Só quem já sentiu isso vai entender.

Hoje o dia acordou mais bonito. O céu estava mais azul e o Sol mais brilhante. As nuvens branquinhas pareciam algodões flutuando sobre minha cabeça. Eu estava leve, contente, hiperativa, abraçante, falante e, acima de tudo, feliz.

Tudo começou ontem no fim da tarde… Eram 18:30 e a querida Analu me ligou dizendo que eu estava atrasada e que ela estava ansiosamente me esperando no Cena Hum. Eu, que já estava no meio do caminho, apressei-me para chegar até ela o mais rápido possível. Não adiantou, adentrei no recinto com 45 minutos de atraso e levei uma bronca gigantesca daquele amorzinho de pessoa que estava morrendo de fome e não aguentando mais me esperar. Comemos, quer dizer, Analu comeu. Eis que surgem então nossos pequenos pupilos, Letícia, Rafaela, Leonel, Joseane, Jefferson e Isadora, as estrelas da atração que nos fez estar ali naquela hora. Eles estavam indo para a “concentração”, tinham acabado o último ensaio e iam começar a maquiagem, aquecimento etc e tal. Os vi ali e meu coração já começou a palpitar, todas as suposições possíveis passaram na minha mente. O que eu estaria fazendo caso não tivesse saído do teatro no começo do ano? Estaria eu indo junto com eles para a sala de maquiagem? Contive-me. Esperamos eternas duas horas até que a peça se iniciasse. E então estávamos nós na primeira fileira, vendo “Electra” sendo estrelada por aquelas pessoas que um dia foram nossa turma, nossa família. Senti-me extasiada ao ver seus belos rostos entrando em cena, aquela segurança para falar, vendo meus lindos amigos ali, sendo pessoas completamente diferentes. Porque eu não vi cada um deles, eu vi Electra, Orestes e Clitemnestra, vi um coro lindo, um cenário maravilhoso, maquiagens e figurinos explêndidos, não vi os meus amigos, vi o trabalho deles ali, valendo a pena. E eu senti o poder do teatro. Aquela coisa doentia que te deixa completamente sem ar, com o coração palpitante, os olhos brilhando e uma vontade irremediável de nunca abandonar aquele lugar. Senti paixão, desejo, amor, fúria e inveja. Lembrei-me do significado da vida, lembrei-me da minha razão para estar aqui, dos meus motivos para seguir respirando. Lembrei-me do teatro, o teatro que não é apenas um lugar, uma aula qualquer, o teatro que é a minha vida. E na hora de ir embora, despedi-me de cada um deles com o abraço mais caloroso que fui capaz de dar, o sorriso mais lindo que pude mostrar e com a maior sinceridade do mundo eu disse “Vocês estavam lindos! Eu adorei! Senti orgulho de vocês, cada um de vocês. Vocês evoluíram um bocado!” e enchi-os de beijos, abraços e palavras carinhosas. Ao me despedir não disse um simples adeus, disse “Até semestre que vem!”. E que o semestre que vem chegue logo, porque quero lembrar-me do quão é bom viver, de que o ar que entra nos meus pulmões através do meu nariz é suficiente e de que eu sou absolutamente maravilhosa e feita para dar certo. Saí de lá com várias certezas, mas a principal delas é a de que não importa se eu não passar no vestibular, não importa se o dinheiro acabar e eu tiver que concluir o ensino médio na escola pública da esquina, deem-me o teatro que eu não preciso de mais nada. Porque não tem a opção “aulinhas de teatro”, mas sim “Oh Deus meu, o que seria de mim sem tão aclamada aula?”. E bom, eu sei o que seria, estou vivendo isso nesse exato momento e não está sendo legal. Tem gente que tem uma religião, bom… O teatro é a minha e Dionísio é o meu Deus.

Nem preciso dizer que essa foi uma das noites mais serenas da minha vida e que isso explica muito o fato de este ter sido um dia tão atípico, onde as pessoas ouviram eu dizer que estava feliz.

Um post sobre Tarantino

Acho que vocês estão cansados de saber que sou uma tremenda viciada em filmes, certo?

Mas descobri que não havia visto nenhum filme de Tarantino, embora já tivesse ouvido falar tanto dos filmes quanto dele, nunca tinha tido oportunidade de assisti-los, então meu novo amigo Leo, que tinha alguns filmes dele, fez uma “troca cultural” comigo, emprestei filmes que considero bons, reflexivos e úteis para a vida e ele me emprestou alguns do nobre Tarantino.

O primeiro a ser assistido foi Pulp Fiction

E… Puxa vida que filme legal! É de 1994 e ganhou Oscar de melhor roteiro, no elenco estão John Travolta, Uma Thurman, Bruce Willis e Samuel L. Jackson.

O cabelo do John tá muito engraçado.

E o roteiro do filme é realmente ótimo. Os diálogos são maravilhosos, o modo como filme é montado também é muito bom, as cenas de ação são extremamente bem feitas e a atuação está impecável.

Além de tudo isso a trilha sonora também me chamou bastante atenção, nunca tinha notado trilhas sonoras de filmes de ação, mas a desse filme, era impossível não ficar impressionada.

Outra coisa que me chamou atenção foi o fato de ser um filme classificação 18 anos e não ter quase nada demais. Hoje em dia teria sido classificação 14, com certeza.

Com esse filme descobri que agulhas me dão aflição, o que significa que nunca vou me drogar.

Também aprendi como salvar alguém com overdose e a nunca andar com uma arma que tem capacidade de disparar sozinha.

Aprendi que talvez milagres existam, mas que mudar a vida por causa deles é bobeira.

E aprendi, acima de tudo, que Tarantino sabe realmente como dirigir filmes.

Resultado? Eu queria mais.

E foi aí que apareceu Beatrix Kiddo para mudar a minha visão de mundo, mais uma vez.

Em Kill Bill Uma Thurman se superou. Ela me fez lutar com ela e apoiá-la, me fez querer que ela conseguisse matar o maldito Bill, me trouxe bastante intensidade, perfeito.

As cenas do filme eram ótimas também, muito bem desenhadas e com efeitos super legais! Duvido que tenha tanto sangue assim dentro de uma única pessoa, mas é muito legal ver cenas de mutilação e o sangue se espalhando por aí! Fiquei com uma tremenda vontade de ter uma espada de Samurai, porque é muito mais útil do que uma arma de fogo, sério.

No Volume 1, o filme é essencialmente ação. Há partes que se passam no Japão, com Lucy Liu falando em japonês e tudo mais, há partes em anime, muito boas também e há a típica trilha sonora impecável. No entanto, como o meu professor de biologia já havia me alertado, a cena mais legal é a primeira. Quando a noiva luta com Vernita Green, há também um ataque absurdo de adrenalina no momento em que ela luta com Gogo. E o final? Quando ele chega tudo que você consegue pensar é “QUERO O VOLUME 2 AGORA!” e eu tinha o volume dois ali do meu ladinho e comecei a assistí-lo.

Eu realmente queria que ela conseguisse matar o Bill. Mas no volume 2 a ação não era a mesma, não tinha muita mutilação e cenas completamente sanguinárias, era um filme mais brando, talvez até dócil. A coisa que eu achei mais engraçada foi a sobrancelha de Pai Mei.

Não sei, sobrancelhas realmente me intrigam e as dele eram muito intrigantes. Fiquei com uma tremenda vontade de encostar e poder pentear.

Concluí que se eu tiver inimigos muito poderosos algum dia, necessito aprender Kung Fu e como quebrar madeira com a mão, vai me ajudar.

O legal deste volume é que você fica super ansioso pra hora em que ela finalmente vai matar Bill e quando ela chega na casa dele, o filme muda totalmente o rumo. Eu fiquei completamente emocionada e rezando para que ela desistisse de matá-lo. Colocaram uma criancinha MUITO fofa no meio do filme e crianças deveriam ser o ponto fraco de qualquer assassino. O final é perfeito.

Com o término destes três filmes concluí coisas muito importantes:

1- Tarantino é o cara.

2 – Preciso colecionar trilhas sonoras.

3 – Quero mais filmes de Tarantino.

O próximo da lista vai ser Bastardos Inglórios, darei um jeito de assistí-lo nessa semana ainda.

Mas esse post não era para ser sobre os filmes de Tarantino e sim sobre ele.

Então vamos lá…

Se você nunca ouviu falar deste ser ou nunca viu um filme dele, está perdendo muita coisa e por quê? Porque ele tem ótima criatividade para roteiros, a montagem dos filmes é impecável e a forma com que a história é contada também é bem intrigante. Além disso Tarantino é um multi-funções do cinema, ele é diretor, roterista, produtor, ator e tem uma coleção imensa de prêmios e indicações. Seus filmes sempre são bem aclamados pelo público e rendem milhões em bilheteria. Ele criou grandes tendências cinematográficas que são atualmente copiadas por diversos diretores. Além disso em seus filmes ele costuma inventar marcas de cigarro, comida e os nomes dos restaurantes que os personagens frequentam. Acredita-se também que há uma ligação entre os personagens e é por isso que vários atores são sempre chamados, dizem ainda que os filmes estão todos inter-relacionados.  No fim das contas, caros amigos, gostaria de dizer-lhes que Tarantino é O cara e que se você não o conhece, trate de conhecê-lo.

Bom… Essas são algumas das coisas que acontecem comigo depois que vejo filmes muito bons: histeria.

Meu lugar preferido em 2010

2010 foi um ano farto de lugares especiais!

Começou na Times Square – NY, depois em Fortaleza e aqui na cidade mesmo, quantos lugares especiais passei!

Mas teve um lugar que me marcou profundamente, cravou uma fenda no meu coração, um lugar que sei que mesmo com 80 anos olharei para os meus netos e lembrarei com clareza dos momentos que passei lá.

Um lugar não é especial apenas por existir, ele se torna especial pelos momentos passados lá, pelas pessoas de lá.

Se fosse para dizer o lugar onde passei a maior parte do tempo, diria a escola e em casa, o meu banheiro (a estranha que adora banheiros), mas resolvei que meu lugar preferido vai ser aquele em que me senti melhor por mais tempo!

É um milagre eu não estar falando de um cinema, mas só não estou falando de um cinema porque este lugar existe.

Fica na Rua Senador Xavier da Silva, 166 – São Francisco, chama-se Cena Hum Academia de Artes Cênicas e não sei se pelas pessoas que trabalham/estudam lá, ou pelo ambiente em sí, ou pelos momentos que passei lá junto com as pessoas mais legais do mundo… É meu lugar preferido de 2010 e de 2011 e de 2012 e de SEMPRE.

Porque a cada vez que passo por aquele portão, meus problemas desaparecem, entro em um universo paralelo onde só coisas boas podem acontecer e nada é capaz de me abalar, quando estou lá dentro, me sinto feliz, completa, realizada, sinto que é realmente a Mayra ali, sem máscaras, sem vergonhas, medos, sem nada. Quando eu entro lá, sou apenas uma folha em branco, um papel esperando para ser riscado, desenhado, dobrado, qualquer coisa que o transforme em alguém completamente diferente. Nunca tinha acontecido isso comigo antes, é muito interessante esta sensação. Eu amo o Cena Hum.

Ele nasceu, cresceu e… Foi embora.

Hoje foi o último dia da nossa peça!!!

Quarta-feira a diretora entrou no camarim gritando “Nosso bebê nasceu!!”, ontem ele cresceu e digamos que ficou doentinho, hoje ele estava grande e formoso, mas daí… Foi embora!

É engraçado pensar que já foi um semestre! Um semestre é muuita coisa! Parando para pensar em todas as coisas que aconteceram neste curto espaço de tempo… Aconteceu muuita coisa!

Lembro do primeiro dia de aula, estávamos na recepção e nem sabíamos que estaríamos na mesma sala, lembro que achei o Jefferson suuper estranho e achei que a Ana tinha a minha idade… Daí a gente entrou na sala e começou a se conhecer e tã dã, quando deu 18:30 e fomos embora, já sabíamos msn, orkut etc e tal de quase todo mundo! Na quinta-feira desta semana, passamos meia hora da aula conversando, todos juntos! Até a Gabi! E como foi legal acompanhar o nosso crescimento… No começo todos éramos uns perdidos naqueles jogos, o ABC não chegava nem no D e alguém já errava! hahaha

Crescemos juntos. Em seis meses.

Agora eu entendo porque a minha amiga sempre chama as pessoas do teatro de “Segunda Família”, eles realmente são uma espécie de segunda família. Eles ficam naquele lugar mágico onde todos os seus problemas somem e o máximo que te atrapalha é o sono e o cansaço. Eles te abraçam quando você precisa, fazem massagens, te escutam, te entendem… Compartilham a vida, realmente.

E hoje, junto com o nosso bebê que foi embora, senti que uma parte de nós ia com ele junto.

Não sabemos como será daqui para frente, quem vai continuar e criar mais um bebê semestre que vem e quem vai embora. É triste pensar que há a possibilidade de alguém ir embora. Não estou dizendo que somos BFFs e que nunca nos desentendemos, mas… Não queria que este momento acabasse. Não queria que a Gabi deixasse de ser nossa professora, mesmo sabendo que é bom ter outro professor… Será como uma parte de nós sendo abandonada.

Eu só queria dizer que…

Eu amo cada um de vocês como se fossem meus irmãos, de verdade. E que vai doer muito se algum for embora sem avisar, porque se já está começando a doer o fato de perder a Gabi, que era previsto, perder algum de vocês vai ser terrível.

O que será das minhas tardes de terças e quintas sem a Ana para eu fazer alongamento, Rafa para me fazer morrer de rir, Letícia para eu chutar e ouvir o bom e velho “ORRA”, Jose pra eu reclamar que ela tem todos os papéis, Jefferson pra eu gritar “Para Jefferson!”, Leo pra eu abraçar bem apertado e sair voando! e Thamy para eu reclamar que não olha nos meus olhos? Preciso de vocês. Espero que fiquem comigo. Obrigada pelo semestre maravilhoso! E quando nossa foto da turma estiver aqui, podem ter certeza que ou eu coloco neste post, ou faço um novo, só para ela.

Vocês são essenciais.

Obrigada.

SAI DO CHÃO, SAI DO CHÃO, ESSE É O TERCEIRÃO!

Essa semana foi a última semana de aula dos FERAS 2010, a partir de hoje eles nunca mais vão precisar pisar naquela maldita escola! A não ser que estudem na FAE, né.

Como era a última semana deles, aproveitaram todos os dias para extravasar sua alegria e emoção e não se importaram em atrapalhar as aulas de nós, pobres mortais. Achei linda a iniciativa deles de homenagear os professores etc e tal. Concordo plenamente que tenham que fazer essas coisas, é a parte divertida de ser FERA!

Hoje era de fato o último dia de aula deles e então eles fizeram aquilo que TODAS as pessoas que são verdes no BJ querem fazer quando forem FERAS. Cantar a musiquinha. Eles desceram as escadas do quarto andar berrando “OS CALOUROS SÃO MUITO BURROS, MUITO BURROS ELES SÃO! VOCÊ É UM DELES, VOCÊ TAMBÉM, LOUVAI O TERCEIRÃO!” e foram para o corredor dos calouros e gritaram, pularam, fizeram tudo que tinham direito. Desta vez não atrapalharam ninguém, pois os professores tinham acabado de entrar em sala, garanto que nenhum deles tinha sequer conseguido fazer com que todos se sentassem. Os coordenadores burros, mandaram eles descerem e lá se vai 450 pessoas para o segundo andar, onde tem o que? Mais calouros! E eis que tudo começa again e eles pulam, berram etc e tal, foram até liberados 11:20, para não encontrarem calouros na saída! Foi lindo, divertido, sem fazer mau a ninguém. Sabe… O sonho de 90% dos alunos que querem ser FERA um dia. E então fomos todos para a aula de inglês, a pacata aula de inglês. E do nada surgem o Gestor e o Coordenador Disciplinar e nos pedem desculpas pelo que os FERAS fizeram hoje, nos diz que foram punidos e que haverá mudanças em suas formaturas devido ao que fizeram, nos dizem para não cometermos o mesmo erro, não estragarmos nosso ano letivo e nos diz ainda que, mesmo sem termos feito nada, talvez fôssemos prejudicados, pois a escola está pensando seriamente em adotar as mudanças na formatura, para todos os anos. E foi assim que eles despertaram a minha revolta.

Não quero falar sobre minha revolta no momento, já pensei no que vou fazer caso eles resolvam estragar o único motivo por eu continuar no BJ ano que vem, a formatura.

Vou contar a vocês como eu sempre sonhei em ser FERA.

Quando entrei no BJ, nem sabia que existia diferença no uniforme do Ensino Médio pro Fundamental, descobri quando vi os pretos me chamando de verde. Quando eu descobri que as pessoas do terceiro ano eram chamadas “FERAS”, estava na oitava série. Passava por aquelas pessoas gigantes, com uniformes bonitos e aquele olhar de prepotência quando passavam por mim e eu achava divertido! Comecei a querer ser FERA, porque adoro pensar que estou no topo de alguma hierarquia -hahhaha Quando entrei no Ensino Médio de fato e comecei a ser assediada para comprar rifas e correios elegantes e até ingressos para festas, queria MUITO ser FERA. Todos os anos, o dia que eles saiam pra cantar a musiquinha era um dos que eu achava mais divertido! Ficar ouvindo e cantando… era legal! E agora cá estou eu… 3 semanas para terminar as minhas aulas. 3 meses para EU ser FERA.

Acho que dia 07 de Fevereiro de 2011 vai ser um dos mais felizes da minha vida, vai perder pro dia da minha formatura, ÓBVEO, mas vai ganhar de quase todos os outros! 2011 vai ser o melhor ano da minha vida.

E eu vou gritar pra todo mundo ouvir:

SAI DO CHÃO, SAI DO CHÃO

ESSE É O TERCEIRÃO.