cidade, Luke não contou para ele, mas ele acabou descobrindo. Isso fez com que Jess se revoltasse ainda mais perante Luke, a escola e a cidade. E, de repente, era como se Rory não existisse ou fosse importante, porque Jess, após um desentendimento com Luke, simplesmente fez as malas e foi até a cidade de seu pai. Um final bem triste para o personagem e para as relações por ele estabelecidas. Espero que ele retorne nas próximas temporadas.

Lorelai, Rory, Emily e Richard

      A relação familiar ia bem – tirando o episódio de Christopher no jantar – até que Richard inventou a viagem para Yale. Esse foi um momento de grande crise na relação, fazendo até Rory ficar contra ele. Tudo vai ficando mais ameno no decorrer da temporada e a explosão de felicidade e união é quando a própria Rory, após ser aceita em Princeton, Yale e Harvard, decide pela ex-universidade de Richard. Não havia como fazê-lo mais feliz.

      Os jantares de sexta-feira ficam ameaçados por alguns episódios, porque Lorelai conseguiu dinheiro para pagar o que devia pela escola de Rory. Mas isso faz com que ela seja rejeitada da lista de bolsistas de Yale e fique sem dinheiro para pagar a universidade. Rory vê como oportunidade de conversar com os avós e reestabelecer os janters de sexta-feira, porém, sem prometer a presença de Lorelai. Como isso se desenrolará na próxima temporada? Eu acredito que Lorelai acabará cedendo. Veremos.

Curiosidades e pontos importantes da temporada

  1. Quem vai na formatura de Rory é Luke e não Christopher
  2. Senhora Kim realmente superou e esqueceu a ligação que Lane deu na festa? Ou isso vai desembocar em mais problemas para a próxima temporada?
  3. O que aconteceu com o Alex? Ele e Lorelai tiveram alguns encontros, um final de semana romântico em Nova York e uma ida para pesca e, aleatoriamente, ele desapareceu da temporada! Será que ainda volta? 
  4. O aparecimento de Max Medina pode influenciar nas próximas temporadas, agora que ele não será mais professor de Rory? Será que ele e Lorelai vão voltar a ficar juntos? Querendo ou não, ele foi o mais legal dos namorados que ela teve desde o início da série.
  5. Não é novidade para ninguém, mas Adam Brody, que faz o Dave Rigalsky, acaba se tornando o Seth Cohen de The O.C no ano seguinte.
  6. Acredito que um ponto bem importante e que vai ter influências futuras é toda essa história de sexo.
  7. É muito difícil para mim escolher um episódio favorito dessa temporada, porque descobri que é a minha temporada favorita. Mas, se fosse pra escolher um só, ficaria com o Dia de Ação de Graças, no episódio 9.

[REVIEW] Gilmore Girls – 1ª Temporada

         No dia 01 de julho, a Netflix colocou as sete temporadas de Gilmore Girls em seu catálogo de streaming. A decisão é parte de um grande projeto de marketing, que visa agarinhar maior público para o revival da série, que está previsto para ocorrer ainda esse ano – mas não sabemos a data. Gilmore Girls foi exibida originalmente entre 2000 e 2007, produzida pela Warner e dirigida por Amy Sherman-Palladino. Porém, ao chegar na sexta temporada a diretora afirmou precisar de mais duas para concluir a história e a Warner não concedeu, dizendo que a série teria que encerrar após a sétima temporada. Por essa razão, Palladino abandonou o roteiro, direção e produção executiva da série. David S. Rosenthal assumiu a produção da sétima temporada que não agradou a maior parte dos fãs. Grande parte das coisas que o público aguardava acontecer desde a primeira temporada aconteceram de forma inexplicada e pouco crível e o final não foi nada parecido com o esperado. 

        Felizmente, a Netflix anunciou no final de 2015 que estava reunindo o elenco original da série, junto com sua criadora (Amy Sherman-Palladino) para fazer uma oitava temporada, que seria o fechamento da série. A dita temporada, que estreia ainda esse ano, terá 4 episódios e cada um se passará em uma estação do ano. A ansiedade é muito grande e, com todas as temporadas anteriores disponíveis na Netflix, os fãs da série começaram a re-assistir as sete temporadas já produzidas, enquanto a oitava ainda não estreia. Eu sou uma dessas fãs e já falei sobre a série aqui em momentos passados, mas decidi que dessa vez iria fazer revisões detalhadas de cada uma das temporadas, conforme eu for re-assistindo.

         A decisão de fazer esses textos veio da percepção de que, atualmente, a série tem significações bastante diferentes para mim do que na primeira vez em que assisti. Consigo perceber e relacionar uma série de coisas que não conseguia antes, consigo entender mais das piadas e acompanhar melhor os diálogos – que seguem sendo muito rápidos, mas meu inglês está um pouquinho melhor.

      Nesse texto, portanto, vou falar detalhadamente sobre a primeira temporada da série, destacando alguns pontos que achei bastante relevantes ao re-assistir. É claro que, se você não assistiu Gilmore Girls, não recomendo prosseguir na leitura, pois ela será repleta de spoilers.

Temporalidade

         Quando a gente assiste uma série inteira, de forma rápida e consecutiva, acaba se perdendo no desenrolar dos fatos. Ao recomeçar a primeira temporada, eu tinha a impressão de que a maior parte dos acontecimentos que se desenrolavam nela eram parte de outras temporadas. Eu lembrava a história da série passando de forma muito mais devagar. Não recordava, por exemplo, de que já na primeira temporada Sookie e Jackson começam a se relacionar e Rory e Dean têm o primeiro rompimento. Eu acreditava que essas coisas aconteciam na metade da segunda temporada, por aí. Levei um susto ao ver tudo se desenrolando da forma que foi.

Os casais

Rory e Dean

        Eu lembrava do relacionamento deles de uma forma muito diferente. Na minha cabeça, o primeiro encontro tinha sido quando Rory derrubava livros e Dean pegava um dos títulos e esboçava um diálogo sobre ele, como alguém que o conhecia e tinha lido. Nada disso. Revendo a primeira temporada, percebi que Dean não era um leitor, não era estudioso, não tinha pretensões na vida. Basicamente, ele e Rory não têm nada a ver um com o outro e, embora o início do relacionamento seja bastante fofo, o é apenas por causa do nervosismo de Rory e do fato de ela não saber lidar com os próprios sentimentos. Porém, o relacionamento deles não é apresentado ao espectador de forma densa ou intensa. Dean vive na casa de Rory e acaba aprendendo sobre seus hábitos e manias e conhecendo bastante sobre Lorelai, mas Rory nunca foi na casa dele ou conheceu os pais dele e isso é bastante esquisito

        Também é estranho que Dean, recém chegado na cidade, tenha que encontrar um emprego como primeira coisa a ser feita. Rory, Lane e as outras meninas da idade dela apresentadas na história não precisaram procurar um emprego. Mas Dean, assim que chega em Stars Hollow, precisa trabalhar em algo. Fiquei pensando se isso seria por ele ser homem ou algo do tipo. É perceptível nessa primeira temporada que os dois são desalinhados ideologicamente. O episódio da Dona Reed evidencia muito isso. Primeiro, Dean não entende a devoção de Rory e Lorelai por uma série de TV e depois não entende o problema que era o modo de vida de Dona Reed, fazendo com que Rory entenda que é isso que ele espera dela – o que é totalmente diferente daquilo que ela gostaria de ser. Eles são péssimos em se comunicar e brigam em qualquer desentendimento – e como eles se desentendem em quase todas as conversas, o ideal seria que não falassem um com o outro.

        Para completar, Dean é extremamente ciumento e já no nono episódio da série, ele se envolve em uma briga física com outro garoto por causa da Rory. Quem já viu a série sabe que esse padrão se repete e a gente só consegue olhar pra tudo isso e pensar “Por que Dean, por quê?”. Enfim, compreendo que para um relacionamento de 16 anos e o primeiro de Rory, não tinha como esperar muito mais do que isso. Mas é visível, desde o começo, que a coisa está fadada a terminar e o fato de ela hesitar ao dizer que o ama é apenas uma prova disso. Rory não estava repetindo padrões de Lorelai, ela estava sendo esperta. Pena que o coração adolescente acabou vencendo essa…

Lorelai e Max

         É completamente bizarro que a temporada termine com Max fazendo um pedido de casamento para Lorelai. Eles ficaram juntos por um total de oito episódios na temporada. Sendo que o primeiro é um encontro casual em um café, o segundo é Lorelai esquecendo que ia se encontrar com ele, o terceiro é um encontro de fato, o quarto é um beijo na escola e os outros quatro são já no final da temporada, quando Lorelai resolve retomar o relacionamento. Aí me pergunto: que relacionamento ela queria retomar? Como pode eles quererem se casar?

       Convenhamos, eles tinham acabado de se conhecer. Assim como Rory e Dean, não tinham nada a ver. E, se tinham, o desenvolvimento romântico do relacionamento não foi mostrado ao espectador. Eu não faço ideia do porque eles estavam juntos e porque eles achavam que era o suficiente para que se casassem. Max visivelmente não se encaixaria no estilo de vida de Lorelai, e vice-e-versa. Eles eram fofos? Sim, claro. Mas é de fofura que se faz um casamento? Eu acho que não.

       Se for parar para pensar, Luke estava com Lorelai em um número bem maior de cenas, incluindo em cenas importantes para ela e a família dela – como o dia em que Richard foi parar no hospital. E Lorelai não pensou em casar com o Luke, então porque pensou em casar com o Max? Não consigo entender!

Sookie e Jackson

        Esse relacionamento é muito engraçado, porque eles flertam conversando sobre safras de frutas e qualidade de vegetais. Mas é completamente fofo e inocente, porque Jackson consegue entender e alegrar Sookie mesmo em momentos que ninguém mais consegue e eles se encantam um pelo outro de forma que nenhum outro casal da série conseguiu fazer até o momento. Se tem um casal que surge na primeira temporada e dá pra gente torcer por, são esses dois. Visivelmente as brigas que surgem são apenas forma de gerar assunto e eles não ficam magoados, quando acontece alguma mágoa, eles conseguem conversar sobre ela e seguir adiante. 

Luke e Rachel

        Mais um casal que a gente não sabe muito sobre. Rachel fica poucos episódios no seriado e tudo que sabemos é que eles têm um background e Luke tem dificuldade em confiar nela novamente. Mas não sabemos muito sobre ela, o que eles têm em comum, porque se relacionar é uma boa ideia no caso deles, quais seriam os motivos para não dar certo etc etc etc. Rachel aparece com a mesma facilidade que some da série e nós só temos uma certeza após tudo isso: Luke está realmente interessado em Lorelai e ela insiste em não ver – ou em ver e ignorar.

Lorelai e Christopher

     Coloquei esse casal aqui porque ele é a “sombra” de toda a série. Não sei muito bem o que acontece ali. Lorelai se sente visivelmente mais segura ao lado de Christopher, porque eles cresceram juntos e ela acha que nenhum outro cara vai conhecê-la e entendê-la tão bem quanto o pai de sua filha, mas ela não consegue se relacionar com ele, porque acha que ele ainda não amadureceu o suficiente e ainda é um garoto que anda de moto e sonha em um dia ser independente. Ela é independente desde que teve sua filha e fica incomodada com o fato de Christopher não ser. Além disso, a ideia de ficar com ele e agradar seus pais é ruim para ela, que sempre desconsidera. Mas Christopher segue sendo a fonte segura para quem Lorelai recorre quando está com problemas. Ou ao menos quando está com problemas que Luke não consegue resolver.

As amizades

Lane e Rory

         Eu fico com muita dó da Lane na primeira temporada. Enquanto a vida da Rory dá um salto e ela tem namorado, escola boa, uma boa relação com a mãe etc, Lane segue sendo a mesma pessoa reprimida e forever alone. É muito triste que Rory abandone ela por algum tempo e a relação entre as duas acaba sendo unilateral, porque Lane deixa de pedir ajuda e considerar Rory em determinadas situações, após perceber que ficaria sozinha de qualquer jeito. 

         O fato de Lane ir para a Coreia sem data para voltar nem causa um alvoroço muito grande em Rory. Ela não tenta fazer nada para impedir, não bola planos de fuga, nada. Ela segue sua vida normal e Lane aparece eventualmente comentando “ei, não sei quando volto” e bola um plano B sozinha, apenas comunica ele para Rory. No caso do Henry é a mesma coisa, Rory não tenta ajudar com conselhos ou ideias para que eles se encontrem, ela apenas ajuda na questão do telefone – o que é quase nada. Parece que a Lane está muito mais disponível e disposta a ser amiga da Rory do que o contrário e isso é bastante chato.

Lorelai e Sookie

          Lorelai também é a protagonista da relação com Sookie e as vezes o egoísmo dela atrapalha as coisas. Ela tende a achar que a Sookie está ali sempre disponível para servir ela e é ótimo que Jackson comece a se relacionar com Sookie, porque Lorelai acaba perdendo esse pensamento. Elas são boas amigas, que sempre se ajudam, dão suporte e ficam realmente felizes e empolgadas pelas conquistas uma da outra. Sookie comemora as vitórias de Lorelai e Rory como se fossem sua própria família e isso é maravilhoso de ver e acompanhar.

Rory e Paris

           Paris pretensamente é amiga de Madeline e Louise, mas é bem óbvio que as três andam juntas por comodidade e não por sentimentos reais. Tudo fica bem evidente no episódio Concert Interrupts, o décimo terceiro da série. É nele que a gente vê Rory e Paris minimamente mais próximas e percebe que a segunda é muito mais infeliz e solitária do que aparenta ser. Rory percebe algumas das vulnerabilidades de Paris e tenta ajudá-la, partindo do princípio que as duas vão ter que continuar se vendo frequentemente até o fim do ensino médio. Paris reluta em aceitar a ajuda de Rory e se sente inferior por precisar dela, preferindo continuar emburrada e sozinha. Mas, pelo menos para mim, foi possível ver faíscas que possivelmente desencadeariam em um relacionamento bacana.

Percepções gerais da temporada

  1. Richard ter ficado doente acabou aproximando um pouco mais Lorelai, mas também fez ele perceber que o modo de vida que levava não era lá essas coisas. Emily percebe que não consegue se imaginar sem Richard, o que é bem interessante, porque a relação dos dois não é de dependência mútua. Rory, por sua vez, percebe que o avô já ocupa um lugar bacana em seu coração e que ficaria realmente chateada se ele piorasse ou chegasse a morrer.
  2. A evolução do relacionamento entre Rory, Emily e Richard é o que chama mais atenção na temporada. Apesar de Lorelai exercer forte “alienação parental“, fazendo com que Rory tenha uma visão bastante deplorável de seus avós, como se eles fossem extremamente fúteis, malvados e manipuladores, a menina vence o ideal construído pela mãe e resolve tentar conhecer os avós por conta própria. O episódio em que ela vai ao clube com Richard e, depois, quando Emily vai conhecer Stars Hollow e acaba por dar a Rory o quarto perfeito, são a mais perfeita prova disso. 
  3. Lorelai é extremamente egoísta e quer que Rory seja exatamente o que ela não conseguiu ser e ao mesmo tempo tenha todas as coisas que ela considera como qualidade próprias. Ela tem muitas dificuldades em tentar entender o ponto de vista de seus pais – ou de qualquer outra pessoa além de Rory, e as vezes até da Rory. Tem horas que dá vontade de pedir para ela simplesmente baixar a bola e deixar a menina se virar.
  4. Rory leva muito em conta os pensamentos e vontades de Lorelai e acaba tomando decisões se baseando nisso e não no que ela realmente queria. A pressão para que ela não engravide, seja uma boa aluna e vá para Harvard é doentia em alguns aspectos e tem horas que dá vontade de pedir para ela relaxar, fazer o que quiser e largar mão de ficar pensando tanto nas vontades da mãe.
  5. Paris é a personagem mais interessante da temporada, ao menos para mim. Inserida no mundo dos ricos e populares, ela é extremamente impopular por levar a escola a sério demais. Nutre fobia social, não consegue compreender outras pessoas e vive fechada em sua própria bolha, onde tudo que importa é conseguir entrar em Harvard. Ela é uma pessoa que precisa relaxar urgentemente e viver um pouco mais, por outro lado, é a personagem com quem eu mais me identifiquei. Principalmente no episódio 17, onde ela não vê a hora de ir embora da festa dada por Madeline.
  6. Tristan é um garoto tão insuportável, que faz com que Dean realmente pareça bacana e o mocinho da história. É muito bom que Chad Michael Murray (o ator que o interpreta) tenha sido selecionado para ser protagonista de One Three Hill e tenha largado a série, porque seria bastante insuportável ter que acompanhar seu pretenso desenvolvimento durante as próximas temporadas. De todos os garotos que Dean bate, esse é o único que considero merecedor. 
  7. Nos primeiros episódios, Richard e Emily mencionam Lorelai the First durante o jantar semanal das sextas, utilizando o tempo verbal pretérito. Isso faz com que o espectador entenda que a bisavó de Rory já faleceu e agora as Lorelai Gilmore existentes são apenas ela e sua mãe. Porém, no 18º episódio da temporada, a família Gilmore recebe a visita de Trixie, a mãe de Richard. Isso é um erro narrativo bastante confuso e que pode passar despercebido em um primeiro olhar.

          Essas foram minhas impressões gerais dos primeiros 21 episódios da série. Assisti a eles em seis dias e, se continuar nesse ritmo, termino a série inteira em breve. Assim que uma temporada for concluída, vou fazer um texto parecido com esse contando as minhas impressões. Como eu sei que tem bastante gente assistindo/re-assistindo a série, seria bem legal poder ouvir/ler as impressões de vocês! Para isso, é só comentar aqui ou conversar comigo em algum outro lugar! 

       Se você não assina Netflix, mas quer assistir a série, fique tranquilo! Há diversos torrents e outros arquivos com todos os episódios espalhados por aí. Mas, tome cuidado, elas falam muito rápido e talvez você não acompanhe o ritmo sem antes tomar bastante café!